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Uma Revista criada em 2001
pelo jornalista, músico e poeta paraibano
Antonio Carlos da Fonseca Barbosa.

A Monocultura Musical é nociva e criminosa


Por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa

Monocultura é a produção de um único tipo de produto agrícola. A substituição de várias espécies de plantas, por uma única cultura, é uma prática danosa ao solo.

A monocultura musical é nociva à diversidade musical e cultural e forma um cartel de empresários, músicos, produtores, meios de comunicações e outros colaboradores colocando em evidência na grande mídia um único gênero musical. Analisando as músicas compostas e escutadas no Brasil desde 1920, as estrangeiras eram maioria, mas existia espaço para a música popular feita no país. A supremacia da música estrangeira foi diminuindo ao passar dos anos e nos anos 60, com o surgimento de ídolos nacionais aumentou o interesse das gravadoras multinacionais para uma produção brasileira.

O jabá era praticado pelas gravadoras que colocavam os seus divulgadores na peregrinação das rádios para inserir os singles (música de trabalho de cada artista) na programação cooptando os radialistas ou diretores artísticos negociando quantas vezes as músicas tocariam na programação da rádio. Eram empresas tratando dos seus interesses comerciais. O artista insatisfeito com a falta de divulgação sistemática de suas músicas buscava ser contratado por outra gravadora. Mas ainda existia uma diversidade musical, mesmo com o ciclo do modismo musical, seja através do destaque de um artista ou de um gênero musical, exemplo: música italiana, música francesa, música de idioma inglês, Bolero, Bossa Nova, Samba, Rock, Jovem Guarda, MPB. As gravadoras mantinham a diversidade musical através do seu elenco de artistas de vários ritmos para manter uma diversidade do seu catálogo no mercado.

As décadas de 60 e 70 tiveram uma maior efervescência cultural, de costumes, política e musical. Essas duas décadas eternizaram a maior e melhor produção musical nacional e internacional e muitos artistas, bandas entraram para a história e se tornaram ícones. Nem os modismos aniquilaram a diversidade musical e muitos desses ídolos ainda estão na ativa e alguns falecidos ainda dão lucro. No final da década de 70 surgiram selos e artistas independentes que custeavam suas gravações e prensagem dos seus discos abrindo mais uma frente positiva para a diversidade musical. Nos anos 80 o Rock, RAP, FUNK/MC’s entram em evidência sem abafar as expressões musicais populares.

Nos anos 90 o Axé Music, as duplas Sertaneja, os grupos de Pagode, as bandas de Forró reinaram e os MCs do FUNK dividiam espaço na programação da grande mídia com o Rock, RAP, Reggae, MPB, Manguebeat. No século XXI se perpetuou a monocultura da música Sertaneja Pop, que disputa com o FUNK quem paga um jabá mais valioso para tocar as próprias músicas e impedir de tocar as músicas dos concorrentes.

As gravadoras e empresários comandam essa prática criminosa cooptando a grande mídia. Programas de TV e Rádio com apresentadores com mais de 40 anos de carreira propagam a monocultura musical como lei natural. Alguns desses apresentadores já tiveram programas que mostravam a diversidade musical brasileira. A rádio e a TV de grande audiência não têm mais na sua programação nichos musicais.

As redes sociais e plataformas digitais mostram uma diversidade musical, mas a prática do jabá online manipula os algoritmos que causam o aborto de muitos ritmos. Hoje gravar música não é o grande obstáculo, o desafio é ser escutado através de uma divulgação orgânica. O investimento em plano de marketing digital é praticado por carteis da monocultura musical. Sabemos que não existe almoço grátis e que a água só corre para o mar.

Restando a guerrilha cultural aos artistas independentes que ainda não desistiram de manter viva a música autoral. O gosto musical é livre, mas pagar (o jabá) para tocar exclusivamente um gênero musical é manipulação, crime e favorece um cartel em detrimento da cultura musical do país. A RitmoMelodiawww.ritmomelodia.mus.br desde 2001 mostra a diversidade musical brasileira, seja famoso ou ainda invisível para outras mídias.


Comments · 18

  1. Gostaria de parabenizar o jornalista Antônio Carlos, por esse artigo muito relevante! O tema abordado é muito proeminente para nossa contemporaneidade. O texto conseguiu ser objetivo e sintético porem com um grande poder de nos apresentar uma reflexão critica sobre a questão da “monocultura musical”.
    Entendo que os meios de comunicação “tradicionais”, por se tratarem de concessões públicas , deveriam cumprir melhor seu papel social em auxiliar a difusão de nossa riqueza cultural/musical, porém a prática do “Jabá” que já vem ao longo do tempo se institucionalizado e consolidando impede essa difusão. Sem contar o “jabá virtual”, atualmente presente nas redes sociais.
    Outro fato relevante nesse contexto seria a carência significativa de políticas públicas eficientes para minimizar a questão de dificuldade de escoamento da produção artística, principalmente para os artistas independentes que sofrem por não possuírem recursos para aderirem a prática do “Jabá”.

  2. É verdade meu amigo Antônio Carlos, é isso aí e muito mais, se agente for falar tudo fica queimado na praça, abraço.

  3. Parabéns ao Grande Jornalista Antônio calos , o trabalho dele na diversidades musical Brasileira é de é extremamente importante , Parabéns poeta Antônio Carlos continúe produzendo e propaganda cultura Brasileira.

  4. Olá meu caro Antonio Carlos, acabo de ler seu Artigo sobre a “Monocultura Musical” e gostei muito!! Ao usar a prática do Jabá, os poderosos esmagam os artistas independentes e a diversidade rítmica da nossa comunidade musical. Muito bom! Parabéns pela Denúncia!

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