Vitor Mariá

Vitor Mariá

O Cantor, músico e compositor baiano Vitor Mariá, eleito melhor zabumbeiro do FENFIT 2019 – Festival Nacional de Forró de Itaúnas – ES.

Vitor Mariá teve contato com a música muito cedo e iniciou a carreira artística em 2004, altura em que criou a primeira banda, na qual foi baterista por cinco anos e escreveu a sua primeira canção, “CAROLINA”. Acompanhou grandes personalidades artísticas da sua região, tais como Dom Fontinelli e Júa da Bahia, figuras estas que foram importantes na sua formação dentro do Forró. Em 2012 estudou teoria musical na UFBA – Universidade Federal da Bahia, o que lhe trouxe mais maturidade na área e motivação para montar o seu projeto solo no final de 2017. Com o início dessa nova fase surgiram novas composições e em março de 2018 o seu primeiro disco, “RAÍZES”.

No mesmo ano conseguiu a segunda colocação no FENFIT 2019 – Festival Nacional de Forró de Itaúnas – ES. Ao lado do amigo e sanfoneiro Cainã Araújo. Subiu também ao palco do FIB – Festival de Inverno Bahia e teve a honra de ser apadrinhado pelo Trio Nordestino, após terem gravado juntos o single de sua autoria “QUEM É ESSA MENINA”. Em março de 2019, Vitor Mariá lançou um novo disco direcionado aos festejos juninos no Brasil, intitulado “O MAIS SIMPLES POSSÍVEL”, o que lhe rendeu cinquenta e sete shows no período festivo.

Em julho de 2019 embarcou para sua primeira turnê pela Europa, Mariá e apresentou em Lisboa, Porto, Espanha, Festival de Colônia e Forró Marathon (Münster) Alemanha.

Atualmente encontra-se em processo de divulgação do seu novo single “LAMPARINA DA HISTÓRIA”, lançado maio de 2020 e está finalizando o documentário “Vitor Mariá Raízes”, que abordará a sua trajetória dentro do cenário do forró.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Vitor Mariá para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 08.08.2020:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Vitor Mariá: Nasci no dia 06 de julho de 1988 em Itapetinga, interior da Bahia.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Vitor Mariá: Como na maioria dos casos, meu primeiro contato com a música foi através da Igreja. Quando criança eu me sentava na frente do palco para ver um baterista da época tocar. Aquilo me fascinava e me fez querer aprender. Depois de pouco tempo eu estava lá tocando e foi aí que entendi que a música tinha me escolhido.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Vitor Mariá: Com o passar dos anos senti a necessidade de sair da minha cidade e me aperfeiçoar como músico profissional, então em 2012 me mudei para Salvador – BA e iniciei o curso de extensão de Teoria Musical na UFBA – Universidade Federal da Bahia, e hoje também sou graduado em Gestão e Marketing.

04) RM : Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Vitor Mariá: A Bateria sempre esteve presente em minha vida e foi com ela que vivi e adquirir boa parte do conhecimento que tenho hoje. Na época tinha alguns profissionais do instrumento que me influenciaram bastante como Beto Martins, Kiko Freitas, mas sempre me liguei em instrumentos de harmonia, então ouvia seu Domingos tocando e aquilo me deixa louco. A partir do Forró, conheci e toquei com pessoas maravilhosa que me influenciaram também, Mahatma Costa, Jefinho Dias, Raoni Maciel, Marilson, Cleriston Cavalcante, entre outros. Continuo acompanhando e usando todos como referência.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Vitor Mariá: Após o meu primeiro contato com a música, junto com alguns amigos montamos o grupo Forró Kolamaiseu, banda de Forró Pé-de-Serra e com ela em 2004 veio meu primeiro cachê e também minha primeira composição.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Vitor Mariá: Como baterista gravei inúmeros projetos, mas só em 2018 me lancei como artista e foi nesse ano que gravei o álbum intitulado RAÍZES, em que apresentei canções autorais e regravei algumas canções que me influenciaram no começo da careira musical. Em 2019 lancei o single “QUE É ESSA MENINA”, um forró sambado que foi gravado junto com o Trio Nordestino e também fui apadrinhado por eles. Ainda em 2019 lancei um álbum promocional de São João, “O MAIS SIMPLES POSÍVEL” com uma característica mais enérgica, típica dos festejos juninos do Nordeste. No primeiro semestre de 2020 lancei mais um single, “PISANDO QUENTE” e também inicie o trabalho de divulgação e lançamento do meu EP – “LAMPARINA DA HISTÓRIA” que também é um resgate das raízes do meu povo, ele fala sobre legado, simplicidade e respeito.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Vitor Mariá: Transitei por vários estilos quando baterista, mas minha carreira é definitivamente moldada para o Forró. É fazendo Forró que me sinto bem, me sinto feliz e foi ele que me fez alcançar os voos mais altos da minha trajetória musical.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Vitor Mariá: A princípio não estudei, porquê o cantar foi algo despretensioso. Comecei a gravando alguns vídeos para conhecer a minha voz.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Vitor Mariá: Como qualquer outro instrumento a Voz precisa de cuidados. É muito importante o acompanhamento de um profissional para se aprende as técnicas vocais para preservar e alcançar os melhores resultados sem sobrecarregar as cordas vocais.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Vitor Mariá: São muitos. Os que posso citar e que tenho um olhar especial são: Dominguinhos, Luiz Gonzaga, Gonzaguinha, Maria Rita, Djavan, Lenine, Gilberto Gil, Mariana Aydar, entres outros.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Vitor Mariá: Esse é um processo mágico, as vezes ao deitar surge uma melodia, as vezes ao acordar, ou quando escuto algum disco que gosto bastante. Mas na maioria das vezes foi querendo falar algo que eu pensava ou sentia que nasceram boa parte das minhas canções.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição? 

Vitor Mariá: Tive poucos parceiros musicais até o momento, sempre que escrevi vinham as melodias e letras prontas. Mas pude compartilhar algumas canções com meu amigo Cainã Araujo.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Vitor Mariá: Com exceção da minha primeira composição “Carolina” que foi gravada pela banda Forró Kolamaiseu, não partilhei dessa a alegria ainda, mas todas elas estão disponíveis.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Vitor Mariá: Não é fácil. É viver caminhando da contramão do mercado musical sempre. É assumir mil funções, trabalhar sem parar, fazer de tudo até subir no palco para fazer o show que acaba sendo a menor parte no processo. E as vezes até ser o produtor do evento, mas é nessa hora que tudo vale a pena. Poder produzir o que você acredita, tomar a rédea da sua própria carreira musical e saber que o que você está fazendo realmente tem sentido e valor.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Vitor Mariá: Eu sempre acreditei que um trabalho organizado, feito com amor e carinho pode gerar resultados positivos. Um exemplo, é que subi ao palco de um dos maiores Festivais do país, o FENFIT 2019 – Festival Nacional de Forró de Itaúnas – ES. No meu segundo show da minha carreira solo pelo simples fato de ter um trabalho sólido e bem apresentado na internet.  No meu show costumo usar aparatos tecnológicos como um sample PAD que me dá os recursos que outros instrumentos não dariam, acabo gerando uma sonoridade diferente.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Vitor Mariá: A graduação em Gestão e Marketing, por si só, foi uma estratégia para gerir minha carreira musical. Estou conseguindo fazer do meu nome uma marca associada a produtos o que me dá outras possibilidades de renda propagando meu trabalho por vários lugares.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical?

Vitor Mariá: A internet é uma das maiores ferramentas aliadas do artista e o fato de poucos saberem usar nos dá uma certa vantagem. Embora a internet tenha dado voz para todos, nem sempre todos conseguem obter os melhores resultados. Hoje a internet tem sido o palco do artista e nela podemos alavancar a carreira musical ou destruí-la. Então o mais importante é que faça um trabalho consciente e verdadeiro.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Vitor Mariá: O processo de gravação é fantástico, estar com os amigos e colegas compartilhando aquele momento é maravilhoso. Mas para muitos estar no estúdio é desconfortável, sentir-se pressionado atrapalha o processo criativo e é algo que não é permitido na hora de uma produção. Então o home estúdio acaba sendo uma boa possibilidade para aumentar a produtividade e também acaba encurtando a distância e o tempo de produção de um trabalho.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Vitor Mariá: Acabo sendo eu mesmo! Cada um tem seu jeito de ver e fazer música, sempre vai ter algo que nos diferencia. O fato de ser um percussionista que está no comando da banda me dá uma certa vantagem. Acabo cantando, tocando e disparando os efeitos sampleados. Isso me possibilita controlar as dinâmicas que a música precisa e esteticamente acaba sendo diferente.

20) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Vitor Mariá: Infelizmente ainda vivemos em tempos difíceis no Forró. Para viver trabalhando com o Forró tem que ser por amor, porque falta apoio até do próprio público forrozeiro. Mas sobretudo muita gente não se deixa abater e segue produzindo muita coisa boa. Nós temos uma boa geração de forrozeiros que não são divulgados, mas que defendem a bandeira. Talvez os mais conhecidos dessa nova safra sejam: Mestrinho, Mariana Aydar, Forróçacana, Falamansa, Rastapé…

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Vitor Mariá: O maior exemplo de artista vem do nosso Forró é Luiz Gonzaga.
Ele conseguiu a dimensão de ser um visionário, empreendedor e artista, sem ter metade dos recursos que temos hoje.

22) RM : Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Vitor Mariá: Fiz uma viagem ainda como baterista para acompanhar outro artista e durante o trajeto o mesmo dizia que o show seria em uma fazenda. E depois de 400 Km chegamos a um sitio muito pequeno em que tinha uma carroceria de caminhão como palco e para completar ainda tivemos que montar a sonorização, pois o dono do equipamento não sabia ligá-lo (risos).

23) RM : O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Vitor Mariá: Eu procuro focar nas coisas positivas que a música me proporciona, em qualquer profissão tem pontos negativos. Mas talvez o preconceito com a profissão de músico, seja algo que me incomoda um pouco.

24) RM: Qual a sua opinião sobre o movimento do “Forró Universitário” nos anos 2000?

Vitor Mariá: O movimento “Forró Universitário” foi de suma importância para o que vivo hoje no Forró. Ele conseguiu criar um novo cenário para o Forró e sou muito grato a todos que contribuíram para ele acontecer.

25) RM: Quais os grupos de “Forró Universitário” chamou sua atenção?

Vitor Mariá: O grupo “Falamansa” foi um dos grandes representantes dessa nova fase e até hoje são referencia, alem disso produzem músicas maravilhosas.

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Vitor Mariá: Não acrtedito que minha música toque nas rádios de grande audiência, a não ser que uma das minhas músicas viralize. Estamos vivendo em tempos de números, não de qualidade. O jabá sempre existiu, mas a concorrência era entre bons trabalhos. A grande produção fonográfica do nosso país vive uma das piores fases e quem tem mais dinheiro consegue tocar.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Vitor Mariá: Se prepare (risos). Saiba que não será fácil, vai querer desistir, vai ouvir muita coisa que não merece. Mas só quando subir ao palco vai ter a certeza se está disposto a passar por isso tudo e seguir em frente.

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Vitor Mariá: Quanto mais Festivais de Música melhor, desde que sejam organizados e tenha a real finalidade promover Arte e Cultura.

29) RM: Hoje os Festivais de Música relevam novos talentos?

Vitor Mariá: Um Festival de Música sempre terá o poder de revelar um novo talento, desde que ele abra espeço para os novos talentos. O Festival tem o papel de vitrine e quem vai consumir e comprar o artista é o publico.

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Vitor Mariá: Vivemos em tempos difíceis em que a tendência da grande midia é propagar notícias ruins, pois é o que vende. Invés de abrir espaço para o novo, ela tende a disseminar coisas negativas que acontecem na carreira de artistas já renomados.

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Vitor Mariá: Esse é um tipo de apoio fundamental para manutenção do cenário, principalmente o independente. Embora poucos artistas consigam chegar a participar de projetos feitos por essas instituições, ainda são bons espaços e agregadores da cultura popular.

32) RM: Qual a sua opinião sobre as bandas de Forró das antigas e as atuais do Forró Estilizado?

Vitor Mariá: Costumo dizer que Forró só existe um, o que veio depois foi apenas apropriação do nome para que pudessem participar dos tradicionais eventos juninos. Tendo em vistas que os mesmos já se fundiram com outros géneros. O autêntico Forró Pé-de-Serra tem uma estrutura sólida em que pode sim agregar outros elementos, mas que não altera a estrutura poética. Não podemos chamar de Forró algo que desdenha do próprio povo nordestino.

33) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical na Europa?

Vitor Mariá: Minha primeira turnê na Europa foi em 2019, em que pude ficar seis meses e me surpreendeu a dimensão que o Forró tem por lá. De certa forma conseguimos ter um retorno mais rápido do nosso trabalho, pois existe poucos músicos por lá. Mas senti uma perda de engajamento de uma parte do público que me acompanhava. O fato de não estar presente acaba esfriando o trabalho.

34) RM: Apresente o seu documentário. 

Vitor Mariá: Desde 2019 venho produzindo um documentário chamado “Vitor Mariá Raízes”, que pretendo lançar até o fim desse ano. Ele abordará a minha trajetória, meu processo de transição como artista e como o forró mudou a minha vida.

35) RM: Quais os seus projetos futuros?

Vitor Mariá: Pretendendo gravar mais um clipe até o fim do ano com a música “NOREDESTINAMENTE” que fará parte do meu novo EP – “Lamparina da História”.

36) RM: Vitor Mariá, Quais seus contatos para show e para os fãs?

Vitor Mariá: www.vitormaria.com.br | [email protected]

| NORDESTINAMENTE – Vitor Mariá: https://www.youtube.com/watch?v=pxVbE739Pqk

| CAROLINA – Vitor Mariá (CLIPE OFICIAL): https://www.youtube.com/watch?v=qDZFu9Z5Lgs 

| ÁLBUM Vitor Mariá (RAÍZES): https://www.youtube.com/playlist?list=PLkFBozF7Ds339K3yK7zygqTHR1_0LwYrJ 

| SINGLE Vitor Mariá (QUEM É ESSA MENINA): https://www.youtube.com/watch?v=eprGTPJg8-0 

| ÁLBUM Vitor Mariá (O MAIS SIMPLES POSSÍVEL): https://www.youtube.com/playlist?list=PLkFBozF7Ds30RqgiQspyIkAnNB1_Zg9mc 

| SHOW Vitor Mariá (LISBOA): https://www.youtube.com/watch?v=zCnbk3CyxXI 

| Lamparina da História: https://www.youtube.com/watch?v=ua2grlPkJqM

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.