Catarina Crystal

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Catarina Crystal
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A cantora e compositora paranaense Catarina Crystal é uma sagitariana típica e filha de uma polonesa e de um árabe; conviveu com essas culturas desde cedo.

Catarina Crystal, é a terceira filha de quatro irmãos, fala e canta em quatro idiomas (inglês, francês, árabe e português). Seu amor pela música e pelo canto começou assim que aprendeu a falar e ter alguma compreensão. Ela tem uma foto, cantando quando tinha dois anos de idade acompanhada pelo seu pai ao Violão.Aos seis anos, ela foi morar com seu avô materno (que é um coronel do exercito), na escola, por ser tímida sofria muito bullyng, era humilhada e apanhava por não saber se defender. Aos nove anos, seu avô que é muito cristão e achava que Catarina Crystal não teria como sobreviver nesse mundo, enclausurou-a num convento, onde ela ficou até os 14 anos. Durante sua estadia no convento, teve que cumprir as regras que lhe eram impostas, exemplos: vivia sendo posta de castigo ajoelhada no milho; marcas que ela trás em sua pele até hoje, por viver cantando músicas que não faziam parte das canções religiosas entoadas no convento, por ter tido a sua primeira menstruação que foi interpretada pelas “irmãs” como se ela tivesse rompido os votos de castidade. As “irmãs” diziam para Catarina e para as suas amigas de clausura, que se um homem tocasse em seus seios, eles cairiam até a barriga. Após esse período, ela voltou a morar com seus pais, que a resgataram diante de tais coisas.

Já na convivência de casa, sentindo um choque de hábitos, vendo seus irmãos já crescidos, participando de baladas e outras coisas, se tornou uma rebelde, apaixonou-se por Janis Joplin e por sua obra, aprendeu de um dia para o outro todo o repertório da “Pérola Branca do Blues”, e partiu para os karaokês de Curitiba (PR) para soltar a sua vigorosa voz e para a sua surpresa, se viu ovacionada pelas pessoas que a ouviam, que lhe pagavam bebidas e lhe faziam pedidos, se tornou a rainha dos karaokês, mas o seu pai, preocupado com a sua popularidade crescendo, começou a temer que ela se perdesse no mundo das drogas, ele criou obstáculos para que aquilo não fosse a frente. E Catarina, contra a própria vontade e por muito respeito a seu pai, viu-se obrigada interromper seu prazer, seu sonho. E partiu para outro caminho, cursou Enfermagem, tornando-se enfermeira. Após alguns anos de “desistência”, já mulher formada e mãe, um dia, uma de suas amigas mostrou para Catarina, uma foto dela caracterizada de Janis Joplin, algo gritou forte dentro dela, e imediatamente voltou para os karaokês. E novamente ovacionada, rebelde, com cara e trajes Janis Joplin. Catarina Crystal percebeu que a música e sua madrinha Janis eram o formato de seu exagerado coração. E começou a pesquisar pelo Facebook um profissional das artes, que tivesse as suas referências artísticas e afinidades, encontrou após muita pesquisa, o poeta-cantor Edu Planchêz, que ouvindo as suas gravações caseiras, se apaixonou pela sua arte e começou a divulgá-la para os amigos, logo, Catarina Crystal estaria no Rio de Janeiro, se apresentando no Corujão da Poesia no bairro do Leblon. E agradou tanto em sua primeira apresentação, que ela não teve dúvidas, foi até Curitiba, resolveu o que tinha que resolver e voltou para o Rio de Janeiro e começou a dar canjas em todas as casas de espetáculos possíveis e saraus. E sempre abraçada, ovacionada, aplaudida de pé, com Fã Clube e tudo que tem de direito.

Ela mergulhou na obra, nas canções de Edith Piaf e de muitos outros talentos brasileiros e mundiais. Hoje se apresenta nas ruas da Cinelândia, no Largo do Machado. É  aplaudida por de dezenas, centenas de pessoas, que a esperam todos os dias para ouvi-la, se tornou muito popular, as ruas do Rio de Janeiro “abraçaram”, e a maior contista de um artista, é ser abraçado pelas pessoas, e isso ela conseguiu.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Catarina Crystal para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 06.08.2018:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Catarina Crystal: Nasci no dia 07.12.1986 em Curitiba (PR).

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Catarina Crystal: Desde muito pequena, com 9 anos de idade já cantava músicas de Meirelle Mathieu acompanhada com meu pai no violão. O meu pai sempre foi amante da música e eu era a única filha que sentava ao seu lado para apreciar as canções. E com muita facilidade as decorava e saia por ai cantarolando.

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Catarina Crystal: Fiz dois meses de aula de canto e também fiz algumas aulas de violão mais tive que interromper para terminar o curso intensivo de Técnica de Enfermagem.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Catarina Crystal: Bem a cantora que me influenciou e me influência até os dias de hoje é Janis Joplin. Tenho uma identidade musical muito incomum com essa grande artista. E nenhuma das cantoras que conheci antes e depois dela deixou ser ter importância para mim, porque cada uma delas contribuiu com cada partícula artista que trago em meu DNA: Billie Holiday, Bessie Smith, Rosetta Tharpe, Clementina de Jesus, Dolores Duran, Elis Regina, Elza Soares, Amy Winehouse, Adele, Etta James, Joan Baez, Edith Piaf, Meirelle Mathieu, Stinguette, Elisa, Souad Massi…

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Catarina Crystal: Comecei em Karaokês. Sempre aos finais de semana ia com meu pai, comecei a me destacar recebendo muitos aplausos, as vezes até transformando um simples entretenimento para amadores em um verdadeiro show com direito a bis.

06) RM: Quantos CDs lançados, quais os anos de lançamento (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que entraram no gosto do seu público?

Catarina Crystal: De forma caseira três CDs lançados (covers) sempre no formato Voz e Violão e algumas com piano. E as que mais se destacaram foram as francesas interpretando a cantora EDITH PIAF.

07) RM: Como você define o seu estilo musical?

Catarina Crystal: Eclético. Sou uma intérprete, então me adapto com todos os estilos musicais, mas as pessoas sempre identificam o meu talento com uma blueswoman.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Catarina Crystal: Como disse apenas dois meses de aula de canto e recebi um convite para cantar no Rio de Janeiro. Na dúvida perguntei a minha professora de canto se estava pronta para encarar o uma carreira profissional. Ela disse: “Você já nasceu pronta”. Eu falei: mais tenho pouco tempo de aula. Ela finalizou: “Sua aprendizagem já se aprimora de outras encarnações. Dizem, segundo a minha crença, que precisamos reencarnar cinco vezes para vir com o dom de cantar e você é a prova viva disso”. Eu respeitando acima de tudo a experiência profissional dela. E não pensei duas vezes e aceitei o convite.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Catarina Crystal: Muito importante e imprescindível para a saúde das cordas vocais. Faço diariamente exercícios de respiração, relaxamento muscular e alimentação saudável.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Catarina Crystal: Janis Joplin, Elis Regina, Fatima Guedes e Edith Piaf são as cantoras que mais tenho apreço pelo talento de cada uma, com os seus diferentes timbres cada um de forma muito peculiar, diferenciado fugindo totalmente do padrão e se tornando raro.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Catarina Crystal: Com a sensibilidade de um poeta, com a rebeldia de um Punk, dramatizo tal qual um filme mudo, eu escandalizo como Feline.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Catarina Crystal: Sempre amigos poetas, pessoas próximas que me trazem composições.

13) RM : Quem já gravou as suas músicas?

Catarina Crystal: Nunca divulguei as minhas composições, porque nunca me considerei uma compositora e sim uma intérprete.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Catarina Crystal: A falta de Capital é a maior dificuldade em desenvolver uma carreira independente.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Catarina Crystal: Minha estratégia é cantar com a alma dentro e fora do palco para seis ou para um milhão de pessoas.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Catarina Crystal: Cantar nas ruas das cidades.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Catarina Crystal: Ajuda na divulgação do trabalho e prejudica.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Catarina Crystal: Desvantagem nenhuma. Eu não vivi o tempo de gravadora, produtora etc. Eu tenho a ideologia punk de Joe Ramones (faça você mesmo).

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Catarina Crystal: Amigo, vou descobrindo no dia a dia e na prática. Pra mim tudo é novo. E me sinto uma mutante.

20) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Catarina Crystal: A música brasileira é um dos nossos maiores tesouros. O Brasil sempre fez músicas boas. Agora o que é mostrado pela grande mídia é simplesmente comércio e que engulamos o lixo. Revelações: Zeca Baleiro, Lenine, Yamandú Costa, Júpiter Maçã, Renato Russo. Quem regrediu: Fagner, Alcione.

21) RM: Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Catarina Crystal: Fernando Magalhães, Renato Piau, Hermeto Pascoal, Guinga.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Catarina Crystal: Tudo que foi citado na pergunta e mais algumas coisas (risos).

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Catarina Crystal: Nada me deixa triste até as dificuldades me fortalecem.

24) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Catarina Crystal: Além do estrondo das balas de fuzis. O FUNK e o RAP que é a voz das comunidades e claro os sertanejos contratados por Sorocaba e cia e Som Livre.

25) RM: Quais os músicos, bandas da cidade que você mora, que você indica como uma boa opção?

Catarina Crystal: Detonautas, Glad Azevedo, Fatima Guedes, Blake Rimbaud e Catarina Crystal. Só citei algumas, mas existem muitas que merecem atenção.

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Catarina Crystal: Com certeza ou com certeza nenhuma. Acredito que a voz do povo é a voz de Deus. Canto nas ruas e por elas sou aclamada, junto multidões. As pessoas tocam meu coração e eu toco o coração delas, então não existe tempo ruim para mim. Sou uma missionária da arte.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Catarina Crystal: Nunca desista.

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Catarina Crystal: É bom cantar para muitas pessoas, quando há muitas pessoas. E péssimo ser julgada por pessoas que muitas vezes nada entendem de música.

29) RM: Na sua opinião, hoje os Festivais de Música ainda é relevante para revelar novos talentos?

Catarina Crystal: Porque não?

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Catarina Crystal: Onde está essa mídia que eu não vejo? Se até Nando Reis lança seus trabalhos e comentou em um programa que lança seu disco e não acontece nada.

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Catarina Crystal: Deve ser bom, mas ainda não experimentei.

32) RM: Qual o seu propósito em se apresentar nas Ruas?

Catarina Crystal: Meu propósito é atingir o máximo de pessoas de diversos níveis sociais para conhecer a minha arte, seja o mendigo ou o doutor, mas na real mesmo canto nas ruas para conseguir o feijão com arroz para sobreviver.

33) RM: Quais os prós e contras de se apresentar nas Ruas?

Catarina Crystal: A rua é o grande palco sem limites desde a Grécia antiga.

Eu gosto de cantar pelas ruas. O único problema é que as pessoas não pagam o preço justo para cantar em lugares fechados, por eu estar cantando “de graça na rua”. Mas foi nas ruas que conquistei muita coisa, inclusive a banda que hoje faz um projeto comigo. Mas saio às ruas para o que der e vier, uns me incomodam e outros me aplaudem, contribuem. Aí tem a chuva, o Sol, o desprezo e o apreço. A dualidade está presente o tempo todo nas ruas, citando Ariano Suassuna: “só sei que foi assim”.

34) RM: Financeiramente compensa se apresentar nas Ruas?

Catarina Crystal: O trabalho nas ruas é oscilante. Hoje você ganha bem, amanhã não, mas sempre foi assim. Tem dado para se alimentar e pagar algumas contas; se economizar. Sou dona da minha própria firma e isso já é muito.

35) RM: Se apresentar na Rua não desqualifica a Arte Musical pelos ruídos da Rua e desinteresse de alguns pedestres?

Catarina Crystal: Não vejo assim, pelo contrário, até recomendo que todos os músicos passem pelas ruas, que é uma grande escola, mesmo com alguns preconceituosos. Apesar de que, eu nunca me importei com isso. Primeiramente canto para mim. O que vier depois é a consequência. Normalmente procuro ruas, praças acústicas, com menos ruídos.

36) RM: Quais os seus projetos futuros?

Catarina Crystal: Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz.

37) RM : Quais seus contatos para show e para os fãs?

Catarina Crystal: (21) 3412 – 6640 | 97964 – 0011 | [email protected]

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.