Não confunda Artista Ativista com “Hiena Oportunista” de movimento

Artista Ativista

Por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa

O artista é um ser político, mesmo tratando de temas líricos, subjetivos, existenciais, mas o senso comum entende como artista politizado o que trata de temas sociais. Mas a história mostrou que alguns que tem letras sociais podem ter posições políticas conservadoras, social democrata à Direita e tem o “oportunista” à Esquerda.

Com os artistas se aportando mais dos editais de lei de incentivo à cultura e com os auxílios emergenciais por conta da pandemia do Covid-19 em 2020, muitas bandeiras sociais, de diversidades, raciais etc foram erguidas aparecendo no palco o ativista e oportunista. Sempre existiram as “hienas” presentes em todos os movimentos, no passado eram facilmente identificados, mas na atualidade precisamos ser perspicazes para não confundirmos “hiena com leão”. No passado eles ficavam esperando a causa ser ganha para aproveitar o banquete, mas a maioria não ousava ser líder para não colocar a sua pele em risco. Na atualidade, com a falta de líderes altruístas, algumas hienas deixaram a juba crescer e estão liderando alguns movimentos sociais, musicais e artísticos, ora apoiadas por produtores (as) da mesma linhagem, ora sozinhas.

A maioria dos editais são feitos para não serem entendidos: por serem mal elaborados ou mal intencionados. O juridiquês e a burocracia são poéticas surreais se tornando um campo fértil para as hienas que na sua maioria tem inteligência medíocre, mas muita esperteza. Eles não traduzem os editais para “seus companheiros”, mas tornam o “conhecimento” que tem ou fingem ter sobre essa literatura infernal como seu poder maior. Os saberes não são compartilhados, são usados como ferramentas por esse “déspota esclarecido”. Ora ele se passa por palestrante com erudição, amabilidade ou com dialeto do gueto da periferia ou do centro. A ciência política passa a ser apenas uma opinião que não se sustentam na literatura histórica, sociológica, filosófica, econômica.

Anote as pistas para não confundir um ativista altruísta com um oportunista “movimenteiro”? Ele é aquele que esbraveja para todos terem o direito a fala, mas só ele fala ou só dá a fala aos “parceiros” ou mentes fracas, ingênuas sob seu domínio. A pauta coletiva atende ao seu de interesse individual. Ele trata reunião do movimento como se fosse uma Casa Legislativa. Ele perde a linha quando uma opinião contrária a sua, tem embasamento e faz cair a sua juba de leão e todos enxergam a hiena faminta. Ele confunde diversidade de gênero com “guerra de sexo”. Ele ignora a miscigenação brasileira, a luta de classes, a pobreza na periferia só apoia se for afrodescendente (preto) a luz dos olhos. Ele usa o conhecimento acadêmico não para multiplicar saberes, mas para dominar incultos. Ele está em partidos de Direita, de Esquerda ou sem partido. O partido do oportunista são seus interesses pessoais e profissionais usando o escudo e a representatividade da Coletividade. Bate “o falo ou Clitóris” na mesa confundindo deixar ser oprimido não é ocupar o lugar do opressor algoz. Mas tem o oportunista monge/monja, que demora cair a juba. É igual ao falso amigo que dar tapinhas nas costas amaciando o lugar que vai entrar o punhal. É aquele que elogia e apoia na conversa privada e não demonstra reconhecimento em reunião. Apenas massageia o ego dos iguais, dos bajuladores. A história pune o oportunista, mas ele vive dos benefícios no presente.

O ativista se quer ser candidato a vereador, deputado, prefeito, governador já anuncia para seu Coletivo. A hiena oportunista guarda em segredo a sua candidatura, anuncia os números no período da eleição para os ingênuos votarem. Anunciar um desejo de uma carreira política antes da eleição não é crime eleitoral. Quando um Coletivo ganha todo ano um edital e na programação do evento só aparecem os mesmos procure saber quem é mentor ou mentores do edital. A lista encheria um dicionário. É difícil, mas não confunda ativista altruísta com “movimenteiro” oportunista.


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.