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Categorias: EntrevistasForró

Trio Sabiá


  

O Trio Sabiá nasceu em São Paulo, no final de 1985, mais precisamente no lendário Forró do Pedro Sertanejo, na Rua Catumbi, 183, bairro do Belenzinho.

A iniciativa foi do baiano João Davi Cruz, que cantava na casa e resolveu convidar João Oliveira de Almeida, o Tio Joca, irmão de Pedro Sertanejo, para formar um trio. Tio Joca relutou, mas acabou aceitando o convite e convidaram também outro baiano, José Miranda de Lima, o Roxinho, para tocar zabumba. Esse trio, que ainda não tinha nome começou se apresentando no Forró do Pedro. Em seguida gravaram um tape, que o cantor e compositor Geraldo Nunes encaminhou para a gravadora Arca, editar um LP e lançar o Trio no mercado. Os três componentes já haviam decidido que o trio se chamaria, Os Filhos da Bahia, considerando a mesma origem dos três. Só que quando o Tio Joca foi buscar o disco na gravadora foi surpreendido com a deliberada alteração do nome escolhido. Os produtores da Arca mudaram para, Trio Sabiá, sem consultar ninguém e alegaram que queriam evitar o regionalismo que o primeiro nome sugeria, guiados pelas orientações do marketing. Só que, Tio Joca, Davi e Roxinho acabaram gostando do novo nome. E foi como Trio Sabiá que os três rapazes desandaram a tocar o puro forró pé-de-serra. Voltaram para a Bahia e começaram a se apresentar em várias regiões do nordeste. Neste período foram gravados quatro LPs, dois deles pela gravadora Arca e dois pela Pipoco, com a distribuição feita pela gravadora Continental. No final de 1989 o Davi saiu do Trio Sabiá para voltar a cantar sozinho. Tio Joca resolveu retornar para São Paulo, mas Roxinho preferiu continuar na Bahia, em Feira de Santana. Em São Paulo, Tio Joca tratou logo de encontrar dois novos componentes para refazer o Trio Sabiá. Sebastião Lucindo da Silva, o Tião, que assumiu o lugar de Davi como cantor e José Bezerra Menezes de Filho, o Zito que havia conhecido o Tio Joca, em um show do Luiz Gonzaga em 1985 em Monte Santo na Bahia, recebeu o convite para integrar o Trio Sábia, substituindo na zabumba o Roxinho.

Com essa nova formação o Trio Sabiá grava três LPs, em 1990, 1991 e 1992. Até então o Trio Sabiá, só era conhecido no Nordeste, particularmente na Bahia ou nas típicas casas nordestinas da capital paulista, como no Forró do Pedro Sertanejo. Em 1991, já com sete LPs foram convidados a tocar para estudantes em um show no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, fato que abriu espaço no movimento comportamental que estava surgindo, o Forró para os universitários. No final de 1992 o Tião deixou o Trio Sabiá e em seu lugar entrou o sergipano José Aluízio de Jesus Cruz, que conheceu o Tio Joca, através do Oswaldinho do Acordeon, que convidou o Tio Joca e o Zito para participar do coral de um LP que ele iria lançar, logo em seguida ele foi fazer parte do Trio. Dono de uma das vozes mais bonitas do Forró feito em São Paulo, na opinião, inclusive, dos demais forrozeiros.

Nessa terceira formação, com Aluízio, Tio Joca, Zito, o Trio Sabiá gravou mais dois LPs e cinco CDs, em uma trajetória de sucessos e maturidade que está completando 11 anos. Um período em que brilhou intensamente no “Forró Universitário”, ou seja, nas casas noturnas das zonas Oeste e Sul de São Paulo, para um público de classe média alta que desandou a consumir o tradicional pé-de-serra como uma grata novidade. Locais como o Galpão 16, Remelexo, Projeto Equilíbrio, KVA, Canto da Ema e outras.

Tio Joca (João Oliveira de Almeida) é irmão de Pedro Sertanejo e tio de Oswaldinho do Acordeon, portanto pertence a uma das mais tradicionais famílias de forrozeiros do país. Iniciou na carreira artística de forma quase inevitável, vivendo em meio a músicas e músicos, dentro do lendário Forró do Pedro Sertanejo.

Em 1991, Zito (José Bezerra Menezes de Filho) foi convidado por Tio Joca para integrar o Trio Sábia tocando a Zabumba. Ele é natural de Altinho – Pernambucano ao lado de Caruaru, “A capital de Forró”. Cresceu ouvindo o seu Forró de cada dia. Já tocava um pouquinho de zabumba e triângulo com seus primos, mas seu interesse por música aconteceu quando tinha aproximadamente seis anos de idade. Com essa idade fez seu primeiro instrumento musical, colocando feijões dentro de um frasco de desodorante e estava feito o seu ganzá, que ele tocava batendo na cabeça e no peito. Seus irmãos o chamavam de aluado (doido). Em 1990 foi para São Paulo e logo estava tocando Agogô com o seu cunhado, César do Acordeon. Passou por dois grupos musicais: “Terra Firme”, “Luz do Sol” do baiano João Bá e Os Três Nordeste, ambos já extintos.

Lucas, assumiu o Vocal e o Triângulo. Ele é paraibano de Patos e desde criança toca e canta.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Tio Joca do Trio Sabiá para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado dor Antonio Carlos da Fonseca Barbosa 24.02.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Trio Sabiá | Tio Joca: Nasci no dia 01 de janeiro 1958 em Euclides da Cunha – BA. Registrado como João Oliveira de Almeida. Atualmente o Trio Sabiá conta com o baiano Tio Joca no Acordeon; com o pernambucano Zito (José Bezerra Menezes de Filho) na Zabumba e com o paraibano Lucas (Geraldo Lucas) na Voz e Triângulo.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música?

Trio Sabiá | Tio Joca: Através do meu pai Aureliano que era afinador e tocador de sanfona.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Trio Sabiá | Tio Joca: Os palcos da vida é minha formação, sempre vivi de música.

04) RM: Quando você começou a tocar Acordeon?

Trio Sabiá | Tio Joca:  Eu comecei a tocar Acordeon nos forrós, quando vim para São Paulo na companhia do meu irmão, Pedro Sertanejo. Eu tocava Triângulo e Zabumba com eles e depois comecei a tocar Acordeon. Comecei acompanhar artistas nas noitadas. Foi ai que começou meu envolvimento com a Acordeon/Sanfona. Até os dezoito anos de idade, eu tocava Sanfona com os amigos para me divertir e não profissionalmente. A partir dos dezoito anos comecei a pegar firme.

05) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Trio Sabiá | Tio Joca: Luiz Gonzaga, Trio Nordestino, Pedro Sertanejo, Jackson do Pandeiro e por aí vai… Hoje em dia vai Flávio José, Falamansa, Dorgival Dantas, gosto muito.

06) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira profissional?

Trio Sabiá | Tio Joca:  Comecei aos 12 anos tocando forró na roça em tempos de candieiro isso no começo dos anos 70.

07) RM: Quantos CDs lançados?

Trio Sabiá | Tio Joca:  Um DVD, várias coletâneas. Trio Sabiá – “30 anos” (2016). Trio Sabiá – “Traços do Destino” (2015). Trio Sabiá – “20 anos” (2006). Trio Sabiá – “Pra Sacolejar” (2004). Trio Sabiá – “Tome Safadeza” (2002). Trio Sabiá – “Fazendo a Festa” (2000). Tria Sabiá – “Água Barrenta” (1999). Trio Sabiá (1997). Trio Sabiá – “Forró pra lá de Bom” (1996). Trio Sabiá – “Incendiado” (1995). Trio Sabiá – “Nordeste Crescendo” (1993). Trio Sabiá – “Em cada beijo uma Rosa” (1992). Trio Sabiá – “Gostoso pra dançar” (1991). Trio Sabiá – “Prova de Amor” (1989). Trio Sabiá – “Tudo por você” (1988). Trio Sabiá – “Mistura Nordestina” (1987). Trio Sabiá – “Maria Grande” (1986). Trio Sabiá – “Nós vamos arrepiar” (1985).

08) RM: Quando foi aberta a primeira Casa de Forró do Pedro Sertanejo em São Paulo?

Trio Sabiá | Tio Joca:  Foi em 1964 no início da Ditadura Militar Brasileira.

09) RM: Quantas Casas de Forró Pedro Sertanejo abriu em São Paulo?

Trio Sabiá | Tio Joca:  Foram abertas três casas, a primeira na avenida Carioca no bairro do Ipiranga – São Paulo. A segunda Casa de Forró na Rua Catumbi no bairro Belenzinho – São Paulo. A terceira Casa de Forró na rua Francisco Lobo, 10 no bairro Parque São Rafael – São Paulo.

10) RM: Fale da importância e contribuição do seu irmão Pedro Sertanejo para o Forró?

Trio Sabiá | Tio Joca: Pedro Sertanejo foi uma peça fundamental do Forró. Só não ficou tão popular como Luiz Gonzaga. Eu trabalhei com Pedro vários anos e eu sei da importância dele para muitos artistas que fizeram sucesso no passado e hoje que passou pela mão de Pedro Sertanejo. Desde dos forrozeiros da sua gravadora Cantagalo.

Através da gravadora ele lançou muita gente como: Jackson do Pandeiro, Dominguinhos, Carmem Silva, Marines, Zé Gonzaga, Fúba de Taperoá. E foram mais de quarenta discos de sua autoria como um sanfoneiro de Oito Baixos. E composições sua que ficaram populares foram: “Roseira do Norte”, “Forró de Palmares”, “Forró do Luna”.

11) RM: Como faleceu o Pedro Sertanejo?

Trio Sabiá | Tio Joca: Ele faleceu no dia três de janeiro de 1996, já vinha muito doente com problemas no Coração. Ele estava em casa e passou mal. E o filho Oswaldinho do Acordeon, o levou para o hospital, mas ele não resistiu. Ele morreu com sessenta e nove anos. Ele foi um grande divulgador do Forró e dos Forrozeiros. E sua morte foi uma grande perda para o Forró.

12) RM: Quais dos filhos do Pedro Sertanejo que seguiram a mesma profissão?

Trio Sabiá | Tio Joca: Todos os meninos tocam. Oswaldinho do Acordeon (Sanfona/Acordeon), Ari (Baterista), Juraci (Piano). E Oswaldinho foi o que mais se destacou e para o Trio Sabiá, ele é uma peça fundamental, todos os discos que lançamos tiveram sempre a participação dele. Só um LP que ele não participou, porque estava fora do país se apresentando. Ele guiou o trabalho do Trio Sabiá. A gente agradece ao Oswaldinho por essa ajuda. Somos uma família de músicos, meu pai já tocava Sanfona, meus filhos Jefinho e Joquinha, Pedro, Oswaldinho, Ari, Juraci. A família vem dando continuidade ao trabalho e sendo reconhecida como uma família do Forró. O que é muito gratificante.

13) RM: Quais foram os fatos de discriminação e injustiça que o Pedro Sertanejo sofreu por conta da casa de Forró em São Paulo?

Trio Sabiá | Tio Joca: Eram denúncias que a Casa de Forró estava em irregular, mesmo ele tendo os documentos em dia. A polícia chegava para fechar a Casa. Vizinhos que faziam abaixo assinado, por causa do barulho; alguns para extorqui dinheiro dele. As pessoas tinham preconceitos dos bailes de Forró e diziam que era coisa de “baianos”. Falavam que pessoas entravam armados de faca – peixeira e realmente muito chegavam, mas deixavam na portaria as facas.

Mas nunca aconteceu nada de crime no Salão. Hoje o preconceito contra o nordestino e a sua cultura não é tanto como foi no passado. Antes era muito pesado. Depois que os nordestinos mostraram o seu valor aqui em São Paulo, hoje somos reconhecidos como heróis e como homem forte, com coragem e o que tem que fazer, ele faz.

14) RM: Qual motivo levou os filhos de Pedro Sertanejo não continuarem com as Casas de Forró?

Trio Sabiá | Tio Joca:  Com o falecimento do pai Pedro Sertanejo, cada um foi para o seu lado e seguiram sua carreira cada um por si.

15) Apresente seu irmão Pedro Sertanejo.

Trio Sabiá | Tio Joca:  Pedro de Almeida e Silva que ficou conhecido como Pedro Sertanejo nasceu no dia 26 de abril de 1927 em Euclides da Cunha – BA e faleceu no dia 3 de janeiro de 1997 em São Paulo. Foi o pioneiro do Forró em São Paulo. Era sanfoneiro, compositor, radialista e fundador do primeiro selo independente, a gravadora Cantagalo.

Em 1956 realizou a primeira gravação, acompanhado de seu conjunto, pela Copacabana, interpretando o xote “Roseira do Norte” sua em parceria com Zé Gonzaga e a polca “Zé Passinho na festa” de sua autoria. Em 1958, já na Todamérica, gravou de sua autoria, o baião “Balaio do norte” e “Forró brejeiro”, tocando Acordeon. Em 1959 gravou a polca “Euclides da Cunha”, de sua autoria, em referência a sua cidade natal, e a rancheira “Caipirinha” de Nadim de Correia Marques.

Em 1964 fundou o selo Cantagalo, dirigindo a gravadora por toda a década de 1960. Nesse período, convidou Dominguinhos, então iniciante, para gravar um LP destinado ao público migrante nordestino. Pedro Sertanejo, gravou ao longo de sua carreira mais de 100 LPs. Um brilhante sanfoneiro que deixou sua contribuição enobrecendo a Música Regional Sertaneja.

O seu Salão de Forró, situado na Rua Catumbi no bairro do Belenzinho, foi o ponto de encontro de vários nordestinos em São Paulo. As atrações eram Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Zé Gonzaga, Marinês, Anástcia, Dominguinhos, entre outros. Casado com Noemia Lima e Silva, tiveram seis filhos: Arecessone, Oswaldo (Oswaldinho do Acordeon), Aristoteles, Juracy, Maisa, Cecila.

Sua vasta Discografia: “Forró brejeiro” pela Continental. “Forró de luna” pela Musicolor. “Forró na Casa Grande” pela Musicolor. “Meu sabiá” pela Musicolor. “Na onda do forró” pela Tropicana. “Rato molhado” pela Musicolor. “Sanfoneiro do norte”. “Sertão brasileiro” pela Continental. “Visite o Nordeste” pela Continental. “Forró Pernambucano” pela Cantagalo.

  • Em 1997 “Adeus Jacobina” pela RB Music.
  • Em 1983 “Homenagem Aos Conterrâneos” pela Sertanejo/Chantecler.
  • Em 1982 “Forró Na Capital” pela Sertanejo/Chantecler.
  • Em 1979 “Forró Da Gafieira” pela Musicolor/Continental.
  • Em 1978 “Forró De Luna” pela Musicolor/Continental.
  • Em 1978 “Forró Na Casa Grande” pela Musicolor/Continental.
  • Em 1977 “Meu Sabiá” pela Musicolor/Continental.
  • Em 1975 “Forró Brejeiro” pela Musicolor/Continental.
  • Em 1974 “Sertão Brasileiro” pela Musicolor/Continental.
  • Em 1973 “Visite O Nordeste” pela Musicolor/Continental.
  • Em 1973 “Sanfoneiro Do Norte” pela Musicolor/Continental.
  • Em 1972 “Na Onda Do Forró” pela Tropicana/CBS.
  • Em 1970 “Coração Do Norte” pela Musicolor/Continental.
  • Em 1970 “Pedro Sertanejo” pela Musicolor/Continental.
  • Em 1967 “Rato Molhado” pela Musicolor/Continental.
  • Em 1967 “Chapéu De Couro” pela Musicolor/Continental.
  • Em 1966 “Saudade De Itapoã” pela Continental.
  • Em 1963 “Sete punhá/Chuliado da vovó” pela Continental.
  • Em 1963 “Roseira do Norte/Zé Passinho na festa” pela Sabiá.
  • Em 1963 “Festa em Geremoabo/Coqueiro seco” pela Sabiá.
  • Em 1962 ”Forró alagoano/Azulão” pela Caboclo.
  • Em 1962 “Sanfoneiro do Norte/Limeirinha” pela Caboclo.
  • Em 1962 “Festa de São João/Coração do norte” pela Caboclo.
  • Em 1961 “Festa na fazenda/Arco-verde” pela Continental.
  • Em 1961 “Diabo no forró/Saudade de Jacobina” pela Continental.
  • Em 1961 “Boa Esperança/Ladeira do sabão” pela Continental.
  • Em 1961 “Balaio do norte/Forró brejeiro” pela Continental.
  • Em 1961 “Forró nordestino/Euclides da Cunha” pela Continental.
  • Em 1961 “Campo formoso/Caipirinha” pela Continental.
  • Em 1961 “O rei do sertão/Quadrilha do norte” pela Continental.
  • Em 1961 “Bela vista/Forró pernambucano” pela Continental.
  • Em 1961 “Balão, Quadrilha E Quentão” pela Continental.
  • Em 1960 “Rancho velho/Forró de Aracaju” pela Todamérica.
  • Em 1960 “Festa na fazenda/Arco-verde” pela Todamérica.
  • Em 1959 “Forró nordestino/Euclides da Cunha” pela Todamérica.
  • Em 1959 “Campo formoso/Caipirinha” pela Todamérica.
  • E 1959 “Diabo no forró/Saudade de Jacobina” pela Todamérica.
  • Em 1959 “Boa Esperança/Ladeira do sabão” pela Todamérica.
  • Em 1958 “Balaio do norte/Forró brejeiro” pela Todamérica.
  • Em 1958 “O rei do sertão/Quadrilha do norte” pela Todamérica.
  • Em 1956 “Roseira do Norte/Zé Passinho na festa” pela Copacabana.
  • Em 1956 “Festa em Geremoabo/Coqueiro seco” pela Copacabana.
16) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Trio Sabiá | Tio Joca:  Lindu, Luiz Gonzaga, Flávio José, Marinês, Anastácia, Hermelinda e João do Trio Mossoró, Janayna Pereira, entre outros.

17) RM: Como é o seu processo de compor?

Trio Sabiá | Tio Joca:  Pego minha sanfona e vou criando melodias (risos) e tenho parceiros para fazer as letras.

18) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Trio Sabiá | Tio Joca:  Rodrigues Lima, meu filho Jeffinho do Acordeon, Miraldo Aragão, Zito (zabumbeiro do Trio Sabiá) e por aí vai…

19) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Trio Sabiá | Tio Joca:  Flávio José, Trio Sabiá, Catarino Cardoso, Trio Zabelê, entre outros.

20) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Trio Sabiá | Tio Joca:  O lado bom é que a gente cuida do nosso próprio trabalho. O lado negativo que antigamente as gravadoras tinham os veículos de divulgação em rádio e TV. Antigamente a gente lançava disco e sempre tinha um divulgador que saia por aí levando os discos para tocarem as nossas músicas. Hoje não temos mais como fazer isso!

21) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Trio Sabiá | Tio Joca: A estratégia sempre foi desenvolver um bom trabalho. E fora dos palcos contribuir para que a gente sempre divulgue a música e a cultura brasileira!

22) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Trio Sabiá | Tio Joca: Hoje em dia estou sossegado, mas já corri muito atrás de empresários, gravadoras. O Trio Sabiá teve o seu auge no final dos anos 90 e começo dos anos 2000. Hoje estamos mais sossegados.

23) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Trio Sabiá | Tio Joca: Estamos desenvolvendo um trabalho de marketing bacana. Hoje tudo é virtual/online. A desvantagem é que a gente já teve a página do Facebook hackeada…

24) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Trio Sabiá | Tio Joca: Eu gosto. Posso grava o que quiser, colocar e tirar na hora que quiser, facilitou muito o mercado musical. A desvantagem é que nunca será a qualidade de um Estúdio na fita de rolo (risos).

25) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Trio Sabiá | Tio Joca: Eu sigo sempre a mesma linha a vida inteira, faço um bom trabalho e pronto. 

26) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Trio Sabiá | Tio Joca: Foi o grupo Falamansa, Circuladô, Rastapé, Trio Sabiá, Trio Virgulino, Xamego e por aí vai. Agora várias bandas se separaram como Forroçacana, Baião de 4, mas deixaram uma nostalgia.

27) RM: Qual a sua opinião sobre o movimento do “Forró Universitário” nos anos 2000?

Trio Sabiá | Tio Joca: Foi maravilhoso, melhor época!

28) RM: Quais os grupos de “Forró Universitário” chamaram sua atenção?

Trio Sabiá | Tio Joca: Falamansa, Bicho de Pé, Xamego, chamavam muita atenção…

29) RM: Como você analisa a badalação do “Forró Universitário” na grande no início dos anos 2000?

Trio Sabiá | Tio Joca: Eu achei legal essa divulgação nessa época. Eu não concordo com o título de “Forró Universitário”. Meu pai tem noventa e seis anos e desde pequeno que ele toca Forró e ele não é universitário. A moda do “Forró Universitário” era porque os jovens estudantes passaram a gostar e admirar mais o Forró.

Mas foi bom esse título para divulgar mais o Forró. O nosso Forró existe há tanto tempo e nunca foi tão divulgado na grande mídia como na época dos grupos de “Forró Universitário”. Quando passava as festas Juninas, as rádios não tocavam mais o Forró. E nessa época foi bem divulgado em todo o Brasil o Forró Pé de Serra. Nessa época a gente trabalhou o ano inteiro e não só em maio e junho, como era no passado.

30) RM: Qual a sua opinião sobre as bandas de Forró das antigas e as atuais do Forró Estilizado?

Trio Sabiá | Tio Joca: Gosto de todas as bandas de Forró, pois as mesmas divulgam o Forró. É claro que o Forró Pé de Serra já prevalece a mais de 100 anos.

31) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Trio Sabiá | Tio Joca: Meu sobrinho, Oswaldinho do Acordeon, Toninho Ferragutti, Sivuca, Dominguinhos e meus filhos Joquinha Almeida e Jeffinho do Acordeon, são grandes músicos que admiro. 

32) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Trio Sabiá | Tio Joca: Cantar e não receber já aconteceu; condições precárias no palco; falta de aparelhos às vezes. Todas as situações citadas na pergunta, são situações difíceis que já enfrentamos…

33) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Trio Sabiá | Tio Joca: O que me deixa feliz é quando estou no palco fazendo o que gosto. O que me deixa triste é quando tem alguém que não dá valor para o que a gente faz com tanto carinho.

34) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Trio Sabiá | Tio Joca: Não. Mas tenho amigos radialistas que tocam nossas músicas nos seus programas aqui em São Paulo e no Nordeste.

35) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Trio Sabiá | Tio Joca: Faça com amor, carinho e respeitando os demais profissionais.

36) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Trio Sabiá | Tio Joca: Em Festival de Música o bom é a galera toda reunida. O contra: é quando não nos contratam (risos).

37) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Trio Sabiá | Tio Joca: Sim!

38) RM: Como você analisa a cobertura feita pela mídia da cena musical brasileira?

Trio Sabiá | Tio Joca: Poderia ser melhor a cobertura feita pela grande mídia no cenário do Forró. Antigamente não tinha o desenvolvimento que temos hoje, mas tinha mais divulgação do que hoje para o Forró… Hoje faz falta.

39) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Trio Sabiá | Tio Joca: Acho legal. Eles desenvolvem um programa diferenciado para a cultura.

40) RM: Quais os seus projetos futuros?

Trio Sabiá | Tio Joca: Estamos preparando um DVD para 2021 para representar os 35 anos do Trio Sabiá, estamos em negociações.

41) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Trio Sabiá | Tio Joca: Trio Sabiá | Tio Joca: (11) 98761 – 9937 (WhatsApp) | 99910 – 3721

| triosabiasp@hotmail.com

| https://web.facebook.com/trio.sabia

| https://web.facebook.com/Trio-Sabiá-35-anos-107736851185492

| https://web.facebook.com/zito.meneses 

| https://web.facebook.com/geraldo.lucas.140

| https://web.facebook.com/geraldo.lucas.5220 

Canal Trio Sabiá: https://www.youtube.com/channel/UClvN2dYGBoe4uB7zHgJAJ0g 

Playlista Trio Sabiá: https://www.youtube.com/watch?v=juF3cd91_ws&list=PLq3s7uiHVrplIcMTgTXBrVPVmbGVHIT9j 

Festival Online Forró Pé na Areia – Trio Sabiá – DJ Carcará: https://www.youtube.com/watch?v=TkyGTsYiqBg 

Trio Sabia Ao Vivo: https://www.youtube.com/watch?v=f31EqARJmVc 

LIVE – Trio Sabiá | Participação Especial: Joquinha Almeida: https://www.youtube.com/watch?v=8veA1PORD6U 

https://www.letras.mus.br/trio-sabia/discografia/


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

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