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Uma Revista criada em 2001
pelo jornalista, músico e poeta paraibano
Antonio Carlos da Fonseca Barbosa.

Um Amigo Beleza (Cláudio Roberto) se tornou Estrela no Céu

Por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa

Hoje (30/10/2022) ao abrir os olhos e antes de votar em prol da democracia recebi; do meu amigo e poeta Gladson Morais, a triste notícia do falecimento do cantor e compositor Cláudio Roberto no sábado (29/10/2022) as 18:00, mesmo dia que seu time do coração (Flamengo) se tornou tri campeão da Libertadores. O poeta viu a postagem da Gabriela Mousse, amiga e filha do coração do autor do clássico “Maluco Beleza” em parceria com Raul Seixas, entre outros sucessos da dupla.

No dia 28/10/2022, recebi a última mensagem de áudio do mestre Cláudio Roberto; após ser submetido a uma cirurgia do coração, em que relatou: “Eu me internei na segunda-feira (24/10/2022), operei na terça-feira de manhã (25/10/2022) e me deram alta na quinta-feira à tarde (27/10/2022). Eu assim, lá no fundo, nem tão lá no fundo. Suspeito que a minha alta tenha sido uma rejeição a essa minha “voz maviosa, delicada, baixinha, controlada, nem um pouco estridente” lá no C.T.I. Acho que eles quiseram, assim meio que ficar livres de mim. Que coisa hen! Beijos pra você… “. As 15:00, antes do jogo do Flamengo e Atlético Paranaense enviei um vídeo do Pretinho, após o banho, mas ele não visualizou.

Essa última mensagem pessoal e de coração aberto é uma síntese de uma amizade iniciada em maio de 2022; após o mestre Marcus Lucenna me colocar em contato com Cláudio Roberto para entrevistá-lo, segue o link da entrevista: https://www.ritmomelodia.mus.br/entrevistas/claudio-roberto. No processo da entrevista percebemos que tínhamos temperamento forte e falávamos pelo estômago de forma franca e direta. Teve momentos tensos até o ajuste fino para a publicação no dia 30/05/2022, coroando seus 70 anos de vida. Após a publicação de entrevista na RitmoMelodia, normalmente, 99% dos mais de mil entrevistados não mantêm o contato comigo e os nossos barcos senguem os próprios rumos.

Imaginei que pelos momentos tensos no processo da entrevista, o mesmo fato ocorreria com Cláudio Roberto, mas ele estendeu a mão para uma amizade sincera em que o sistema era bruto sem cerimônia. Ele me enviava áudios antes do galo acordar o dia, quase que diariamente sem introdução prévia, seja como complemento dos assuntos tratados na entrevista, seja com assuntos do cotidiano de uma pessoa comum, seja sobre música e futebol (nossos assuntos preferidos), entre outros temas. Único assunto que não tratávamos era a política e religião. Ele como um experiente domador de cavalos, pegava o tema pela crina e começávamos a trocar saberes semelhante aos do Jardim de Epicuro. Um bom papo que a única distância era entre Miguel Pereira – RJ e São Paulo. Lamento não o ter visitado. Mas em seis meses estivemos tão próximos como vizinhos.

Alguns dos meus artigos chamaram a sua atenção pelos títulos “polêmicos” ou “instigantes” e após lê-los, tecia elogios sobre a minha franqueza, sinceridade, objetividade e isenção ao tratar temas espinhosos. Do meu lado, lamentei, ele não ter escrito uma biografia do Raul Seixas ou um livro com suas memórias relatando histórias incríveis de quem viveu como quis e sendo seu próprio guru. Seriam livros com cheiro de gente e muitos tapas na cara. Um ermitão com suas próprias leis.

Existe amizade que é igual a fundição do ouro em que o tempo e a vivência são o fogo que demora aquecer, mas nunca apaga. Existe amizade que é como um raio que acerta direto ao coração e que sobrevive aos trovões, tempestades para ver o azul infinito do céu. Existem amizades utilitárias, vampiras, fogo de vela e de palha. Existe amizade de reconhecimento de almas iguais ou de almas diferentes que se complementam. Amizade que não sentimos o tempo passar e só nos damos conta dos anos quando olhamos no espelho as cicatrizes que o tempo talhou no corpo e alma.

Agradeço a amizade do queridão Cláudio Roberto (era assim que nos tratávamos, os brutos afetuosos), um “Maluco Beleza”, que se tornou em seis meses um Amigo Beleza que gostava de falar em ligação de vídeo, um domador de cachorros que se emocionava ao ver os vídeos dos meus dogs: Freud, Lacan, Pretinho. Somos da mesma matilha e uivamos no mesmo ton. Gostava de enviar vídeos cantando suas músicas inéditas com sua voz de trovão afinada pelo coração.

Descanse em paz e seu amigo canceriano manda aquele abraço para o Maluco Beleza canceriano. O céu terá mais duas estrelas com atitude rock ‘n’ roll e com som estridente.

Maluco Beleza na tonalidade de Ré por Cláudio Roberto em Ré: https://youtu.be/M1dRr9RGUYc

 

A IMPORTÂNCIA DO CLÁUDIO ROBERTO NA OBRA DO RAUL SEIXAS – Fonte: Junior Oliveira do programa Mosca na Sopa além de pesquisador e amigo do mestre Cláudio Roberto.

Parcerias de Raul Seixas com Cláudio Roberto: Ouça a playlist: https://open.spotify.com/playlist/7AoWnzR2zTtdncZcwu6xYP?si=mfkKUwzuQTqFY-_dr7kVhg

1975 – “Novo Aeon”, com Raul Seixas e Marcelo Motta
1977 – “Tapanacara”
1977 – “Maluco Beleza”
1977 – “O Dia em que a Terra Parou”
1977 – “No Fundo do Quintal da Escola”
1977 – “Eu Quero Mesmo”
1977 – “Sapato 36”
1977 – “Você”
1977 – “Sim”
1977 – “Que Luz É Essa?”
1977 – “De Cabeça-pra-Baixo”
1978 – “Negócio É”, com Eduardo Brasil
1980 – “Abre-te Sésamo”
1980 – “Aluga-se”
1980 – “Angela”
1980 – “Rock das ‘Aranha'”
1980 – “Só pra Variar”, com Raul Seixas e Kika Seixas
1980 – “Baby”
1980 – “É Meu Pai”
1980 – “À Beira do Pantanal”
1983 – “Coisas do Coração”, com Raul Seixas e Kika Seixas
1983 – “Quero Mais”, com Raul Seixas e Kika Seixas
1983 – “Aquela Coisa”, com Raul Seixas e Kika Seixas
1984 – “Meu Piano”, com Raul Seixas e Kika Seixas
1987 – “Quando Acabar o Maluco Sou Eu”, com Raul Seixas e Lena Coutinho
1987 – “Cowboy Fora da Lei”
1987 – “Paranóia II (Baby Baby Baby)”, com Raul Seixas e Lena Coutinho
1987 – “Loba”, com Raul Seixas e Lena Coutinho
1987 – “Gente”
1987 – “Cantar”
1988 – “I Don’t Really Need You Anymore”

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