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Uma Revista criada em 2001
pelo jornalista, músico e poeta paraibano
Antonio Carlos da Fonseca Barbosa.

O Forró no Ritmo, na Melodia e nos Acordes do Acordeon


Por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa

Acordeão e a sua corruptela acordeon vêm do alemão akkordium, já no francês é accordéon. O nome sanfona vem do grego symphonía, bem como pelo latim e latim vulgar symphonia. No Brasil o acordeão, acordeon ou concertina foi trazido por imigrantes europeus, especialmente italianos e alemães, que se instalaram no Sul (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná).

A concertina foi o primeiro instrumento trazido, é diatónico que ao abrirmos o fole pressionando um botão, obtemos uma nota e ao fechar o fole com o mesmo botão pressionado, obtém-se outra nota. Era um acordeão cromático de 120 botões de origem alemã e ficou conhecido como sanfona ou gaita. É composto por um fole, palhetas livres e duas caixas harmônicas de madeira. É um instrumento de tecla e aerofone em que o som é produzido principalmente pela vibração do ar sem a necessidade de membranas ou cordas e sem que a própria vibração do corpo do instrumento influencie significativamente no som produzido.

O acordeon com mais baixos possibilita também a formação de acordes, ao apertar um botão aciona três notas facilitando a execução de harmonias mais sofisticadas das músicas. Acordeon com 80 baixos não tem a “fileira” dos “baixos diminutos” que tem no de 120 baixos. Mas com sanfona de 8 baixos podemos tocar músicas de quaisquer ritmos e sofisticadas. Os baixos formam acordes, o que inspirou o nome do instrumento. A parte melódica pode ser tocada nos baixos e nas teclas possibilitando solar com as duas mãos, como se estivessem tocando dois instrumentos em um só. Além da parte melódica e harmônica na mão direita (a do teclado), a mão esquerda (a dos baixos) faz principalmente a parte harmônica, mas não se limita a ela pois inclui a parte grave. Usando o acordeon para acompanhamento, o ritmo é na mão esquerda e melodia na mão direita. Como solista, existe independência nas duas mãos para solos e acordes. Mas o instrumento pode ser tocado como uma orquestra: ritmo, melodia e acordes nas duas mãos. O acordeon foi o solista de muitos gêneros musicais.

O sanfoneiro toca os ritmos populares que tocavam no rádio: valsa, polca, tango, bolero, choro que eram músicas de origem francesa, italiana, alemã, judaica, regional gaúcha, etc. Os ritmos nordestinos começaram a se popularizar a partir das primeiras gravações instrumentais de Luiz Gonzaga que incluía música regional nordestina nos seus discos. Na Rádio Clube não era considerado um intérprete, era exclusivamente contratado como sanfoneiro. De 1941 a 1945 gravou cerca de setenta músicas, sendo dez com a denominação de “chamegos”, ou seja, regionais. Lutou para cantar e gravar as músicas nordestinas. Fez parceria com Miguel Lima, que colocou letras em suas melodias e em 11 de abril de 1945 gravou seu primeiro disco como sanfoneiro e cantor com a polca / mazurca “Dança Mariquinha”. Em 1949 cantou “Forró do Mané Vito” (Zé Dantas), quando pela primeira vez foi registrado em disco a palavra Forró. Após Gonzaga muitos sanfoneiros tomaram coragem para cantar, o que não é uma tarefa fácil tocando simultaneamente o acordeon. Gonzaga criou e popularizou o trio: sanfona, zabumba e triângulo inibindo uma formação sem o acordeon na linha de frente. As bandas de Forró mantiveram sanfona, zabumba, triângulo acrescentando guitarra, bateria, contrabaixo, teclado, metais e percussão. Alguns grupos são formados por violão, zabumba e triângulo (com ou sem contrabaixo para tocar baião, xote e arrasta-pé).

Por mais de 49 anos (1941 a 1989) o Trio Pé de Serra se tornou uma marca do rei do Baião. O Trio Pé de Serra pode ser de música instrumental ou cantada em uma formação enxuta que contempla o ritmo, a melodia e os acordes. Sanfona e forró se tornaram igual a “feijão com arroz”, sendo impossível pensar em um sem o outro.


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Uma Revista criada em 2001
pelo jornalista, músico e poeta paraibano
Antonio Carlos da Fonseca Barbosa.