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Categorias: Entrevistas

Valter Saty


“Todo dia eu te espero naquela rua e você toda bonita vai me encontrar… Um sorriso, um abraço, um carinho todo especial… Como é lindo, como e doce o seu olhar”… Esse é o trecho da canção “Como é lindo e doce o seu Olhar”, do cantor, compositor e instrumentista, Valter Saty.

Apesar de nascido em São Bernardo do Campo – SP, sua formação musical foi bastante inspirada e influenciada pela música mineira, em especial pelo movimento musical Clube da Esquina, nascido nos anos 70, e fruto do encontro e de parcerias de sucesso, que atravessam gerações e que produzem, até hoje, canções de extrema beleza e sofisticação.

Valter Saty aos 14 anos de idade, iniciou seu aprendizado no Violão, a partir de revistas de acordes, dessas que eram compradas em bancas de revista. Com um instrumento que pegou emprestado de sua tia, começou sua incursão pela música de nada menos que, Milton Nascimento.

Algum tempo depois foi se aprofundando no mundo da música, com a ajuda do professor, Fernando Deghi, com quem aprendeu a ler partituras e as técnicas de Violão Clássico. Estudou teoria musical, na Fundação das Artes de São Caetano do Sul e passou por estudos com professores em diversas disciplinas ligadas à música. Posteriormente, estudou também com o prestigiado violonista, Ulisses Rocha e, desde então, vem trilhando o seu próprio caminho, compondo dezenas de canções, sozinho e em parcerias das mais diversas.

Valter Saty foi fundador e integrante da banda, Esquina Paulista, que interpretava os grandes clássicos do Clube da Esquina. Com essa banda, participou de Festivais de Música pelo Brasil e fez vários shows em São Paulo.
Com a canção, “Brincadeira”, composta em parceria com, Paulo Gustavo Palombo, chegou à final do I Festival do Bar Museu do Clube da Esquina, em Belo Horizonte, MG. Esse Bar está localizado nas proximidades da esquina onde se davam os encontros entre Milton Nascimento, Beto Guedes e a família Borges e foi criado para preservar a memória e a ideologia desse movimento musical. Inclusive, um dos convidados para integrar a mesa do jurado do Festival foi Marilton Borges, pianista e irmão mais velho de Lô Borges.

Com sua Banda, Esquina Paulista, Valter Saty participou de programas de TV, como o Palco Paulistano na TV Câmara SP. Após o término da banda, o cantor e compositor vem seguindo o trabalho solo, compondo diversas canções. Seu primeiro álbum foi gravado em 2009 e, recentemente, começou a disponibilizar suas canções nas principais plataformas digitais, como o Youtube, e com quase 20.000 streamings no Spotify.

Talvez pela influência das canções do Clube da Esquina e a sua formação em Violão Clássico, suas canções trazem certo ar de “mineiridade”,  pela cadência de suas melodias, as harmonias complexas, letras bem construídas e pela emoção de sua voz suave e afinada.

Formado em Comunicação, pela Universidade do Grande ABC, em Santo André (SP)Valter Saty também trabalha como Chef de cozinha e tem experiência internacional, tendo a oportunidade de se apresentar em
eventos culturais na cidade de Dublin, na Irlanda, onde ele morou durante dois anos.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Valter Saty para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 09.09.2020:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Valter Saty: Nasci no dia 01.05.1975 em São Bernardo do Campo –  SP.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Valter Saty: Eu me lembro ainda criança das festas de Família onde meu avô tocava sanfona e a minha tia tocava violão!

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Valter Saty: Eu estudei teoria musical na Fundação das Artes de São Caetano do Sul – SP, estudei Violão Clássico com Fernando Deghi e Ulisses Rocha. Tenho curso superior em Propaganda e Marketing pela Universidade do Grande ABC em Santo André – SP.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Valter Saty: Desde muito pequeno a música de Minas Gerais me influencia, Milton Nascimento, o Clube da Esquina, o Almir Sater, a Bossa Nova e Música clássica. Não saberia dizer quais deixaram de ter importância. Creio que todos os movimentos da música brasileira compõem a nossa formação musical de alguma maneira.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Valter Saty: Comecei a compor aos 16 anos de idade, mas comecei minha carreira musical quando fundei a banda “Esquina Paulista” em 2017 em São Paulo, onde tocávamos os clássicos do Clube da Esquina.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Valter Saty: Eu tenho um EP lançado em 2009 e dois singles lançados em 2020. Nas gravações tiveram presenças de Fabrício Miguel, Cadu Bap e Renato Milleo. Eu diria que a música “Brincadeira” e a “Como é lindo, como é doce o seu olhar”, além da “SIM” tiveram bastante aceitação do Público.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Valter Saty: Minhas canções podem ser inseridas dentro dos estilos da MPB.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Valter Saty: Sim, estudei com o tenor Gustavo Tassi.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Valter Saty: O estudo lhe permite a ter um controle mais preciso da voz, da respiração, cantando conscientemente e deve se tomar cuidados especiais para não a prejudicar. Fazer os aquecimentos e exercícios vocais antes de ensaios, shows e gravações no estúdio, bem como o relaxamento pós o trabalho com a voz.

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Valter Saty: Milton Nascimento, Frank Sinatra, Flavio Venturini, Luciano Pavaroti, Elis Regina, Roberta Sá, entre outras.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Valter Saty: Normalmente eu componho a melodia ao violão primeiro e depois adiciono a letra, mas nos últimos meses tenho criado melodias em cima de letras prontas de parceiros, ou as minhas próprias, fazendo algumas adaptações para encaixar na melodia.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Valter Saty: Paulo Gustavo Palombo e Lu Toledo, mas não posso deixar de citar outros parceiros como Vanessa Bosqueiro, Lívia de Carvalho, Roney Altieri e Leandro Augusto Simões. O interessante é que algumas dessas parcerias nasceram em 2020, durante a pandemia do novo corana vírus.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Valter Saty: O mercado musical mudou muito nos últimos anos, para seguir nessa carreira musical você precisa conhecer profundamente seu público para entregar o conteúdo certo para eles. O ponto positivo é a liberdade de colocar as ações em prática através das redes sociais sem depender de ninguém, porém, você tem que fazer tudo sozinho.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Valter Saty: Dentro e fora do palco devemos dizer a nossa verdade ao público, nosso posicionamento deve estar muito bem definido perante eles. O planejamento da carreira envolve, desde o processo criativo, a circulação de shows e apresentações e a distribuição digital.

15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Valter Saty: Conhecer meu público, produzir e entregar algo que realmente faça diferença na vida deles.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Valter Saty: Eu posso lhe dizer que a internet só ajuda, estamos vivendo um dos melhores momentos para desenvolver nossa carreira na cena musical independente, mas precisa correr atrás da informação para saber usá-la da melhor maneira possível.

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Valter Saty: Eu acredito que o acesso é muito fácil à essa tecnologia, mas precisa estudar para saber usá-la.

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Valter Saty: Entregar o que eles querem, atender suas necessidades, fazer música pensando no seu público. Atualmente, o importante é estar sempre produzindo e lançando canções, para movimentar as redes sociais e divulgar nas plataformas digitais, sem necessariamente ter que gravar um álbum inteiro de uma vez.

19) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Valter Saty:  O cenário musical brasileiro mudou muito nas últimas duas décadas com o surgimento da internet e o acesso fácil as tecnologias de gravação, possibilitando assim aos artistas gravarem e mostrarem seu trabalho ao público. Hoje o mercado é muito nichado porquê a maneira de consumir música mudou e com isso cria possibilidades de produzir um trabalho de qualidade para o público certo. Nas últimas duas décadas apareceram grandes artistas no cenário musical. Eu citaria: Marcelo Jeneci no mercado nichado, e Tiago Iorc no mercado de massa. Ambos bons compositores com carreiras bem sólidas em seus respectivos mercados. Não saberia lhe responder que artistas regrediram nessas duas décadas porquê os Artistas que acompanho não regrediram..

20) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Valter Saty:  Tem vários, mas posso citar aqui o Flavio Venturini e Milton Nascimento.

21) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Valter Saty:  No primeiro show que fiz no projeto Clube da Esquina, fiquei completamente rouco um dia antes e não melhorou! Mas fiz o show assim mesmo, quase sem voz.

22) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Valter Saty:  O que me deixa mais feliz é a satisfação do meu público com relação ao meu trabalho, sinto que minha música toca o coração deles, e isso não tem preço. O que me deixa triste é essa pandemia do novo corana vírus, ficar longe dos palcos e do calor das pessoas.

23) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Valter Saty:  Estou há pouco tempo morando em São Bernardo do Campo – SP, morava em São Paulo e diria que a cena musical é bastante ativa, no cenário da MPB, vários artistas produzindo material de excelente qualidade e se conectando com o público.

24) RM: Quais os músicos, bandas da cidade que você mora, que você indica como uma boa opção?

Valter Saty:  Atualmente em São Bernardo do Campo – SP, eu indicaria o músico, Fabricio Miguel, que faz um excelente trabalho de Pop Rock cover.

25) RM: Você acredita que as suas músicas tocarão nas rádios sem o pagamento do jabá?

Valter Saty:  Eu entendo que rádio é um negócio como outro qualquer e precisa de dinheiro para girar, provavelmente sim.

26) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Valter Saty:  Conte sua verdade, crie um ponto de conexão com seu público e produza algo que conecte com ele.

27) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Valter Saty:  Festival de Música é um bom lugar para conhecer novos artistas, criar laços, parceria. No entanto, creio que não existe música melhor ou pior para ser julgada, cada pessoa tem um ponto de vista diferente. Em música não existe essa de colocação no Festival, deveriam pagar um cachê para os envolvidos na apresentação e deixar que o público curta e se divirta.

28) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Valter Saty: Eu creio que não, o mundo da música mudou, hoje os artistas devem procurar o seu público e atender suas necessidades para ser relevante no seu nicho. Hoje um artista é revelado por seu público que ele constrói devagarinho, muitas vezes, através de lançamentos virtuais e em shows ao vivo, e não mais por Festivais de Música.

29) RM: Como você analisa a cobertura feita pela mídia da cena musical brasileira?

Valter Saty: Se formos falar da música de massa existe uma grande cobertura porque existe uma grande concentração de pessoas que consome essa música. Em caso de música ligada à algum “nicho” específico, temos as redes sociais que funcionam bem para divulgação em ambos.

30) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Valter Saty: Eu acho uma ótima alternativa para mostrar nosso trabalho, porém, precisa ter um trabalho relevante para entrar nos editais desses espaços.

31) RM: O circuito de Bar ainda é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Valter Saty: Sim! Você pode chamar seu público para ver sua apresentação nos Bares e pode acompanhar outras bandas em apresentações também como instrumentista no caso. Nesses lugares sempre há possibilidade de interlocução e contatos com público, fãs e outros profissionais da música.

32) RM: Quais os seus projetos futuros?

Valter Saty: Depois que acabar essa pandemia pretendo agrupar meus fãs e fazer um show muito especial para eles e continuar espalhando minha mensagem de amor, felicidade e superação!

33) RM: Valter Saty, Quais seus contatos para show e para os fãs?

Valter Saty: (11) 95254 – 0858 (WhatsApp) / valtersaty@gmail.com

/ http://facebook.com/valtersatyoficial

Canal no YouTube: https://bit.ly/VALTERSATYNOYOUTUBE

Banda Esquina Paulista – Brincadeira: https://www.youtube.com/watch?v=Oo_ri-rE0sQ

COMO É LINDO COMO É DOCE O SEU OLHAR – Voz e Violão Valter Saty:https://www.youtube.com/watch?v=KKeZHiE7Whg

SIM – Música de Valter Saty & Poesia de Paulo Gustavo Palombo: https://www.youtube.com/watch?v=9Ly7u_YSamo

SOL DE PRIMAVERA – BETO GUEDES & RONALDO BASTOS: https://www.youtube.com/watch?v=eOPXJndcl4w

A BELA ARTE DE VIVER – Valter Saty & Lu Toledo: https://www.youtube.com/watch?v=o4kNWV7Jb3k

POR TUDO O QUE FOR AMOR – Valter saty & Lu Toledo: https://www.youtube.com/watch?v=gbAiyHQbHf0


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.

Publicado Por
Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa
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