Velaske Brawm

Velaske Brawm

O cantor, compositor pernambucano Velaske Brawm já tem 20 anos na estrada compondo e cantando na noite pelo Brasil.

Nos anos 90 em Orobó, ele dava seus primeiros passos na música cantando em festas na escola e grupos amadores regionais da época. Em 2003 migra para Recife – PE atrás de novos horizontes, em 2005 migra para São Paulo a convite para fazer um teste na banda Arreio de Prata, grupo residente do CTN – Centro de Tradições Nordestinas, começando assim sua trajetória profissionalmente na música.

Em 2010 acaba o projeto Arreio de Prata e surge Velaske Brawm em carreira solo. Com dois CDs gravados e diversas canções de sua autoria regravadas por outros artistas nacionais como: Markinhos Moura, banda Calcinha Preta, Glórya Ryos, projeto Eu sou do Axé, Forró do Muído, Renata Peron, entre outros. Velaske segue firme e acabou de gravar o DVD – Velaske 15 anos na Metrópole Central do Brasil” que será lançado pós pandemia do Covid-19. Vivendo exclusivamente da arte ele se apresenta em bares e casas noturnas da capital e do interior paulistano.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Velaske Brawm para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 26.04.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Velaske Brawm: Nasci no dia 07.11.1978 em Orobó – PE. Registrado como Valdemir Barbosa Alves.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Velaske Brawm: Tive uma infância regada de muito boa música em nossa família ouvia-se muito Luiz Gonzaga, Clara Nunes, Renato Terra, entre outros. Meu saudoso pai José Balbino Alves era sanfoneiro e me recordo da pouca convivência que tivemos de ouvir acordes da sua sanfona. Aos 14 anos de idade já comecei a me interessar em cantar em show de calouros na escola e daí em frente decidi lutar pelo que sempre amei fazer: cantar.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Velaske Brawm: Na música sou autodidata, cantar na noite foi e é minha maior escola. Na minha formação acadêmica tenho ensino médio completo.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Velaske Brawm: Minhas maiores influências são artistas nordestinos tais como: Luiz Gonzaga, Alceu Valença, Markinhos Moura, Elba Ramalho, entre outros. No presente tenho influências como: Elis Regina, Daniela Mercury, Maria Bethânia, Djavan, entre outros. Todas as minhas referências tem sua importância na minha formação musical, pois estou sempre me atualizando e juntando o passado com o presente para um denominador comum atual e positivo.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Velaske Brawm: Profissionalmente comecei a cantar nos anos 2000 na banda S’antana na cidade de Bom Jardim em Pernambuco, foi meu primeiro trabalho ganhando um cachê.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Velaske Brawm: São mais de seis CDs gravados com bandas por diversas regiões do Brasil: banda Arreio de Prata, banda Boneca Assanhada, projeto Eu sou do Axé, entre outras. Em carreira solo são dois CDs e um DVD – “Velaske Brawm 15 anos”. A música “Quem ama não trai” do meu primeiro CD de 2011 é meu grande carro chefe como cantor e compositor. Um sucesso já regravado por diversos artistas nacionais como: banda Calcinha Preta, banda Líbanos, Markinhos Moura, Forró do Muído, entre outros. Meus projetos sempre tem a participação dos parceiros Wallen Brandão e Netinho Alves, músicos que fazem a diferença na minha obra.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Velaske Brawm: 100% eclético e popular brasileiro.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Velaske Brawm: Não.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Velaske Brawm: O cuidado com a voz é fundamental, para isso conheço bem minha capacidade e limites.

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Velaske Brawm: Daniela Mercury, Nana Caymmi, Elba Ramalho, Alceu Valença, entre outros.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Velaske Brawm: Processo natural e contínuo sem previsão de começo. Simplesmente flui.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Velaske Brawm: Gosto de compor sozinho, mas em breve quero me estender com parcerias também.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Velaske Brawm: banda Calcinha Preta, Markinhos Moura, Glórya Ryos, Marlene Andrade, projeto Eu sou do Axé, banda Arreio de Prata, banda Líbanos, Forró do Muído, Marcia Felipe, entre outros.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Velaske Brawm: O positivo de tudo é a liberdade de criação que temos em executar nossos projetos isso não tem preço. O lado negativo é ter que arcar com tudo sem ter tempo para erros, ter que produzir e comercializar seu próprio trabalho.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Velaske Brawm: Planejo bem como e quando fazer um trabalho para que ele se torne rentável para todos. Fora do palco sou meu próprio empresário e produtor, mas trago comigo grandes parceiros que fazem quase tudo se tornar realidade. No palco faço o possível para ter uma excelente apresentação com poucos profissionais, mas com qualidade que fazem a diferença no resultado final do espetáculo.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Velaske Brawm: Componho para diversos artistas e produzo seus trabalhos trazendo-os para meus eventos e somando valores.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Velaske Brawm: Sempre tive a internet como minha grande aliada para a propagação da minha música e em época de pandemia do Covi-19 o único meio que nos favorece é a internet. Nunca fui prejudicado pela diretamente pela internet.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Velaske Brawm: As vantagens são inúmeras, pois temos grandes recursos para melhorar a qualidade do produto final. Mas hoje não se constrói cantores de verdade como antigamente deixando muito a desejar na qualidade vocal. Alguns artistas preferem usar recursos tecnológicos e não se aperfeiçoarem como intérpretes.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Velaske Brawm: Sou o artista do povo e para o povo, vou onde o meu público me solicita e tento sempre superar as expectativas conseguindo assim mais admiradores e seguidores. Sou defensor do autoral e gosto sempre de gravar algo novo e diferenciado para o público sem acompanhar modismo.

20) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Velaske Brawm: Já fui do Forró e vejo que nas últimas décadas pouco se evoluiu e por conta da grande mistura e modismo se perdeu a qualidade da música nordestina atual. Graças a Deus existem a obra de seu Luiz Gonzaga e mais alguns para nos manter vivos.

21) RM: Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Velaske Brawm: Pepeu Gosmes, João Carlos Martins, Targino Gondim, entre outros.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Velaske Brawm: Sempre fui muito profissional em meu ofício de cantor nunca me deixei levar por situações inusitadas. No meu último DVD – “Velaske 15 anos” tive que gravar muito doente sobre efeito de remédios, talvez esse foi meu maior obstáculo real por se tratar de uma gravação.

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Velaske Brawm: Sou um artista que passei por etapas respeitando cada momento de evolução e aprendizado e isso me deixa muito feliz. O fato de ver muitos artistas que estão chegando agora atropelando essas etapas me deixa bem triste pois graças a esses fatos a qualidade da música popular brasileira se só torna cada dia mais ruim.

24) RM: Qual a sua opinião sobre o movimento do “Forró Universitário” nos anos 2000?

Velaske Brawm: Acho válido, porém nada de muito concreto.

25) RM: Quais os grupos de “Forró Universitário” chamaram sua atenção?

Velaske Brawm: Falamansa, Bicho de pé, Rastapé.

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Velaske Brawm: Hoje vejo na internet vários meios da minha música chegar ao grande público sem nos submetermos a pagar o jabá ou algo semelhante ao jabá.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Velaske Brawm: Estudar bastante se capacitar antes de ingressar na música. E se envolver com pessoa de boa índole e que acredite no seu talento, ter estilo próprio e prezar sempre pelo autoral.

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Velaske Brawm: Entramos em uma era de grande mídia comprada e valores musicais invertidos, colocando assim em risco a legitimidade dos festivais.

29) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Velaske Brawm: Infelizmente hoje o talento deixou de ser o ingrediente principal para uma carreira de sucesso. Os festivais serão sempre uma forma de revelar talentos e novos valores culturais.

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela mídia da cena musical brasileira?

Velaske Brawm: Trágico. Só aparece quem compra espaço na grande mídia.

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Velaske Brawm: Necessário, porém muita burocracia envolvida para entrar na agenda da programação.

32) RM: Qual a sua opinião sobre as bandas de Forró das antigas e as atuais do Forró Estilizado?

Velaske Brawm: Fizeram história e se perderam no tempo.

33) RM: Quais os seus projetos futuros?

Velaske Brawm: Lançar o DVD – “Velaske Brawm 15 anos” que foi gravado antes da pandemia do Covid -19 e lançar meu novo trabalho composto e gravado durante a pandemia chamado “Vida e fantasia”.

34) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Velaske Brawm: [email protected]

| www.velaske.com | www.instragram.com/velaske_brawm

| Canal: https://www.youtube.com/channel/UCSX6JYJCRHdV1lKm8YfqElA

| Playlist: https://www.youtube.com/watch?v=WQeGkzivx8U&list=PLMv46hOfzaIUXaq65yy8iDORXRin0Lf3x

| Playlist: https://www.youtube.com/watch?v=jXFaYTC0YY0&list=PLMv46hOfzaIWKDxyCWV8aeRJqxAPQty-z


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.