Víctor Rozzante


O EP ”Vai” é o trabalho solo de Víctor Rozzante, músico mineiro de 36 anos, que traz em sua bagagem diversas experiências vividas em suas bandas. Sempre com base no rock, flerta com outros ritmos como o Blues, Folk, Country, dentre outros.

Com o início da Pandemia do Coronavírus, veio a possibilidade de tirar esse projeto da gaveta e finalizar a composição de algumas músicas que estavam em andamento. Deu-se assim a concepção do EP ”Vai”. Título que dá a ideia de continuidade, constância, resiliência, assim como a própria vida. “Mais Presente” foi o primeiro single lançado dia 21 de junho de 2021 e retrata a angústia de ver o tempo passar tão rapidamente. Com guitarras certeiras e melodia aconchegante, promete acalentar o coração e nos fazer repensar atitudes. Esse é apenas o primeiro lançamento de um projeto de vida!

Segue abaixo entrevista exclusiva com Víctor Rozzante para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 10.09.2021:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Víctor Rozzante: Nasci no dia 21.06.1985 em Além Paraíba – MG. Registrado como Víctor Rozzante Ferreira.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Víctor Rozzante: Meu pai Rubens Roberto Mendonça Ferreira era locutor e trabalhava com sonorização. Tive aulas de Teclado quando criança, mas meu primeiro palco foi num momento Cultural do Colégio.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Víctor Rozzante: Minha formação musical quase toda veio diretamente de forma prática. Fora da área musical, entrei paras Faculdades de Letras e depois Administração, mas não me formei em nenhuma delas.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Víctor Rozzante: Nossa! São muitas…. Posso citar: Eric Clapton, John Mayer, B.B. King…. pra falar dos gringos. Aqui na nossa terra eu curto muito aquela turma lá de cima: Zé Ramalho, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Zeca Baleiro…, mas sou vidrado também em Los Hermanos e Vanguart. Os que foram ficando pelo caminho: Guns N’ Roses, Raimundos, Angra….sei lá, como bom geminiano já passei por várias fazes (risos).

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Víctor Rozzante: A data eu não me lembro, deve ter uns 25 anos (1997/1998)! Mas me lembro de quase tudo daquele show. Foi num Momento Cultural da minha escola, em Além Paraíba – MG.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Víctor Rozzante: Meu primeiro EP – “Vai” (2021), com os singles “Mais Presente”, “Teresa”, “de alguma forma”, “Ninguém Sabe Ler”, “Tremendo”. Mas já lancei um EP autoral com minha banda “Hotel Cigano” de Porto Alegre – RS, e lancei um CD/DVD ao vivo com a banda “Sô Zé” de Além Paraíba – MG, que tinha covers e autorais e eu tocava bateria nessa época. Então pode-se dizer que são três!

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Víctor Rozzante: Definir estilo é um troço bem delicado para não rotular. Eu acredito que seja uma base Rock and Roll com pitadas de Blues, Folk, Indie, Country.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Víctor Rozzante: De forma indireta, sim. Fiz parte de um grupo de teatro de rua e lá fazia exercícios com uma professora para impostação vocal. Também participei de um coral por um bom tempo.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Víctor Rozzante: A técnica vocal, assim como o estudo de um instrumento, me deixa com mais segurança na hora de cantar, atingir uma nota e tal. E segurança é metade do caminho.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Víctor Rozzante: Freddie Mercury, que deve ser uma unanimidade, Paul McCartney, Roger Daltrey, Helio Flanders, Rodrigo Amarante, Zé Ramalho.

11) RM: Como é seu processo de compor?

Víctor Rozzante: Não tenho apenas um processo. Já fiz melodia e depois escrevi a letra. Já escrevi primeiro, como uma poesia e depois juntei com a melodia. Já fiz tudo junto letra e melodia. Gosto quando vem como um estalo e saio fazendo tudo junto, mas nem sempre é assim.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Víctor Rozzante: Nunca tive parceiros musicais. Acho que sou meio envergonhado para isso. Geralmente mostro as músicas quando estão meio prontas já. Mas aceito palpites e geralmente os experimento. Se gostar, vai para o estúdio.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Víctor Rozzante: Por enquanto só eu mesmo.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Víctor Rozzante: O bom é poder decidir tudo sozinho. O ruim é ter que decidir tudo sozinho. A gente tem o controle de tudo, mas também arca com toda a responsabilidade.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Víctor Rozzante: Confesso que não sou bom estrategista. Mas sou muito observador. Observo o caminho que meus amigos músicos estão trilhando e vou filtrando o que acredito que me possa servir.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Víctor Rozzante: Tento extrair o máximo das redes sociais, ainda mais em tempos de isolamento social por conta da pandemia do Covid-19. Mas acredito que o tratamento pessoal, mesmo que por aplicativos como o WhatsApp, seja um bom caminho.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Víctor Rozzante: A internet é uma via de mão dupla. Ao mesmo tempo que me permite chegar em várias pessoas ao redor do mundo, também me faz concorrer com várias pessoas ao redor do mundo. Mas, no final das contas, ainda acredito que seja melhor com ela que sem ela.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Víctor Rozzante: Acho que igual ao que respondi sobre a internet. Facilita muito e só consegui gravar meu EP graças a essa facilidade. A questão é que muita gente também grava. Então a divulgação passa a ser uma peça chave pra se conseguir alguma coisa.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Víctor Rozzante: Eu tento fazer minhas músicas com o máximo de autenticidade possível. Vejo muita gente tentando ser o que não é porque alguém disse que tinha que ser daquele jeito. Acredito que tenha espaço para todos. Vivemos um momento que os nichos têm sido muito fortes.

20) RM: Como você analisa o cenário do Rock brasileiro. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas e quais permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Víctor Rozzante: O Rock brasileiro precisa parar de olhar pra trás e olhar pra frente. O Sertanejo tem nos ensinado muito quanto a isso. O Rock sempre viveu de rixas e picuinhas. Uma turma aqui, outra lá. O Sertanejo juntou todo mundo, uma dupla puxa a outra. Um grava música do outro. Sem contar o cuidado com o espetáculo, o show em si. A última banda que fez alguma coisa significativa pelo rock foram Los Hermanos. Depois disso, não vi nada de muito empolgante.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Víctor Rozzante: Skank, por sua consistência. Soube se atualizar sem se descaracterizar. Anitta, por sua astúcia. Saiu lá do subúrbio, sabia onde queria chegar e é incansável na busca de seus objetivos.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Víctor Rozzante: Essa é ótima. Estar no palco, por melhor que seja a sensação, é sempre um momento de tensão. Já fui arrancado do microfone por uma senhora que insistiu em me dar um beijo antes de ir embora. Pessoas pedindo músicas sem saber o nome da música. Branco na letra. Já toquei com o olho inchado porque dei de cara na porta do camarim.

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Víctor Rozzante: Dois momentos me deixam extremamente feliz: um deles é a sensação indescritível de estar num palco com o público interagindo; outra é ver minha filha de cinco anos cantando minhas músicas. Não tem preço! A tristeza fica por conta do desrespeito que sofremos e da falta de valorização. As pessoas dão valor aos famosos, não aos artistas.

24) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Víctor Rozzante: Acredito que as pessoas têm uma pré-disposição pra algumas habilidades. Mas conheço gente musicalmente boa com e sem essa pré-disposição. Alguns que nunca tocaram determinado instrumento e, em meia hora, já conseguem fazer uma graça e outros que precisam estudar mais que os outros, mas não são menos merecedores dos aplausos.

25) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

Víctor Rozzante: Acho necessário, mas prefiro que o show seja o mais ensaiado possível.

26) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Víctor Rozzante: Na verdade, quanto mais você estuda, mais base pra improvisar você terá. Digamos que é sempre bom estudar a arte de improvisar!

27) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Víctor Rozzante: O lado bom sempre é a segurança e, como já disse, a segurança de um músico é meio caminho andado pra coisa dar certo no palco. Mas não deve ser a única saída. Improviso demais pode passar uma ideia de desleixo para o público. Pode parecer que a coisa foi feita de qualquer jeito.

28) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Víctor Rozzante: Nossa! Abre um caminho de possibilidades sem fim! Pode resolver vários problemas em uma composição. Por outro lado, pode acabar tirando a espontaneidade do processo. É preciso saber dosar!

29) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Víctor Rozzante: Acredito sim. Torna mais difícil o caminho, você precisa conhecer as pessoas certas, se engajar mais e pedir mais. Mas ainda tem gente que faz a coisa por amor, por acreditar na música.

30) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Víctor Rozzante: Estuda, dedica e mete a cara! E tenta definir logo o que vai ser da sua carreira. Mas, se não conseguir definir, não precisa pirar. A música tá sempre aberta pra te receber!

31) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Víctor Rozzante: Respondo com outra pergunta. Como qualificar música? Acho legal participar pela divulgação, pelas pessoas que a gente conhece. Mas não dou bola pra resultado. Cansei de ver a música que não ganhou fazer mais sucesso do que a vencedora. Eu mesmo, um dia estou pra uma música, noutro dia estou pra outra. Você tem que cair no gosto do jurado, naquele momento dele.

32) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Víctor Rozzante: Creio que não. Atualmente os artistas são muito mais donos de suas carreiras que antigamente. Festival de música é apenas mais uma forma de divulgar um trabalho.

33) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Víctor Rozzante: A grande mídia corre atrás da internet. As novas gerações não conhecem canais de TV. A internet é o caminho.

34) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Víctor Rozzante: Nunca me liguei muito nessas instituições. O músico tem que ir onde o povo está. Então tem que ir onde der pra ir. Sempre procurei mais o caminho de bares, pubs, eventos. Mas acho que devemos usar todas as possibilidades que tivermos. Quanto mais palco, mais aplauso!

35) RM: O circuito de Bar na cidade que você mora ainda é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Víctor Rozzante: É sim. Atualmente resido em Juiz de Fora – MG e morei dez anos em Porto Alegre – RS. O barzinho é um laboratório pro artista. É ali que experimenta estilos, repertórios.

36) RM: Quais os seus projetos futuros?

Víctor Rozzante: Atualmente estou trabalhando na finalização do meu EP de estreia “vai”. Lancei o primeiro single dele, “Mais Presente”, no dia 21 de junho 2021. Espero terminar de lançar esse trabalho quando nossa vida estiver voltando ao “velho normal” e assim poder cair na estrada.

37) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Víctor Rozzante: (32) 99924 – 1441 – Não liga! Manda whats! Quase nunca eu atendo número desconhecido (risos) | [email protected] | https://web.facebook.com/victor.rozzante

| https://www.instagram.com/vrozzante/

Canal: https://www.youtube.com/channel/UCvX-RcgJO1ZEGazXUmfnkrQ

Víctor Rozzante ao vivo: https://www.youtube.com/watch?v=rsck2Pu8YSg

Victor Rozzante no Programa Giro Cultura VIVA 18 de junho: https://www.youtube.com/watch?v=mv_jL-oMmyA


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.