Banda issoo!

Banda issoo! 1 Entrevista - Música - Revista Ritmo Melodia
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Tempo de Leitura: 9 minutos

A issoo! é uma banda independente de música popular brasileira. Formada em 2015 na cidade de São Paulo, chama atenção por misturar ritmos brasileiros de forma criativa com letras poéticas, juntando a isso uma boa dose de elementos da musica pop, resultando num som alegre e dançante.

Além disso, a banda issoo! tem se destacado na cena musical por trazer uma proposta de inclusão em suas apresentações. As canções são poeticamente transcriadas no palco em de Língua de Brasileira de Sinais (LIBRAS) por Tatiana Lucky, backing vocal da banda, causando uma espécie de coreografia lúdica que encanta a plateia por onde se apresentam.

Em 2018 lançaram o álbum – “Sonhos Líquidos” com canções autorais além de dois clipes. As letras possuem um cunho poético e uma grande influência do pensamento taoista. Para conferir o trabalho da banda basta acessar as plataformas digitais e streamings. “Eu sou isso, você é isso, tudo é isso e isso é só o que há”. Provérbio de origem Taoista.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Tin Oliveira e Tatiana Lucky da Banda issoo! Para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistados por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 17.06.2019:

01) RM:  O que é a issoo! ? 

Tin Oliveira: A issoo! é um grupo de MPB com diversas influências que vão da Bossa Nova ao rock, da música latina ao POP, dos ritmos brasileiros em geral a música negra norte americana.

Tatiana Lucky: Trabalhamos com acessibilidade em LIBRAS em nossos shows.

02) RM: Fale sobre essa forma que vocês trabalham a acessibilidade.

Tatiana Lucky:  Fazemos uma “transcriação” poética em LIBRAS das canções durante o show. Enquanto canto, eu faço a tradução.

03) RM: Vocês são os cantores da issoo!?

Tin Oliveira: Eu canto e toco violão

Tatiana Lucky:  Eu canto e faço a interpretação em LIBRAS.

04) RM: A issoo! é composta por quantas pessoas?

Tin Oliveira: Eu e Tatiana Lucky, somos o núcleo, e contamos com mais dois músicos que são o baixista Benigno Sobral Junior  e o baterista Telo Ferreira.

05) RM: Como foi o primeiro contato de vocês com a música.

Tin Oliveira: Comecei a estudar música ainda garoto.

 Tatiana Lucky: Desde cedo eu já era envolvida em corais da igreja e das casas de cultura do meu bairro.

06) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Tin Oliveira: Estudei música e teatro

Tatiana Lucky: Estudei canto coral, LIBRAS e sou formada em Ciência da Informação.

07) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Tin Oliveira: Tenho várias influências que vão desde Pixinguinha, Noel Rosa, Tom Jobim, Belchior, Gilberto Gil, Milton Nascimento, passando por David Bowie, Pink Floyd, só para citar alguns, sem contar os compositores clássicos.  Enfim, seria uma lista imensa, pois são diversas e todas ainda são muito importantes para mim.

Tatiana Lucky: Cresci ouvindo com meus pais Elis Regina, Flávio Venturini, Maria Bethânia, mas também tive a fase que ouvia muito Eric Clapton e Alanis Morrissete.  Atualmente ouço muito a nova MPB e música Indie aprecio o trabalho da Tiê, Marcelo Jeneci, “Banda Mais Bonita da Cidade”, AnaVitória, “Teatro Mágico”… Acredito que para o músico importante ver e ouvir o que acontece no cenário brasileiro para entender também as mudanças que estão acontecendo.

08) RM: Quando, como e onde a issoo! iniciou os seus trabalhos?

Tin Oliveira: A issoo! surgiu em 2015 na minha casa em São Paulo a partir de um encontro com a Tatiana. “Eu sou isso, você é isso, tudo é isso e isso é só o que há” – Provérbio de origem Tao

Tatiana Lucky: No início eu nem imaginava que faria parte desse trabalho, pois era só uma ideia do Tin, conforme fomos conversando percebemos que tínhamos algo em comum a dizer e a issoo! se materializou como um veículo dessa mensagem.

09) RM: Quantos CDs lançados?

Tin Oliveira: Lançamos o nosso primeiro CD em junho de 2018. A produção musical foi do nosso baixista Benigno Sobral Junior  junto com o baterista Marcell Cardoso. Na percussão Wellington Sancho.

 Tatiana Lucky: Toda a produção executiva foi realizada por nós e nosso produtor Ede Wilson. As músicas preferidas do público são: “A Onda”, “Quantas manhãs” e “O Brilho do Seu Olhar”.

10) RM: Como você define seu estilo musical?

Tin Oliveira: É uma MPB que tem uma fusão de vários estilos e influências. Eu tenho um universo musical muito amplo, Tatiana também, o nosso baixista e produtor também, então quando juntamos tudo, surge uma junção muito grande de estilos e ritmos.

11) RM: Você estudou técnica vocal?

Tin Oliveira: Sim.

Tatiana Lucky: Sim.

12) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Tatiana Lucky: A técnica e cuidado com a voz nos ajudam a explorá-la melhor e também preservá-la.

Tin Oliveira: As técnicas e os cuidados vão ajudar o desempenho e a saúde vocal. A voz afinal é um instrumento musical como outro e precisa de treino e cuidados maiores ainda.

13) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

 Tatiana Lucky: Sou apaixonada pelo trabalho da Maria Bethânia, a forma como interpreta no palco me arrebata. E também apaixonada pelo trabalho da cantora Tiê que tem uma proximidade com o público através das suas letras e também nos seus shows. Vou parar nas duas, pois seria difícil listar sem falar muito desses artistas.

Tin Oliveira: Tenho uma lista imensa (risos). Posso citar alguns como: Cauby Peixoto, Angela Maria, Johnny Mathis, Aretha Franklin, Doris Monteiro, Ney Matogrosso, Fred Mercury, Billy Holiday e outros tantos…

14) RM: Como é o seu processo de compor?

Tin Oliveira: Não existe uma regra geral. Às vezes trabalho com um tema às vezes vem de uma inspiração espontânea. O que sempre tem são bastante trabalho e dedicação para a canção ficar pronta.

 Tatiana Lucky: Faço exercícios de escrita criativa, mas no geral sempre que rumino algum assunto ou tema, tenho que parar e escrever. Aconteceu assim com o texto da música “A Onda” que inspirou o Tin a escrever a canção.

15) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Tin Oliveira: Os prós são você ter liberdade de fazer o trabalho da forma que considera melhor, da sua maneira, com a sua assinatura.

Tatiana Lucky: É uma dedicação maior de tempo como qualquer negócio próprio.  Como não temos gravadora, temos que cobrir todas as frentes para poder manter a banda na ativa.

16) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Tin Oliveira: Fazemos um planejamento mês a mês e estipularmos metas.

Tatiana Lucky: Usamos indicadores através das redes sociais para saber o que tem agradado o público e também a melhor forma de engajamento. O planejamento mês a mês nos permite saber os custos e ganhos de cada ação ou show que fazemos e dessa forma nos organizamos melhor.

17) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Tatiana Lucky: Sempre procuramos parceiros, pois em conjunto é possível abrir mais portas e realizar mais coisas.

Tin Oliveira: Editais e Festivais de Música procurando abrir caminhos.

18) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Tin Oliveira: Ela só ajuda. Ela te possibilita estar mais próximo do seu público.

Tatiana Lucky: A internet sendo bem utilizada vem para somar, mas também tem suas efemeridades.  Com a web 3.0 é mais fácil ter acesso aos fãs e demais artistas sem intermediários.

 19) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Tin Oliveira: Não vejo desvantagem. Ela democratizou a produção musical. Isso é uma maravilha.

20)  RM : No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Tin Oliveira: Não vejo que o caminho seja se diferenciar, mas sim, encontrar o seu público. Hoje está mais pulverizado. Não há um controle das grandes gravadoras ou de instituições. O público escolhe o que quer. Então se você quiser agradar a todos vai ficar louco e sem identidade. O caminho é encontrar as pessoas que tem afinidades com seu trabalho.

Tatiana Lucky: O desafio hoje é formar o público, mas sabemos que temos nosso público e dessa forma o trabalho vai sendo fomentado.

21) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Tin Oliveira: Tem muita coisa boa  surgindo! Muita coisa boa mesmo! Muito artista bom! É difícil falar em revelação. Eu vejo com desconfiança esses rótulos ou títulos tais como: artista revelação, melhor artista do ano e outros do gênero; pois muitas vezes, são coisas localizadas em determinadas regiões e nichos de público. Para se falar de Brasil em termos de revelação fica difícil! Também não vejo ninguém que regrediu não.

Tatiana Lucky: Falei um pouco em uma das perguntas acima, mas vejo que o mercado abriu espaço muito grande para os artistas mostrarem seu trabalho. A Liniker foi uma das artistas que tiveram muito destaque nos últimos anos enquanto o viés estava sendo totalmente o sertanejo universitário. Gosto muito do trabalho dela.

22) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Tin Oliveira: São muitos! Gilberto Gil, Tom Jobim, Egberto Gismonti, são muitos! O  Brasil tem músicos excelentes!  Mas o pessoal novo também tá chegando bem preparado.

Tatiana Lucky:  Concordo com o Tin nas colocações que fez.

23)  RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Tin Oliveira: Não me lembro de ter ocorrido os fatos citados na pergunta…

Tatiana Lucky: Às vezes rola de alguém pedir telefone, mas só, nada além.

24) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Tin Oliveira: Mais feliz quando estou no palco cantando com o público. Triste quando vejo um artista que fez história na música ser esquecido.

Tatiana Lucky: Feliz quando a sua música é cantada por alguém e triste quando o artista é desvalorizado.

25) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Tin Oliveira: Em São Paulo têm surgido muitos nomes na MPB com propostas interessantes e diferentes. Ela está passando por uma revitalização muito boa! “O Coletivo Mais” é um exemplo disso. Uma galera nova muito boa se juntando. Sampa está tendo uma cena de MPB muito efervescente é só ficar atento. Muita coisa boa surgindo.

26) RM: Quais os músicos, bandas da cidade que você mora, que você indica como uma boa opção?

Tin Oliveira: São muitos e poderíamos citar vários…

Tatiana Lucky: Tem muita gente boa em São Paulo! Tiê Alves, Mila Amorim, Pacha Blue, Allan Piter, Jordana Souza, Trilha do Mar, etc.

Tin Oliveira: Mas com certeza estamos esquecendo muita gente boa que está fora dessa lista. Tem muita coisa nova boa é só procurar nas redes.

27) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

 Tin Oliveira: Temos músicas tocando em Web rádios. As rádios FM e AM convencionais ainda estão se adaptando com o novo cenário musical.

28)  RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Tin Oliveira e Tatiana Lucky: Estude, ouça  de tudo, tenha persistência, planejamento e procure trabalhar em parcerias para ampliar o seu horizonte.

29) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Tin Oliveira: Só existem prós em Festival de Música. Não tem nada contra.

Tatiana Lucky: Os Festivais de Música dão oportunidades para os músicos circularem com seu trabalho, principalmente o trabalho autoral.

30) RM: Na sua opinião, hoje os Festivais de Música revela novos talentos?

Tatiana Lucky: Acredito que sim, pois é um espaço aberto para novos nomes.

Tin Oliveira: Ainda continuam tendo um papel muito relevante alguns conservam um nome já consolidado e atraem muitas pessoas para assistir.

31) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Tin Oliveira: A grande mídia faz uma cobertura parcial e não revela o que realmente está acontecendo de novo.

Tatiana Lucky: Infelizmente a grande mídia ou mainstream não dá abertura para que belíssimos trabalhos apareçam.

32) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Tatiana Lucky: Importantíssimo! Empresas como essas cumprem um papel muito importante para fomentar a cultura.

Tin Oliveira: São extremamente importantes e não dá mais para conceber o cenário cultural sem essas empresas.

33)  RM: O circuito de Bar de sua cidade ainda é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Tatiana Lucky: Em São Paulo ainda é uma opção, mas os Bares tem dado pouco espaço para a música autoral. O que é uma grande bobagem, pois foi dessa forma que o cenário foi renovado em vários momentos.

Tin Oliveira: Há algum tempo atrás você saia à noite em São Paulo e ouvia trabalhos autorais nos Bares. Era algo comum e delicioso. Você descobria novos artistas, ouvia novas músicas. Assisti a tantos artistas hoje consagrados que na época ninguém nem conhecia. Isso era ótimo! Hoje as casas acham, não sei por que, que o público só quer ouvir a mesma coisa! Então pedem pra tocar só cover não dando chance ao artista de mostrar seu trabalho! Há um medo do novo (risos).

34) RM: Fale do seu trabalho com o Piccolo Teatro.

Tin Oliveira: O Piccolo Teatro é um novo espaço cultural na cidade de São Paulo. Uma nova forma de apresentar cultura e entretenimento. Somos a diversidade e a variedade saboreada em apresentações curtas. Somos um palco aberto para a rua e para o mundo, onde espetáculos são realizados para uma plateia na calçada de um dos locais mais charmosos de São Paulo: a rua Avanhandava, 126 no bairro Bixiga (Bela Vista). Trabalhamos com apresentações curtas com duração de até 20 minutos. Temos uma grade  semanal fixa com uma programação extremamente variada. Nossa espinha dorsal é a generosidade, resultante da sinergia entre artista e público. Aqui se apresentam artistas de diversas modalidades: música, teatro, circo, dança, poesia e outras.

Tatiana Lucky: Piccolo Teatro, nós inauguramos em 12 de Outubro de 2018 e desde lá temos trazido ao palco, artistas que já fizeram uma longa carreira em algumas dessas modalidades. Também abrimos nosso espaço para jovens talentos com propostas novas. Algumas companhias de teatro e demais artistas utilizam o palco do Piccolo como uma vitrine para divulgar seus trabalhos ou ainda como local de experimentação. Essa é a vocação do Piccolo, de ser um ponto de convergência e que fomenta a cultura e a arte em geral em São Paulo, proporcionando esse encontro de maneira inusitada entre artista e a plateia. E é nesse encontro que o ganho é da cidade que se torna mais acolhedora e mais poética com a arte nas ruas.

35) RM: Quais os seus projetos futuros?

Tin Oliveira: Fazemos parte de um Coletivo chamado Coletivo MAIS – Música Autoral Interessa Sim. Para juntar artistas em um movimento para incentivar a música autoral. Temos alguns artistas já participando como Mila Amorim, Allan Piter e Jordana Souza. Mas outros estão se achegando. Queremos ampliar e percebemos que essa ideia está reverberando em outros locais, cidades, estados e está se tornando um movimento musical, uma cena musical com artistas novos com propostas novas. Isso é bem bacana. Fora isso estamos organizando uma turnê internacional da Banda issoo! Queremos levar o nosso trabalho  para o mundo !

36) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Tin Oliveira: www.issoo.com.br | (11) 99857 – 3880 | | [email protected] | www.facebook/issoooficial http://www.instagram/issoooficial | https://www.youtube.com/issoooficial

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.