Bráulio Tavares

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A figura de Bráulio Tavares povoa minha imaginação desde tempo de adolescência primeiro por ser um artista e intelectual multifacetado (Poeta, Escritor de Ficção Cientifica, Cantor e Compositor) elogiado pelos artistas e intelectuais de nossa cidade natal Campina Grande – PB.

Ele é o único campinense que conseguiu notoriedade nacional sem popularização na grande mídia, ocupando sempre o lugar de mentor intelectual e artista inventivo e original e têm um currículo extenso. É amigo e parceiro musical de Lenine e teve o seu primeiro sucesso “Caldeirão dos Mitos” gravado por Elba Ramalho e outras músicas gravadas por Zé Ramalho, Lenine, MPB-4, Grupo Batacotô, Dionne Warwick, Virginia Rosa e outros artistas. Ele é um referencial de origem campinense, tendo em vista que músicos paraibanos famosos (Elba Ramalho, Zé Ramalho, Chico César, entre outros) são de outras belas cidades paraibanas, mesmo alguns começando a carreira em Campina Grande. Ouvi pela primeira vez o comentários sobre o trabalho artístico de Bráulio nas aulas de literatura e depois em rodas estudantis e fiquei curioso em conhecê-lo. Procurei a sua obra e escutei  “Caldeirão dos Mitos” e “Nordeste Independente” em 1989 e me identifiquei com as duas músicas.

O conheci pessoalmente no início da década de noventa nas Festas Juninas do Maior São João do Mundo em Campina Grande, ele fez show junto com o forrozeiro Biliu de Campina. Na seqüência dos anos noventa tive a oportunidade de vê-lo se apresentando como palestrante ocupando o lugar de intelectual-escritor–músico-e–formador de opinião na semana da Nova Consciência realizada no período de Carnaval em Campina Grande, pude ouvir seus conceitos, as suas músicas e entregar o meu primeiro livro de poesia Poemas D’Versos Poemas para ele. Em 2000 tive o prazer de vê-lo se apresentando no Festival de Música Campinense no estilo Bob Dylan cantando uma música de humor–trágico–pós-revolucionário–irreverente contando a saga “Balada do Andarilho Ramón” que confesso me reconheci em alguns versos. O Bráulio Tavares fixou residência no Rio de Janeiro em 1982 e vem sempre rever os familiares, amigos e admiradores. Ele é dessas figuras únicas inclassificáveis pelo potencial artístico e intelectual que desenvolve o seu trabalho em plenitude e registro aqui o meu respeito e admiração por uma pessoa e profissional que conseguiu ser unanimidade sem ser populista e que contribui para auto-estima dos seus conterrâneos e nordestinos em geral. E como um bom profeta, artista ou santo de casa que vive longe de sua aldeia e é bem recebido e respeitado quando volta.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Bráulio Tavares para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 01.03.2002:

01) RM: Como foi o seu primeiro contato com a música.

Bráulio Tavares: Não há músicos profissionais na minha família.  Quando eu tinha uns 12 anos de idade, minha irmã mais velha, Clotilde, começou a aprender Violão.  Como partilhávamos filmes, livros, discos, programas de rádio, estudos, etc., comecei a aprender também.  Ganhei meu primeiro Violão no dia em que fiz 16 anos. Havia um vizinho, em Campina Grande, que nos dava algumas aulas informais, um mulato superengraçado e boêmio chamado Oziel, ou melhor, Zazué, como era conhecido na rua.  Ele tocava boleros de Orlando Dias, Anísio Silva, Silvinho, Altemar Dutra, Nelson Gonçalves.  Foi a minha primeira experiência violonística, amparada pelo tradicional Método Prático Para Violão, do saudoso cantor Paraguassu.  Outros amigos, um pouco mais velhos, também me ensinavam acordes, dedilhados, acompanhamento de músicas, etc. Um deles é meu amigo até hoje, Zezé Duarte, que é químico e toca num grupo de samba & choro. Vai daí que o violão que toco até hoje é basicamente o chamado violão pé-duro, de acordes simples.  Nunca consegui acompanhar uma música de bossa-nova.  Tem meia dúzia de músicas de Tom Jobim que já cantei muito em mesa de bar, mas sempre usando a meia-dúzia de acordes que conheço.  Espero que o Maestro, que agora está tendo “random access” à Memória Prima do Universo, não fique escandalizado quando presenciar alguma destas cenas. Meu violão é tipo o violão-de-três-acordes de Erasmo Carlos e do punk-rock.  Sou capaz de ler grande parte das cifras que aparecem nos Songbooks em geral, embora não leia música.  Sou capaz de cifrar com rapidez, sem problemas, a quase totalidade das músicas que toco.  Algumas têm acordes que inventei guiando-me pelo som, mas que não sei nomear.  Às vezes sinto falta de não harmonizar com a complexidade de Lenine, por exemplo, ou com a espontaneidade de Mestre Fuba.  Mas também fico satisfeito em saber que qualquer garoto ou garota que toca violão há alguns anos é capaz de tocar uma música minha.

02) RM: Quando e quais foram as suas primeiras composições gravadas? E quais fizeram mais sucesso?

Bráulio Tavares: A primeira foi “Caldeirão dos Mitos”, gravada por Elba Ramalho em 1980, em seu segundo LP na CBS, “Capim do Vale”.  Foi uma das que mais tocaram e mais me deu dinheiro, o que na época me ajudou a vir morar no Rio de Janeiro. “Nordeste Independente” (1984) foi proibida pela Censura por quase um ano, foi número recorrente em shows de Elba até hoje, despertou polêmicas na imprensa.  É uma das mais conhecidas. “Acredite ou Não”, com Lenine, foi gravada por ele em 1993 no CD – “Olho de Peixe”.  Foi regravada por outras pessoas, apareceu em coletâneas, é uma das músicas minhas que o pessoal mais jovem conhece. “Virou Areia”, com Lenine, é um samba que já teve umas seis gravações, uma delas por Dionne Warwick, num disco dela só com sambas brasileiros; ela mesma fez a versão para o inglês.  Foi gravada também pelo MPB-4, Grupo Batacotô e outros artistas. Outra música muito regravada é “Miragem do Porto”, com Lenine, gravada por ele próprio no “Olho de Peixe”, mas que já tinha sido lançada por Elba um ou dois anos antes.  Foi regravada por Virginia Rosa e outras artistas. Estas são as conhecidas. As famosas são aquelas que o cara já ouviu falar muito, mas nunca escutou; aquelas que só eu canto, que nunca foram gravadas pra valer, mas que ganharam nome: “Balada do Andarilho Ramón”, “Soberano Desprezo” e “A Hipótese do Hipopótamo Tartamudo”; que há alguns anos vem sendo mostrada em shows por Numa Ciro, cantora campinense que mora no Rio de Janeiro, além do “Meu Nome é Trupizupe”.

03) RM: Quantos Festivais de Música você participou?

Bráulio Tavares: Não sou muito interessado em Festivais de Música, mas em 1989 eu e Lenine nos inscrevemos no Festival de Avaré (SP), que era uma espécie de unanimidade entre os músicos de Festivais de Música, como sendo o melhor, ou pelo menos um dos melhores.  Minha música (não lembro qual era) não foi aceita, mas a de Lenine foi, e ele acabou indo e ganhando o Festival com “Quilombo”, uma espécie de batuque que tem um contratempo rítmico fantástico, e que depois foi gravada por Gilberto Gil, num disco do grupo “Batacotô”. No ano seguinte, nos inscrevemos novamente, e fomos ambos aceitos.  Lenine tirou terceiro lugar com “Virou Areia”, parceria nossa; o segundo era uma música linda, de acordes super caprichados, dum paulista chamado Kéko; e eu tirei “Melhor Letra” e primeiro lugar com “Meu Nome é Trupizupe”.  Houve certa polêmica, porque a música do Kéko era linda e muito bem interpretada, enquanto que Trupizupe é um martelo-agalopado punk.  Mas foi tudo em paz. Meses depois participei do Festival de Ilha Solteira, e tirei terceiro lugar (e Melhor Letra) com “O Poder da Natureza”, outro martelo agalopado. O pessoal começou a fazer piada, dizendo que esses prêmios que eu ganhava eram de “Maior Letra”.  É uma turma legal, e curiosa, a dos músicos que disputam Festivais, têm alguns deles que disputam um por semana.  Existem papos como “Fulano já ganhou 21 festivais com a música Tal” ou “Estou meio puto com essa música, já inscrevi ela em 18 festivais e nunca tirei um 1º lugar”.  Esses festivais acontecem pelo interior de (principalmente) SP, RJ e MG, com divulgação apenas local.

04) RM: Qual era a atmosfera cultural e política do seu tempo de Universitário em Campina Grande?

Bráulio Tavares: Muito melhor do que a de hoje, mas posso está sendo injusto, porque só vou a Campina de passagem, e estou na faixa etária do saudosismo agudo. Na época da ditadura militar, a atividade cultural era mais participativa, ou seja, quem tinha um mínimo de interesse queria “fazer” alguma coisa.  Hoje, vive-se numa democracia e numa sociedade de maior acesso à informação, mas ao mesmo tempo a postura encorajada é a de “consumidor de cultura”.  As pessoas ficam felicíssimas ao ver que sua situação financeira lhes permite comprar todos os livros, DVDs e CDs que querem ir a todos os shows, etc. Nada contra isto, mas cada vez mais as pessoas consumem cultura industrializada e produzem menos. Por motivos que não são difíceis de entender, cultura passou a ser uma atividade “de profissionais”, onde o “mero amadorismo” é visto com desdém.  A possibilidade de ganhar muito dinheiro com música; levam as pessoas a formatarem as suas cabeças que precisam produzir coisas com “nível profissional”, “coisas de Primeiro Mundo”. E esquecem que 99,9% da música que se toca se canta, se compõe e se dança no mundo é para finalidades puramente amadorísticas. Mas os períodos de Campina a que estou me referindo foram principalmente os anos 1967-1969, e depois 1972-1977, dois períodos formativos importantes para mim. O primeiro, quando fiz parte do Cineclube de Campina Grande e quando toquei na banda de rock “Os Sebomatos” (dezembro de 68 a janeiro de 1970). O segundo, quando estudei Ciências Sociais na UFPB, mantive uma coluna de Cinema no jornal “Diário da Borborema”, me envolvi com o Congresso Nacional de Violeiros e com o mundo dos repentistas, e participei das atividades de cineclube no Museu de Arte da FURNE (atual UEPB), dirigido por Chico Pereira e depois por José Umbelino Brasil.

05) RM: Quais os artistas e músicos que você destaca da Paraíba? E qual sua relação pessoal e profissional com eles?

Bráulio Tavares: Vários dos meus antigos parceiros estão com CD gravado, como é o caso de Sinedei Moura, que lançou há pouco tempo o CD – “Cena de Perigo”.  Outros como Mestre Fuba, já têm uma carreira consolidada no Estado.  Tenho ouvido alguns discos muito bons de artistas paraibanos, veteranos ou jovens.  Paulinho Ditarso tem um CD excelente, com canções muito bonitas, e arranjos simples, de muito impacto.  O disco do grupo “Cabruêra” também é muito bom, embora eles estejam mais amadurecidos no palco do que no estúdio, o que é natural.  Escurinho, por outro lado, é excelente em ambos.  Dos veteranos, gosto muito do grupo Jaguaribe Carne (Pedro Osmar, Paulo Ró, etc.) e de Cátia de França (vi belos shows dela recentemente, no Encontro Para a Nova Consciência, em Campina). Meus gurus na música paraibana são Alex Madureira e Biliu de Campina.

06) RM: Fale sobre o Cine Clube de Campina Grande.

Bráulio Tavares: Era um agrupamento de pessoal muito jovem, todo tínhamos 15, 16, 18 anos.  Naquele tempo era muito difícil alugar filmes, portanto nossa atividade consistia mais em debater os filmes exibidos na sessão de Cinema de Arte, no Capitólio (toda Quarta-feira) e no Cine Cultura do Babilônia (toda Quinta-feira). No ano de 1968, Luís Custódio (hoje professor da UFPB, em João Pessoa), que era um dos diretores do Cineclube, encarregou-se da programação da sessão batizada de Cine Distração, uma sessão única, às 10 da manhã do sábado. O modelo estava dando certo no São Luiz, em Recife, e foi adotado. Ali foram exibidos excelentes filmes. Mas no fim de 68 foi guilhotinado o sonho: com o AI-5 e a Censura, o movimento cineclubista evaporou-se.

07) RM: Quantos livros lançados até o momento?

Bráulio Tavares: Meu primeiro livro de versos foi um cordel, “A Pedra do Meio-Dia, ou Artur e Isadora”, editado numa gráfica de cordel de Campina Grande, em 1979, e relançado em 1998 pela Editora 34, de São Paulo. Meu primeiro livro em prosa foi “A espinha dorsal da memória”, conto de ficção científica que ganhou o Prêmio Caminho em Portugal, em 1989.  São sete contos fantásticos e, numa segunda parte, cinco contos de ficção científica contando diferentes fases da convivência entre nossa humanidade e uma raça alienígena superpoderosa. Além de “A Espinha Dorsal da Memória” (1989), publiquei o romance “A Máquina Voadora” (Editora Rocco, 1994), um romance ambientado na Idade Média, na Península Ibérica, numa cidade imaginária habitada por muçulmanos ricos e portugueses pobres.  O livro conta à história de um artesão que constrói uma máquina de voar, tipo asa-delta, mas ninguém tinha coragem de experimentar, até que um dia… Depois publiquei “Mundo Fantasmo”(Rocco, 1996), uma coletânea de contos fantásticos e de FC.

08) RM: Fale de suas parcerias músicas e da importâncias dos interpretes manterem as suas obras conhecidas? Quantas composições sua foram gravadas?

Bráulio Tavares: Não tenho agora, o número exato, mas tenho mais de 40 músicas gravadas, num total de umas 60 gravações (algumas músicas foram regravadas por várias pessoas).  Meus parceiros mais freqüentes são Lenine (nos 4 CDs dele sou co-autor em 14 faixas) e Mestre Fuba, meu parceiro em “Temporal” (lançada por Elba, regravada por Zé Ramalho no “Nação Nordestina”) e “A Volta dos Trovões” (gravada por Elba), além de várias outras, como “Paraíso com Z”, que o próprio Fuba gravou. Mas tenho músicas gravadas com vários outros parceiros: Ivanildo Vila Nova (“Nordeste Independente”), Zepa (“Amanheceu”), Ivan Santos (“Sonhei”, no recente CD – “Falange Canibal”, de Lenine), Sinedei Moura (“Sendo amor”, gravada pelo próprio Sinedei em “Cena de Perigo”) e outros.  Tadeu Mathias gravou em seu primeiro disco, “Zuada de Boca”, uma bela parceria nossa, “Última Estação” Antonio Nóbrega gravou em seu CD – “O Marco do Meio-Dia” (2001) duas belas canções nossas. Sem contar os parceiros de músicas que não foram gravadas até hoje, mas que fazem parte dos meus shows: Marcelo do Valle (que fez a música da “Balada do Andarilho Ramón”), Zeca Lopes (“Memória de Minas”), Zelito Miranda, etc.

09) RM: Qual ano e os motivos que fizeram você fixar residência no Rio de Janeiro?

Bráulio Tavares: Fui morar no Rio de Janeiro em 1982.  Era um momento aparentemente bom para a música nordestina, e eu viajava e cantava muito nesse tempo, então me pareceu o momento ideal para passar um tempo no Rio. Como sou preguiçoso, e adoro o Rio, fui ficando, e continuo até hoje.

10) RM: Você tem conhecimento dos novos valores musicais e literários da Paraíba? Quais Você destaca?

Bráulio Tavares: Infelizmente não acompanho muito dos “novos valores”, embora de vez em quando receba livros ou publicações diversas.  Convivo mais com o pessoal da minha geração, onde há muita gente talentosa, mas que não é mais “novidade”… Não tenho acompanhado a literatura em prosa, mas na poesia há um pessoal jovem que escreve muito bem; entre outros, posso citar André Ricardo Aguiar (em João Pessoa) e Astier Basílio (em Campina Grande).  Mas minha visão é muito limitada, até porque não consigo ler tudo que eventualmente recebo.

11) RM: Fale um pouco dos amigos em comuns e de sua família que vive na Paraíba e que foram cúmplices da sua arte?

Bráulio Tavares:  Grande parte deles que já falei acima.  Eu dependo muito de turmas, da existência de um grupo de pessoas que gostam de conviver juntas, de trocar idéias, de criticar as idéias dos outros, mas sempre se divertindo, e de preferência com acompanhamento etílico e musical. Entre 1967-69, era a turma do Cineclube de Campina Grande: Rômulo e Romero Azevedo, Jackson e Marcos Agra, José Umbelino Brasil, Luiz Custódio, Guilherme Vilar e outros. Em 1970-71, quando estudei cinema em Belo Horizonte (MG), era a turma que entrou junta no vestibular: Lincoln Botelho da Cunha, Régis Frota Araújo, Paulo Sérgio Braz, Elizeu Ewald Rezende, Geraldo Pires e Albuquerque, etc. Entre 1977-80, quando morei em Salvador (BA), era uma turma surgida dos movimentos de teatro e cinema: José Araripe, Pola Ribeiro, Zelito Miranda, Gerald Califórnia, etc. Depois disso, em 1982 no Rio de Janeiro, era a turma formada por Lenine, Lula Queiroga, Ivan Santos, Alex Madureira, Mestre Fuba, Tadeu Mathias, Julio Ludemir, Romero Cavalcanti, e tantos outros. Entre 1986-1990, foi à turma do Clube de Leitores de Ficção Científica, graças aos quais, pela convivência, acabei me tornando um escritor de FC.  No Rio de Janeiro, o núcleo dessa turma eram José dos Santos Fernandes, Rubenildo Barros, Fábio Fernandes, Sérgio Fonseca e Castro, Ivanir Calado, Sylvio Gonçalves, Gerson Lodi-Ribeiro e vários outros. Nos últimos anos, depois que entrei na terceira idade, não apareceu nenhuma turma nova, mas continuo a conviver com a maioria dos nomes acima citados.  E tem aqueles amigos que sempre me acompanharam, embora sem pertencer a “turmas” específicas, de modo que é até uma injustiça consigo mesmo o cara começar a fazer uma lista como esta.  Talvez seja melhor pular esta pergunta.

12) RM: Quais são seus novos projetos musicais e literários?

Bráulio Tavares: Tenho dois livros para sair.  O primeiro não é um livro meu, é uma antologia de folhetos de cordel de Raimundo Santa Helena, selecionados e prefaciados por mim.  É importante porque é um trabalho sobre Cordel, coisa que eu nunca tinha publicado em livro.  O outro livro é O Anjo Exterminador, uma análise do filme de Luís Buñuel, a sair pela coleção ArteMídia da Editora Rocco. Estou preparando um CD-livro que sairá pela Coleção Sebastião, que a Editora Dantes (em parceria com a RioArte) está lançando em bancas de revista.  Já saíram 2 números, o meu deverá ser o número 5. É um romance de FC ambientado no Rio em 2020, acompanhado por um CD com músicas e textos falados, servindo de trilha-sonora para o livro.

13) RM: Como você vê a produção literária, de ficção e musical no Brasil?

Bráulio Tavares: Pra ser sincero, não tenho acompanhado.  Discos eu só ouço os que os amigos lançam, ou seja, uns dez CDs novos por ano.  Leio poucos autores brasileiros (a não ser os mais antigos), inclusive os autores de ficção científica.  Leio muita literatura (inclusive FC) estrangeira.  Minhas leituras de autores brasileiros são mais ensaios, história, biografia, crítica literária ou musical, etc., ou seja, são muitas leituras de trabalho, mas a Literatura Brasileira propriamente dita, eu não acompanho.  Mas não fale pra ninguém.

14) RM : Quais seus contatos:

Bráulio Tavares:  [email protected]

http://mundofantasmo.blogspot.com.br/

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.