Cristal de Lítio

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Com uma formação eclética de músicos e compositores, a Cristal de Lítio é uma Banda que emerge em sintonia fina com o resgate de uma cultura e sonoridade genuinamente contemporânea. Suas composições, baseadas em profundas reflexões filosóficas, conseguem obter resultados originais ao mesclar ficção, fatos e aspectos do cotidiano com lirismo e musicalidade. Esta tradução urbana é levada a cabo em bem construídos arranjos, acessíveis a uma grande faixa de público, sem necessariamente, fazer grandes concessões comerciais. Esta é uma fórmula bem construída, feita para durar. O primeiro CD: “Certeza de Continuar” é a prova desta bem sucedida mistura, que já encanta a muitos e tem garantido espontâneo espaço em rádios, jornais e TVs, em São Paulo, Rio de Janeiro e no Interior de São Paulo.

A Cristal de Lítio é formada por Mingo Soares, Luís Polidoro, Luís Sérgio Lico e Alê. O início teve lugar no começo dos anos 80. O Brasil de então, mergulhava no caos social e econômico e ainda temia os militares; justificava-se a necessidade de viver intensamente, pois o futuro era incerto. Hoje, décadas depois, a qualidade sonora do grupo é ainda pulsante e atual. Assim, o que os quatro paulistas tem para mostrar ao público, são músicas recolhidas na poesia urbana e que marcaram época nos redutos do mundo alternativo, além de novas e surpreendentes composições. Os fãs que costumam apreciar as apresentações, são prova da importância do grupo para o cenário musical de São Paulo. A Cristal de Lítio é uma Banda independente com uma temática de amplo âmbito cultural, assim busca efetuar parcerias e conseguir o necessário apoio para seus projetos e apresentações, oferecendo um diferencial de qualidade para espetáculos, shows, mostras culturais e eventos de todo o porte.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Cristal de Lítio para a www.ritmomelodia.mus.br,  entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 07.2005:

01) RitmoMelodia: Fale do inicio da Banda, a formação do inicio e atual e qual cidade de origem.

Cristal de Lítio: O núcleo original é o mesmo, apenas temos mais um amigo, o Alê. A Cristal de Lítio foi formada em 1984 e terminou dois anos depois. Estivemos distantes por mais de 15 anos, mas a banda sempre continuou nos sonhos e na imaginação de cada um. Durante este tempo, sempre ficou um vazio, uma sensação de algo inacabado que era importante e havia se perdido. Então, um belo dia eu tomei a iniciativa de procurar o Polidoro e depois de algumas formações sem sucesso, encontrei o Mingo numa estação de metrô e reunido o núcleo original, eles toparam levar a loucura adiante. O Alê entrou um pouco depois e assim o time estava formado. A ideia inicial era apenas resgatar as músicas e registrar a obra, porém a coisa tomou um impulso muito grande e excedeu as nossas expectativas.

02) RM: Quais as influencias musicais e formação musical dos integrantes?

Cristal de Lítio: Principalmente as vertentes progressivas e de hard rock, no entanto fazemos uma fusão com blues, reggae e Mpb (Nektar/Led/Floyd/Wishbone Ash/RUSH/Manfred Mann/Muddy Waters/Clapton/Purple etc). Acreditamos que não há sentido em selecionar estilos ou recusar a influência da cultura de onde se vive. Quanto à formação musical é basicamente eclética:  o Mingo Soares é a voz da banda, estudou na ULM – Universidade Livre de Música e trabalhou muito tempo com espetáculos infantis, produziu e musicou muitas peças, além de ser também guitarrista compositor, assinou a direção artística e é um excelente artesão nas horas vagas. O Luís Polidoro é um guitarrista autodidata com um timbre inconfundível, de uma criatividade marcante, sendo também um dos principais compositores da banda. O Alê só veio somar, trazendo uma boa bagagem como baterista e compositor e ex aluno da Drum. O Luís Sérgio Lico (Eu) é  baixista, violonista, fez curso no Conservatório Marcelo Tupinambá sendo também escritor, compositor e o filósofo de plantão.

03) RM: Quantos CDs lançados? Comente cada um deles?

Cristal de Lítio: São 20 anos de trabalho (individual e em grupo) e só deu para lançar um CD!  São 12 músicas e as letras são construídas para causar impacto e carregam bastante na crítica político-social, sem cair na mesmice panfletária. Nas composições trabalhamos reflexões filosóficas que vão além das posturas meramente existenciais, com o intuito de soar originais para cada ouvinte. Essa mistura contemporânea, com seu aspecto experimental, aliada aos arranjos criativos é um alívio aos ouvidos e agrada a alma: A Cristal de Lítio apresenta mais que um retrato musical de época: se propõe a tocar o que está mais que sintonizado com a raiz dos estilos marcantes da música atual, trazendo uma qualidade rara ao panorama rarefeito da MPB, cercada de mediocridade por todos os lados.

04) RM: Defina o trabalho musical da banda?

Cristal de Lítio: Quem escuta o CD tem várias impressões, já que nos propomos a desnudar as influências que marcam a música brasileira, que nada mais é que um grande sincretismo. Buscamos ser sinceros em tudo o que fazemos e, por isso, não nos opomos a mesclar ritmos e estilos que nos ajudem a transmitir o que sentimos. São 12 músicas que fazem uma grande viagem pelo panorama musical de mais de duas décadas e, é claro, existe uma referência aqui e outra ali e isto vale a pena. Difícil mesmo é dar um rótulo para isso. Fazemos uma música realmente “independente”.

05) RM: Como vocês vêem a cena do rock rool nos após anos 80?

Cristal de Lítio: O rock hoje pode ser definido como uma atividade industrial da cultura de massa, orientada para lucratividade, explorando determinada faixa etária e segmento de mercado. O real espírito é o que sobrevive em alguém que neste momento está em seu quarto ou na garagem de casa, compondo uma canção que talvez nunca vá tocar no rádio, mas que pode influenciar em muito toda a sua comunidade, ou então naqueles, como vocês que acreditam fazer a diferença e mantém a RitmoMelodia ativa. Há muita técnica e velocidade e pouca inspiração.

06) RM: Quais as bandas de rock brasileira que você admiram?

Cristal de Lítio: Muitas nem mais existem e foram as que importaram realmente, como o “Ave de Veludo”, “Aurora Boreal”, “Harpia”, “Terço”, “Peso”,  “Barca do Sol”, Rita Lee da primeira fase. As outras são mainstream e todo mundo conhece: “Os Mutantes”, “Legião Urbana”, “Plebe Rude”, “Camisa de Vênus”, “Inocentes”, “Karnak”. Escutamos de tudo!

07) RM: Quais os prós e contras de fazer um trabalho independente?

Cristal de Lítio: A grande vantagem de ser independente é não ter um “fulano” mandando em você e dizendo o que tem ou não que fazer ou tocar, em função do lado exclusivamente comercial. Também é legal ser o proprietário da obra e não deixar ninguém rico às suas custas. A desvantagem é que sem estes tipos de intermediários você não acha espaço em lugar nenhum, não vende CD e não entra em promoção de rádio, TV, jornal e o escambau! Apesar do status “cult”, ser independente não garante nada, pois todos os empresários de todos os segmentos que vivem da música tem medo do novo, porque ou abala quem está por cima ou não rende grana. Casas noturnas então é de lascar! A maioria só vive de explorar o rock através das bandas cover. É uma coverdose total.

08) RM: Como você vêem o mercado fonográfico, o show biz e mídia na atualidade?

Cristal de Lítio: Isto não existe no Brasil para a maioria da patuleia que tenta abrir caminho entre os espinheiros das produções.  Mercado fonográfico é o camelô da esquina e o “cdzinho pirata” de R$ 3,00. As gravadoras foram abaladas pelo MP3 e a pirataria, isto refletiu negativamente na contratação de novos talentos (só quem é da família, pois o nepotismo neste ramo é absurdo) e sua atuação e super restrita. Grandes produções são para os medalhões da MPB e artistas do cast global, que já vendem antes de se apresentar. Já a mídia é na maioria conivente em submeter seu departamento artístico e cultural ao famigerado departamento comercial. Hoje se compra grades de programação e pronto (jabá)! Se não comprar está fora da grande mídia, seja televisiva, impressa ou radiofônica. Sorry, periferia!

09) RM: Quais os melhores lugares para tocar e ouvir rock em São Paulo?

Cristal de Lítio: Os lugares que deixam os independentes tocar. São poucos, mas existem. Mas cuidado: existe também uma segmentação muito grande e a panelinha impede os outros de entrarem (melhor não citar nomes), o que rola normalmente é ouvir: em casa tal só toca isto, em casa tal só rola aquilo, ali é da tribo tal, virando a esquina é clubber, acolá só cover, mais ali é pub, aqui não toca independente ou você é expulso. Mas dos muitos lugares que já passamos, alguns são extremamente legais: Empório Rock Bar, Depósito Bar, Blackmore.

10) RM: Qual os novos projetos e desafios em 2005?

Cristal de Lítio: Vamos insistir e tentar garimpar nosso espaço, encontrar parceiros que possam nos auxiliar a colocar o trabalho no mercado, arrumar shows, mostras, projetos culturais oficiais, apresentações estas coisas. Se tudo der certo, faremos o circuito Sesc e Casas de Cultura. Também nos inscrevemos nos concursos Rumos/Itaú e no London Burning e vamos ver no que dá. Temos a secreta esperança que 2005 será o nosso ano e vamos trabalhar para isso. Queremos muito poder ter a oportunidade de ir ao norte e oeste paulista, pois lá as rádios regionais tem tocado muito nossas músicas, falta apenas um produtor viabilizar a nossa ida.

11) RM: Qual os seus contatos?

Cristal de Lítio:  (11) 9.9678 – 9694 | 9.9301 – 3906 | www.cristaldelitio.com.br

[email protected] | [email protected] | [email protected] | [email protected] | [email protected]


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.