Ana Soul

ana soul
Ana Soul
Avalie esta Entrevista

A cantora e compositora paulistana Ana Soul começou seu contato com a música aos 12 anos de idade junto com o Hip Hop nos anos 80. E MC Jack, Thaíde e DJ Hum, foram as suas as inspirações e referências para começar a compor e cantar RAP.

Aos 23 anos de idade voltou aos palcos cantando, compondo e interpretando a Música Popular Brasileira.  Ela expõe, na delicadeza da sua voz uma nova viagem musical, em que suas composições integram o nosso cotidiano de forma a refletir e sonhar. Além das canções autorais apresenta um repertório de mais de 400 músicas entre os clássicos da MPB até a moderna música Brasileira, entre Pop-Rock e Músicas Internacionais.

Participa das “Terças Autorais” em Santo André – SP fazendo shows em bares e casas noturnas do Grande ABC, em São Paulo capital e Interior e no Rio de Janeiro. Fez participações especiais em shows do Flávio Landau, Joca (Demônios da Garoa), Axel Giudice, entre outros. Preparou alunos para apresentação em escolas municipais de Santo André:Profª Terezinha Nosée e Governador Miguel Arrais.

Ana Soul ministrou aulas de musicalização no Instituto A Casa do Jardim (crianças em situação de risco), Colégio Portinari, Colégio Cultura entre outros.

Produção e Ensaio com alunos do Centro Profissionalizante Governador Miguel Arrais e apresentação no Teatro do Centro Profissionalizante de Professores de Santo André, em que o tema era “Contos e Cantos do Modernismo no Brasil”.

Ela é Formada em Comunicação em Rádio e atuou como produtora e apresentadora de Programa de MPB na Rádio Star FM 107,3 com o nome de “Músicas do Brasil” em Santo Andréde 2005 a 2006.

Segue a abaixo a entrevista exclusiva com Ana Soul para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa  em 16 de Agosto de 2013:

01) RitmoMelodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Ana Soul: Nasci no dia 06.12.1973 em São Paulo, no bairro do Ipiranga, mas passei minha infância no bairro de Higienópolis e depois nos mudamos para o bairro do Cambuci.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Ana Soul: Eu creio que foi desde o meu nascimento. Minha mãe adorava imitar Ângela Maria. E na sua vitrola tocava muito Lupicínio Rodrigues, Elizete Cardoso, Altemar Dutra, Chico Buarque, Francisco Alves, Cartola , Jair Rodrigues e por aí vai.

03) RM: Qual a sua formação musical e acadêmica fora música?

Ana Soul: Sou formada em Comunicação em Rádio Artes Plásticas.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

Ana Soul: Eu creio que os sons são eternizados, gosto muito de música.  Dos Clássicos ao Rock, músicas antigas como as de Lupicínio Rodrigues, Pixinguinha, Noel Rosa, Cartola, Chico Buarque, Djavan. Poxa tem tanta gente boa e sempre servem como alguma influência. Nenhuma deixou de ter importância.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Ana Soul: Nos anos 80 com 12 anos quando o Hip Hop chegou ao Brasil. Os encontros aos sábados no Metrô São Bento deu início as minhas composições e minhas inspirações para a época. Junto com Thaide, DJ Hum, MC Jack a galera do Sampa Crew os meninos do Break André, Marcelinho, Mancão, Os grafiteiros Tico e Teco – Os Gêmeos. Era uma festa sempre. Letras inteligentes numa batida forte. Aliás, quem me apresentou ao Hip Hop foi meu querido amigo Carlos Santos, o Mancão.

06) RM: Quantos CDs lançados (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que se destacaram em cada CD?

Ana Soul: Um CD lançado e preparando o segundo. O primeiro foi Meus Tons um CD independente com uma mistura de ritmos dentro da Música Brasileira – Meus Tons vêm com 12 faixas sendo que 8 delas são composições minhas, 2 em parcerias (letras minhas e músicas de Paul Mandacaru em Caçador de Emoção e  H Sampa na música Pra Mim) e duas regravações com participações – Mauricio Gasperini (Rádio TáxiBrilho do Amor e Marco Mattoli (Clube do BalançoEu Preciso Tanto falar com Você. Este CD teve muitas participações, todas especiais e produção de Augusto AlbuquerqueFlavio Bala (Sax), o rapper Tig TchellãoMauricio GasperiniMarco Mattoli, os guitarristas Libero Dietrichkeit e Jorge SoloveraMarcelo Brasil (batera), Bebê do Góes (Percussão), Ligeirinho (percussão), o músico e compositor Edu GuerraMarcelo Resende (cavaquinho – em Meu Samba), as backings Funny Cabanas e Dani Beneducci. As músicas que mais se destacaram foram Doce Ilusão com mais de 4000 downloads, Eu quero um pouco que toca bastante em Rádios do NordesteMeus Tons e Meu Samba emMontes Claros – MG. E algumas são executadas em Buenos Aires e Colômbia. Para o próximo CD – Estou em estúdio com um grande produtor premiado, um dos pioneiros da Música Negra no Brasil. O querido DJ Hum. Em que trazemos ritmos originários negros e o som Vintage anos 60,70, Bossa Jazz, Samba Soul, e Soul Music. É um disco mais puxado para um house mais elegante Soulfull House e Shill Out.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Ana Soul: Difícil definir meu estilo. Comecei cantando rap, fui para a Música Brasileira, mas canto em espanhol, italiano e inglês. Na verdade tudo o que toca minha alma e tudo o que consiga tocar a almas das pessoas

08) RM: Como você se define como cantora/interprete?

Ana Soul: Como já disse gosto muito de música, música boa. Pode ser um samba, um bolero, um pop, um soul… Adoro cantar. Minhas interpretações favoritas, vão para João Bosco, Chico Buarque, Tom Jobim, Marisa Monte, canto com a alma, com o coração. Dizem que eu canto bem, pelo as pessoas gostam bastante!

09) RM: Você estudou técnica vocal?

Ana Soul: Eu tentei várias vezes, entrei para a Fundação das Artes e desisti.  Diz uma amiga minha que estuda para Maestrina que tenho todas as técnicas só não sei dar nome a algumas. O dom vem de Deus, e depois do meu filho Gabriel foi o segundo melhor presente que ele me deu!

10) RM: Quais as cantoras que você admira?

Ana Soul: Conhecidas Zizi Possi, Leila Pinheiro, Jane Duboc, Marisa Monte, Ana Carolina, Cássia Eller, Monica Salmaso, Whitney Huston, Aretha Franklin.

11) RM: Você compõem? Quem são seus parceiros musicais?

Ana Soul: Sim componho. E tive algumas parcerias com Paul Mandacaru e Nando Correia, maravilhoso músico/letrista. Mas a maioria das composições eu faço sozinha.

12) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Ana Soul: É bem complicado você seguir de maneira independente em um mundo em que vivemos em função do dinheiro. Se você tiver um QI (quem indica) ótimo, senão… Temos que contar com a sorte. O bom disso tudo é que todos os trabalhos que fiz até hoje fui atrás, batalhei por muitas coisas e consegui. Fiz muitos contatos, conheci pessoas e a música continua.

13) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Ana Soul: Eu adoro música brasileira É uma riqueza de harmonias! Nos anos 80 por incrível que pareça eu curtia muito rock na mesma época que comecei a conhecer o Hip-Hop acho que por isso adoro Beastie Boys. Ouvia muita música internacional. No Brasil foi aquela galera que eu adoro – Legião Urbana, Engenheiros do Havai, Ultraje a Rigor, RPM, Titãs, Barão Vermelho, Kid Abelha, Ira;  curti muito e curto estes sons! E com toda aquela cultura Pop no Brasil, Zizi Possi, Elis Regina, Gal Costa, Maria Bethânia, Marina LimRita Lee. E as vozes masculinas de Chico Buarque, Caetano, Milton Nascimento, Tom Jobim, Guilherme Arantes, Flávio Venturini, Ivan Lins e Gilberto Gil. Essa galera vai ser sempre consistente. Anos 80 foram os melhores! Na década de 90 continuamos com essa galera toda e as revelações musicais de Chico Science & Nação Zumbi, Cidade Negra, Charlie Brown. Salve Chorão Acho que ninguém regride. Creio que exista a hora da retirada.

14) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Ana Soul: Roberto Carlos para mim é um cara incrível. Eu fui um show dele levar minha mãe e adorei! As músicas dele são incríveis! Ele trata muito bem seu público e seus músicos. Eu gosto sempre de vibrar essa energia com os músicos de curtir aquele som, eles que dão brilho a nossa voz!

15) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Ana Soul: Várias! A primeira vez que fiz uma temporada em Parati – RJ só o que tínhamos era uma caixa não amplificada e um microfone dos piores. Ali ou eu cantava ou eu cantava. E nós cantamos muito. Foi uma experiência incrível depois da apresentação Paula Toller foi me cumprimentar eu não acreditei. Eu admirava muito ela, e ouvia muito Kid Abelha nos anos 80. No final deu tudo certo. Já cantei em vários lugares inusitados um deles foi um bar de esquina acho que chamava Anchieta era um bar em São Bernardo do Campo que não fechava nunca, aqueles de rodoviária que dá de tudo. Eu pensava ali, ou eu canto bem pra galera ou não saio viva daqui. Tinha muita gente estranha (risos). A galera adorou cantaram e dançaram muito! E sai aliviada (risos). Entre tantas coisas que acontecem comigo teve uma história bem parecida com a de Chico Buarque quando foi para Itália. Chamaram-me para cantar em Buenos Aires – Argentina com vários shows marcados e coisa e tal. Cheguei lá com dois músicos que levei daqui do Brasil e não havia show nenhum. O bendito que se autodenominava produtor ainda ia fazer os contatos, mas pela cara da pessoa e idoneidade dele você já saberia que não iria acontecer nada. Fui eu e meu portunhol conseguir casas para tocar. E ganhar dinheiro para as despesas, hospedagem e voltar ao Brasil. Deus é tão bom que conheci Paulo Rosa dono de uma casa que faz o Fiesta Brasileira (um Centro Cultural) que nos deu a maior força. Marcou vários shows e isso foi um alívio. Mas neste meio tempo um dos músicos que eu havia levado me deixou na mão o violonista. Ao final conseguimos um super violonista brasileiro que mora na Argentina que tocou com a gente meu amigo querido Gabriel Rocha Pitta, lotamos a casa. Além disso, os donos do Hotel que ficamos nos deixaram ficar lá, e fizemos alguns shows também. E foi uma experiência incrível. Entre pessoas e pessoas, existem muitas que são realmente humanas. Porque mesmo você estando perto do Brasil, era outro País. Não tínhamos ninguém por lá. Hoje tenho muitos amigos de várias partes do Mundo. Valeu a experiência!

16) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Ana Soul: O que me deixa mais feliz é a Música. A Música como a expressão máxima do homem. Pena que as pessoas pensam muito em matéria e não sentimento. A Arte não é essa energia de grana, o dinheiro é a recompensa do bom trabalho. As pessoas que trabalham com arte são desunidas. Conheço uma pessoa que chamei para uma participação em um show que eu faria no Sesc Santo André – SP que deu a entender que não seria uma escada para mim. Sendo que ele é a pessoa que mais chama participações para os seus shows. Isso me deixa muito triste. A falta de espaço…

17) RM: Nos apresente a cena musical na cidade que você mora?

Ana Soul: O ABC (Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano) tem músicos incríveis. E muita gente talentosíssima que as pessoas ainda não conhecem. Dos conhecidos tem o Bocatto, João Cristal, Gó do Trombone,  Formiga (já falecido), Da lua, Carlos Gonzaga (da música Diana), Paulo Dafni, Felipe Roseno são alguns. Fernando Cavallieri tem músicas incríveis, Juliana Lima, Adolar Marin, Thais Helena, Daniel  Pessoa, Abimael Pessoa, Samba Só, Giselle Maria

18) RM: Quais os músicos ou/e bandas que você recomenda ouvir?

Ana Soul: Zizi Possi, o CD – Puro Prazer é incrível. Chico Buarque, Djavan, Marisa Monte, Tom Jobim, Edu Lobo, Elis Regina, João Bosco, Chico César. Para os Jovens: Legião Urbana, Charlie Brown a segunda fase. Para os que gostam de rock rs Pantera, Iron Maiden, Pink Floyd, Led Zepelim

19) RM: Você acredita que as suas músicas tocarão nas rádios sem o jabá?

Ana Soul: Acredito que em algum momento alguém a escutará. Esse tal Jabá deveria ser legalizado não é? Já que as rádios são concessão pública. Agora só pagando mesmo para tocar tanta porcaria nas rádios(risos).

20) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Ana Soul: Ouça, sinta e vibre! Faça por amor e vá em frente. O Não, já tem. Estude a alma da música.

21) RM: Quais os seus projetos futuros?

Ana Soul: O lançamento do CD que sairá em no segundo semestre de 2013. Estou fazendo uma participação em um CD de rap do Raper Tchellão, um vídeo Clip do novo CD e para 2014 a gravação de um DVD.

22) RM: Quais os seus contatos para show e fãs?

Ana Soul: [email protected] | [email protected] | www.anasoul.com.br

(11) 4432 – 4140 / 96402 – 3333 / 97861 – 9841 – nextel  

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor Responsável pela revista Ritmo Melodia desde 2001, músico, letrista e poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, sempre se preocupou em divulgar a música (popular, regional, instrumental e erudita) com entrevistas e artigos sobre os músicos e artistas brasileiros.