More São Paulo a Capital do Forró – “Do Gogó ao Mocotó” »"/>More São Paulo a Capital do Forró – “Do Gogó ao Mocotó” »" />
Uma Revista criada em 2001
pelo jornalista, músico e poeta paraibano
Antônio Carlos da Fonseca Barbosa.

São Paulo a Capital do Forró – “Do Gogó ao Mocotó”

São Paulo a Capital do Forró
São Paulo a Capital do Forró
  • 42
    Shares

Por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa

São Paulo é considerada a capital do Forró e ritmos nordestinos como Baião, Xote, Arrasta pé, chegaram ao Sudeste trazidos na memória afetiva, na bagagem e no matulão do migrante que buscava sobreviver e trabalhar em outra cidade, em razão da falta de chuva que deixava a labuta agrária inviável, castigando as cidades do interior.

O Rio de Janeiro dos anos 30 a 70 era a cidade para o artista fazer “a prova dos nove” e se tivesse o seu talento confirmado, aprovado pelos meios de comunicação de massa (Rádio, Jornais e depois TV), críticos musicais além de um público exigente e ainda conseguisse se destacar, teria chance de ser um sucesso nacional. Em 1939, Luiz Gonzaga deu baixa do exército e no mesmo ano, já com o desejo de ser artista, migrou pro Rio de Janeiro. Após o sucesso de Gonzaga e o título de “Rei do Baião” nos anos 50, houve uma motivação para outros artistas tentarem a “sorte” na “Cidade Maravilhosa”. Nos anos 60 e 70 alguns artistas optaram por São Paulo por não terem espaço no Rio de Janeiro ou por terem apoio familiar, ou por quererem explorar um novo mercado.

No auge da industrialização do Brasil, entre as décadas de 1950 e 1970, a migração nordestina para o Sudeste intensificou-se, em especial para os Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Nesse período chegaram muitas famílias ou homens sozinhos trazidos por “Pau de Arara” _caminhão que tinha tábuas atravessadas na sua carroceria servindo de assentos improvisados semelhantes ao poleiro de arara_ que levava mais de 10 dias se arrastando por estradas sem asfalto para chegar ao Rio de Janeiro e a São Paulo. Os nordestinos que fixavam residência no Rio de Janeiro eram chamados pejorativamente de “paraíbas” e em São Paulo, de “baianos”. Entre 1950 a 1960 a cidade de São Paulo recebeu um milhão de migrantes nordestinos que representava 60% do seu crescimento populacional. Nenhuma capital nordestina na época tinha mais nordestinos que a capital paulista.

No final dos anos 60, Pedro Sertanejo (pai de Oswaldinho do Acordeon), Ari Batera e irmão de Joca do Acordeon (Tio Joca) do Trio Sabiá, abriram uma casa de forró na Rua Catumbi no Bairro Brás/Belenzinho. A “Casa de Forró do Pedro Sertanejo” funcionou até o final dos anos 80. Nessa época já existiam muitas Casas de Forró em outros bairros, a exemplo “Asa Branca” e “Patativa”, salões abertos por Zé Lagoa. A Casa (salão) de Forró era um espaço de diversão e sociabilidade para os migrantes nordestinos manterem as suas tradições culturais, de costume alimentar, social e reencontrar amigos e parentes. Era um espaço de trabalho para Trios de Forró formados por músicos que residiam na cidade, ou que vinham de outras cidades ou até mesmo artistas já consagrados.

Luiz de Nazaré foi o Fundador da Praça do Forró no bairro São Miguel Paulista, na Zona Leste e formou um grupo de Forró com os filhos: Neide, Marinês, Ivonete e Cicinho Silva. Nesse bairro existiu a casa de Forró “Centrão”. Muitos forrozeiros fixaram residência em São Paulo: Anastácia (a maior compositora de forró e represente-mor do Forró em São Paulo), Dominguinhos (mudou-se do Rio de Janeiro para São Paulo), Venâncio (esposo da Anastácia), Corumba, Gereba, Carneiro do Acordeon, Gerson Nogueira (sanfoneiro que trabalhou como contratado no Forró do Pedro Sertanejo), Glorya Rios, Fúba de Taperoá, Aluízio Cruz, Cacá Lopes, o casal Antonio Barros e Cecéu, Enok Virgulino (Trio Virgulino),“Trio Juazeiro”, Miltinho Edilberto, Tião Carvalho, Quinteto Violão, Fatel Barbosa, Bernadete França, Benito Guimarães, Luiz Wilson, Sandra Belê, Mayra Barros, Antonio Freire (Banda da Feira), Léo Poeta, Leo Rugero, Luiz Feijoli (Trio Forrobodó), “Trio Marrom”, “Trio Borogodó”, “Trio Nordestino”, “Trio Xamego”, Marlene Andrade, Tiziu do Araripe, Raimundinho do Acordeon, Téo dos 8 Baixos, Diva dos 8 Baixos, Raimundo dos 8 Baixos, João dos 8 Baixos, Germano Júnior, entre outros.

A Rádio Atual (AM 1370 KHZ), fundada em 15 de novembro de 1990 pelo empresário e político José de Abreu, dedicando uma programação para o público nordestino. Em 1991 construiu o CTN – Centro de Tradições Nordestino, na Rua Jacofer, 615 no bairro do Limão na Zona Norte de São Paulo, em um terreno ao lado da rádio. Em 2003 o CTN conquistou o reconhecimento de Organização de Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) e de Utilidade Pública Municipal pela Prefeitura de São Paulo. Seu funcionamento é diário e os shows são de sexta a domingo. No CTN além de Forró, tem shows com outros ritmos musicais, com destaque para as duplas sertanejas. Em outras cidades de São Paulo também existe CTN, a exemplo de Sorocaba.

Nos anos 90 começou a procura por aula de como dançar forró, seja no estilo performático dos dançarinos das bandas de forró estilizado/eletrônico ou no estilo dos frequentadores de baladas com mais “chamego e pegada”. Alguns dos professores pioneiros foram: Paulo Aguiar, Evandro Paz, Ivan Ribeiro, Jô Passos (falecido). No final dos anos 90, mais professores começaram incluir o Forró como mais uma opção dentro da dança de salão, a exemplo: Flávia Rodrigues, Eduardo Agra, Dani Assunção, Alexandre Silva, Patrícia Caixeta, Thamyra Miranda, Bond Dance, Ed Belchior, Duda Lima, Iris Franco, Fábio Reis, Fernanda Squariz, Davi Silva, John Mendes, Marília Cervi, Juliana Freire Santos, Celso Ricardo, Anderson do Forró dos Amigos, Ivan Santos, entre outros. Os professores de dança que seguram a bandeira do Forró como Patrimônio Cultural são fundamentais para fomentar público para Casas de Forró e show de forrozeiros. É importante que músicos valorizem o papel formador de público que desempenham os professores de dança.

Nos anos 90, além do Sertanejo e Pagode tomarem conta da cena musical brasileira, bandas de forró como Mastruz com Leite, Calcinha Preta, Cavalo de Pau, Mel com Terra, Banda Styllus, Limão com Mel, Caviar com Rapadura, Magníficos, ganharam um público no sudeste. Eles faziam um forró com letras e forma de cantar parecida com o sertanejo e abordavam temas de Vaquejada. Hoje são conhecidos como forró das antigas, mantendo acesa a chama do Forró.

A partir dos anos 2000, com a popularização dos grupos de “Forró Universitário”, os bairros Pinheiros e Vila Madalena permaneceram tendo bons espaços para dançar Forró, como o “Projeto Equilíbrio” (Prof. Vagner Souza), Canto da Ema, Danado de Bom, Remelexo, KVA, Centro Cultural Rio Verde, Carioca Club, Buena Vista Club, Restaurante Andrade. Em outros bairros tínhamos o Recanto do Nordeste, Restaurante Bambu, Forró do Limoeiro Bar, Nossa Casa – Confraria das Ideias, Vitrine Olido, Forró no Terraço Hostel, etc.

Nos anos 2000, grupos de Forró formados no final dos anos 90, começaram a fomentar uma cena musical que ficou conhecida como “Forró Universitário”. Eram jovens universitários ou não, filhos de nordestinos ou não, mas que optaram em pesquisar e tocar o Forró Pé de Serra. Esses jovens começaram a se reunir em espaços alternativos no bairro de Pinheiros e Vila Madalena. Alguns grupos se destacaram como Falamansa, Rastapé, Bicho de Pé, Circuladô de Fulô, Forroçacana, Baião de 4, etc. Nessa cena, os Trios Pé de Serra e forrozeiros tradicionais que já atuavam na cidade passaram a ser a referência para esses jovens. O “Forró Universitário” não teve como objetivo a suplantação dos que já faziam o Forró Tradicional, mas tornaram-se os “seguidores” dos mestres do Forró de Luiz Gonzaga a Jackson do Pandeiro, de Dominguinhos a Oswaldinho do Acordeon, do Trio Nordestino ao Trio Virgulino de Antonio Barros e Cecéu a Trio Sabiá, de Anastácia a Marinês.

Dentre outros músicos que na atualidade atuam no Forró em São Paulo, posso citar: Zé da Lua (Trio da Lua), Ernando Pimentel (Trio Kabeça Fria), “Trio Amizade”, “Trio Caruá Banda”, “Trio Macaíba”, “Trio Flor de Muçambe”, “Trio Beijo de Moça”, “Trio Juazeiro”, “Trio Soriano”, “Trio Sudestino”, “Trio Arcoverde”, “Trio Cultura”, “Trio Lua Branca”, “Trio Malaquias”, “Trupe Trupé Teatro”, “Trio Folha Seca”, “Trio Alvorada”, “Trio Cultura Brasileira”, “Trio Cavalo de Morão”, “Trio Matilhada”, “Trio Matilha de Joa”, “Trio Raça de Pajeú”, “Krakatoa Trio”, “Trio Caritó”, “Banda Vila do Sossego”, “Trio Canjica”, “Bando de Seu Pereira”, “Forró D’ Lua”, “Peixelétrico”, “Baião de Rua”, “Forró Capim Guine”, “Maré de Lua”, “Sociais do Forró”, “Balanço Paulista”, “Gaviões do Forró”, “Farinha do Mesmo Saco”, “Catuaba Forró”, “Brasas do Nordeste”, Ricardo Gonçalves, Bill Ramos, Fabinho Zabumbão, Chico de Andrade, Zé Neto, Ricardo Pesce (acordeonista e pesquisador sobre o Forró em São Paulo), Zé Junior do Acordeon, Márcio Dedéu, Zezim do Acordeon, Manoel do Acordeon, Carneiro do Acordeon, Fernandinho do Acordeon, Duka Santos, Zé do Vale, ” Ó do Forró”, “Dona Zefa”, Zaíra, “Dois Dobrado”, “Xaxado Novo”, “Raízes do Sertão”, Filpo Ribeiro (Forró de Rabeca), Edivaldo Alves de Oliveira Júnior (Mestrinho), Cosme Vieira (Cosminho), Joquinha do Acordeon, Dantas do Forró, Nando Nogueira, Zé de Zilda, Geraldo Brito, Vanu Rodrigues, Orquestra Sanfônica de São Paulo – www.spforro.com, entre outros.

Em 2017 nasceu em São Miguel Paulista o movimento SP Forró, precedido de outros movimentos como “Forró dos amigos”, “Forró da quebrada”, “Pé de Calçada”, “Forró dos Ratos”, entre outros. São Paulo capital e outras cidades receberam todas as matrizes do Forró, que hoje se tornou um Patrimônio Cultural Brasileiro.


  • 42
    Shares
Uma Revista criada em 2001
pelo jornalista, músico e poeta paraibano
Antônio Carlos da Fonseca Barbosa.