Continua após a Publicidade
Categorias: Mercado Musical

Qual será a postura dos músicos brasileiros após a pandemia do covid-19?


Por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa

Após o carnaval de 2020, março será lembrado como o mês que iniciou a pandemia causada pelo Coronavírus (COVID-19) no Brasil após a notificação dos primeiros casos e início da quarentena em algumas cidades. Foram dois anos, literalmente “osso sem tutano e com sal grosso” para a maioria dos músicos brasileiros.

Diz a lenda que o ano começa no Brasil após o carnaval, principalmente para o mercado musical. Mas em 2020 a realidade foi outra, surpreendendo toda a sociedade brasileira. Os primeiros profissionais a parar as suas atividades foram os músicos e foram os últimos a retornar com apresentações ao vivo. Nesse período de compasso de pausa entrou na pauta: live, aprender a escrever edital e conseguir se inscrever no auxilio emergencial. A maioria dos músicos passaram por privações de sobrevivência, alguns dependendo exclusivamente do auxílio de amigos, parentes e do Estado. Alguns venderam seus instrumentos de trabalho para pagarem contas básicas e terem o que comer. Alguns voltaram ao trabalho formal e informal, um bom exemplo são os motoristas de aplicativos. Escrever e aprovar edital continuou sendo uma realidade para poucos que tinham experiência no ramo.

A contribuição financeira espontânea em live de músico independente não dava nem para “comprar o sal” e a maioria não tinha audiência expressiva. Em pouco tempo esse formato de apresentação online se tornou uma nota qualquer, exceto para artistas famosos que fizeram lives privadas com pagamento antecipado. Mais uma vez a água só corre para o mar. Além de músicos que contraíram o vírus, alguns faleceram e os familiares tiveram que contar com ajuda financeira de amigos, fãs, desconhecidos e parentes para proporcionar um sepultamento simples. A triste situação de alguns músicos dependendo da caridade e causando constrangimento para si e para quem não podia auxiliar por já ter auxiliado outros ou por também estar passando também por privações. Um clima quase de Guerra. Além do desgoverno Federal e de alguns Estados e Municípios que demoraram nas ações sociais e na saúde, além dos casos de corrupção. Alguns seres inescrupulosos usaram o caos para ficarem mais ricos e em 2022, muitos escroques usarão o covid-19 para se elegerem. A desunião dos músicos e a falta de consciência de classe agravam a realidade cruel. É um tal de cada um por si, salve-se quem puder.

Em março de 2022, começaram as apresentações e quem antes da pandemia ficava “comendo calado” por ter shows até dezembro, agora “bota a boca no trombone” reivindicando a prioridade na agenda dos futuros eventos. Edital que era igual a cabeça de bacalhau se tornou filé de merluza para quem aprendeu a pescar. Mas atenção na prestação de conta do edital para não pagar para trabalhar. Não tenho otimismo que a pandemia melhorou gente ruim, mas pode ter fortalecido a essência de quem é do bem. A concorrência será mais acirrada e desleal, muitos vão querer ganhar em menos de um ano o que perderam em dois anos. Evento filé mignon será disputado a tapa, uma briga de foice no escuro, muito cuidado com a fome do músico, do produtor, do empresário mau caráter, são lobos com sorriso afável. As redes sociais mostraram muitos modelos de pessoas maldosas.

A pandemia amplificou o que temos de melhor e de pior, agora é escolher o que vamos mais utilizar. Não precisa ser santo, basta ser justo. Não precisa ser bonzinho, mas ser solidário é um avanço. A pandemia parece com uma guerra, pesa para quem é pobre, mas causa mais dor para quem é rico. Dinheiro traz felicidade, promove conforto, mas não impede a morte nem ressuscita quem é rico.

“Juntos somos mais fortes”, não é uma frase de efeito. É sobrevivência coletiva.


Continua após a Publicidade
Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.

Disqus Comments Loading...
Publicado Por
Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Artigos Recentes

M. Paulino

O cantor, compositor pernambucano M. Paulino, com um estilo pessoal "O Pernambuxé" além de forrozeiro…

% dias atrás

Banda Semente Regueira

Banda Semente Regueira, formada no final de 2000 por músicos amigos e influenciados pela ideologia…

% dias atrás

Músicas de Gilberto Gil mais consagradas, segundo os dados do ECAD

Gilberto Gil: 80 anos, canções mais tocadas e “amor” como a palavra mais repetida em…

% dias atrás

Quinta Essentia Quartet

Com sete álbuns gravados entre participações e trilhas completamente feitas pelo grupo, o Quinta Essentia…

% dias atrás

Gilberto Gil é o “Pelé” da Música do Brasil

Por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa Gilberto Gil, chega aos 80 anos de idade (26/06/2022)…

% dias atrás

Paulinho Akomabu

Há mais de 20 anos, Paulinho Akomabu, iniciou a sua carreira, mais precisamente no Centro…

% dias atrás
Continua após a Publicidade

Este website usa cookies.