Xico Bizerra

Xico Bizerra

Xico Bizerra, cearense nascido no Crato e radicado em Pernambuco há mais de 40 anos, tendo já recebido os títulos de Cidadão Recifense e de Pernambucano.

É autor de 5 livros publicados: BREVIÁRIO LÍRICO DE UM AMOR MAIOR QUE IMENSO, de Crônicas, e os infantis BICHO, FLOR e CHUVA, todos pela BAGAÇO e PEQUENINAS HISTÓRIAS PARA GENTE PEQUENINA, este pela CEPE. Escreve para blogs e Jornais de Recife e do interior do Estado.

Na área musical, é autor de 13 discos e tem suas cerca de 350 composições gravadas por mais de 400 vozes distintas, dentre elas Alaíde Costa, Elba Ramalho, Cida Moreira, Dominguinhos, Marcos Lessa, Adelson Viana, Xangai, Quinteto Violado, Amelinha, dentre muitos outros. Tem, na lista de parceiros musicais, nomes como Dominguinhos, Chico César, Toinho Alves (Quinteto Violado) e Maciel Melo.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Xico Bizerra para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 25.05.2021:

Índice

01) RM: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Xico Bizerra: Nasci no dia 04.11.50 no Crato – CE. Registrado como Francisco José Bizerra de Carvalho. Hoje sou cearense, de nascença, mas sou também cidadão recifense e pernambucano, títulos outorgados pela Câmara de Vereadores do Recife e pela Assembleia Legislativa de Pernambuco. Tenho o maior orgulho de ser conterrâneo, ao mesmo tempo, do cearense Padre Cícero e do pernambucano Luiz Gonzaga.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Xico Bizerra: Desde cedo meu contato é muito íntimo com a música e a poesia. Meu avô José Bezerra de Brito era poeta, escritor, professor de latim e de português. Minha mãe Myrthes Bezerra tocava Bandolim, quando jovem.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Xico Bizerra: Fora da área musical, sou formado em Administração de Empresas e tenho vários cursos extracurriculares em função de minhas atribuições funcionais como Inspetor do Banco Central do Brasil, a quem servi por mais de 30 anos. Na música, considero-me autodidata.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Xico Bizerra: Fazer música na área regional, como faço, e dizer que não se tem ou teve a influência de Luiz Gonzaga é ser mentiroso. Ele é o “muso” maior de minhas inspirações. Meu ídolo maior na música é José Domingos de Moraes, Dominguinhos, a quem tive o prazer de ter como parceiro em 11 composições. Na área de Forró admiro os compositores Antônio Barros e Maciel Melo. Gosto muito de Belchior, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil. Como letristas, admiro Paulo César Pinheiro, Aldir Blanc e, claro, Chico Buarque de Holanda.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Xico Bizerra: Música, faço desde a adolescência. Mas apenas quando se aproximou a aposentadoria, final dos anos 90, resolvi admitir profissionalmente minha condição de compositor de Música Popular Brasileira. Já morava no Recife – PE, chegado de Fortaleza – CE no início dos anos 1970.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Xico Bizerra: Final dos anos 90, início de 2000, lancei o primeiro de treze CDs da série que “apelidei”’ de Forroboxote. Inicialmente continha apenas músicas de teor regional – baiões, xotes, arrasta-pés etc. A partir do terceiro CD abri mais o leque e passei a compor, também choro, samba, valsa, música carnavalesca (ganhei alguns festivais nessa categoria) e até tango e fado. Minha música mais executada, com 227 gravações até o momento, é “Se tu quiser”, gravada inclusive no exterior (Canadá) e com versão em inglês. De meus discos participaram, na qualidade de músicos, Dominguinhos, Gennaro, Maestro Spok, João Neto, Camarão, dentre muitos outros. Como intérpretes, mais de 300 vozes distintas já gravaram músicas de minha autoria, dentre elas Elba Ramalho, Dominguinhos, Alaíde Costa, Cida Moreira, Amelinha, Xangai, Marinês, Trio Nordestino, Quinteto Violado, Santanna – O cantador, Maciel Melo, dentre muitos outros. Como parceiro posso relacionar Dominguinhos, Chico César, Luiz Gonzaga, Accioly Neto, Maria Dapaz, Socorro Lira e muitos outros.

Discografia: Forroboxote 01 – NICO DI PADIA E SERGINHO CRUZ CANTAM XICO. Forroboxote 02 – CLEO DANTAS CANTA O FORROBOXOTE. Forroboxote 03 – MULHERES CANTADEIRAS DE UM NORDESTE. Forroboxote 04 – CANTADORES DA NAÇÃO DE SEU LUIZ. Forroboxote 05 – ALMA SANFONICA. Forroboxote 06 – (versão envelope) – DO REINO DO EXU AO BAIÃO. Forroboxote 07 – SER TÃO CRIANÇA. Forroboxote 08 -COM A SANFONA AGARRADA NO PEITO. Forroboxote 09. Forroboxote 09 – CANDEEIROS E NEONS. Forroboxote 10 – LUAR AGRESTE NO CÉU CARIRI. Forroboxote 11 – VALSAS E CANÇÕES – CD Duplo. Forroboxote 12 – CHAMA INFINITA. Forroboxote 13 – CANTIGAS DE SANFONEIRO – 2019

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Xico Bizerra: Eclético, com predominância da música regional, mas sem qualquer restrição aos ritmos tradicionais que permeiam a MPB.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Xico Bizerra: Não sou cantor.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Xico Bizerra: Não sou cantor. Acho, entretanto, da maior importância para aqueles que cantam o aprimoramento de sua técnica vocal e a dedicação integral à carreira.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Xico Bizerra: Dominguinhos, Geraldo Maia, Emílio Santiago, Caetano Veloso, Xangai, são alguns deles.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Xico Bizerra: Não há nenhum processo específico para compor. Tanto componho versos para colocação posterior de melodia, como o contrário, coloco letra em melodias que crio. Minha preferência (e o que me mais me satisfaz) é colocar letra numa melodia bonita de alguns parceiros que admiro.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Xico Bizerra: Minha maior parceira musical é Maria Dapaz, com quem compus 44 músicas. Nossa parceria foi interrompida pelo precoce falecimento da parceira em 27.07.2018. Tenho também uma boa quantidade de parcerias com Bráulio Medeiros e Leninho de Bodocó. Com Dominguinhos fiz um disco inteiro – músicas dele com letras minhas e com Chico César também tenho parceria que muito me honra.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Xico Bizerra: Como intérpretes, mais de 300 vozes distintas já gravaram músicas de minha autoria, dentre elas Elba Ramalho, Dominguinhos, Alaíde Costa, Cida Moreira, Amelinha, Xangai, Marinês, Trio Nordestino, Quinteto Violado, Santanna – O cantador, Maciel Melo, dentre muitos outros.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Xico Bizerra: Como vantagem, a independência na escolha de repertório e a liberdade de poder escolher o melhor intérprete, a seu juízo, para sua música. A maior desvantagem é a falta de divulgação do seu trabalho, função que, no passado, era desenvolvido pelas gravadoras.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Xico Bizerra: Não tenho pretensões de palco, por ser apenas compositor.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Xico Bizerra: Recentemente, passei a adotar as plataformas digitais como instrumento para desenvolver meu trabalho enquanto compositor.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Xico Bizerra: Ajuda na medida em que é um meio de divulgação que consegue atingir um público considerável através das plataformas virtuais e das redes sociais. Não consigo enxergar nada que a Internet possa prejudicar no desenvolvimento de minha carreia como compositor.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Xico Bizerra: Ainda não utilizei home estúdio, mas reconheço sua praticidade, inobstante nem sempre se possa garantir, nesse contexto, a qualidade que se obtém em estúdios profissionais. Em tempos de pandemia do Covid-19, a utilização do home estúdio se sobressai em função da necessidade do distanciamento social com fins sanitários. É válido também para o caso de pré-produções que se antecipem às gravações definitivas.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Xico Bizerra: Primo pela qualidade e tenho o cuidado de não me render, de me deixar impressionar pelos “modismos” em detrimento da qualidade do trabalho.

20) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Xico Bizerra: O Forró tem-se renovado muito pouco nos últimos tempos. Os maiores sucessos “recentes” do estilo foram: “Caboco Sonhador”, “Tareco e Mariola”, “Esperando na Janela”,Se Tu Quiser”, todas com mais de 10 anos de lançadas. As cantigas de Accioly Neto também continuam em alta. Permanecem valorizados pelo público aqueles que mantém a tradição e a qualidade de seus trabalhos, como Flávio José, Santanna – O cantador, Alcymar Monteiro, Maciel Melo, Flávio Leandro, Elba Ramalho. Da nova safra, citaria Lucy Alves, com alguma restrição pela adesão a modismos que nada representam em termos de Forró autêntico.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Xico Bizerra: O exemplo maior, de humildade, generosidade e, principalmente, qualidade técnica, é ‘seu’ Domingos. Este dignificou e ajudou a disseminar o bom forró, discípulo que foi do Mestre maior, ‘seu’ Luiz Gonzaga. Sua sempre disposição de ajudar os que estão em começo de carreira era outra característica marcante de Dominguinhos. É, enfim, exemplo a ser seguido.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Xico Bizerra: Não sou cantor, por isso são mínimas as situações descritas acima acontecidas comigo. A mais engraçada foi a de um cantor que se apropriou indevidamente de uma música minha, colocou-se como parceiro na capa de seu disco e ainda me ligou para dizer que tinha feito a introdução e que, por isso, tinha se posto como parceiro. Não liguei. Todos conhecem o caráter de quem age mal.

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Xico Bizerra: Mais feliz, o reconhecimento do público à minha obra e o respeito adquirido junto à classe artística (Cantores e Cantoras). Triste, o não reconhecimento pelos órgãos competentes – ECAD – Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, na dimensão devida, da remuneração pela execução de nossas músicas.

24) RM: Qual a sua opinião sobre o movimento do “Forró Universitário” nos anos 2000?

Xico Bizerra: O movimento do “Forró Universitário” deu sua contribuição na divulgação/disseminação do Forró. Infelizmente, foi mal interpretado pelos mais “puristas” que boicotaram o ingresso dos grupos no Nordeste, pressionando contratantes e emissoras de rádio. Teria sido melhor para o Forró a união, naquele momento.

25) RM: Quais os grupos de “Forró Universitário” chamaram sua atenção?

Xico Bizerra: Dentre outros, a Rastapé, Bicho de Pé, Forróçacana, Falamansa, todos muito bons e preservando, na medida do possível, a raiz, a essência.

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Xico Bizerra: Esporádica e pontualmente minha música toca em algumas emissoras locais – Rádio Jornal FM, Rádio Universitária FM, Rádio Folha FM. Nas grandes redes, só com o pagamento do jabá ou esquemas que desconheço, mas que existem.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Xico Bizerra: Buscar sempre a qualidade e não se deixar iludir por modismos, fugazes e passageiros, que possam comprometer sua obra.

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Xico Bizerra: Hoje eles não mais exercem a função que exerciam no passado, quando do surgimento de nomes como Gilberto Gil, Caetano Chico, MPB4, Edu Lobo, Elis Regina e tantos outros. Os tempos são outros e as formas de revelação de novos nomes também mudaram. Os Festivais não mais cativam o interesse de participação de compositores e intérpretes.

29) RM: Hoje os Festivais de Música ainda revelam novos talentos?

Xico Bizerra: Os Festivais tiveram seu tempo e revelaram grandes valores. Atualmente, eles não mais exercem essa função. Não saberia explicar as razões da desvalorização dessa ferramenta como âncora para o surgimento de novos valores, tanto no campo da autoria como no de intérpretes.

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Xico Bizerra: Insuficiente a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira. Muito aquém do que a boa música merece e necessita.

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Xico Bizerra: Todo e qualquer espaço institucional aberto em favor da disseminação, da divulgação da boa música brasileira deve ter o apoio de todos, pela repercussão favorável que o fato gera na população brasileira. Elogiável a atuação dos órgãos citados, além de outros, dentre os quais eu citaria a Natura, o Banco do Brasil e a Caixa Cultural.

32) RM: Qual a sua opinião sobre as bandas de Forró das antigas e as atuais do Forró Estilizado?

Xico Bizerra: Não acho justo comparar esses dois movimentos. Só entendo como verdadeiro o Forró tradicional, sem letras apelativas, sem recurso a temas como bebidas ou prostitutas. Uma banda que faz esse tipo de música e se apropria indevidamente do rótulo de Forró, sem sê-lo, não merece de minha parte qualquer consideração e, exatamente por isso, me recuso a fazer a análise nos moldes propostos, uma avaliação comparativa entre movimentos tão distintos. Foi diferente a atuação do chamado “Forró Universitário” que, à sua maneira, preservou o que de bom existe no nosso Forró verdadeiro.

33) RM: Xico Bizerra, Quais os seus projetos futuros?

Xico Bizerra: Modestamente, continuar compondo e tentando contribuir para que a chama continue acessa, que a memória dos grandes: Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Marinês, Trio Nordestino, etc, seja preservada.

34) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Xico Bizerra: www.forroboxote.com.br | https://web.facebook.com/forroboxote

| https://open.spotify.com/artist/4PRMoAH47h2jWsvDlVCcAq

|https://music.apple.com/br/artist/xico-bizerra/490385824

|https://www.deezer.com/pt/artist/1967981

|https://www.amazon.com/s?k=forroboxote&i=digital-music

Se Tu Quiser – (Xico Bizerra) por Elba Ramalho: https://www.youtube.com/watch?v=KTPp_EoMHD0

Dudu do Acordeon e o poeta Xico Bizerra: https://www.youtube.com/watch?v=zfRGpfoQ0jI

Playlist: https://www.youtube.com/watch?v=W-8W0GSrseY&list=PLI89CsH3UomFhppAYhcu_VOk_WXe_XzCu

Playlist: https://www.youtube.com/watch?v=yisEgb4t_0g&list=PLYSkjMg00ve9Sdc7FdorMl0r_Yab6aC-Z

XICO BIZERRA, SANTANNA, ROGÉRIO RANGEL E KELLY ROSA – ISSO VALE UM ABRAÇO – TV CLUBE – 05/05/2019: https://www.youtube.com/watch?v=zswO0A1tRdo


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Tagged

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.