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Categorias: EntrevistasForró

Trio Samburá


O multi-instrumentista, produtor musical carioca Roberto Kauffmann trabalhou como baterista, tecladista. É o fundador e o acordeonista do Trio Samburá, bacharel em arranjo, professor de música e mestrando na UNIRIO – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.

Além do sanfoneiro do Trio Samburá, é maestro assistente da Orquestra Sanfônica do Rio de Janeiro, dirigida por Marcelo Caldi, integra o grupo Luma Maj Kumpania de música cigana e trabalha como produtor musical e professor particular. Ao longo de quase vinte anos de carreira profissional já atuou em musicais e acompanhou artistas, foi tecladista do grupo de salsa Mano a Mano durante oito anos e baterista do grupo Acurí durante sete anos. Já realizou turnês internacionais com Caramuela, Acurí, Geraldo Júnior.

Segue abaixo entrevista exclusiva com o Trio Samburá para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 29.06.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal dos membros do Trio Samburá?

Trio Samburá: : Roberto Kauffmann (acordeon) nasceu no dia 05.12.1983 no Rio de Janeiro. Léo Cortez (cantor e percussionista) nasceu no dia 02.12.1975 no Rio de Janeiro. Tâmara Terra nasceu no dia 07.11.1984 em Salvador – BA e aos 12 anos de idade veio morar no Rio de Janeiro.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música dos membros do Trio.

Trio Samburá: Já nos conhecíamos das noites no bairro da Lapa no Rio de Janeiro há muitos anos, tendo já trabalhado juntos em outros grupos como: Brasil de Cara, Sertão Fulô, Caramuela, Terreirada Cearense, Forró Descalço. Além disso, nós tínhamos relações de amizade em comum e frequentemente estávamos juntos em encontros musicais informais.

03) RM: Qual a formação musical e/ou acadêmica fora da área musical dos membros do Trio?

Trio Samburá: Nós três nos dedicamos a música como atividade principal há muitos anos, Tâmara Terra como cantora, Léo Cortez, como percussionista e baterista e eu (Roberto) como tecladista, acordeonista, professor de música.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Trio Samburá: Cada um traz diversas influências, mas com certeza o que nos une é o amor pela música brasileira. A primeira influência do Trio Samburá já vem no nome, em homenagem a Sivuca e seu “Samburá de Peixe Miudo”. Seguimos por Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Marinês, Anastácia, Trio Nordestino, Os 3 do Nordeste, pois esse repertório é muito popular no Rio de Janeiro, cidade onde muitos desses artistas moraram por anos. Outra influência importante é das bandas de Forró que se formaram no final dos anos 90 aqui no Rio de Janeiro como Forroçacana, Raiz do Sana, Baião de Corda. Acho que toda influência tem sua importância mesmo que por um período curto, essas influências passageiras sempre deixam marcas que ajudam a construir a nossa personalidade.

05) RM: Quando, como e onde você começou o Trio Samburá?

Trio Samburá: Eu (Roberto) estava a alguns anos com o grupo Caramuela onde comecei a minha carreira de sanfoneiro; antes eu toquei bateria e era tecladista na época. E sentia que tocar na formação de trio seria fundamental para o meu desenvolvimento, então procurei Léo Cortez e Tâmara Terra, que eram bons músicos e amigos, que eu achei que estariam dispostos e começar uma história.

Em 2015 fizemos alguns shows e rapidamente começamos uma parceria com a pizzaria La Carmelita no bairro da Lapa no Rio de Janeiro. Era um Forró aos domingos com entrada colaborativa com valores sugeridos de 5 a 20 reais. Fomos aprimorando o evento até que depois de um ano com um público fiel, o evento começou a se tornar um sucesso. Todos os domingos a La Carmelita estava lotada, um espaço democrático onde quem tinha mais para contribuir pagava mais e quem tinha pouco pagava menos.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Trio Samburá: Estamos terminando a gravação de “Forró a Lenha”, nosso primeiro álbum.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Trio Samburá: Somos um trio de Forró Pé de Serra carioca.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Trio Samburá: Tive algumas aulas particulares e na universidade, mas não sou (Roberto) um especialista, Léo Cortez e Tâmara Terra tem mais experiência na parte vocal.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Trio Samburá: É fundamental tomar consciência da voz e eu (Roberto) acho super importante procurar tons que se adequem a cada voz.

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Trio Samburá: Entre os sanfoneiros cantores eu (Roberto) admiro muito Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Gennaro que tem estilos muito diferentes de cantar e se acompanhar.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Trio Samburá: Eu (Roberto) tenho várias formas para criar músicas, pode ser cantando e tocando sequência de acordes ou tocando acorde e frases melódicas no piano ou na sanfona. Na maioria das vezes eu misturo os métodos, porque em algum momento eu fico “agarrado” em um certo ponto e pra conseguir seguir eu mudo o método. Às vezes a música já vem pronta na cabeça sem precisar de instrumento como foi o caso de “O Forró é Quente”, tema no ano de 2017 do Trio Samburá.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Trio Samburá: Eu (Roberto) componho mais música instrumental, fiz parcerias com o Marcelo Caldi e o Rodrigo Ferrero da Orquestra Sanfônica do Rio de Janeiro e tenho algumas parcerias com o Alison Martins.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Trio Samburá: A Orquestra Sanfônica do Rio de Janeiro, Caramuela e agora o Trio Samburá.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Trio Samburá: É bom ter independência artística e decidir os caminhos que que tomar. Mas ao mesmo tempo a independência pode ser um problema porque é muita coisa que tem que acontecer para você subir no palco e tocar. E ter um produtor ou uma empresa apoiando facilita o desenvolvimento da carreira e pode nos levar a outro patamar.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Trio Samburá: Eu (Roberto) procuro ter várias frentes de trabalho, sou professor de música, produtor musical e artista. No momento de pandemia do Covid-19 os shows pararam, então estou reforçando as outras frentes e preparando o terreno para quando retornar as apresentações.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Trio Samburá: No momento faço parte do programa de mestrado profissional da UNIRIO (PROEMUS) onde estou produzindo um material de Frevo na sanfona e estou produzindo o disco do Trio Samburá no meu home estúdio.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Trio Samburá: O trabalho na internet passou de uma ferramenta de divulgação para um fim em si mesmo. Com a pandemia do Covid-19, as lives passaram a ser a única maneira da gente interagir, a internet ajudou muito os músicos. O problema é a exclusão digital, já que muita gente não tem uma boa conexão e acaba não conseguindo acessar os conteúdos.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Trio Samburá: Poder produzir música em casa dar liberdade e diminui muito os custos, mas ao mesmo tempo aumenta a responsabilidade do produtor musical que tem que criar, tocar e operar ao mesmo tempo. Contar com um estúdio e um técnico em alguma etapa do processo ajuda muito.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Trio Samburá: Quando começamos o processo de gravação de “Forró a Lenha” conversamos sobre a nossa história e descobrimos que tínhamos uma identidade única formada ao longo desses anos principalmente nos Forrós de domingo que a gente produzia. Além das nossas músicas, contamos com composições de amigos que participaram da nossa trajetória, da nossa história e especialmente da dupla de compositores Maísa Arantes e Marcelo Neder que fizeram duas inéditas feitas especialmente pra nós.

20) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Trio Samburá: Eu (Roberto) peguei a explosão do Forró do fim dos anos 90, nessa época apareceram muitas bandas boas no Rio de Janeiro e em outros Estados, mas o movimento acabou se enfraquecendo em meados de 2000 com o fechamento de casas tradicionais como o Ballroom e o Malagueta. Muitas bandas dessa época como o Raiz do Sana estão na ativa até hoje e tem um público fiel. Mas recentemente tem aparecido uma leva de novos sanfoneiros e o interesse no Forró está renovado, infelizmente a pandemia do Covid-19 impossibilita que as festas aconteçam, mas com certeza assim que estivermos vacinados vamos tocar bastante.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Trio Samburá: Eu (Roberto) não tive oportunidade de conhecer o mestre Dominguinhos, mas pelos relatos e por todos os vídeos que eu vi parecia ser uma pessoa muito boa e consciente.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Trio Samburá: Nos bailes do La Carmelita já teve gente caindo no palco, canjas incríveis que iam desde artistas desconhecidos até Lucy Alves, Beto Lemos, Júlia Vargas, Marcelo Mimoso e muitos outros. Nos dias de chuva quando o salão estava lotado, a rua alagava e ninguém podia sair. Passava um rio na porta, mas o Forró não parava. Tem um monte de histórias, pensamos até em fazer um documentário.

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Trio Samburá: Eu (Roberto) gosto muito de fazer shows principalmente quando estamos numa situação com som bom, banda ensaiada e casa cheia. As oscilações na carreira são normais, mas a pandemia do Covid-19 tem sido um momento muito difícil tanto pro Trio Samburá quanto pra cada um dos integrantes.

24) RM: Qual a sua opinião sobre o movimento do “Forró Universitário” nos anos 2000?

Trio Samburá: Acho (Roberto) que foi muito importante para criar uma identidade pro Forró do Sudeste.

25) RM: Quais os grupos de “Forró Universitário” chamaram a atenção?

Trio Samburá: Gosto (Roberto) muito do Forroçacana, Raiz do Sana, Baião de Corda, Falamansa, Bicho de Pé, mas foram muitas bandas boas nesse movimento.

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Trio Samburá: Acho (Roberto) que o “Forró a Lenha” do Trio Samburá tem tudo pra ser um grande sucesso inclusive nas rádios comerciais. Quem estará perdendo são as rádios, mas acredito que todas vão querer tocar nossas músicas.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Trio Samburá: Não tenha preconceito de ritmos, procure os mestres e estude ritmo, harmonia e melodia.

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Trio Samburá: O Festival de Música é muito importante para reunir pessoas e trocar conhecimentos, mas as vezes tem festivais que nem sempre são éticos no trato com os artistas.

29) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Trio Samburá: Acho (Roberto) que sim, se não revelam para o grande público com certeza ajudam.

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela mídia da cena musical brasileira?

Trio Samburá: Com o advento das mídias digitais a própria criação de novos espaços de divulgação digital já melhorou muito a questão da concentração de meios de imprensa que temos.

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Trio Samburá: É muito importante que nesse período tão difícil para todos, mas principalmente para a cultura que essas instituições apoiem a arte no Brasil. Estamos vivendo um período muito difícil de cortes de gastos feitos por governantes que não tem visão de longo prazo e tem um olhar muito limitado e preconceituoso da nossa cultura. Precisamos estar cada vez mais unidos.

32) RM: Qual a sua opinião sobre as bandas de Forró das antigas e as atuais do Forró Estilizado?

Trio Samburá: Eu (Roberto) curto o som de bandas antigas, como Banda Stylus e Magníficos e admiro a técnica das bandas atuais do “Forró Estilizado”, mas não gosto muito desse clima de ostentação e machismo que as vezes rola nas letras das músicas.

33) RM: Quais os seus projetos futuros?

Trio Samburá: Estou (Roberto) focado na finalização disco do Trio Samburá, tenho o trabalho do mestrado e tenho um disco solo em fase de pré-produção.

34) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Trio Samburá: triosambura@gamil.com | https://www.instagram.com/robertoksom

| https://www.instagram.com/triosambura

| https://web.facebook.com/forrotriosambura 

Canal Trio Samburá: https://www.youtube.com/channel/UCYILdJ68Jbg7Y93RBh9-63g 

LIVE – Trio Samburá – Forró a Lenha – Lançamento da campanha de financiamento coletivo: https://www.youtube.com/watch?v=I-86Lw1yhBU 

LIVE – Trio Samburá – Forró a Lenha – Lançamento da campanha de financiamento coletivo: https://www.youtube.com/watch?v=UK9cb1QSh3M 

Trio Samburá AO VIVO: https://www.youtube.com/watch?v=K9HFHjMb8Zo


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa
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