Valdir do Acordeon


O pernambucano Valdir do Acordeon (Josivaldo Leite da Silva), filho de um barbeiro Manoel Antônio da Silva e uma dona de casa Luiza Leite da Silva. Entre 5 e 6 anos de idade ao escutar seu pai tocar uma sanfona, ficou arrebatado com aquele som. Não sabia que pudesse haver algo tão extraordinário quanto a sonoridade do acordeon! Seu pai tocava de forma simples.

Naquele momento ficou claro que a sua vida iria girar em torno de uma sanfona, independentemente de ter talento para tocar ou não. O que importava era nunca mais se desgrudar do que tinha vivenciado e que era indescritível. Mas só aos 14 anos de idade aconteceu o segundo e grande momento esperado ansiosamente de sua vida. Ganhou uma sanfona do seu pai Manoel Antônio . Naquele dia ele teve a grande oportunidade de além de escutar aquele som maravilhoso, também poder fazer seus próprios sons. E como nada na vida o que é tão bom ainda pode melhorar, naquela semana ele constatou que tinha um grande dom para tocar este instrumento. Com apenas três dias de prática já conseguia tocar uma música inteira, inclusive com acompanhamento dos baixos com a mão esquerda, que é um dos pontos críticos do aprendizado. Em 29 dias de treinamento conseguiu tocar no seu primeiro bailinho para o povo dançar. As pessoas estavam espantadas com suas proezas (risos) e ele feliz. Ele continuou muito feliz, e fazendo o seu forrobodó por toda a região até seus vinte anos de idade (1979) quando decidiu vir para São Paulo tentar alguns passos a mais na sua trajetória. A ideia era fazer o que amava a vida inteira e conseguir viver bem como um profissional da música. E precisava explorar um campo maior, uma região mais potente como São Paulo, Rio de Janeiro, Recife etc.

Em 1980 chegou em São Paulo e em 1981 conheceu o cantor, compositor Zé Duarte e o zabumbeiro Diva e lançou disco com o Trio “Os 3 Nortistas”. O primeiro para Valdir do Acordeon e o segundo do Trio. Em 1983 lançaram o terceiro disco do Trio. Não aconteceu nada de grandioso, era uma gravadora muito simples que não podia fazer muito pelo Trio, mas foi uma grande experiência para Valdir. Em 1985 encerraram a atividade com o Trio e cada um seguiu seu caminho. Zé Duarte seguiu carreira solo e em 1986 chegou na Copacabana, grande empresa da época, fazendo muito sucesso principalmente na região Nordeste. Diva continuou tocando zabumba e também exercendo o seu ofício de Cabeleireiro. Valdir do Acordeon

Prosseguiu sua luta, morando em São Paulo, abraçado a sua sanfona e a sua fé! Sua saúde e sua avassaladora paixão por este instrumento sempre foram sua grande base de sustentação de tudo na sua vida, inclusive, seu único capital de investimento da carreira musical. Todos entendem a grande dificuldade que passam todos os músicos que não tem sucesso e que sobrevivem da sua música. Falta dinheiro para investir na carreira e não consegue nem o suficiente pra sobreviver razoavelmente com a família. Nessa dura realidade, ele viveu por 18 anos tocando e vivendo da noite paulistana e algumas vezes em shows e pequenas turnês.

Em 1998 aconteceu o seu encontro com a banda Falamansa (Tato Cruz na voz, violão e composição, Alemão na zabumba, Dezinho no triângulo) e com certeza aquele foi mais um dos grandes momentos da sua vida! No primeiro contato, ele já sabia por algum motivo que tinha chegado a sua grande hora, agora ou nunca! Começaram fazer as apresentações e começaram vivenciar algo realmente extraordinário. A grande saga do sucesso, uma baita experiência! Talvez a parte mais bonita de toda essa caminhada em direção a grande mídia, seja do momento que iniciaram as primeiras apresentações para 40, 50 pessoas até atingir o sucesso total. A grande beleza era o fato de ninguém os conhecerem, mas tocavam para 40 pessoas em um dia e na semana seguinte no mesmo local tinha o dobro de pessoas. Foi com essa progressão ininterrupta durante muito tempo e em qualquer lugar que o grupo tocasse. Era lindo e inesquecível para todos! A Falamansa chegou na grande explosão, os detalhes mais marcantes dessa história quem curte a banda já sabe.

O acordeonista gravou e fez as introduções do primeiro e segundo disco mais vendido da história do Forró. O único acordeonista que teve o seu trabalho exaustivamente executado e escutado em todas as camadas sócias do Brasil, desde as pessoas simples até as da elite. E se tratando de um instrumento que era discriminado como a sanfona, realmente não é pouca coisa! Quando a banda Falamansa entrou no estúdio para gravar o primeiro disco, existia um paradigma nas gravações de Forró: um disco de Forró tem que ser gravado, arranjado, por pelo menos duas sanfonas tocando juntas ou separadas. Uma interagindo com a outra em um contra ponto ou dueto. Valdir do Acordeon percebeu dois detalhes muito importantes: tecnicamente a ideia era interessante e podia ser enriquecedora, mas o som geralmente ficava muito embolado ou confuso. O segundo ponto é um conceito mais complexo que Valdir tem referente a isso: “se a música não prestar, não tiver força, potencial, você pode colocar mil sanfonas, que não vai adiantar em nada, entendeu? Essa era a minha teoria. Decidi gravar os dois primeiros discos da banda Falamansa com apenas uma sanfona. São os dois discos de maior sucesso na história do Forró. Provei e aprovei a minha sua teoria, Aleluia!”.

Segue abaixo a entrevista exclusiva com Valdir do Acordeon (do Falamansa) para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 07.06.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Valdir do Acordeon: Nasci no dia 27.10.1959, em ArcoverdePernambuco. Filho de Manoel Antônio da Silva e Luiza Leite da Silva e registrado como Josivaldo Leite da Silva.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Valdir do Acordeon: Meu pai Manoel Antônio tocava um pouco e as vezes tinha sanfona em casa. Em uma dessas pegadas no acordeon para se distrair, mesmo tocando algo simples, foi o suficiente para me tirar totalmente para fora do eixo. Eu fiquei em êxtase, não sabia que pudesse haver no mundo uma coisa tão extraordinária como aquele som, aquilo era o máximo. Não preciso dizer mais nada com relação ao meu envolvimento com a sanfona até hoje concordam? Eu tinha entre 5 ou 6 anos de idade.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Valdir do Acordeon: Como a grande maioria dos acordeonistas dos interiores do Brasil, principalmente do Nordeste, eu sou autodidata. Escolas de música nessas regiões e ainda mais no meu tempo era uma coisa meio fora da realidade. O caminho era cair para dentro com fé e dedicação, trocando ideia com os camaradas que seguem a mesma estrada, e por aí vai. Sobre o meu estudo formal fui até o quinto ano do ensino fundamental. Parei com a escola exatamente na semana que meu pai Manoel Antônio me deu a minha primeira sanfona e foi um dos momentos mais felizes da minha vida. Além de parar com algo que eu não gostava nem um pouco, que era estudar, apesar de ser muito bom. A minha mãe Luiza Leite achava que eu seria o primeiro doutor da família, mas estava ganhando o presente mais desejado da minha vida até aquele momento. Isso não era com certeza pouca coisa!

Sobre os estudos formais, e que a princípio pode soar meio paradoxal: aos vinte anos de idade após fazer uma interessante descoberta, eu me tornei um grande devorador de livros. Eu descobri que eu não gostava da escola, mas sou fascinado por conhecimento. Mas só leio e estudo o que eu gosto e na escola não tinha este privilégio.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Valdir do Acordeon: Minha grande influência foram primordialmente Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Trio Nordestino. Esses foram os principais no Forró. Mais sempre escutei de tudo e os grandes astros da música brasileira. A importância dessas influências continua.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Valdir do Acordeon: Em 1974 eu comecei a tocar com 15 anos de idade e já ganhava algum dinheiro em Arcoverde e região, fiquei por lá até os meus 20 anos (1979), quando vim para São Paulo e continuo até hoje.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Valdir do Acordeon: Álbum solo ainda por incrível que pareça não lancei, mas vou fazer uma qualquer hora, tenho muitas músicas prontas, principalmente instrumental.

Com trio “Os 3 Nortistas” lancei dois álbuns: o primeiro em 1981, assim que cheguei em São Paulo, o segundo em 1983. O Trio formado pelo cantor Zé Duarte, Diva na Zabumba.

E com a banda Falamansa: Em 2000 “Deixa Entrar” pela Deckdisc que ganhou o disco de diamante. Em 2001 “Essa é pra Vocês” pela Deckdisc que ganhou o disco de ouro. Em 2003 “Simples Mortais” pela Deckdisc. Em 2004 “Um Dia Perfeito” pela Deckdisc. Em 2005 “MTV ao Vivo” pela Deckdisc. Em 2007 “Segue a Vida” – Independente. Em 2008 “Essencial” pela Som Livre. Em 2010 “10 anos Rindo à Toa – Por um mundo melhor! – Independente. Em 2012 “As Sanfonas do Rei” pelo Deckdisc. Em 2014 “Amigo Velho” pela Radar Records. Em 2016 “Lá da Alma” – Independente. Em 2018 “Falamansa – 20 Anos – Ao Vivo em Itaúnas”.

07) RM: Quando, como, quais os motivos levaram a você a entrar no grupo Falamansa?

Valdir do Acordeon: O local foi região dos bairros Pinheiro e Vila Madalena zona oeste de São Paulo. Eu já tocava bastante por lá, era onde estava ganhando força o movimento chamado de “Forró Universitário” no final dos anos 90. O Tato Cruz (Ricardo Cruz) estava formando a banda Falamansa e quando chegou a hora de colocar o sanfoneiro ele me convidou. Primeiro para algumas apresentações, gostaram do meu trabalho e me fez o convite para fazer parte do grupo, e eu topei. A razão principal para eu ter aceitado foi o fato que eu já tinha experiência e bagagem suficiente na música para perceber que ali existia algo diferente. Vi de cara duas coisas que eu sabia ser decisivo para qualquer banda: talento e seriedade com o trabalho. Naquele momento com a grande onda que estava começando desse movimento do Forró, constantemente aparecia um grupo de garotos me fazendo proposta para entrar ou formar banda com eles. Mas era só eu analisar a bagagem dos “cabocos” que eu já via tudo, a esperança era miúda. Com a banda Falamansa foi totalmente diferente e na primeira apresentação que fizemos juntos, Tato cantou umas três músicas que me chamaram atenção. Quando eu perguntei de quem era aquelas canções, que ele falou que era dele, eu logo pensei: aí tem café no bule! Entramos para a história do Forró.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Valdir do Acordeon: Eu não sou cantor, mas no Forró, eu faço umas graças. Mas como em relação a sanfona, também não estudei técnica nenhuma.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Valdir do Acordeon: Como eu já falei, não pratiquei nada disso, mas acredito ser importante.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Valdir do Acordeon: Cantores, além dos do Forró que já mencionei, na MPB e em geral: Nelson Gonçalves, Raul Seixas, Gonzaguinha, Roberto Carlos, Zé Ramalho, Djavan, Fagner, Reginaldo Rossi, Benito Di Paula, Martinho da Vila, Alcione, Gal Costa, Ivete Sangalo.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Valdir do Acordeon: Meu processo de compor, eu diria que é o mais natural possível. Porque apesar deu compor também canções, majoritariamente minhas composições são instrumentais. Quando eu pego na sanfona as vezes até pensando em tirar uma música dos outros, daqui a pouco eu me pego criando algo meu. É lindo!

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Valdir do Acordeon: O mais correto seria dizer que não tenho; porque até hoje só fiz uma música em parceria. Foi “O dinheiro não compra o amor”, em parceira Tato Cruz e Alemão. Na verdade, eu só botei uma frase. cheguei num momento que eles já estavam finalizando a música, mas me colocaram como parceiro.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Valdir do Acordeon: Acho bem complicado, principalmente para quem está começando. A empreitada é muito grande para o artista. O artista tem que está sempre compondo ou conseguindo músicas boas dentro do seu estilo para as gravações dos discos e DVDs. Pensando e ensaiando para produzir sempre o melhor show possível em cima dos palcos. Essas são na verdade as nossas maiores preocupações e já são coisas gigantescas. Agora se for pensar em todo restante, Jesus! Resumindo, o artista tem que se concentrar especialmente em gravar bonito e fazer apresentações espetaculares. O restante deixa para os outros, é o que eu penso.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Valdir do Acordeon: Minha estratégia de planejamento referente a minha carreira é sempre fazer o melhor possível daquilo que eu sei e amo fazer. Não consigo ver nada mais importante.

15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Valdir do Acordeon: Tento conseguir fazer o que eu gosto e sei fazer, bem feito, e acreditem: isso já é o maior e o mais difícil dos empreendimentos!

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Valdir do Acordeon: Na minha, individualmente, por enquanto nada, nem fede e nem cheira (risos). Até porque eu sou bem desligado de redes sociais. Na banda Falamansa, que faço parte, também não consigo ver nenhuma vantagem, pois tudo é pago. Não existe almoço grátis. Tudo é filtrado, se você não pagar, as suas ideias, seus objetivos, não chegam onde você quer. Há uma grande ilusão das pessoas desinformadas em acharem que a internet pode alavancar carreiras, sucessos, empreendimentos de graça, do nada. É só saber mexer nos celulares e computadores. Ledo engano! Para encurtar a história como dizia meu avô, apesar de todo esse extraordinário avanço da ciência e tecnologia, no mundo dos negócios e do sucesso o dinheiro ainda é o rei.

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Valdir do Acordeon: A vantagem que eu vejo, mesmo para os que tem talentos é que ganhamos bastante tempo nas gravações. Para os que não tem talento, há o recurso de qualquer um praticamente conseguir gravar um disco e problema é na hora de se apresentar ao vivo, o Faustão que nos diga!

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Valdir do Acordeon: O santo graal da diferenciação na vida continua sendo três coisas: a autenticidade, ser você mesmo e a consciência do incrível poder da propagação no campo do sucesso.

19) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Valdir do Acordeon: Os grandes destaques das últimas décadas foram: Falamansa, Flávio Leandro, Dorival Dantas. E os que regrediram foram, infelizmente, um punhado de bandas do estilo pé de serra que surgiram conosco no início do movimento do Forró Universitário.

20) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Valdir do Acordeon: Dos que eu conheci pessoalmente e até convivi um pouco, ninguém era melhor nestes quesitos do que: Luiz Gonzaga, Dominguinhos. Eram verdadeiros gênios, e super profissionais! E tinham mas uma grande e raríssima virtude no meio artístico: verdadeira humildade. Atentem para esse detalhe: humildade genuína no meio artístico é uma das coisas mais raras que existem. O que tem muito mesmo são atores, jogadores, polidos, máscaras, infelizmente! Esqueçam aquela grande frase popular que fala que a coisa mais importante para fazer sucesso, para vencer na vida, é a humildade. Isso é uma grande besteira! Se fosse verdade, no universo das conquistas seculares como a fama por exemplo, o homem seria o maior fracasso, quase ninguém chegaria lá. Botem fé, eu sei muito bem o que estou falando! Convivo a muito tempo com reis e plebeus. Humildade de verdade é artigo raro meus camaradas! E isso não é uma teoria! Mas estes dois que já citei, eram realmente pontos fora da curva, possuíam humildade genuína.

21) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Valdir do Acordeon: Na verdade aconteceu um pouco de tudo citado na pergunta, nada exagerado. Mas um dos momentos mais marcantes dentro desta linha foi sobre um show que a banda Falamansa ia fazer em Belo Horizonte – MG, e Tato Cruz estava em outra cidade do Espírito Santo e não conseguiu chegar na hora por causa dos temporais. Aí na última hora tivemos que dá a notícia para as milhares de pessoas que estava no local, que não haveria o show. E a plateia veio para cima e tivemos que fugir pelos fundos. Foi muita tensão; Deus do céu!

22) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Valdir do Acordeon: Nada substitui três coisas com relação a paixão pela música: o prazer de tocar. Eu pego na sanfona hoje com a mesma alegria que pegava quando tudo começou. O prazer de dividir com as pessoas essa alegria, mostrar e sentir a reação deles com relação as criações muitas vezes mostradas em primeira mão. Não há sucesso nem dinheiro que chegue nem perto da importância destas três coisas acreditem! Sobre o que me deixa triste não me lembro de nada agora, é só alegria graças a Deus!

23) RM: Qual a sua opinião sobre o movimento do “Forró Universitário” nos anos 2000?

Valdir do Acordeon: Muito importante o movimento do “Forró Universitário”. Deu uma grande resgatada no Forró de raiz no Sudeste. Esse Forró não pode ser esquecido, é muito grandioso!

24) RM: Quais os grupos de “Forró Universitário” chamaram sua atenção?

Valdir do Acordeon: Falamansa, Miltinho Edilberto, Rastapé. Sem falar nos trios, mas esses já existem a muito tempo.

25) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Valdir do Acordeon: De maneira alguma tocam músicas nas rádios sem pagar o jabá! Isso é a maior das ilusões. Na época da nossa grande explosão, a banda Falamansa em si, nunca pagou nenhum jabá, mas a nossa gravadora gastava milhões com as divulgações, qual é a diferença? Eu acho essa ideia de não querer ou não concordar em pagar o jabá muito estranha e hipócrita. Como você não quer pagar para tocar suas músicas e cobrar uma montanha de dinheiro pelos seus shows? Pelo o amor de Deus, isso não faz o menor sentido!

26) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Valdir do Acordeon: Há três pontos básicos para o sucesso em qualquer empreendimento: talento, paixão e liderança.

27) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Valdir do Acordeon: O fator de maior importância dos festivais é manter a música em evidência, a chama acesa. Porque talento temos aos montes, a questão é que é muito feijão com arroz, é sempre mais do mesmo.

28) RM: Na sua opinião, hoje os Festivais de Música ainda é relevante para revelar novos talentos?

Valdir do Acordeon: Os grandes programas do tipo caças talentos continuam tendo o potencial de revela-los. Mas onde estão esses talentos? Não consigo ver nada novo. Talento não é só ter grande habilidade. Tem que sair da mesmice!

29) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Valdir do Acordeon: O teor da grande mídia é sempre o mesmo, mas quem tem competência e talento se sobressai.

30) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Valdir do Acordeon: Tudo é válido. Não tenho muita experiência pessoal com esse meio, mas pelo comentário dos meus amigos, o grande nó deste problema é que existe meio que um círculo vicioso: em outras palavras, o apoio é sempre para os que menos precisam, os que já são famosos.

31) RM: Qual a sua opinião sobre as bandas de Forró das antigas e as atuais do Forró Estilizado?

Valdir do Acordeon: Todas são validas no sentido que estão divulgando o estilo Forró. Fico um pouco triste porque as bandas “Estilizadas” não mantém a santíssima Trindade do Baião: sanfona, triângulo, zabumba. A maioria mantém apenas a sanfona e não canta mais os sertões.

32) RM: Fale de sua relação pessoal e profissional com Pedro Sertanejo.

Valdir do Acordeon: No final dos anos 70 eu tocava no Salão do Pedro Sertanejo na Rua Catumbi, 183 – Belenzinho, junto com o trio “Os 3 Nortistas” formado pelo cantor Zé Duarte, Diva na Zabumba. E o mestre Pedro percebeu que eu tinha desenvoltura para ser um sanfoneiro de apoio para acompanhar os artistas que não traziam um sanfoneiro, principalmente as cantoras. Foi uma relação pessoal e profissional muito boa com ele e com os filhos.

33) RM: Quais os artistas que entraram para a história do Forró?

Vandir do Acordeon: Luiz Gonzaga, Elba Ramalho, Falamansa, Trio Nordestino, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos, Marinês, Ary Lobo, Jorge de Altinho, Azulão de Caruaru, Flávio José, João do Vale, Assisão, Petrúcio Amorim, Maciel Melo, Flávio Leandro, Osvaldo Oliveira, Jacinto Silva, Zé Duarte, Zé Gonzaga, Adelmario Coelho, Zé Ramalho, Gilberto Gil, Elino Julião, João Gonçalves, Os 3 do Nordeste, Dejinha de Monteiro.

34) RM: Quais são os acordeonistas que entraram para a história do Forró?

Vandir do Acordeon: Sivuca, Oswaldinho do Acordeon, Camarão, Noca do Acordeon, Gennaro, Cezzinha, César do Acordeon, Mestrinho, Abdias dos 8 baixos, Manoel Maurício, Luizinho Calixto, Zé Calixto, Arlindo dos 8 baixos, Gerson Filho, Bastinho Calixto, Pedro Sertanejo, Pedro Raimundo, Mestre Camarão, Severino Januário, Hermeto Pascoal, Renato Borghetti e eu (Valdir do Acordeon).

35) RM: Valdir do Acordeon, Quais os seus projetos futuros?

Valdir do Acordeon: Projeto futuro, essencialmente um disco solo que seja a minha cara, vai ser lindo!

36) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Valdir do Acordeon: https://falamansa.com.br

Canal do Falamansa: https://www.youtube.com/channel/UChFLeEYoqjyG2bBvV7WhJSQ

LIVE SHOW 14 /06 – 16H: https://www.youtube.com/watch?v=praZaMNawYU

Playlist: https://www.youtube.com/watch?v=pqNqIKToVmA&list=PLLuwjJcZhFcd4gtMqjL2_r9AVe1QDKQOs

Playlist: https://www.youtube.com/watch?v=0e8nFKPmR_A&list=PLLuwjJcZhFcc_wGDe3TwkL9yd9GEhYBxX

Falamansa no Agora É Tarde 23/05/13: https://www.youtube.com/watch?v=fB_JyjkCn54


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.