Consuelo de Paula

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“Falar de Consuelo de Paula é falar da essência da música em total plenitude.” Zarife Fadul, Jornal do Sudoeste – MG.

Sua expressão artística é marcada por profunda coerência, sensibilidade e dedicação aos elementos da cultura musical brasileira, com tudo o que ela tem de particular e de universal, de modo à sempre nos colocar diante de algo novo, inusitado e surpreendente. Com uma trajetória singular, Consuelo se apresenta como herdeira da arte musical brasileira e mantém compromisso com a contemporaneidade, compromisso esse expresso na maneira inovadora de interpretar, compor e dirigir sua própria obra. Elegância e inspiração popular, cuidado e erudição no modo de apresentar sua arte, originalidade e equilíbrio entre a força e a delicadeza, são elementos constantes em sua obra, o que lhe tem assegurado profunda admiração e reconhecimento do público e da crítica especializada.

Cantora, compositora, poeta, diretora artística e produtora musical de seus próprios trabalhos. Samba, Seresta e Baião (1998), Tambor e Flor (2002), Dança das Rosas (2004), seus três primeiros discos, considerados referências pela crítica, estão articulados a partir de uma unidade conceitual que compõem uma trilogia. Em 2008, foi produzida e lançada no Japão a coletânea Patchworck com os três álbuns, resultado do destaque recebido por sua obra na capa do Guia Brasilian Music (Massato Asso), que selecionou os 500 melhores CDs da música brasileira.

Em 2011, Consuelo lançou seu primeiro livro A Poesia dos Descuidos (poesia de Consuelo e cartões de arte de Lúcia Arrais Morales) e também o seu primeiro DVD – Negra, gravado ao vivo no Teatro Polytheama de Jundiaí – SP. O DVD Negra, dirigido por Elias Andreato, traz canções de Consuelo com vários parceiros, entre eles Dante Ozzetti e Vicente Barreto, e algumas interpretações personalíssimas de outros autores.

Em 2012 lançou o CD – Casa com a Orquestra À Base de Corda de Curitiba; as canções de Consuelo de Paula e Rubens Nogueira receberam arranjos de nomes como Chico Saraiva, Weber Lopes, Luiz Ribeiro, João Egashira, entre outros.

Ao longo de sua trajetória a artista tem participado de diversos projetos culturais e de programas conceituados como: Ensaio (direção Fernando Faro), TV Cultura de São Paulo; Talentos (Giovani Souza), TV Câmara de Brasília; A Voz Popular (Luís Antônio Giron), Rádio Cultura de São Paulo; Letra e Música (Pascoale Cipro Neto); Contacto Brasil, Rádio Jazz, Venezuela; e Club Brasil (Juan Trasmonte), Buenos Aires. Já fez shows em grandes teatros como o Gran Rex de Buenos Aires (Noites Brasileiras, com Naná Vasconcelos), Theatro Municipal de São Paulo, Itaú Cultural, CCBB-SP (ao lado de Rolando Boldrin, Chico Pinheiro e Heródoto Barbeiro), CCBB Brasília (com artistas da Ilha da Madeira e do Timor Leste), SESCs paulistas, além de capitais como Curitiba, Fortaleza, Recife, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Velho, Rio Branco, Manaus, Palmas, Cuiabá, Campo Grande, Goiânia e diversas outras cidades, algumas delas pelo Projeto Pixinguinha da FUNARTE.

Consuelo participa também de importantes CDs e DVDs: Senhor Brasil (cantando ao lado de Rolando Boldrin); Prata da Casa (SESC SP); Divas do Brasil – Disco de Prata em Portugal – que reúne cantoras como Elis Regina, Maria Bethânia, Céline Imbert, Bebel Gilberto, Zizi Possi e outras; e Cachaça Fina (Spirit of Brazil). Ela também assina o roteiro do CD – Velho Chico, Uma Viagem Musical, de Elson Fernandes, no qual interpreta a canção “O Ciúme”, de Caetano Veloso, considerada a “gravação definitiva” pelo crítico Mauro Dias, no jornal O Estado de São Paulo. Sua canção “Sete Trovas”, parceria com Rubens Nogueira e Etel Frota, foi gravada por Maria Bethânia no premiado CD – Encanteria e no DVD – Amor, Festa e Devoção.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Consuelo de Paula para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa  em 01.03.2015:

01) RitmoMelodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Consuelo de Paula: Nasci na Rua Sete de Setembro na cidade de Pratápolis (MG), sudoeste mineiro, no dia 21 de julho de 1962.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Consuelo de Paula: Meu primeiro contato com a música foram as festas populares: congado, moçambique, folia de reis, carnaval, fanfarra e serenatas. E ouvia música na “eletrola – vitrola” de minha avó (Vicente Celestino, Ataulfo Alves, etc). Ganhei um violão aos treze anos e aprendi praticamente sozinha. Tive algumas aulas com o professor Marinho (amigo) e comecei a compor. Depois parei de compor e voltei somente após o lançamento do meu primeiro CD. Dançava quadrilha. Fundei um bloco carnavalesco só de mulheres. Inventava peças de teatro…

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Consuelo de Paula: Eu me formei em farmácia, na Universidade Federal de ouro Preto. Somente quando cheguei em São Paulo, em 1988, é que fui fazer cursos ligados à minha formação como cantora. Fiz um curso de teatro com Míriam Muniz, recebi aulas de canto, algumas aulas de violão e oficina de percussão. Pesquisei bastante e li excelentes livros sobre a música brasileira. Participei do Abaçaí (grupo liderado pelo Toninho Macedo sobre folguedos e culturas populares).

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Consuelo de Paula: No passado, além das festas populares que já citei, ouvia muita música brasileira: nossos sambas, baiões, valsas, canções, modinhas, toadas, etc. As músicas mineiras e de todo o Brasil. Ouvi nossas grandes cantoras e cantores (Clementina de Jesus, Dalva de Oliveira, Nara Leão, Teca Calazans, Elis Regina, Fátima Guedes, Maria Bethânia, Clara Nunes, Inezita Barroso, Eliete Negreiros, Ney Matogrosso, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Cristina Buarque, Cida Moreira, Rolando Boldrin, Elba Ramalho, Ednardo, Dércio e Doroty Marques, Cascatinha e Inhana – seria uma imensa lista) e nossos grandes compositores (Chiquinha Gonzaga, Noel Rosa, Cartola, Chico Buarque, Herivelto Martins, Milton Nascimento, Ivone Lara, Adoniran Barbosa, Martinho da Vila, Luiz Gonzaga, Dorival, Tom Jobim, Ataulfo Alves, Ivan Lins, Elomar, Sueli Costa, Vinícius de Moraes, Paulo César Pinheiro, João Bosco, João Nogueira, Paulinho Pedra Azul, Roberto Ribeiro, Alceu Valença – seria outra imensa lista). Ouvi nossos chorões, frequentei rodas de samba e choro, frequentei festas populares, bares musicais, a boemia, os shows, os consertos… Ouvi nossos vizinhos: Mercedes Sosa, Violeta Parra, Atahualpa Yupanqui, Lecuona… Ouvi fados, flamenco, jazz e a boa música do mundo. Vila Lobos e a música erudita. Hoje ouço muito meus contemporâneos e o que me encanta são as novas composições e também a nossa música instrumental! Nada deixou de ter importância.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Consuelo de Paula: Cheguei em São Paulo em 1988, mas somente em 1998 lancei o meu primeiro CD Samba, Seresta & Baião e comecei a viver e a me dedicar somente à arte musical. Lancei esse CD no teatro do SESC Ipiranga. Foi um CD muito bem aceito pela crítica e pelo público – o que me possibilitou prosseguir com a carreira até hoje.

06) RM: Quantos CDs lançados, quais os anos de lançamento (quais os músicos que participaram nas gravações)? E quais as musicas que entraram no gosto do seu público?

Consuelo de Paula: 1 – “Samba, Seresta & Baião”: 1998. Músicos: Dino Barioni, Toninho Ferragutti, Silvio Mazuca, Paulo Putini, Paulo de Tarso, Cássia Maria, Ari Colares. Vocais de Mônica Thiele, Maria Diniz e Tuca Fernandes. Músicas mais tocadas: “Anabela”, “Lua Branca”, “Espelho Cristalino”, “Riacho de areia”, “Folia”. Mas, todas as canções deste CD fizeram grande sucesso. 2 – “Tambor & flor”: 2002. Músicos: Mario Gil, Cássia Maria. Vocais: Consiglia Latorre e Tuca Fernandes. Músicas mais tocadas e comentadas: “Maria Del Carmem”, “Rainha”, “Rouxinol”, “Pedaço de Deus”, “Deusa da Lua”, “Moro na Roça!”. 3 – “Dança das Rosas”: 2004. Músicos: Mario Gil, Teco Cardoso, Gil Reys, Bré, Cássia Maria, Regina de Vasconcelos. Músicas mais tocadas e pedidas nos shows: “Retina”, “Dança para um poema” (que depois abriu o CD Prata da Casa do SESC), “Artesanato”, “Sete Trovas” (gravada depois por Maria Bethânia). 4 – “DVD e CD Negra”: 2011. Músicos: Dante Ozzetti, Heloisa Fernandes, Sergio Reze, Zezinho Pitoco, Fabio Tagliaferri, Zeca Assumpção, Ari Colares. Músicas mais comentadas: “Visita”, “Água doce no mar”, “Piedra y camino”, “Pássaro Lunar”, “Bem-me-quer”, “Caicó”, “Canção rendada”. 5 – “Livro A Poesia dos Descuidos”: 2011. Ganhou prêmio Proac. 6 – “CD CASA”: 2012. Músicos: Orquestra à Base de Corda. Arranjos de Chico Saraiva, João Egashira, Luiz Ribeiro, Dante Ozzetti, Weber Lopes, Luis Otávio, André Prodossimo. Músicas mais tocadas: “Marinheiro”, “Espera”, “Desafio”, “Borboleta”, “Convite”. 7 – “CD O Tempo E O Branco”: 2014. Músicos: Toninho Ferragutti e Neymar Dias. Músicas que têm sido mais comentadas e tocadas: “Entre desertos”, “O Meu lugar”, “Arte”, “Entre o céu e a terra”, “Timbre”, “À flor do arco-íris”.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Consuelo de Paula: Música brasileira autoral. Sei que meu trabalho é extremamente assinado. Difícil encaixá-lo em algum nicho. É música brasileira. É música popular brasileira contemporânea. Sou uma cancioneira. Uma artista que faz uma única obra. Não podemos separar um CD do outro. Busco a extrema possibilidade poética nas canções. Desenvolvi um cantar que tenta expressar, tanto poética quanto musicalmente, a “inteireza” da obra. E sei que a palavra originalidade contém dentro dela a palavra origem, portanto minha fonte está nas coisas que vivi, está no lugar de onde vim.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Consuelo de Paula: Sim, estudei por algum tempo com Tuca Fernandes. Fiz algumas aulas com Consiglia Latorre e com Madalena Bernardes. Estudei principalmente a saúde vocal. E fui me despindo de vícios, namorando o silêncio, as pausas, as divisões e a fluência. Procurei me ouvir. Busquei consciência. E continuo buscando.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e o cuidado com a voz?

Consuelo de Paula: Minha voz está melhor agora, aos cinquenta anos, do que aos trinta e isso é resultado também de cuidados. Tenho uma fonoaudióloga que cuida da minha voz quando preciso: a Edi Valadares! E a técnica é boa pra depois esquecermos dela, mas estará presente quando, por exemplo, tivermos que manter uma nota.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Consuelo de Paula: Todos os que citei acima ( e vários que não citei) e muitos da minha geração. Somos uma geração guerreira: Ana Luisa, Juliana Amaral, Titane, Ceumar, Simone Guimarães, Déa Trancoso, Katya Teixeira, Carlos Careqa, Carmina Juarez, Renato Braz, Mônica Salmaso, Luis Salgado, Carlos Navas, Fabiana Cozza, Mirianês Zabot, Jussara Silveira, Dayse Cordeiro, Luciana Alves, Maria Marta, Socorro Lira, Ilana Volcov, Ná Ozzetti, Gonzaga Leal, Cátia de França, João Arruda, Patrícia Bastos, Renato Motha, Karine Telles, Grupo Conversa Ribeira, A Barca, Grupo Vésper, Grupo O Tao do Trio, Tuca Fernandes, Tetê, Alzira Espíndola, Rubi, Consiglia Latorre, Renato Motha, Chico César, Maria Da Paz, Matheus Sartori, Rita Ribeiro, Kleber Albuquerque, Geraldo Maia e uma interminável lista! Lembrei primeiramente destes porque ouvi ou citei a pouco em conversas, mas são muitos nomes que merecem e têm a minha admiração.

11) RM: Você compõe? Como é seu processo de compor?

Consuelo de Paula: Desde o “CD tambor & flor” que componho. A partir do Dança das Rosas comecei a compor muito. Componho de várias formas. Mas, quase sempre pensando já em determinada obra. Faço melodias, mas na maioria das canções sou a letrista. Gosto de escrever antes ou depois da melodia: das duas formas. Componho muito de madrugada, quando a cidade se aquieta.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Consuelo de Paula: Rubens Nogueira foi meu parceiro mais constante. Agora estou compondo com Rafael Altério, Amaury Falabela, Socorro Lira, Vicente Barreto, Dante Ozzetti, Katya Teixeira, Luiz Salgado, Déa Trancoso, Guilherme Rondon, Etel Frota, Ney Couteiro, Oswaldo Rios, Gulim, entre outros. Adoro parcerias!

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Consuelo de Paula: A grande vantagem é a possibilidade de fazer tudo exatamente como a inspiração e a estética mandam. Arte, arte, arte. A busca incansável pelo momento poético. Apenas isso. A possibilidade de assinarmos todo o processo de criação e produção. A desvantagem é que o mundo que comanda o grande mercado não nos deixa em paz, eles vão dificultando que o caminho do independente seja mais produtivo. Parece loucura, mas é verdade. O mundo do jabá (a grande mídia) sabe do nosso trabalho, mas ignora, não cita, não informa, compra os espaços que antes eram possíveis para nós, boicota informações. E é bom lembrarmos que rádio e televisão são veículos de concessão pública, não é? Eu não queria e não quero mega exposição, mas apenas a informação devida do que se faz de arte nesse país. É muito triste ver tantas pessoas longe da diversidade artística, longe da realidade da imensa produção de arte. Pra quem acredita na importância da arte para o ser humano como eu, é uma pena ver que tanta gente que sequer recebe informação sobre essas obras. O mundo que chamam de entretenimento também é importante, mas fica muito pobre a maioria ouvir só o que três grandes gravadoras decidem.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Consuelo de Paula: A necessidade interna de registrar a obra é que guia tudo o que faço. A obra me faz querer produzir da melhor maneira possível. Faço com extremo cuidado e capricho. Dei e dou minha vida para esse ofício. E dentro do palco é o auge de tudo isso: a expressão completa. No palco nem sempre estamos com as condições ideais, mas tento sempre o melhor. Tenho gravados na memória momentos inesquecíveis de palco, quando, em alguns shows, foi possível fazer arte plena! Muitos fatores são necessários (o próprio palco, as condições técnicas, o trabalho, a energia do artista e do público, a estrutura, a produção, os músicos e a magia do teatro)!!!

15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Consuelo de Paula: Os próprios CDs são as maiores ações. Gravar CDs independentes já é um ato heroico hoje em dia. Um ato deliciosamente louco. Sofrido e prazeroso. Gasto minha energia e possibilidades nisso, pois o registro fica pra sempre.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical?

Consuelo de Paula: Ela ajuda na facilidade de comunicação e agora na venda digital também.  E acho que ela pode prejudicar quando a pessoa prefere assistir apenas no YouTube e diminui a experiência ao vivo, a experiência luxuosa, necessária e divina do teatro. Acho importantíssimo conhecer o CD inteiro, a ficha técnica, o roteiro e a experiência total ao vivo.

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do fácil acesso a tecnologia de gravação (home estúdio)?

Consuelo de Paula: São poucos home-estúdios que realmente têm boa qualidade para gravação de um CD de alto nível. Mas, quando isso acontece, facilita um pouco nos custos.

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente uma carreira musical. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo, mas a concorrência se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Consuelo de Paula: A seriedade, o cuidado, a qualidade, a dedicação, a teimosia (risos), a inquietação, a inspiração e a transpiração. Minha entrega total a essa palavrinha ainda tão mal compreendida: arte. Engraçado, as duas palavras mais lindas do mundo ainda são pouco compreendidas por nós: amor e arte. Eu crio e faço, agora, se isso me distancia ou não de nichos, já não é problema meu e sim do mundo. Não vou mudar meu repertório e nem a forma do meu canto, dos arranjos, etc, porque talvez me trouxesse mais possibilidades de trabalho. No meu caso isso é impossível, nem saberia fazer. É uma força imensa, sem tamanho que me faz teimar cada vez mais, que me faz criar cada vez mais e seguir na direção em que a arte me impulsiona. Seguindo o curso do rio, mesmo quando parece que estou nadando contra a corrente. “Eu vou, eu vou, remando contra a maré”.

19) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram as revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Consuelo de Paula: Tem uma geração nova independente que têm feito coisas belas. O mundo da música instrumental está arrasando. Muita gente permaneceu com obras consistentes. E quem regride artisticamente, geralmente, é à serviço das grandes gravadoras que teimam em impor modismos (claro que não deve ser somente por motivos econômicos, porque música de arte também vende – mas existem motivos políticos também, certamente…). E quem seguir qualquer motivo que não seja artístico, regride artisticamente, é claro, independente do estilo. A arte é uma senhora muito sensível e exigente.

20) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Consuelo de Paula: Todos os que trabalharam comigo são exemplos de profissionalismo e qualidade artística. Posso dizer isso porque trabalhei junto, conheci de perto.

21) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Consuelo de Paula: Nunca passei por estas situações. Acho que a música que eu faço acaba me protegendo.

22) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Consuelo de Paula: Mais feliz: o momento de compor. O momento de cantar. As trocas maravilhosas que acontecem entre o artista e o público. Certas cartas e poemas que recebo com depoimentos riquíssimos em carinho e verdade. Mais triste: quando as vaidades nos impedem de mais trocas, mais uniões e mais admirações recíprocas. Quando o sofrimento da minha geração de artistas nos impede de sermos mais generosos uns com os outros.

23) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Consuelo de Paula: São Paulo abriga uma revolução cultural. Desde que cheguei aqui presenciei isso. Vivi esta realidade e agora faço parte dela. São tantos artistas de todos os estados que residem aqui, que produzem muito, cada vez mais. Precisamos, portanto, do crescimento também de projetos e espaços culturais, para que isso possa crescer ainda mais e de forma mais justa.

24) RM: Quais os músicos, bandas da cidade que você mora, que você indica como uma boa opção?

Consuelo de Paula: Moro em São Paulo. São centenas.

25) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Consuelo de Paula: Eu não aceitaria pagar jabá, pois sei que esta prática é que impede de sermos seres humanos mais civilizados. Claro, se alguém resolve pagar todos os espaços, vamos ouvir apenas uma música? Já imaginou? É mais ou menos isso que acontece. Não chegamos ao ponto de ouvir apenas uma, mas apenas algumas. Isso na chamada grande mídia. Minhas músicas tocam nas rádios que ouço: as rádios públicas (cultura, municipais, estaduais e federais) e universitárias espalhadas por esse país. As TVs públicas: Cultura, etc…são as que têm programas musicais que assisto e gosto: eles também tocam minhas músicas. Os programas que mais amo já gravei: Ensaio, Senhor Brasil, entre tantos outros.

26) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Consuelo de Paula: Se for caso de vida ou morte, siga sem pestanejar. Estude, prepare-se, pesquise, ouça. Busque a consciência de sua linguagem, busque a sua originalidade, a sua expressão única. Siga sua alma, seu coração, seu intelecto: tudo isso junto. Faça de acordo com a verdade de seu tempo interior. Como em qualquer profissão, haverão pedras, dificuldades cada vez maiores, mas haverão surpresas e prazeres cada vez maiores também. É a vida. E quem somos nós para não seguirmos a nossa vocação?

27) RM: Quais os seus projetos futuros?

Consuelo de Paula: Continuar esta obra que iniciei com o primeiro CD. Já tenho idéias para outros cinco CDs. Escrever mais um livro. Continuar a compor. Fazer também um CD de intérprete (com canções de outros autores). Produzir um show com artistas da minha geração.

28) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Consuelo de Paula: www.consuelodepaula.com.br |
Minha loja virtual que tem toda a minha obra: www.consuelodepaula.com.br/lojavirtual
| [email protected]

OBS: Essa entrevista não foi revisada por mim a pedido da entrevistada.

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.