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Categorias: Mercado Musical

A Monocultura Musical é nociva e criminosa

Por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa

Monocultura é a produção de um único tipo de produto agrícola. A substituição de várias espécies de plantas, por uma única cultura, é uma prática danosa ao solo.

A monocultura musical é nociva à diversidade musical e cultural e forma um cartel de empresários, músicos, produtores, meios de comunicações e outros colaboradores colocando em evidência na grande mídia um único gênero musical. Analisando as músicas compostas e escutadas no Brasil desde 1920, as estrangeiras eram maioria, mas existia espaço para a música popular feita no país. A supremacia da música estrangeira foi diminuindo ao passar dos anos e nos anos 60, com o surgimento de ídolos nacionais aumentou o interesse das gravadoras multinacionais para uma produção brasileira.

O jabá era praticado pelas gravadoras que colocavam os seus divulgadores na peregrinação das rádios para inserir os singles (música de trabalho de cada artista) na programação cooptando os radialistas ou diretores artísticos negociando quantas vezes as músicas tocariam na programação da rádio. Eram empresas tratando dos seus interesses comerciais. O artista insatisfeito com a falta de divulgação sistemática de suas músicas buscava ser contratado por outra gravadora. Mas ainda existia uma diversidade musical, mesmo com o ciclo do modismo musical, seja através do destaque de um artista ou de um gênero musical, exemplo: música italiana, música francesa, música de idioma inglês, Bolero, Bossa Nova, Samba, Rock, Jovem Guarda, MPB. As gravadoras mantinham a diversidade musical através do seu elenco de artistas de vários ritmos para manter uma diversidade do seu catálogo no mercado.

As décadas de 60 e 70 tiveram uma maior efervescência cultural, de costumes, política e musical. Essas duas décadas eternizaram a maior e melhor produção musical nacional e internacional e muitos artistas, bandas entraram para a história e se tornaram ícones. Nem os modismos aniquilaram a diversidade musical e muitos desses ídolos ainda estão na ativa e alguns falecidos ainda dão lucro. No final da década de 70 surgiram selos e artistas independentes que custeavam suas gravações e prensagem dos seus discos abrindo mais uma frente positiva para a diversidade musical. Nos anos 80 o Rock, RAP, FUNK/MC’s entram em evidência sem abafar as expressões musicais populares.

Nos anos 90 o Axé Music, as duplas Sertaneja, os grupos de Pagode, as bandas de Forró reinaram e os MCs do FUNK dividiam espaço na programação da grande mídia com o Rock, RAP, Reggae, MPB, Manguebeat. No século XXI se perpetuou a monocultura da música Sertaneja Pop, que disputa com o FUNK quem paga um jabá mais valioso para tocar as próprias músicas e impedir de tocar as músicas dos concorrentes.

As gravadoras e empresários comandam essa prática criminosa cooptando a grande mídia. Programas de TV e Rádio com apresentadores com mais de 40 anos de carreira propagam a monocultura musical como lei natural. Alguns desses apresentadores já tiveram programas que mostravam a diversidade musical brasileira. A rádio e a TV de grande audiência não têm mais na sua programação nichos musicais.

As redes sociais e plataformas digitais mostram uma diversidade musical, mas a prática do jabá online manipula os algoritmos que causam o aborto de muitos ritmos. Hoje gravar música não é o grande obstáculo, o desafio é ser escutado através de uma divulgação orgânica. O investimento em plano de marketing digital é praticado por carteis da monocultura musical. Sabemos que não existe almoço grátis e que a água só corre para o mar.

Restando a guerrilha cultural aos artistas independentes que ainda não desistiram de manter viva a música autoral. O gosto musical é livre, mas pagar (o jabá) para tocar exclusivamente um gênero musical é manipulação, crime e favorece um cartel em detrimento da cultura musical do país. A RitmoMelodiawww.ritmomelodia.mus.br desde 2001 mostra a diversidade musical brasileira, seja famoso ou ainda invisível para outras mídias.

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.

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