Tiziu do Araripe

Tiziu do Araripe

O cantor, compositor, zabumbeiro cearense Tiziu do Araripe iniciou sua carreira aos quinze anos de idade em Fortaleza – CE.

Tiziu do Araripe mudou-se para São Paulo em 1974 e chegou a cantar no primeiro salão de Forró em São Paulo: Forró do Pedro Sertanejo, fundado pelo sanfoneiro Pedro Sertanejo, o precursor do Forró em São Paulo. Tiziu do Araripe foi músico de Luiz Gonzaga, Anastácia, Dominguinhos, ou seja, tocou com os maiores forrozeiros do país.

Tiziu do Araripe criou o Trio Nortista em 1976 com o qual ficou por 12 anos. Fundou o Trio Natal. E criou em 1999 o Trio Araripe (com Chiquinho do Acordeom e Zé Neto da Zabumba). O Trio Araripe fez apresentações em todas as grandes casas do circuito do Forró em São Paulo, entre as quais, Patativa, CTN, KVA, Canto da Ema, Espaço Danado de Bom e Lapa Multshow, fazendo também apresentações em feiras, convenções e exposições. Tiziu do Araripe além do pandeiro, atua nos vocais. Zé Neto da Zabumba (José Joaquim Demarães, nascido no dia 05.06.1967 em Poço das Trincheiras, AL) também tem carreira solo e é filho do cantor, compositor e sanfoneiro Benício Guimarães. Já Chiquinho do Acordeom (Francisco Alves Campos, nascido no dia 09.06.1967 em Piquer Carneiro, CE) trabalhou como cozinheiro antes de seguir a carreira de músico. São diversas participações em programas de TV, como Programa do Jô, na Rede Globo, Sabadaço, apresentado por Gilberto Barros na Band e Domingo da Gente, apresentada pelo cantor Netinho na TV Record.

Em 1999 o Trio Araripe, lançou o CD – “Pé de serra”, interpretando, entre outras, “Chacutuba”, de Humberto Teixeira, “Daquele jeito”, Luiz Ramalho e Luiz Gonzaga, “No meio das meninas”, de Lindolfo Barbosa, “Sou o estupim”, de Antonio Barros, “Forro pesado”, de Assizão e Lindolfo Barbosa, “Por debaixo dos panos”, de Cecéu, “A morte do Vaqueiro”, de Luiz Gonzaga e Nelson Barbalho e “Depois da derradeira”, de Dominguinhos e Fausto Nilo. Em 2003 no CD – “Gosto de Quero Mais”, destacam-se “Mais uma do Zé”, de João Silva, “Gotas de saudade”, de Antonio Trajano e Téo Azevedo e “Adão e Eva”, um xote de Benicio Guimarães.

E hoje segue carreira solo como Tiziu do Araripe lançou em 2019 o CD – “Mistura de Raça”. Em 2013 o CD – “O Caminhoneiro”. Em 2010 o CD – “Eu Gosto Disso”. Em 1989 o LP – “Preciso de Você”. Gravou e compôs mais de 200 músicas, sendo a mais famosa “Faço Tudo Pra Te Amar”. O músico já participou de gravações e shows de Luiz Gonzaga, Carmélia Alves, Dominguinhos, Nelson Ned, Agnaldo Timóteo, Reginaldo Rossi, Martinho da Vila, entre outros.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Tiziu do Araripe para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 14.12.2020:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Tiziu do Araripe: Nasci no dia 21.09.1957 em Iguatu – CE. Registrado como José Ferreira de Souza.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Tiziu do Araripe: Foi com o Trio Nordestino em meados de 1970.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Tiziu do Araripe: Não possuo formação acadêmica. A música é um dom natural.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Tiziu do Araripe: Minhas influências sempre foram: Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos, Os 3 do Nordeste, Marinês, Ary Lobo, Trio Nordestino. E nenhum deixou de ser importante.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Tiziu do Araripe: Comecei em 1970 em Iguatu – CE como um músico acompanhante de cantores como Luiz Gonzaga, Osvaldo Oliveira e Jacinto Silva. Em 1974 mudei para São Paulo.

06) Quantos CDs lançados?

Tiziu do Araripe: Meu primeiro disco foi lançado em 1977 quando eu ainda fazia parte do Trio Nortista. Como Trio Araripe lancei em 1999 o CD – “Pé de serra”. Em 2001 o CD – Trio Araripe canta os sucessos. Em 2003 o CD – “Gosto de Quero Mais”. Como Tiziu do Araripe lancei em 2019 o CD – “Mistura de Raça”. Em 2013 o CD – “O Caminhoneiro”. Em 2010 o CD – “Eu Gosto Disso”. Em 1989 o LP – “Preciso de Você”.

07) RM: Você estudou técnica vocal?

Tiziu do Araripe: Comecei a estudar canto depois de velho, quando me mudei para São Paulo.

08) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Tiziu do Araripe: É importante para ter o domínio da voz e alcance das notas, além de poder cantar em qualquer tom.

09) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Tiziu do Araripe: Eu sou um grande admirador de diversas cantoras, mas as principais são: Marinês, Elba Ramalho, Lucimar, Anastácia, Carmélia Alves, Clara Nunes, Ivete Sangalo. E todas do gênero forró pé de serra.

10) RM: Como é o seu processo de compor?

Tiziu do Araripe: Depende muito da inspiração. Às vezes sonhos com melodias, com temas, com frases.

11) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Tiziu do Araripe: Eu tive vários parceiros, como: Gennaro, João Silva, Mestre Zinho, Kim de Oly, Jonas de Andrade. Atualmente, eu componho só.

12) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Tiziu do Araripe: Trio Nordestino, Os 3 do Nordeste, Bernadete França, Altino Oliveira, Neide Gara-pé, Evaldo Lucena, Fuba de Taperoá, Trio Nortista, Os Filhos do Nordeste, Diego Oliveira, Altino Oliveira, e muitos outros.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Tiziu do Araripe: Quando se há uma produção é muito bom, mas como quase todas as gravadoras fecharam, a gente é obrigado a lançar o disco de forma independente e de certa forma há mais liberdade.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Tiziu do Araripe: Fazer um bom show que agrade ao público que vai me assistir.

15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Tiziu do Araripe: Me divulgar bastante, lançar um disco anualmente para impulsionar essa divulgação.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical?

Tiziu do Araripe: A internet não prejudica em nada, ela ajuda e muito o músico independente, já que o alcance de conteúdo é maior.

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Tiziu do Araripe: Facilita no desenvolvimento do artista independente, mas também prejudica no quesito qualidade (algumas vezes). Antigamente era necessário muita técnica e afinação para gravar um disco. Hoje em dia é só editar por meio de um afinador.

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Tiziu do Araripe: Divulgar o disco com humildade e correr atrás da divulgação, mesmo que a internet e as redes sociais sejam uma grande ajuda, não podemos depender apenas disso.

19) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Tiziu do Araripe: Vários artistas se revelaram nos últimos anos, como: Mestre Zinho, Trio Dona Zefa, Edson Duarte, Trio Potiguá, Bernadete França, Bicho de Pé, Falamansa, Rastapé, Mariana Aydar. De todos, os que permanecem consistentes são: Falamansa, Rastapé e Trio Dona Zefa. Creio que quem regrediu mais foi o Bicho de Pé, após a saída da Janayna Pereira.

20) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Tiziu do Araripe: Luiz Gonzaga, Trio Nordestino, Marinês, Jackson do Pandeiro, Os 3 do Nordeste, Edson Duarte, Mestre Zinho, Osvaldo Oliveira, Trio Mossoró, Elino Julião.

21) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Tiziu do Araripe: Já aconteceu bastante de nós levarmos muitas cantadas das fãs, mas a mais desconfortável foi cantar e não receber, já aconteceu diversas vezes.

22) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Tiziu do Araripe: Quando há bastante público, isso é algo que me deixa feliz. É triste quando você espera um público determinado, mas quando chega o momento do show, não há muita gente.

23) RM: Quais os prós e contras do Movimento do “Forró Universitário” no Sudeste?

Tiziu do Araripe: O que eu vejo de prol do movimento do “Forró Universitário” é o engajamento que se dá ao Forró na região sudeste. Para mim não há nenhum ponto contra, pois ele veio para incentivar e divulgar o Forró.

24) RM: Quais os prós e contras do Movimento do Forró de Banda dos anos 90?

Tiziu do Araripe: Eu sou neutro sobre o movimento de Forró de Bandas, pois não me afetou muito.

25) RM: Quais os prós e contras do Movimento do Forró Estilizado dos anos 2000?

Tiziu do Araripe: Eu vejo como se o Forró Estilizado tivesse trazido o que Jorge de Altinho, Alcymar Monteiro, Elba Ramalho e Trio Nordestino já faziam.

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Tiziu do Araripe: De jeito nenhum. Se não houver dinheiro para pagar o jabá, suas músicas são engavetadas.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Tiziu do Araripe: O artista tem que ter dinheiro para investir nas grandes mídias, para que haja retorno rápido. Mas se não houver, humildade para sobreviver na música.

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Tiziu do Araripe: Festival de Música é muito importante para compositores, músicos, intérpretes, é uma oportunidade de se divulgar.

29) RM: Os Festivais de Música revelam novos talentos?

Tiziu do Araripe: O FENFIT – Festival Nacional Forró de Itaúnas – Espirito Santo revela diversos talentos: Falamansa, por exemplo, foi um deles.

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Tiziu do Araripe: Para mim é uma negação a cobertura feita grande mídia. Hoje em dia a grande mídia só mostra quem tem dinheiro para pagar o jabá.

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Tiziu do Araripe: É muito importante, pois é um dos únicos meios para os músicos pequenos no mercado fonográfico de ganhar algo e se divulgar, divulgar sua cultura (independente do estilo).

32) Quais os seus projetos futuros?

Tiziu do Araripe: Lançar mais um disco após o final da pandemia do Covid-19.

33) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Tiziu do Araripe: [email protected] | www.instagram.com/tiziuararipe

https://web.facebook.com/tiziudoararipeoficial

Canal: https://www.youtube.com/channel/UCkZOwJZTVrp4Apqq6giGMUA

Tiziu do Araripe no Espalha Brasa – julho 2020: | https://www.youtube.com/watch?v=840qfHBNGA4

LIVE Tiziu Araripe Oficial Fenfit em junho de 2020: https://www.youtube.com/watch?v=Y0kzJTRoZPo

Tiziu do Araripe em 8 de janeiro de 2020 no Canto da Ema: https://www.youtube.com/watch?v=qpdZmJbeq2A

| https://www.letras.mus.br/tiziu-do-araripe/discografia/


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.