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Categorias: Entrevistas

Zé Renato


Zé Renato começou sua carreira artística participando de festivais estudantis, amadurecendo ali sua verve de compositor. Depois de diversas iniciativas musicais na sua adolescência, em 1976 integrou o grupo Cantares ao lado de Marcos Ariel e Juca Filho, entre outros. Com o Cantares lançou um compacto duplo (1978) pela Funarte, pelo projeto “Vitrine”, tendo como padrinho Toninho Horta. No mesmo ano formou, com Claudio Nucci, David Tygel, Maurício Maestro, o quarteto vocal e instrumental Boca Livre, acompanhando Edu Lobo em diversos shows pelo país.

Em 1979 o Boca Livre gravou seu primeiro LP, independente, cujas vendas superaram a marca das cem mil cópias vendidas. O Boca Livre muda sua formação, em 1980, com a entrada de Lourenço Baeta no lugar de Claudio Nucci e lança o segundo LP, “BICICLETA”, (1981), reafirmando projeção nacional e construindo uma vasta discografia e uma carreira de sucesso a partir de então.

Paralelamente ao seu trabalho com o Boca Livre, Zé Renato se lançou como artista solo. Em 1982 lançou “FONTE DA VIDA”, seu primeiro disco, e, em 1984, “LUZ E MISTÉRIO”, ambos pela gravadora Polygram/Philips. Retomou sua parceria com Cláudio Nucci em 1985, lançando o disco “PELO SIM, PELO NÃO” (CBS). As canções “Pelo sim, pelo não” (parceria com Claudio Nucci e Juca Filho) e “A hora e a vez” (parceria com Cláudio Nucci e Ronaldo Bastos), gravadas nesse disco, foram incluídas na trilha sonora de “Roque Santeiro”, novela de grande repercussão da TV Globo.

Ainda em 1985, convidado por Antonio Carlos Jobim, participou da trilha sonora de “O TEMPO E O VENTO” (Som Livre), minissérie transmitida pela TV Globo, gravando as músicas “Rodrigo, meu capitão” e “Dona Bibiana”, ambas do maestro. Sua prolífica parceria com Hamilton Vaz Pereira, diretor e autor teatral, gerou algumas canções que se tornariam importantes na formação do repertório da Banda Zil, combo instrumental e vocal formado junto a Cláudio Nucci, Ricardo Silveira, Marcos Ariel, Zé Nogueira, Jurim Moreira e João Batista. Criada no “boom” da música instrumental carioca, a Zil lançou um único LP (“ZIL”, pela Continental) em 1987, com ótima repercussão. O disco foi relançado em 1990 pelo selo Verve nos Estados Unidos, Europa e Japão, acrescido da canção “Song for the rainforest” (parceria de Zé Renato com Claudio Nucci), que entrou na parada de sucessos da revista Billboard.

Em 1988 Zé Renato integrou a banda de Al di Meola, participando da gravação do LP “TIRAMISU” do guitarrista americano. Na sequência, turnês pelos Estados Unidos e Europa. Em 1990 lançou novo disco solo, “PEGADAS” (Selo Eldorado), com acento mais pop e que contou com a emocionante participação de Antonio Carlos Jobim no clássico “O amor em paz”. Em 1993, gravou com Victor Biglione e Litto Nebbia em Buenos Aires o disco “PONTO DE ENCONTRO”, lançado no Brasil pela Leblon Records. Zé Renato ganharia, nos anos seguintes, maior brilho e projeção ao gravar discos dedicados ao repertório de grandes artistas da música brasileira. Primando pela sofisticação de produção e repertório, consolidou-se no primeiro time de intérpretes brasileiros a partir do disco “ARRANHA-CÉU” (Velas, 1994), contendo regravações de antigos sucessos de Sílvio Caldas, sendo “Mulher” incluída na trilha sonora da novela “Éramos seis” (SBT). O disco foi recebido pela crítica especializada como o melhor lançamento fonográfico do ano. Dois anos depois foi a vez de homenagear o sambista Zé Keti com o disco “NATURAL DO RIO DE JANEIRO” (MP,B), onde faz sua incursão pelo mundo do samba. Curiosamente, este não era um universo desconhecido de Zé Renato, amante que era dos sambas-canções das décadas de 40 e 50.

Este novo momento levou-o a apresentar-se ao lado de Elton Medeiros e Mariana de Moraes com o espetáculo “A ALEGRIA CONTINUA”, gravado ao vivo em 1997 e lançado em CD pela gravadora MP,B/Warner. Ainda em 1998, convidado pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, Zé Renato apresentou-se, acompanhado por uma orquestra de cordas, no espetáculo “Sílvio Caldas: 90 anos”, realizado no Teatro João Caetano, O show foi apresentado também no Sesc Vila Mariana (SP), sendo gravado ao vivo e lançado em CD pela Indie Records, com apoio cultural da Funarj.

1999 seria um ano muito especial para Zé Renato. Neste ano inicia-se o projeto “Dobrando a Carioca”, ao lado de Guinga, Moacyr Luz e Jards Macalé. Desde então o quarteto tem feito shows, culminando com o DVD lançado em 2016. Neste mesmo ano gravou “CABÔ” (Indie Records), CD composto de sambas autorais em parceria com Lenine, Pedro Luís e Elton Medeiros, entre outros. Este CD foi lançado na França em abril de 2005 pelo selo Luz Azul.

Em 2000 lança “FILOSOFIA” (MP,B), contendo canções de Noel Rosa e Chico Buarque, e “MEMORIAL” (Biscoito Fino), trabalho em duo com o maestro e compositor Wagner Tiso. Neste último prestam homenagem em forma de música ao presidente mais musical da história do Brasil: Juscelino Kubitschek. Pesquisado pelos próprios músicos, o repertório do CD percorre este período da história, com músicas que vão dos anos 20 aos 60.

No final de 2003 lançou o CD – “MINHA PRAIA” (Biscoito Fino), uma mistura de suas composições mais significativas em sua trajetória com inéditas em parceria com Arnaldo Antunes, Paulo César Pinheiro, Capinan, entre outros. Ainda em 2003 idealizou e produziu o show e CD – “SAMBA PRAS CRIANÇAS” (Biscoito Fino), ganhador do Prêmio TIM 2004 de Melhor Disco Infantil. E em 2004 recebeu, pelo disco “MINHA PRAIA”, o Prêmio Rival BR de Música na categoria de Melhor Cantor.

Antecipando as comemorações dos 80 anos de Orlando Silva, realizou em 2004 – no Centro Cultural Carioca e no Teatro Rival, no Rio de Janeiro – três temporadas de sucesso do show “ORLANDO MAVIOSO”, onde interpretou sucessos da época de ouro do Cantor das Multidões. Este show entraria para a galeria dos grandes espetáculos de Zé Renato, apoiado por uma banda de virtuosos, texto de Flavio Marinho e cenários de Lan.

2004 foi o ano de um novo projeto especial, desta vez ao lado do grupo português Trinadus. O disco foi “NAVEGANTES” (no Brasil, pela Biscoito Fino), que junta composições de brasileiros e portugueses num repertório tocante. Com o show “EU E MEU VIOLÃO” volta aos palcos cariocas em 2005, tocando no Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife, Natal e Fortaleza. E consolidando sua carreira internacional, esteve na França na caravana do Projeto Pixinguinha. Ainda encerrou as comemorações do Ano do Brasil na França, no mês de novembro, integrando o elenco da Sinfonia do Rio de Janeiro no auditório da Unesco, em Paris, e realizando shows de divulgação do CD – “CABÔ” na capital francesa e em Marseille.

Em 2006 realizou 4 projetos: o show “ENCONTRO DAS ÁGUAS” com Joyce Moreno; o seu segundo CD infantil “FORRÓ PRAS CRIANÇAS” (pela gravadora Biscoito Fino) que recebeu o Prêmio Tim 2007 de melhor CD infantil e foi indicado ao Grammy Latino de 2007 na categoria Melhor álbum infantil; a gravação do CD/DVD  “ZÉ RENATO AO VIVO”, com participação especial de Milton Nascimento; e o retorno ao Boca Livre, junto com David Tygel, Maurício Maestro, Lourenço Baeta, em show concorridíssimo no Canecão, gravado e lançado posteriormente como “BOCA LIVRE E AO VIVO” pela gravadora Universal. O DVD foi vencedor do Prêmio Tim 2008 na categoria Melhor Grupo.

Em 2006 realizou 4 projetos: o show “ENCONTRO DAS ÁGUAS” com Joyce Moreno; o seu segundo CD infantil “FORRÓ PRAS CRIANÇAS” (pela gravadora Biscoito Fino) que recebeu o Prêmio Tim 2007 de melhor CD infantil e foi indicado ao Grammy Latino de 2007 na categoria Melhor álbum infantil; a gravação do CD/DVD  “ZÉ RENATO AO VIVO”, com participação especial de Milton Nascimento; e o retorno ao Boca Livre, junto com David Tygel, Maurício Maestro, Lourenço Baeta, em show concorridíssimo no Canecão, gravado e lançado posteriormente como “BOCA LIVRE E AO VIVO” pela gravadora Universal. O DVD foi vencedor do Prêmio Tim 2008 na categoria Melhor Grupo.

2008 marca o lançamento de “É TEMPO DE AMAR” (MP,B), disco em que se aproxima do repertório da Jovem Guarda, ganhador do prêmio da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) na categoria Melhor Cantor e o Prêmio da Música Brasileira 2009, categoria Melhor Cantor de Canção Popular, . Em São Paulo, com grande sucesso, realiza o projeto “101 SAMBAS QUE VOCÊ PRECISA OUVIR ANTES DE MORRER”, lotando o Tom Jazz todas as quintas-feiras de janeiro a março. E, para lembrar os 30 anos de morte do cantor das multidões, o show “ORLANDO MAVIOSO” volta a estar em cartaz.

Em 2010 junta-se a Renato Braz para o show/disco “PAPO DE PASSARIM”, gravado ao vivo no Teatro Fecap (SP). No ano seguinte, volta ao disco autoral com “BREVES MINUTOS” (MP,B), onde consolida suas parcerias com Joyce Moreno e Pedro Luís em diversas faixas.

Em 2013 lançou, com o grupo Boca Livre, o CD “AMIZADE”, vencedor do 25º Prêmio da Música Brasileira. Seu disco autoral, independente, “ZR TRIO – O VENTO NA MADRUGADA SOPROU”, lançado em 2014, ganha o Prêmio da Música Brasileira 2015. Neste disco destaca-se seu lado violonista, além de intérprete e compositor. No ZR Trio é acompanhado de Tutty Moreno (bateria) e Romulo Gomes (baixo).

Em 2016 comemorou 60 anos de idade e 40 de carreira com o lançamento da caixa de quatro CDs “Anos 80”, pelo selo Discobertas. Além de seus dois primeiros discos solo, a caixa reúne participações e raridades selecionadas deste período, com destaque para o compacto do seu grupo seminal, Cantares, gravado em 1978. Ainda neste ano realizou o projeto “Música +” unindo a música com especialistas, em diferentes assuntos (cinema, TV, ambiente, futebol, política dentre outros), em várias apresentações.

Em 2017, Zé Renato gravou o CD – “BEBEDOURO” (independente), aclamado pela crítica especializada, trazendo músicas inéditas com os parceiros Paulo Cesar Pinheiro, Joyce Moreno, Moacyr Luz, João Cavalcanti, Nei Lopes, Capinam, Moraes Moreira.

Em 2018, além de seus projetos solo, lançou o single “Bicicleta” com Claudio Nucci, uma versão com letra de um clássico do repertório do Boca Livre. Com Claudio fez diversos shows pelo Brasil a partir deste lançamento. Realizou também turnê comemorando os 40 anos de carreira do grupo Boca Livre que lançou, em 2019, o CD independente “Viola de Bem Querer”.

Em setembro de 2019 faz sua primeira viagem ao Japão a convite de Joyce Moreno e do Blue Note Tokyo para cinco apresentações em Tokyo e Yokohama, além de participação na rádio J-Wave com Jin Nakahara. Ainda em 2019 lançou o CD “O AMOR É UM SEGREDO – ZÉ RENATO Canta PAULINHO DA VIOLA”.

Em 2020, além de shows com o Boca Livre e a turnê do disco dedicado à obra de Paulinho da Viola, Zé Renato dedicou-se a ministrar uma oficina de canto popular na 37ª Oficina de Música de Curitiba, foi convidado pelo Museu da Imagem e do Som para prestar seu depoimento para a posteridade, onde gravou uma longa entrevista sobre sua carreira para aquela instituição e participou de diversos eventos, incluindo a gravação do programa “Um café lá em casa”, com o músico Nelson Faria.

Com o advento da pandemia do covid-19, como todo artista, Zé Renato buscou aproximar-se de seu público e seus amigos músicos e compositores por meio de outras formas. Sua produção neste período foi enorme. Novas parcerias com Joyce Moreno, Lula Queiroga e Thiago Amud, além de um antigo soneto de Sidney Miller, com o título de “Ilusão”, musicado por Zé Renato com autorização da família de Sidney. Diversas gravações à distância com Monica Salmaso, Grupo Amaranto, Paulo Rafael, Jacques Morelembaum, Renato Braz, Marcos Suzano, Claudio Nucci, Dani Moraes, Joyce Moreno, entre muitos outros, como um afago à sua própria alma em tempos de isolamento. Sem contar as inúmeras “Lives” que realizou, onde contou a história de sua carreira e falou de discos importantes de sua trajetória, além de show online com o seu grupo Dobrando a Carioca.

Em julho de 2020, Zé Renato lançou mais um single nas plataformas digitais: “Vamos curtir o amor”, parceria de Zé Renato e Moraes Moreira. Originalmente lançada no disco “Bebedouro”, de 2018, esta nova versão buscou a essência “bossanovista” da canção, apenas com a voz e o violão de Zé Renato.  O single desta primeira e única parceria dos dois chegou às plataformas digitais exatamente na data de aniversário de Moraes (8 de julho), acompanhada por videoclipe gravado pela ONErpm.

E o mergulho em seu material guardado gerou um lançamento muito especial: “Zé Renato em ORLANDO MAVIOSO – sobre as interpretações de Orlando Silva”. O álbum, lançado em 2021, foi precedido pelo single “Preconceito”, de Wilson Batista e Marino Pinto, lançado no dia em que Orlando faria 105 anos (03 de outubro 2021). Ao revistar estas gravações, Zé Renato se deu conta da verdade que existia ali naqueles registros. “Ouvindo o resultado das gravações eu fiquei animado com o espírito das apresentações, a alegria e prazer dos músicos com aquele repertório e a sonoridade ótima do grupo”. O álbum foi lançado nas plataformas de streaming e em CD pelo Selo Discobertas.

2021 também tem trazido boas realizações para Zé Renato, como um show para o projeto Poemúsica em Conservatória, um single com Bruna Caram (“Redescobrir”) e o disco “Água Pras Crianças”, projeto caro à Zé Renato e que sairá este ano pelo Selo Sesc, trazendo parcerias inéditas com Zélia Duncan, Juca Filho, Joyce Moreno, Pedro Luís, entre outros. E, ainda em junho, ele retorna aos shows presenciais ao lado de seu filho João Moschkovich, para tocar não apenas a sua produção mais recente, mas também sucessos do Boca Livre e de sua carreira solo.

Durante os seus 45 anos de carreira, Zé Renato vem construindo seu nome com um pé fincado na tradição da música brasileira e outro em seu próprio talento de intérprete, sempre aberto ao novo, mas nunca esquecendo suas influências. Constam da relação dos intérpretes de suas canções artistas como Zizi Possi, Leila Pinheiro, Milton Nascimento, Lulu Santos, Joyce Moreno, Jon Anderson, Nana Caymmi, MPB-4, Céu da Boca, Boca Livre, entre outros.

Consciente da importância que sua arte tem nas mudanças que o Brasil precisa, Zé Renato tem sido uma voz contra as injustiças e em prol da saúde. Neste ano em que completou 65 anos (01 de abril), ele continua abraçando seu público cada vez mais, mesmo à distância.  Texto por Maurício Gouvêa.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Zé Renato para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 19.09.2021:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Zé Renato: Nasci no dia 01.04.1956 em Vitória – ES. Registrado com José Renato Botelho Moschkovich.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Zé Renato: Em casa através dos meus pais.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Zé Renato: Minha formação foi, incialmente, estudando violão. Mas por pouco tempo, logo segui intuitivamente e assim me desenvolvi como músico. Considero-me um músico basicamente intuitivo.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Zé Renato: Fui criado ouvindo basicamente música brasileira, mas sempre estive atento a outros gêneros e acredito que toda essa diversidade acabou se incorporando ao meu trabalho. Minha discografia demonstra claramente isso.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Zé Renato: Minha história profissional começou, de fato, a partir da formação do grupo Cantares (ao lado de Juca Filho e Marcos Ariel) em 1976, onde fiquei até 78, quando passei a integrar o Boca Livre (Maurício Maestro – contrabaixo e vocal, Zé Renato – violão e vocal, Cláudio Nucci – violão e vocal, David Tygel -viola 10 cordas e vocal).

06) RM: Quantos CDs lançados?

Zé Renato: Minha carreira não se restringe a voo solo. Além disso, há os CDs gravados com o grupo Boca Livre, os projetos infantis, com Dobrando a Carioca, banda Zil e outros. Discografia: Em 1983 – “Fonte da Vida”. Em 1984 – “Luz e mistério”. Em 1988 – “Pegadas”. Em 1989 – “Arranha Céu” – sobre as músicas e interpretações de Sílvio Caldas. Em 1995 – “Natural do Rio de Janeiro” – sobre os sambas de Zé Keti. Em 1998 – “Silvio Caldas 90 anos -Zé Renato e Orquestra”. Em 1999 – “Cabô”. Em 2001 – “Filosofia”. Em 2002 – “Memorial” – com Wagner Tiso. Em 2003 – “Minha Praia”. Em 2006 – “Zé Renato – Ao vivo” (DVD). Em 2008 – “É tempo de amar”. Em 2010 – “Zé Renato – Ao vivo”. Em 2011 – “Papo de Passarim” (com Renato Braz). Em 2011 – “Breves Minutos”. Em 2014 – “O Vento da Madrugada Soprou” (com Tutty Moreno e Rômulo Gomes). Em 2016 – “Anos 80” (box com quatro CDs). Em 2018 – “Bebedouro”. Músicas que fizeram sucesso: “Toada” (Zé Renato, Cláudio Nucci, Juca Filho), “Quem tem a Viola” (Cláudio Nucci / Xico Chaves – Juca Filho / Zé Renato).

07) RM: Você estudou técnica vocal?

Zé Renato: Comecei a cantar quase que paralelamente ao meu estudo de violão já que o meu interesse sempre foi por música popular. Porém, sem pretensões de ser um violonista/solista. A minha relação com o canto nasceu da necessidade de cantar as músicas que aprendia e/ou compunha.

08) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Zé Renato: Acho que depende de cada um. No meu caso, desenvolvi intuitivamente uma sonoridade que achei adequada ao que me interessava, mas claro que a voz sempre requer cuidados e, às vezes, recebo orientações de profissionais que utilizo quando necessário. Duas coisas considero fundamentais: descanso e hidratação.

09) RM: Como é o seu processo de compor?

Zé Renato: A criação para mim é um exercício de liberdade, não tenho uma metodologia, sigo a intuição, sempre.

10) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Zé Renato: São muitos, citando alguns: Juca Filho, Xico Chaves, Cláudio Nucci, Pedro Luís, Joyce Moreno, Ronaldo Bastos, entre outros.

11) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Zé Renato: Arte para mim é sinônimo de liberdade, disso nunca abri mão. Acho que trabalhar com música não é muito diferente de outras profissões, inclui-se aí alegrias e tristezas.

12) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Zé Renato: Eu nunca trabalho só, tudo é resultado de ideias desenvolvidas por uma equipe. A criação é solitária, mas a partir do momento que se pensa num projeto, disco ou show, tudo depende de uma ação que se desenvolve com a participação de diversas pessoas. Não existe uma estratégia específica, depende do objetivo de cada trabalho.

13) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Zé Renato: Minha carreira sempre se desenvolveu através de projetos diversos, cada um com características e ações específicas de acordo com a necessidade de cada um.

14) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Zé Renato: A internet é uma ferramenta bastante útil e imprescindível para qualquer trabalho. Eu tento, na medida do possível, expor o trabalho preservando minha vida particular e mantendo um diálogo com os que me acompanham nas redes sociais.

15) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Zé Renato: Durante a pandemia do covid-19, eu acabei utilizando esse recurso apesar dos meus parcos conhecimentos técnicos. De qualquer maneira acho que ajuda bastante no processo de pré-produção. Nunca tive a pretensão de ter um home estúdio (falando em equipamentos para se gravar um disco), mas tenho conseguido alguns resultados interessantes que seguem depois para acabamento em estúdios profissionais, quando necessário. 

16) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo, mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Zé Renato: O resultado de um trabalho sempre tem uma dose de imprevisibilidade, não há uma fórmula infalível. Eu cada vez mais sigo fazendo o que me diverte, mantendo o espírito que me impulsionou para música. 

17) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas e quais permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Zé Renato: Acho a produção musical brasileira uma das mais interessantes do planeta, sempre foi e sempre será.  Sinceramente não me julgo capaz para falar sobre consistências, deficiências, etc. O Brasil é grande, cabe todo mundo.

18) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Zé Renato: A felicidade é fazer o que gosto, com quem eu gosto. A tristeza eu prefiro não lembrar.

19) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Zé Renato: Acho que o principal é a paixão pelo que se faz e, no caso da música, acrescentaria a paciência. Achar o seu próprio caminho, mesmo que as pedras apareçam, e elas certamente vão aparecer.

20) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Zé Renato: Acho festival de música divertido, uma das maneiras de músicos se confraternizarem, mesmo diante do espírito competitivo. As minhas experiências foram, na maioria das vezes, muito legais.

21) RM: Como você analisa a cobertura feita pela mídia da cena musical brasileira?

Zé Renato: Hoje em dia a mídia eletrônica talvez seja a principal fonte de informação. Sites, redes sociais, plataformas digitais, tudo o que necessitamos para nos abastecer sobre informações a respeito dos acontecimentos musicais estão publicados nesses canais. Acho que a mídia impressa e rádio continuam sendo muito importantes, mas deixaram de ser os únicos caminhos.

22) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Zé Renato: Só tive experiências maravilhosas, são espaços essenciais para a difusão da cultura no Brasil.

23) RM: Quais os seus projetos futuros?

Zé Renato: Olha, o que está chegando em outubro de 2021 é um projeto infantil chamado “Água pras Crianças”. Canções minhas em parceria com Joyce Moreno, Pedro Luís, Paulo César Pinheiro, Zélia Duncan, entre outros. Um disco sobre as águas do planeta, lançamento do Selo Sesc.

24) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Zé Renato:  memeca@gmail.com (Memeca Moschkovich)

| https://www.instagram.com/zerenatooficial 

| https://web.facebook.com/zerenatooficial 

Canal: https://www.youtube.com/user/zerenatooficial 

Aos Mestres, Com Carinho – Episódio 1: Arranha-céu: https://www.youtube.com/watch?v=I-SwMqycxao

Aos Mestres, Com Carinho – Episódio 2: Natural do Rio de Janeiro: https://www.youtube.com/watch?v=26qANNk3udU

PRECONCEITO (Wilson Batista e Marino Pinto): https://www.youtube.com/watch?v=FtJaw8fk1V4 

VAMOS CURTIR O AMOR (Zé Renato e Moraes Moreira): https://www.youtube.com/watch?v=uAYtJACy8qw 

Playlist ZR Trio: https://www.youtube.com/watch?v=hHy6x9Th-oA&list=PLMRme246VnNX7o3kvR_3hul2r_66woKJf 

Playlist: https://www.youtube.com/watch?v=g9oJxFwjFsA&list=PL2831C7608CA6BC61

“Toada” (Cláudio Nucci / Juca Filho / Zé Renato): https://www.youtube.com/watch?v=jc8n76mnyvM 

“Quem tem a Viola” (Cláudio Nucci / Xico Chaves / Juca Filho / Zé Renato): https://www.youtube.com/watch?v=7VjxjwxqS18 

Zé Renato #EmCasaComSesc: https://www.youtube.com/watch?v=glzPzmofZc8 

Toada | Zé Renato e Claudio Nucci: https://www.youtube.com/watch?v=idnx7ChWwYA 

Show – Zé Renato ao vivo (ex – Boca livre ): https://www.youtube.com/watch?v=HD9TCupUo10 

Um Café Lá Em Casa | Zé Renato e Nelson Faria: https://www.youtube.com/watch?v=ZRKsPU3gDCM 

Bate-papo com o cantor e compositor Zé Renato, no dia 25 de junho de 2021: https://www.youtube.com/watch?v=ogd2u2TgYmE 

Zé Renato e Claudio Nucci – ao vivo do Centro de Artes UFF: https://www.youtube.com/watch?v=OEdaiUZXJqc


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa
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