Zé da Guia

Zé da Guia

O cantor, compositor pernambucano Zé da Guia tem um estilo próprio, suas letras trazem experiências de vida e mensagens positivas.

Desde pequeno teve contato com a música, mas foi em São Paulo que começou a cantar, compor, tocar violão, que fazem parte da sua feliz rotina, suas músicas falam da sua realidade, e dos seus momentos no Nordeste. Com a sua música conquistou espaços incríveis dentro e fora dos palcos, o que faz ele crescer, ser feliz e acreditar que a música é vida.

“Da cidade ao sertão quero levar alegria, música, emoção e sou da terra de Lampião e tenho Forró no Pé e muito amor no coração”, declara Zé da Guia.

Segue abaixo entrevista exclusiva como Zé da Guia, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 08.06.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Zé da Guia: Nasci no dia 16.02.1955 em Inajá – PE. Registrado como Davino José da Silva.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Zé da Guia: Bem sempre gostei de música e poesias e de inventar poesias na base do improviso, era bem instintivo, mas sempre admirei o trabalho de outros artistas. Por volta de 1970 me mudei para São Paulo ainda garoto (15 anos de idade), e sempre visitava Casas Noturnas para ouvir uma boa música e conhecer outros trabalhos.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Zé da Guia: Sempre fui forrozeiro, mas nunca cheguei a estudar formalmente música. A melhor escola para um músico iniciante é cantar em lugares públicos, seja em Casas Noturnas, casamentos ou até mesmo em festas de famílias, pois assim, o músico iniciante começa a ganhar experiência.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Zé da Guia: No começo da minha vida como músico, me inspirava em cantores de Samba como Martinho da Vila, Adoniran Barbosa, Agepê, entre outros, mas sempre com um pouco da raiz nordestina também, como Luiz Gonzaga com seu belo baião! Devo dizer que o Samba não faz mais parte das minhas influências, pois hoje em dia sou 100% focado no Forró nas minhas criações, mas nunca deixando de admirar músicas de qualidade em outros gêneros.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira profissional?

Zé da Guia: Em 1974 comecei a cantar em Casas Noturnas, mas com um estilo totalmente diferente que era o Samba e músicas do Luiz Gonzaga. Em 1995 tive uma oportunidade de gravar uma música em um CD de coletânea, pela gravadora chamada Aldeia Discos e em seguida, gravei mais dois discos pela gravadora chamada Chororó e desde então não parei mais.

06) RM: Quantos CDs lançados, quais os anos de lançamento (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que entraram no gosto do seu público?

Zé da Guia: Foram lançados doze CDs: Em 1998 o “Guerreiro do Amor”. Em 2000 o “Forró Universitário”. Em 2005 o “Pai e Filho”. Em 2007 “Amor Novo”. Em 2009 o “Me leva contigo”. Em 2010 CD e DVD ao vivo “Sou da paz”. Em 2011 o “Sua estrela”. Em 2013 o “Pisando em Brasa”. Em 2014 o “Guerreiro da Vaquejada”. Em 2016 “Eu não te esqueci”. Em 2018 “Só Namoro”, uma coletânea com minhas músicas. Em 2021 o “Morena do Lave” lançados nas plataformas digitais.

A partir dos três primeiros álbuns os músicos que gravaram foram: sanfona: Acrísio de Sá, guitarrista: Paulo Gomes, contrabaixo: Lino, percussão: Bispo, bateria: Maurício e vocal: Gracinha.

Após essa fase inicial, no quarto álbum foram: sanfona: Chambinho do Acordeon, guitarrista solo: Paulo Gomes, guitarra base: Raul Rara, contrabaixo: Carlinhos Oliveira, Percussão e Bateria: Paulinho e Backing vocal: Raul Rara e Luiz Wilson.

Do Volume cinco em diante foram com músicos fixos: sanfona: Claudinho de Monteiro, guitarrista solo: Paulo Gomes, guitarra base: Raul Rara, contrabaixo: Deir, percussão e bateria: Paulinho e backing vocal: Raul Rara e Geraldo Brito.

As músicas que se destacaram de minha autoria foram: “Guri”; “Forro universitário”; “Gaiola da saudade”; “Velho são Francisco”; “Amo tudo que tenho”; “Leva eu”; “Sua Estrela”; “Dominguinhos falou; “Guerreiro da vaquejada”; “O garanhão perdeu o freio”; “Sempre te querendo”; “Morena do Vale”.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Zé da Guia: Eu me defino como um forrozeiro romântico, que é para o povo dançar e namorar.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Zé da Guia: Sim! Após o meu quinto álbum comecei a perceber que minha extensão vocal e respiração não eram mais as mesmas. Eu tinha a percepção que meu alcance vocal poderia ser melhor com a orientação de um profissional e desde então, uso essas técnicas antes das gravações e shows.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Zé da Guia: É extremamente importante para um músico saber usar o recurso vocal, para evitar danos vocais que podem ser irreversíveis e sempre tendo cuidado acima de tudo, na parte de alimentação e respiração.

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Zé da Guia: Eu sempre admirei os trabalhos de Dominguinhos, Luiz Gonzaga, Anastácia, Assisão, entre outros que seria impossível de relatar aqui, pois a lista seria gigante, mas, contudo, esses são as minhas maiores inspirações no momento.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Zé da Guia: Não tenho um processo para composição, pois é bem instintivo e momentâneo. Quando eu tenho uma ideia que vem na minha cabeça, geralmente trato de anotar em algum pedaço de papel ou caderno que esteja por perto e assim, transponho para o violão já com a melodia na cabeça.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Zé da Guia: Meus principais parceiros: meu filho Raul Rara, Tony Silva, Wanderley Martins, pois sempre tive ajuda deles nas minhas composições, seja nas letras ou na melodia que sempre viram algo nelas que poderia melhorar.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Zé da Guia: Tenho alguns parceiros e amigos de músicas que já gravaram bastante músicas minhas um deles foi meu grande amigo, cantor, compositor e radialista Luiz Wilson, Trio Umbuzeiro, João Folha, Geraldo Brito, entre outros.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Zé da Guia: Eu vejo que o prol seria no fato de ser uma pessoa pública e conhecer outros músicos e boas amizades, experiências de ir em lugares diferentes. O contra é ficar longe da minha família fazendo shows em outros Estados durante muito tempo.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Zé da Guia: No caso eu sempre tenho cuidado com meu público conversando e divulgando o meu trabalho sendo nas redes sociais ou nas rádios tanto dentro e fora dos palcos.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Zé da Guia: Devido a pandemia do Covid -19 estou longe dos palcos para mostrar o meu trabalho e tenho trabalhado somente na forma de divulgação nas redes sociais.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Zé da Guia: A internet ajuda muita na divulgação do músico, seja ela com as músicas, merchandising e shows que usada sabiamente pode ajudar a construir uma carreira musical. Não existem contras.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Zé da Guia: No home estúdio é mais fácil para gravar algo de momento, mas não substitui uma gravação profissional efetuada em um estúdio onde se obtém extrema qualidade de áudio.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Zé da Guia: Ter boas composições, qualidade na gravação nas músicas e ficar próximo do público que no caso são as redes sociais hoje em dia, pode nos proporcionar. Acho que isso é um excelente diferencial no ramo musical.

20) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Zé da Guia: Ultimamente o que tem me chamado atenção foi: Trio Nordestino, Falamansa, Trio sabiá, Mestrinho, Trio Virgulino. Agora músicos que teve regressão não sei dizer pois, não considero já que todos tem jeitos único de expor suas canções e ideias. Cabe a nós saber interpretá-las.

21) RM: Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Zé da Guia: Eu vejo como Dominguinhos, Luiz Gonzaga, Flávio José, pois eles são os pioneiros no ramo profissional da música.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc.)?

Zé da Guia: Já aconteceu um pouco de tudo citado na pergunta. Recordo-me que tive um show em um teatro e na hora do pagamento os responsáveis sumiram, por fim sair no prejuízo. Mas nunca deixei me abalar ou perder o amor a música devido esses problemas.

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Zé da Guia: O que me deixa feliz é ter saúde, continuar cantando e mostrando as minhas músicas ao povo. O que me deixa triste é a desigualdade para quem não tem um patrocínio, o que torna se mais difícil de crescer na carreira musical.

24) RM: Qual a sua opinião sobre o movimento do “Forró Universitário” nos anos 2000?

Zé da Guia: O movimento do “Forró Universitário” foi uma ótima evolução para o Forró. O que deu uma revitalizada no Forró e chamando mais atenção do público jovem. Tanto que lancei um CD o mais próximo do movimento na época.

25) RM: Quais os grupos de “Forró Universitário” chamaram sua atenção?

Zé da Guia: Falamansa, Circulador de Fulô, Rastapé. Foram as bandas na época que me chamaram atenção e que gostei bastante das composições.

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Zé da Guia: Depende muito do sucesso do músico, pois inicialmente, é necessário investir na carreira financeiramente para tocar as músicas nas rádios. Após o músico chegar ao sucesso, fica um pouco mais fácil de demonstrar mais músicas a gosto do público, devido ao uso inicial do pagamento do jabá.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Zé da Guia: Tenha paciência e perseverança, mas com humildade e sem pisar em algum colega que corre junto com você.

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Zé da Guia: O Festival de Música o prol é que várias bandas novas podem se apresentar, demonstrar o seu trabalho e chamar mais pessoas para conhecer novas bandas. O Contra é geralmente são bandas selecionadas que tem já algumas vantagens com os organizadores.

29) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Zé da Guia: Sim! Sem sombra de dúvidas o Festival de Música revela novos talentos.

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Zé da Guia: Acho que a cobertura feita pela grande mídia é algo complicado. Tudo depende do momento que o artista está no auge do sucesso, mas vejo que infelizmente o Forró fica um pouco fora da pauta.

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Zé da Guia: São ótimos lugares, com uma estrutura e incentivo, são muito bons.

32) RM: Qual a sua opinião sobre as bandas de Forró das antigas e as atuais do Forró Estilizado?

Zé da Guia: Nada contra, mas não faz o meu estilo de Forró, porém pode ser usado como um chamariz para atrair mais pessoas para conhecer outras bandas de antigamente, ou de outros formatos no gênero do Forró.

33) RM: Zé da Guia, Quais os seus projetos futuros?

Zé da Guia: Continuar lutando e cantando para o meu público defendendo a boa música e fazendo shows e conhecendo lugares após a pandemia do Covid-19.

34) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Zé da Guia: (11) 97330 – 3164 (WhatsApp) | 99617 – 9485 (Ligações)

| [email protected]

Facebook: https://www.facebook.com/zedaguia

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Youtube: https://www.youtube.com/user/zedaguia955

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“Me leva contigo” – Zé da Guia: https://www.youtube.com/watch?v=6-j9epsGeB0

“Guerreiro Da Vaquejada” – Zé da Guia: https://www.youtube.com/watch?v=AXJFqJqdG64

Programa Espalha Brasa #5 – Zé da Guia (ao vivo): https://www.youtube.com/watch?v=hUT52RtwJqI

Playlist Morena do Vale: https://www.youtube.com/watch?v=plKJ7Li0M3E&list=OLAK5uy_kv2ykW7IZRH8uPvMKxpDkacqt7tPtt8iw

Playlist do Forró Universitário: https://www.youtube.com/watch?v=xkR28SHn1Rs&list=OLAK5uy_lYbspCr5dk3vzomKazRgxk5kmAYJFcb8Q

Playlist Guerreiro do Amor: https://www.youtube.com/watch?v=uDaWkRJq6ks&list=OLAK5uy_mLcs4o2WLxNOY5pB8OOEYIWZDwhz6Br8s

Spotify: https://open.spotify.com/artist/5bkaqETSmm4sS1gd6Z3lAF?si=DIKbxkNRT8ipHCiyUciRKg


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.