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Categorias: Entrevistas

Thayná Janaina


A cantora, compositora, dramaturga, escritora, musicista e arqueóloga baiana Thayná Janaina iniciou os estudos na área musical aos 8 anos de idade, dos 12 aos 18 anos participou de diversos eventos culturais através da Escola de Artes Veiga Valle, como integrante do grupo de Choro, tocava Cavaquinho.

Suas formações são: Técnico em Violão Popular pelo Centro de Formação Profissional Basileu França, Técnicas Bancárias na UFRJ, Bacharelado em Arqueologia, cursa Licenciatura em Música na IFG, cursa pós-graduação em Arqueologia e Patrimônio pela Faculdade Faciba – BA e pós-graduação em Antropologia Brasileira na Faculdade Promidas – MG. Atuou como professora de canto coral no Semas com o público da terceira idade, atuou na escola de Pulsar Art como professora de musicalização infantil. Atua como Arqueóloga no Arquivo Histórico em Goiânia e como professora particular de Canto Popular e Violão Popular. Pesquisadora na área Arqueologia da Música e pesquisadora e língua africana Yorubá.  Fez participações em apresentações nos shows de: Sabah Moraes, Katya Teixeira, Bororo, Zé do Choro, Maria Eugênia, Amauri Garcia e Pádua. Ao lado dos amigos Leandro Moura e, Eduardo Moreira formaram o trio Chambari, interpretando grandes nomes do samba e da música afro, além das composições autorais. Tocaram em várias cidades do estado como: Goiânia, Anápolis, Trindade, Morrinhos, Caldas Novas, Pirenópolis Cidade de Goiás, Cachoeira Dourada, Uruaçu.

Thayná Janaina como integrante do Trio Chambari participou de alguns eventos como: 1° Mostra de Arte Negra de Goiânia em 2014 III e Caminhada Religiosa em 2014. Beleza Negra estética e empoderamento em 26 e 27 setembro de 2014 e em Alpendre – DF em 2015; Mandala Cervejarias (Feijoadas Mojubá) em 2016, Evoé (Dia da Consciência Negra) em 2016, Mandala Cervejaria (Semana da Consciência Negra) em 2016, Simpósio Internacional Brasil – Canadá em 2016, Tom Maior em 2016; participou de vários corais na cidade de Goiânia.

Thayná Janaina atuou em musicais como o “Fantasma da ópera” regida pelo professor e maestro Marco Antônio, na escola de Arte Veiga Valle. Atuou no coro e musical da ópera “Carmina Burana” regido pelo maestro Eliseu. É militante do movimento negro juntamente com Ieda Leal e historiadora Ms. Janira Sodré. No período de carnaval executa o projeto Bloco Afro Mojubá, desde 20/11/2016 (Mojubá significa saudação ao guardião mostrando respeito, aos guardiões das portas e caminhos).

Thayná Janaina lançou em 2017 o CD – “Raízes de Uma Negra” lançado em 2017 e teve como produtor Luiz Chaffin. Neste mesmo ano teve a participação no “Canto de Ouro 2017” no elenco da cantora Maria Eugênia. Participou do “Canto de Ouro de 2018” no elenco do cantor Xexéu e em 2019 no elenco de “Mulheres Negras”. Participou do Festival Itapirapuã em 2017, Mandala Cervejaria (Samba Afro) em 2017, Evoé (Samba raíz, axé e autoral ) em 2017, Evoé (Fita Amarela) em 2017, Seminário de Arqueologia Subaquática em 2017, Jornal O Popular 2017, Feira de Quintal 2017, Feira de Quintal 2017, Bar Identidade 2017, Goiânia Canto de Ouro 2017, Rádio de Mossoró 2017, Dona Clara Bistrô – Afrodescendência em 2017, Palco Bougainville – Afrodescendência 2017, Chorinho em 2017, Mercado da 74 no dia da Consciência Negra 20 de Dezembro de 2017. Cantou no Show da Virada de Goiânia Réveillon em 2018. Sesc Centro em 2019 com show “Raízes de Uma Negra”. Mercado da 74 em 2020; Mandala Cervejaria (Bloco Mojubá 2020).

Segue abaixo entrevista exclusiva com Thayná Janaina para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 04.05.2020:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Thayná Janaina: Minha história é diferente, peculiar e complicada de se entender(risos). Eu nasci no dia 24 de Outubro em Ilhéus – BA, porém registrada em Posse – GO que faz divisa com Bahia. Então estou entre duas cidades que amo. Considero-me baiana não só pelo nascimento, mas coração, alma, roupa, tudo em mim… Sou do dia 24 de outubro que é o mesmo dia de aniversário da cidade que atualmente moro que é Goiânia.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Thayná Janaina: Tive depressão quando criança, uma tristeza enorme invadiu meu coração. Eu tinha 7 anos e ia fazer 8 anos de idade. Minha mãe me perguntou o que eu tinha, eu disse:  eu quero cantar. Em casa tinha um violão que pertencera ao meu avô e que foi dado a minha mãe, mas ela não aprendeu a tocar. Acho que ela sabe tocar duas músicas apenas. Então ela procurou um professor para me ensinar a tocar violão. Eu escutava muito disco vinil na época até os cupins comerem o som (risos), então ela me deu um novo equipamento de som. Na época eu pegar as músicas de “ouvido” e nas revistinhas que tinha as letras com os acordes, que ela comprava. E desde então nunca mais parei de cantar e tocar.

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Thayná Janaina: Eu sou formada em Técnicas Bancárias na UFRJ. Formada em Técnico em Violão Popular pela Escola de Arte Basileu França- GO. Formada em Arqueologia pela PUC-GO. Atualmente faço Licenciatura em Música pela IFG-GO. Faço duas pós graduações uma em Arqueologia e Patrimônio faculdade Faciba – BA e em Antropologia Brasileira pela Faculdade Prominas – MG. Amo estudar e pretendo fazer mestrado e doutorado. E futuramente uma outra graduação.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Thayná Janaina: Para falar das influências musicais eu terei que falar de alguns professores; valorizo muito essa profissão grandiosa, não só porque me apaixonei por ela e me tornei também uma educadora. Mas lidar com o desafio de ensinar alguém, fazer esse alguém gostar de aprender, se interessar pelo tema, ter motivação de caminhar por si só e dizer isso é bom para minha vida. Professores são responsáveis pela a transformação do ser, claro que você precisa se abrir para receber o conhecimento. Com esse pensamento pode-se dizer que “eu” aprendi com meu professor e tenho orgulho de cada uma delas e deles. Tudo que sou, o que me tornei e o que me tornarei são graças aos meus professores. Eu não seria hoje quem sou se não fosse meus professores e eles precisam ser lembrados sempre, seus nomes e as funções que tiveram em minha vida. Eu comecei com a professora Lilian no ensino fundamental a cantar soul e black music e adorei. Depois eu passei na prova da Escola de Arte Veiga Valle que hoje é a Escola de Arte Basileu França, na qual formei em Técnico em Violão Popular. Foi nessa escola que encontrei o maestro Altamiro Rodrigues; ele foi o responsável de apresentar a MPB. Ele deu um CD com uma lista de música à todas as crianças que cantavam no Coral Pequenas Vozes e foi um marco na minha história. Nesse período o maestro Altamiro fazia um diferencial dos demais professores de Coral, ele acreditava em nós e que ali no coral poderia sair grandes vozes, personalidades, acreditava na individualização única que cada um poderia ter e ser. Então além de termos o repertório de coral, tínhamos esse CD e poderíamos escolher uma música para cantar individualmente num Festival que ele organizava. Esse Festival de Música não era competitivo, foi criado no intuito de apenas mostrar as vozes das crianças e seus timbres, e para isso tínhamos ensaios individuais. No dia do show tinha luz, palco, o local era num shopping de renome da cidade e o palco se localizava na praça de alimentação chamávamos todos nossos amigos e familiares, tínhamos um violonista para nos acompanhar e um elemento surpresa, estava sendo gravado a primeira faixa de CD de cada um que participava ali, as faixas gravadas ao vivo. A primeira música que cantei no palco foi de “Sabiá” (Luiz Gonzaga/Zé Dantas). E a segunda música foi “Escrito nas estrelas” (Arnaldo Black/Carlos Rennó) um sucesso na voz de Tetê Espíndola e na época eu cantei três tons acima do original que é em Mi Maior e cantei em Sol Maior. Depois cantei lírico, mas vi que não era aquilo que queria, estudei com os professores Weber, Marco Antonio, Demades e Damon. Participei de dois musicais “Carmina Burana” e “Fantasma da Opera”. Nessa mesma Escola de Música conheci um grupo de Chorinho e estava se iniciando, pedi pra minha mãe quero aprender a tocar Cavaquinho. Aprendi com o professor Oscar Wilde. Entrei no grupo de Choro e amei a música instrumental toquei por 5 anos e conheci o professor de renome em Goiás, José de Gueus (Zé do Choro). Foi uma construção para eu chegar ao Samba Raiz. Estudei história da música popular a fundo, e percebi que a história do samba e chorinho iriam de encontro as minhas raízes religiosas, ancestrais. E quem me deu a coragem e impulso foi a representante da música negra a pioneira do em Goiás, Dona Dalva Mendonça e sua filha Henusa Mendonça que participa da banda Visual Ilê, elas são a fundadora da Escola de Samba Flora do Vale, sou fã incondicional das duas, e elas são minhas professoras da vida; não temos professores só em escolas. Descobri a minha missão como artista ensinar a música africana (a música de meus ancestrais), coisas que já cantava no terreiro levei aos palcos em forma de ensino e educação cultural. Mas foi como cientista e pesquisadora que fui entender o grau de historicidade das coisas e sua ligação com o samba. O samba é preto minha gente. E com a pesquisa, trouxe um contexto filosófico de se fazer música “deixou de ser parte religioso” e virou uma pesquisa antropológica, filosófica, arqueológica, sociológica de um ideal que é através da Arqueologia da Música, Educação Patrimonial que eu poderia ser cantora, arqueóloga, antropóloga, filosofa, pesquisadora, artista, instrumentista, compositora e professora. Tudo isso ao mesmo tempo no palco, nas ruas, nas escolas. Então quem me define, quem me inspira hoje são meus professores do meu passado, os do meu presente e os que farão parte no meu futuro. Estou vivendo uma mutação constante, então todos os ritmos que ocorre no mundo me influenciam e me ensinam. Eu olho tudo isso como uma grande variabilidade rica de estilos, gêneros, ritmos e possibilidades de enfeitar a roda. Pois a roda já foi criada, porém luto pela originalidade e em ser única.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira profissional?

Thayná Janaina: Depois que subi ao palco com meus 12 anos de idade cantando “Sabiá” (Luiz Gonzaga/Zé Dantas), já sabia o que eu queria, inclusive a arqueologia já era um marco definido em minha mente. Eu me profissionalizei aos 15 anos. Porém no início da carreira comecei cantando em eventos, seminários, para a Escola de Arte Veiga Valle que fazia eventos não remunerados somente para mostrar a cultura, para o estado, secretaria de cultura etc. Comecei em Bares a fundamentar meu repertório.  Com o amadurecimento e com a idade, aos meus 27 anos eu gravei meu primeiro CD. Com o CD me tornei aos olhos da sociedade goianiense uma cantora profissional.  Mas acredito eu que a profissionalização, educação e cultura é algo mutável, como evolucionista que sou, penso que a profissionalização é para o resto da vida. Então por mais que você possa chegar em num ponto de ser um profissional você tem que se aperfeiçoar para sempre. E a arte ela exige isso de você.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Thayná Janaina: Um CD e lancei no dia 24 de agosto de 2017, uma data é simbólica, pois é o aniversário de meu avô, o responsável indireto de ter o primeiro violão que eu toquei. As pessoas que participaram do meu CD,  foi o produtor musical e guitarrista Luiz Chaffin, o melhor do Goiás sem desmerecer os outros produtores, mas  ele soube ler minha alma e transcreveu minhas ideias e sentimentos profundos no CD – “Raízes de uma Negra”,  o mestre Jader Steter meu eterno professor e grande baterista, Diego Amaral na percussão e meu eterno professor e Marcelo Maia um grande baixista. As músicas que o público mais gosta é “Maria Rosa”, música autoral dedicada a filha de um amigo músico que carrega esse nome lindo Maria Rosa, a música foi feita para ela, na época ela só tinha três anos. A música está sendo bastante conhecida por uma grande cantora do Goiás minha amiga Polyana Pimpão ela abraçou a canção e a leva para os shows. Sou grata e feliz por isso. O público ama: “Faraó Divindade do Egito”. Essa música nunca pode faltar nos shows.  “Maria Rosa”, “Suíte do Pescador” e “Grande Mar”. Tive a honra e privilégio de gravar com o grande cantador e encantador Pádua que amo muito como artista. É minha fonte de inspiração dentro da música Goiana. Sobre outros CDs estamos estudando a possibilidade e fazer com o mesmos músicos e produtor musical, o CD que já tem título e músicas escolhidas,  chama-se “Vozes ancestrais” que traz uma vertente afro-indígena, e espero contar com mais participações especiais com vozes únicas para cantar comigo como: Pádua, Amauri Garcia, Maria Eugênia, Fernando Boi , Tom Chris, Chico Afa , Artu e Adalto Bento Leal.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Thayná Janaina: Indefinido, pois sou uma eterna mutante. Mas, meu estilo musical seja ele qual for (Axé, Afro, Samba Raiz, Funk, Soul, Balada, Eletrônico, Canto em Yorubá ou voltado a cultura Indígena) sempre terá um ideal: arqueológico, filosófico, antropológico, sociológico, artístico, multicultural, multicolorido, multitransparente, futurístico. Atualmente meu estilo é o Axé Music, cantos em yorubá, cantos sagrados, étnicos, ancestrais e samba.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Thayná Janaina:  Estudei com muitos profissionais maravilhosos como Demades e Damon. Mas a melhor professora; sem desmerecer os outros professores de canto que passou em minha vida e todos eles são maravilhosos e foram mencionados acima, a professora que leu minha alma e entendeu minhas necessidades como artista e ser humano foi: Sabah Moraes, inclusive ela possui mestrado na área, uma grande cantora, artista e compositora.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Thayná Janaina:  A importância é diária, para o resto da vida. Falo que a aula de técnica vocal é uma academia interna, academia das cordas vocais e músculos que precisamos fortificar para cantar. Cuido bastante da voz eu sou uma artista que não bebe, não fuma; não somente por questão religiosa por ser sacerdote e uma eterna filha de Santo, mas também por saúde espiritual, corporal e física. O público merece meu melhor então eu cuido muito, a todo um trabalho de higienização nas cordas vocais, alimentos que não como para “cantar melhor” (risos).

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Thayná Janaina:  Cantores de Goiânia são: Pádua, Fernando Boi,  Maria Eugênia, Sabah Moraes, Luiz Augusto e Aumari Garcia, Artu, Nina Soldera, Poliana Pimpão, Mara Cristina , Wilton Jonh, Vitor Júnior, Pietro Rocha, Beaju, Jô Salgado, Xandão, Diego Mendes, Baby Som, Grace Venturine, Tom Chris, Tonzera, Lorenna Cavalcante , Fernando Pimenta dentre outros… Cantores Nacionais: Maria Bethânia, Jovelina Pérola Negra, Clementina de Jesus, Margareth Menezes, Ivete Sangalo, Juçara Marçal,  Rita Ribeiro, Mariene de Castro, Teresa Cristina, Nilze  Carvalho, Clara Nunes, Ticoãns, Baden Powell, Vinicius de Morais, Chico Buarque, Toquinho, Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, Alcione, Paula Lima, Vanessa da Mata, Djavan, Jorge Ben Jor, Emilio Santiago, Elza Soares entre outros…. Cantores Internacionais: Michael Jackson, Adele entre outros.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Thayná Janaina:  Eu não sabia compor. Eu tinha feito uma música quando tinha 12 anos de idade e mostrei para minha mãe e ela não gostou aquilo me travou. Eu não tinha a maturidade de entender que as composições são como filhos que vai ter gente que não irá gostar e vai ter gente que irá gostar, então; travei.  Conheci um rapaz chamado João; infelizmente não sei por onde ele anda, mas ele acreditou em mim, e isso fez toda diferença. Eu como educadora aposto e acredito muito no ser humano, é se acreditando e apostando nos outros que o mundo muda sou prova disso. Precisei de uma pessoa para acreditar em mim e tudo clareou. Hoje em dia depende muito do dia, da situação vivida e às vezes vem do nada. E quando vem do nada a canção paro tudo que estou fazendo e à escuto e escrevo, a maioria das vezes a música já vem com tudo junto Letra e melodia. Mas, quem sempre arruma minhas músicas em questão de harmonia funcional é o produtor Luiz Chaffin e me sinto mais do que no compromisso de colocar o nome dele como meu maior parceiro pra compor e isso será mencionado no segundo CD – “Vozes Ancestrais”.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Thayná Janaina:  Atualmente é o produtor Luiz Chaffin. Mas super aceito convites de quem quiser fazer parceria comigo. Será um prazer.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Thayná Janaina:  Até o momento ninguém (risos). É muito complicado você mostrar suas músicas eu sou tímida nisso em mostrar minhas criações, as únicas pessoas que sabem o que eu faço é minha mãe e o maestro Luiz Chaffin que mostro toda vez que vamos fazer um novo projeto. Só a Polyana Pimpão que canta “Maria Rosa” em seus shows, e fico super feliz.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Thayná Janaina:  Eu teria que falar por horas e explicar primeiro a criação do mundo em uma visão arqueológica e antropológica. Terei que trazer minha visão evolucionista para responder essa pergunta. Eu não quero repetir as mesmas coisas que já sabemos como: “que o mercado é machista”, “que existem panelas no meio musical”, “carta marcada”, “fatores políticos coronelistas”, que “só talento não importa precisa de um corpo lindo e ter padrões estéticos” etc. Não sei o que mais… Pois por trás de toda uma frase ou pensamento tem uma explicação muito profunda que merece tempo e tempo é algo que está cada dia mais escasso, não só o tempo (risos), a inteligência e a vontade de pensar também. Tudo precisa de estudo, ainda mais uma teoria, precisa-se de tempo para ser explicada, se você que está lendo esta entrevista quer saber de fato… das coisas obscuras do mundo? (risos). As vezes as pessoas reproduzem frases como as que citei acima que o mercado é machista etc… Mas não sabe o grau da seriedade e da historicidade por trás disso tudo e o que levou “o mundo” agir assim e continuar assim apesar de tantas lutas e muitas conquistas graças a Deus.  Cada frase tem uma explicação profunda, pois tudo na vida tem um por que.  Então posso dizer de forma positiva, o artista tem que demonstrar coisas boas, mesmo possuindo suas tristezas e dificuldades de se fazer arte e de ser um ser complexo. Vivemos numa realidade lúdica. Eu acredito que ser artista é dar o rosto pra bater em todos os sentidos e indiretamente ou diretamente o artista se torna exemplo para as pessoas. O que mais luto em minha carreira, é ser exemplo e dar voz aqueles que não tem, e dar voz aqueles que tem mas não sabem como dizer. Posso garantir que dificuldade tem em todos os lugares e para desenvolver arte seja musical ou não, mas, principalmente musical, pois depende de um conjunto de fatores como: banda, pessoas que compra sua ideia, apoiadores, patrocinadores, produtores, fãs, dinheiro etc… E falando em dinheiro é o que faz para investir, precisa de grana, sorte, estar no lugar certo e na hora certa, ter amizades certas, encontrar as pessoas certas e usar e abusar dos fatores midiáticos que liga os holofotes. Se você não tem grana para ser um artista independente, você tem que esperar as leis de incentivo que estão acabando com o governo do Bolsonaro que não sabe o que é arte, nem educação, não sabe nada, não sabe nem quem é ele mesmo. Não sabe nem porque respira como diz Maria Bethânia: “apenas pisa, apenas vaga” e o povo tem que chorar para “regar as nascentes que ele secou”. As leis de incentivo, ajudam bastante. Mas, “você” ser artista  tem que carregar coisas mínimas consigo desde seu nascimento como: acreditar em você, ter boas ideias, ter amor próprio, ter bons pensamentos, ter bons amigos,  ter noção do que diz, ser inteligente, estudar, dedicar e principalmente amar quem fere você. Pois, o mundo gira, o mundo é pequeno nunca feche portas por causa de mágoa ou pelo não que dizem a você. É um não hoje que pode virar um sim amanhã, e pra virar sim você tem que se preparar sempre.  Nesse mundo musical para ser um artista independente bem sucedido tem que saber perdoar e amar. Venho aprendendo isso ao longo do tempo.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Thayná Janaina:  As estratégias nem sempre são possíveis, ficam muito no campo das ideias por falta de recurso financeiro. Mas o que se é possível graças aos meus patrocinadores que me apoiam e acreditam em mim. Vou dizer de mim, pois para carreira e para a vida não existe uma receita de bolo que alguém fará igual e dará certo. Cada um tem que achar sua própria receita, seu próprio caminho, seu dom, sua própria ideia. Vou falar da minha receita, é fazer aulas de dança, canto, malhar, ler muito, estudar, ensaios e colocar tudo que sou no palco. Quero agradecer as minhas patrocinadoras (res) que estudam estas estratégias comigo de como me aperfeiçoar: Estúdio Kizara (Mari Faria) onde estudo dança do ventre, Casa Da Terra onde estudo Yoga, Aricelma e Silvo Herbalife que cuida da minha dieta alimentar, Dionília Castro que cuida do meu emocional com florais da lua, remédios naturais, grupo de estudo de mulheres que faço parte  Filhas Avá – Gaia. Agradecer a minha terapeuta psicóloga Irene Lacerda – IFG. Patrocinadoras que criam meus figurinos junto comigo: Nyna Koxta (Saturnina), Limoeiro Azul, Helienay Moda Mulher, Nijinga (Erilka Santos e Salmo Silva) e Ayndé que me ajuda nos tecidos. Patrocinadoras de acessórios: Eva Carvalho com brincos de papel (Arte em Quilling) e empresa Afrosi’s. Patrocinadores de mídia: Júnior Produção executiva, Betinha Produção, Estação Oktos Tiago, Iza Valentim Produção, Rádio Mossoró, Rádio Sudeste, Rádio Canções e Momentos, Rádio TV Brasil Central, Imprensa Criativa da Carmelita entre outras. Patrocinador produção musical: Luiz Chaffin, Patrocinadora que cuida da alimentação no camarim: Juh Ribeiro, Patrocinadora, fã e madrinha: Janira Sodré, Patrocinadora Cabelo Black: Maria Black, Patrocinadora Coach: Lara Lima. O artista precisa dessas preparações para conseguir trazer todo equilíbrio e harmonização para vida, para o palco e se aperfeiçoando que o artista levará a mensagem para a vida das pessoas como um transformador de vidas. Eu preciso fazer mais coisas e conto com ajuda de mais patrocinadores futuros como mais aulas de dança e academia.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Thayná Janaina:  Eu sou microempreendedora (MEI) e sempre vou atrás de novas parcerias e patrocinadores. Mas é um campo novo e desconhecido que estou em aprendizado ainda.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Thayná Janaina:  Eu me considero pré-histórica nesse campo tecnológico, estou tentando aprender a mexer ainda (risos). Ajuda a divulgar meu trabalho. Sobre o fator prejudicar… Eu penso com essa construção que estou de aperfeiçoamento, acredito que nada pode me prejudicar, desde que eu saiba dizer as coisas certas. Muitas vezes achamos que é o outro que pode nos derrubar com críticas ou querendo nos copiar. Mas na verdade só nós mesmos que podemos nos prejudicar. A internet deixa sua vida aberta então ter cuidado com o que você quer mostrar. A internet tem muitas armadilhas, falta de interpretação. Mas ainda não tenho pensamento definido para esta ferramenta que estou conhecendo agora… e que muda o tempo todo.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Thayná Janaina:  Não sei de fato o que é isso (risos). Isso é pra gente que tem dinheiro (risos). Em Estúdio eu fui somente em 2017 e nunca mais.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Thayná Janaina:  Discordo dessa afirmação, pois, depende da cidade que você está e das condições sociológica em abertura de caminhos que te possibilita isso pra tal. Demorei praticamente 15 anos para gravar… Depende de cada ser e de sua historicidade. Eu só gravei graças as leis de incentivo do Estado de Goiás. Pois, se fosse por mim mesma eu não teria dinheiro. Se fosse somente a concorrência de mercado seria mais fácil, mas a concorrências desleais, por ser arte; um pensamento filosófico: deveria ser um campo de respeito, de privacidade, de amor, de união, mas é um meio pior que política, disputas etc. Fico bem chateada com as concorrências desleais, pois muitas vezes você desenvolve toda uma ideia e executa-a. Mas no caso você não possui abertura política o suficiente e nem tem um público o suficiente para consumir essa nova ideia, pois tudo é uma construção, não ter força onde mora e não fazer parte de um “grupo x ,y ou z” isso é difícil, caminhar sozinha não é fácil “tem que acreditar muito em si mesmo para não desmoronar”. Continuando o pensamento, no caso “a pessoa” que tem mais abertura que você consegue pegar a sua ideia através da mídia que você posta e você precisa continuar a divulgar-se. A outra pessoa lhe observa e por ter abertura muito maior que você, por possuir um público maior tanto em redes sociais ou fora delas, quando você vai apresentar um show que você pensou por horas, dias, meses e anos a pessoa já absorveu a ideia de forma superficial, pois não entende a raiz filosófica do porque você está fazendo aquilo ou porque pensou aquilo, mas a usa e fica com a fama e créditos.  Já no caso você que pensou e executou em alguns lugares que lhe deram abertura, a outra pessoa  já usou sua ideia e quando você se apresenta no mesmo lugar e muitas vezes você demora anos pra conquistar para cantar naquele lugar, que só entra figuras carimbadas,  as pessoas acham que você é a cópia e não a criadora da ideia. Acho que ficou confuso, mas deu para compreender. E isso ocorre em todo lugar e todo campo de trabalho do mundo. Eu luto diariamente para encontrar a originalidade dentro de mim e de ser 100% eu, mas a roda já foi criada. Seria mais interessante as pessoas fazerem um trabalho interno para saberem quem elas (eles) são, do que copiar a ideia do outro. Acredito muitas vezes filosoficamente que nem existe ideias e sim que a roda já foi inventada. Eu estudo a roda e olho ela por horas, e penso o que falta para você parecer uma nova roda? É uma pergunta que me faço todos os dias para poder criar “o novo”. Acredito que o campo das ideias ou de alguém defende o que pensa… Seria parecido ou a mesma coisa de escrever um T.C.C, Artigo, uma tese de doutorado. Você lê, pesquisa e vê “que mais gente no mundo já teve as mesmas ideias que eu ou pensamentos semelhantes”; então você percebe que “não é tão único assim”. Então perguntas surgem dentro de mim o tempo todo, como se faz para ser único? Como faz para ser original e ser notado? É uma luta constante e diária que tenho comigo mesma. Mas dentro do campo das ideias, deve-se observar quem deles executaram as ideias? Às vezes só ficam nas ideias e nem foram para o papel e nem chegou a se expor, outros já lutaram e foram para o papel e criaram uma  hipótese e dão o rosto para bater em sua hipótese e agem  muitas vezes com certo receio, afinal, no fundo todos temos medo de ter uma verdade própria e absoluta sobre nossa própria ideia / hipótese e defender aquilo como verdade, medo das críticas. Pois, no mundo quase não se tem mais a defesa por uma verdade absoluta e sim verdades relativistas, enfim… , mas já outros como eu que defende até a morte no acreditam, por justamente  em acreditar em si mesmo,  na arte que emana  dentro de si próprio, que estuda, aperfeiçoa-se,  tem coragem de sair da hipótese, coragem de sair da zona de conforto, coragem de defender e de ouvir as críticas por mais que doam. Tenho a sede de provar para o mundo que vim fazer uma diferença histórica, tenho a mesma sede dos antigos gregos que acreditavam que a única forma de se eternizar é através da memória, pois, para os gregos era a formula de se imortalizar. Ser lembrado por gerações e gerações. Para finalizar, para me diferenciar dos demais, trabalho sempre no campo das ideias, no campo do eu, no campo quem sou, busco a criatividade e principalmente sair do campo da hipótese, e sim tornar verdade e realidade os meus pensamentos. Defendendo como filosofia própria de vida.

20) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Thayná Janaina:  Não vou criticar o cenário musical e falar as mesmas coisas que as pessoas intelectuais falam, “digo-lhes em verdade que muitos fazem o que digo e não fazem o que faço”. Criticam mais não pode tomar um gole que já escutam, curtem e depois querem bancar-se de intelectual. Eu sou intelectual, porém não sou hipócrita. Existem coisas ruins e boas, e o bom e ruim é algo muito pessoal, relativo. Quem está sempre reinventando a roda existente, atravessando gerações e décadas é Elza Soares.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Thayná Janaina:  Vou falar de artistas cantoras locais e não locais, que são exemplo e segue a linha que acredito de se cuidar e tal como: Maria Eugênia, Elza Soares, Maria Bethânia, Sabah Morais, Fernando Boi, Tom Chris, Amauri Garcia, Luiz Augusto, Clara Nunes, Djavan, Tonzera, dentre outros. Músico instrumentistas locais e não locais: Yamandú Costa, Luiz Chaffin, Marcelo Maia, Edilson Morais, Jader Steter, Diego Amaral, Chileno, Abubak,Samuel, Zé do Choro, dentre outros). Essas pessoas que citei admiro bastante o seu profissionalismo e sua vida pessoal. Pois eles levam uma mensagem artística, rítmica, evolucionista, instrumental, filosófica etc…

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Thayná Janaina:  Poderia eu contar várias histórias, mas como eu falei sobre perdão … prefiro perdoar e trabalhar o esquecimento, o que se passou, passou e olhar somente para o futuro. Mas digo que o mais importante é ter uma consciência limpa, pois sei que sempre fui focada na carreira. Meu lema e sempre evoluir, mas sem atropelar ninguém para se chegar onde quer chegar. Eu quero pegar estas experiências e transformar em bondade e usar de uma outra forma. Já passei por tantas coisas inacreditáveis que um dia eu conto. Agora não é o momento. E não vou dizer por medo, e sim não vou dizer, pois meu coração não está pronto para dizer as histórias…

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Thayná Janaina:  Fico feliz, pois posso ser eu mesma no palco é a oportunidade que tenho de falar ao mundo do meu propósito de vida. E ensinar… Sinto-me realizada cantando. Triste com as mentiras, ilusões, os puxões de tapete, a falta de respeito, o preconceito, a falta de amor… Essas me deixam triste…

24) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Thayná Janaina:  Eu entrei em contanto com muitas rádios e eu tenho que entender. Muitas sobrevivem do jabá (receber dinheiro para tocar uma música na programação) e a coisa não está fácil para ninguém. Foco nas que me dão espaço, e esqueço as que não me dão. E penso naquelas rádios que tem mais nome, pesquiso o valor e sonho em um dia pagar para tocar nelas. Cada ser tem seu preço nesse mundo capitalista, não é mesmo? Tenho que respeitar o valor e o preço que o outro dar a si mesmo.

25) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Thayná Janaina:  Siga seus sonhos… acredite em Deus, acredite em você. Estude, aperfeiçoa-se, seja verdadeiro, seja silencioso como diz minha avó quem cala vence, seja amigo, faça amigos, leia muito, não brigue, não discuta, busque equilíbrio. Siga sua intuição e ouça os outros mesmo que sejam coisas ruins. E tenha auto crítica, pois auto criticar-se leva a perfeição.

26) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Thayná Janaina:  Vou dizer primeiro dos midiáticos, em que você paga para cantar e paga para ser julgado. A maioria é carta marcada e ainda pagam para ganhar. Eu por ser profissional participei duas vezes na vida e fiquei chateada. Um Festival de Música que deveria ter em todas as cidades é um projeto lindo aqui em Goiânia que se chama “Canto de Ouro”.

27) RM: Na sua opinião, hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Thayná Janaina:  Festivais musicais midiáticos nacionais, infelizmente tudo virou comércio, modismo, capitalista. Muitas vezes nem os jurados estão preparados “para julgar”, por não ter um arcabouço teórico, filosófico cultural de se auto interrogar porque essa pessoa deve passar no Festival ou não. Enfim, acredito que os Festivais de hoje são uma fraude. Não conheço todos, mas os poucos que conheço digo em verdade. Tem um Festival de Música que se chama “Canto de Ouro” que ocorre na cidade de Goiânia no Estado de Goiás considerado um dos maiores do Brasil. É uma temporada de três meses de show com vários artistas e músicos instrumentistas, tendo uma diversidade musical imensa. Os artistas são separados em elencos, cada elenco tem uma equipe de técnicos de apoio no palco, sonoplasta, iluminador, direção musical, banda, camarim etc…  É maravilhoso. Eles sempre revelaram novos talentos, eu mesmo fui um deles. Não é um Festival que você paga para cantar e que paga para ser avaliado. É um Festival que você mostra sua arte a um público que te abraça e que vai para te ver. No qual você é que ganha para cantar. A uma seleção, mandei meu material via e-mail com meus materiais e passei desde 2017 canto no Festival. E todo ano mando meu material para seleção.

28) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Thayná Janaina:  A grande mídia está focada somente no que toca mais, e esquece a historicidade das canções que fizeram parte da história. As pessoas da mídia estão voltadas para o capital do hoje e agora. Tocou meses a canção, rodou completou sua missão de virar hit do momento, pronto acabou-se e não tem história, mal fica na memória das pessoas. Por não ter história, a música não teve tempo e nem permaneceu no período certo para   amadurecer-se e ficar para a história. E hoje as pessoas não se preocupam com a história… Só buscam a história quando o calo aperta e graças a pessoas que estudam história, filosofia, arqueologia, antropologia, arquivologia, bibliotecárias (os), museologia etc. Que se importam com a história e guardam essas informações, essas pessoas são preciosas e estão morrendo. Pois, muitos jovens que se forma nessas áreas não procuram seus mais velhos acham que a roda que eles criaram e suas teorias são ultrapassadas e são incapazes muitas vezes de criar “o novo” de enfeitar a roda que já foi feita e tem todo um embasamento teórico milenar muitas vezes, e desvalorizam o conhecimento de gerações. Mas o Brasil, infelizmente ainda mais com esse governo que não apoia a arte  de pensar quem dirá apoiar a ciência, e arte é uma ciência, se não à apoio do poder que vem lá de cima da pirâmide de Marx, e não a uma continuidade da informação, sem apoio as pessoas não conseguem nem despertar o interesse. Penso muitas coisas profundas e nem sei se estou conseguindo passar o que está dentro de mim para vocês. Acredito que estamos nos perdendo dentro da própria história e sendo engolidos pelo mundo em um apocalipse, um colapso de falta de consciência coletiva e social. Mas no meio do caos também a esperança conheço muitos jovens que se interessam e trabalham em pró desse despertar social. Eu sou uma das voluntárias em ajudar no processo evolutivo apesar de que tudo está bem difícil. Sinto que somos livros ambulantes e estamos caindo em desuso. Mas, o bem sempre vence mesmo que demore. E uma hora a massa entra no eixo e vê que é mais forte do que famílias piramidais que governam o Mundo, a massa é mais forte do que teorias da conspiração, nós temos força numerosa e eles são poucos em vista de toda uma nação, eles só tem a inteligência em nos dominar para ser o que eles querem que sejamos, para ouvir somente o que querem que ouçamos, para representar e atuar e passar nas telas somente o que eles querem. Quando o povo despertar e ver que as respostas estão nos livros, nas teorias, nos professores (as), no ensino, na arte de pensar, na filosofia, e que podem pensar  por si só sem esperar “o líder “ e parar de esperar o que não existe como o governo ou presidente atual ou não atual. É só olhar a história doentia dos líderes que passaram até hoje, só nos usaram como massa para eles ganharem território, poder, dinheiro etc. Acorde sociedade! A cultura tem o poder de mudar, o ensino tem poder de mudar, os livros tem poder de mudar, o verbo tem poder de mudar, o artista tem o poder de mudar o mundo. O povo tem condição de mudar, e mudando murará a grande mídia, a mídia mudando tudo muda, a música muda e conseguindo essa mudança teremos um mundo melhor, e quem sabe um dia possa voltar  a ser como no tempo em que Elis Regina cantava, Caetano Veloso, Chico Buarque, Gonzaguinha que quando faziam música traziam consigo letras que despertavam o pensamento crítico para não ser um servo dominado. Penso que essas perguntas precisam realmente de tempo para serem respondidas, pois elas não são rasas, e exige algo fora e maior do que simples contexto musical para serem respondidas, precisa de ter uma visão humanística e de mundo. Eu poderia dar uma resposta rasa com duas frases. Mas felizmente eu penso muito.

29) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Thayná Janaina:  Se chegasse a nós anônimos seria ótimo… Tem espaço, mas é aberto com um tal de QI (quem indica), um padrinho ou um político. E a seleção que colocam online para fazer no site nem se quer leem mandei inúmeras vezes. O atual presidente (Bolsonaro) que não sabe nem porque ele nasceu, quer fechar muitos Sesc e editais, muitos espaços culturais. E esses espaços sempre foram poucos…

30) RM: O circuito de Bar da cidade que você é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Thayná Janaina:  Essa pergunta não estou preparada para responder, aqui já tenho receio de entrar com meu pensamento filosófico intenso demais e as pessoas não entenderem. Mas opção de trabalho para o músico está complicado, estranho, difícil, muita luta….

31) RM: Quais os seus projetos futuros?

Thayná Janaina:  Terminas minhas pós-graduações, fazer um mestrado, depois doutorado e um pós doutorado. Terminar o curso de Licenciatura em Música e fazer bacharelado em Ciências da Religião. Na música seguindo devagar e sempre. Como diz a Dory do filme Procurando Nemo: “continue a nadar, continue a nadar”. Agradeço ao idealizador da RitmoMelodia (Antonio Carlos) ao artista que também és, muito obrigado pelo amor, paciência de esperar eu responder essas perguntas, obrigado pela oportunidade de falar do meu trabalho, de agradecer, de expor minhas ideias, quero agradecer  quem irá ler essa entrevista e a quem não irá ler…

32) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Thayná Janaina: (62) 9.9801 – 2511 (com Júnior) e (62) 9.81543672 (com Shirlene). | https://www.facebook.com/raizesdeumanegra/ | Instagran: @thainajanaina7 |

Link Canal: https://www.youtube.com/channel/UCvdPt4Quf106ek1F4k170xA

Link CD: https://www.youtube.com/watch?v=6V05K8PknTo&list=OLAK5uy_njDIwRHa-HgSOu_IMtNJvAbEmRu01h9r4


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.

Publicado Por
Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa
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