Cacá Lopes

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Cacá Lopes
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O cantor, compositor e poeta popular pernambucano, de Araripina – PE, Cacá Lopes, é um guerrilheiro da arte. Sua formação em Letras lhe possibilitou o aprofundamento em teoria da massa (Arte) que já modelava com mão da criatividade transformando em alimento da alma.

Cacá é inquieto como deve ser todo bom profissional da arte, tem trabalhos musicais em diversos estilos, canta e compõem bem Forró, Xote, Baião e MPB. Já lançou 4 CDs, Dois com pegadas regionais: Cacá Lopes e Cacá Lopes – Isso Aqui é Forró e dois MPBs, o mais recente em 2004 – Mutirão de Sonhos, seu primeiro CD – acústica com atmosfera MPB de Um Banquinho – Um Poeta – Voz – e – Violão. Já lançou livros de cordéis e se dedica nos últimos anos a poesia popular.

Conheci Cacá Lopes no final de 2000 fazendo participação especial no show de outro poeta, cantor, compositor popular Costa SennaCacá recolhia dos amigos a verba para pagar a prensagem do CD – Isso Aqui é que é Forró – Essa cena me fez voltar ao tempo romântico dos hippie dos anos 60. Mas mostrou bem o que é um artista verdadeiramente de espírito e atitude independente. Trabalhando antes, durante e depois para fazer com que a sua arte chegue aos ouvidos do público. Cacá, mesmo com sua limitação física no braço esquerdo, não desanimou para aprender tocar o Violão, ele desenvolveu uma técnica pessoal de se acompanha, coloca o violão sobre as pernas e faz ritmo e melodia com a mão direita. Tem uma voz que se adaptar bem ao ritmo regional nordestino e MPB. Seu amadurecimento profissional nesses mais de vinte anos de carreira é progressivo e um artista que merece o rótulo de popular.

Segue abaixo a entrevista exclusiva com Cacá Lopes para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em junho de 2005:

01) Ritmo Melodia: Fale do seu primeiro contato com a Música? E sua cidade de origem e data de nascimento?

Cacá Lopes: Nasci em Araripina – PE, no dia 24/08/1962. Meu primeiro contato com a música foi através do tradicional rádio de pilha, em casa tinha um portátil da marca Semp, e outro de mesa, chamado: Canário – A Voz de Ouro. Que transmitiam uma programação diversa, com destaque para a Música Regional de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Trio Nordestino, Genival Lacerda, mas se ouvia também Roberto Carlos, Tonico e Tinoco, Lourenço e Lourival e outros artistas. As emissoras que mais se ouvia eram: Rádio Pioneira – de Teresina-PI, Rádio Clube de Pernambuco – Recife,  Emissora Rural de Petrolina-PE. E no Alvorece do dia, a Linha Sertaneja Classe A – Programa da Rádio Record – de São Paulo.

02) RM: Quais foram as suas principais influências musicais? E quais as influências que permanecem presentes no seu trabalho?

Cacá Lopes: Minhas principais influências foram Luiz Gonzaga e os cantadores Repentistas e Cordelistas Nordestinos. Todos os sábados eles estavam lá na feira de Araripina. Eu parava e ficava fascinado por essa arte tão rica.  Vivi a minha infância ouvindo através do meu pai, Elpídio Lopes Frazão, muita poesia de Cordel, e também muito acorde de Gaitas de boca, chamada na região, de Realejo. Esse foi o primeiro instrumento musical que aprendi tocar, principalmente as canções sertanejas de Luiz Gonzaga. Essas influências, de certa forma permanecem em meu trabalho.

03) RM: Qual a sua formação musical? E quando iniciou a sua atuação musical?

Cacá Lopes: Na música sou autodidata. Comprei o primeiro Violão aos 15 anos de idade e passei a desenvolver minha técnica original de tocar, utilizando a mão direita fazendo o ritmo, melodia e harmonia (Tenho uma deficiência na mão esquerda). No início, o maior sonho era trabalhar em rádio, consegui e permaneci por mais de 3 anos, só após, descobri o caminho da música. Atuo profissionalmente desde 1984, ano em que lancei o meu primeiro disco, um compacto simples.

04) RM: Qual a sua influência de vivência musical e criação poética?

Cacá Lopes: Com a convivência com um outro poeta, o cearense Costa Senna, pude desenvolver com maior facilidade, o meu processo de criação poético e consequentemente o de músico.

05) RM: Quantos discos lançados? 

Cacá Lopes: Minha Discografia é a seguinte: EDVALDO LOPES  – 1° CD (1995) Compilação de trabalhos lançados em “Vinil”, entre 1984 à 1989.  GENEROSA CANÇÃO – 2° CD (1998) Disco gravado em Santo André-SP, de forma experimental e com pouquíssimos recursos. O título foi dado pelas Jornalistas:Rosângela Eugênio e Mariângela, após ouvir o repertório do mesmo.  ISSO AQUI É PÉ DE SERRA – 3° CD (2001) como define o título, é um CD de Forró Pé – de – Serra, onde aparecem as influências musicais já citadas. Neste trabalho produzido pelo cantador Téo Azevedo, conta com participações especiais de: Caju e Castanha, Dedé Paraíso, Jarbas Mariz e Trio Araripe. Quem batizou o CD com esse nome foi Assis Ângelo. Nesse CD assumo o nome artístico: Cacá LopesMUTIRÃO DE SONHOS – 4° CD (2004) Disco gravado ano passado, com um repertório diversificado de MPB. É mais um trabalho autoral INDEPENDENTE, onde as primeiras mil cópias foram adquiridas antes de mesmo da gravação, via bônus/CD. A capa foi reproduzida de uma tela pintada pelo artista plástico Nerival, pernambucano de Garanhuns. O título tem tudo a ver com o processo de criação, alguns músicos não cobraram para tocar no CD. Fiz uma participação especial no CD “COOPERATIVA DO FORRÓ em 2001 pela Gravadora Indie Records, junto a outras bandas do Movimento Forró Universitário.

06) RM: Comente sobre o seu show e apresentação como cantante e poeta?

Cacá Lopes: Tenho feito muitas apresentações semi-acústicas. Nos Shows uso: Dois ou três Violões, Percussão, Gaitas, e na metade do show declamo alguma poesia de Cordel, de minha autoria ou de algum parceiro.

07) RM: Fale dos seus lançamentos literários?

Cacá Lopes: Apesar de conviver com o mundo da literatura de cordel, a mais de uma década, só nos últimos três anos, comecei a criar meus próprios títulos. Tenho uns 15 Cordéis prontos, já publiquei 3 trabalhos. CORDEL DO CÉU CORDEL DO PONTO DE ENCONTRO (Cenpec) E A HISTÓRIA DE GUAIANASES EM CORDEL com Xilogravura de Nireuda. O Próximo trabalho a ser lançado tem como título: A FILA.

08) RM: Como você analisa a produção musical dos anos 80 com o que está sendo feito a partir dos anos 90?

Cacá Lopes: Não tive muito contato com essa produção, mas observei o surgimento de várias bandas nacionais.  Foi à década mais produtiva pro rock brasileiro. A partir dos anos 90, alguns grupos se reciclaram e relançaram seus trabalhos acústicos para poder competir com a nova e globalizada safra da música rítmica Brasileira.

09) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical independente?

Cacá Lopes: O lado positivo é o de ter total liberdade de criação; há quem escolha esse caminho pra ficar mais descompromissado, pra não ficar na pressão com o sistema. O que não acontece quando não se faz um trabalho independente. O lado negativo está no difícil acesso aos meios de comunicação e a distribuição em grande escala do disco; a marginalização da sua obra; a resistência ao novo.

10) RM: Por que você escolheu São Paulo como seu habitat profissional?

Cacá Lopes: A opção por essa grande metrópole para difundir minha arte se deu através de laços de família. Primeiro vieram meus pais, depois vim e pude comprovar que São Paulo é mesmo a esquina do mundo, a maior vitrine do Brasil, uma terra de grande potencial, e oportunidades em todos os sentidos.

11) RM: Nos apresente as principais atividades culturais da Zona Leste?

Cacá Lopes: Como produtor cultural descubro todo dia novos espaços e projetos culturais neste País chamado Zona Leste. Cito pra quem interessar alguns caminhos e atividades: ESTAÇÃO DA ARTE – Penha; Espaços Culturais: HONÓRIO ARCE e CARLOS MARIGUELLA – Guaianases; DOLORES BOCA ABERTA – MECATRÔNICA DE ARTE – Patriarca; MOVIMENTO CULTURAL FORÇA ATIVA – Cidade TiradentesPANORAMA CULTURAL LESTE  – (Em formação). Encontros de grupos e espaços culturais da Zona Leste, buscando a criação de um CIRCUITO ALTERNATIVO; entre outros.

12) RM: Como você analisa a atuação Cultural e musical dos seus contemporâneos?

Cacá Lopes: Observo que existe uma grande demanda de Ações Culturais e Musicais, porém são iniciativas isoladas. Não é nenhuma novidade dizer que os recursos pra cultura são escassos. Quem trabalha nesse setor são cidadãos de bem, são pessoas formadoras de opinião, pena que sejam tão relegados (as).

13) RM: Fale de suas divergências e convergências com a pratica do mercado fonográfico nos últimos anos?

Cacá Lopes: Visitei durante esses anos de carreira artística, diversas gravadoras. Apenas umas três me deram oportunidade de conversar, de ouvir meu trabalho. Uma, de médio porte, me ofereceu um contrato, não aceitei, por motivos que não vale apenas citar. Noutra, assinei contrato e há três anos, tenho dificuldade em receber os Direitos a que tenho direito. As divergências sempre vão existir, principalmente nesses tempos de crises e pirataria que assolam a indústria fonográfica.

14 ) RM: Quem são seus principais parceiros musicais?

Cacá Lopes: Costa Senna, Darlan Moreira, Rhayfer, Lucimar e Vavá Dias.

15) RM: Fale dos Projetos para 2005?

Cacá Lopes: Continuar fazendo SHOWS principalmente em São Paulo e cidades vizinhas, divulgando o CD “MUTIRÃO DE SONHOS”. Publicar novos Trabalhos em Cordel, difundir cada vez mais minha arte.

Contatos: (11) 98278-9108 | www.cacalopes.com.br | [email protected] | www.facebook.com/poetacacalopes

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.