Sheila Borges

Sheila Borges

A cantora, promotora cultural, forrozeira, coordenadora de projetos socioculturais Sheila Borges, começou sua carreira no Rio de Janeiro cantando MPB e outros ritmos até entrar para a banda de Marcus Lucenna, onde teve a oportunidade de trabalhar um repertório de palco voltado para o Forró Pé de Serra com banda. E é daí que surge o comprometimento com o Forró de raiz e a valorização da nossa cultura nordestina.

Em 2000, ao regressar para a Paraíba, cantou em bandas de Forró, na Companhia folclorica Originis de Campina Grande, ganhou prêmios com música autoral, participou de festivais como intérprete, já manteve sua própria banda de Forro Pé de Serra por um tempo, criou um projeto sociocultural voltado para a valorização da cultura nordestina, criou um grupo de dança, a Cia. Livre de Dança e Expressões Culturais, é marcadora e cantora da Quadrilha junina Arraiá de Fagundes – PB que é também coordenada pela artista.

Atualmente a cantora mora em Fagundes-PB e quando se apresenta é geralmente fora da sua cidade, exemplo em Campina Grande e em outras cidades. Com a Quadrilha junina Arraiá de Fagundes, nos Festejos Juninos, Concursos, Festivais de Quadrilhas em várias cidades paraibanas, começando por Fagundes, Aroeiras, Ligeiro, Queimadas, Itatuba, Massaranduba, no Parque do Povo, onde acontece um dos melhores concursos de Quadrilhas Juninas da Paraíba com todo esplendor do São João de Campina Grande.

Sheila é graduada em História com pós-graduação em História do Brasil e da Paraíba, e atuando como professora percebeu a cultura nordestina se perdendo entre os jovens, e assim surgiu a ideia do seu projeto com o objetivo de envolve-los com a valorização da nossa cultura nordestina, suas músicas e suas danças. A artista busca apoios em diversos seguimentos da sociedade e assim continuar acesa a chama do trabalho com a valorização da cultura nordestina com o propósito de atender o maior número possível de pessoas da comunidade envolvidas com as iniciativas.

Seus projetos futuros inclui a gravação de um documentário mostrando a arte paraibana e um pocket show, ampliar o seu projeto sociocultural. “É fundamental entender que somos transculturadores e precisamos pensar enquanto sujeitos da história, não estamos vendo a história acontecer, estamos praticando e participando, e muitas das nossas atitudes e ações vão refletir na história que vem depois de nós, nas novas gerações. A nossa cultura precisa ser enfatizada na formação das novas gerações, na infância e adolescência, pois, o tempo passa muito rápido e nossa arte se perde para eles se não for valorizada na sua essência”, pondera a artista.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Sheila Borges para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 26.06.2021:

Índice

01) RM: Qual a sua data de aniversário e a sua cidade natal?

Sheila Borges: Nasci em 02 de abril em Fagundes – PB. Registrada como Sheila Borges da Silva.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Sheila Borges: Meu primeiro contato com a música, na infância, foi observando meu pai sanfoneiro, meu tio e primo na zabumba e triângulo. Este trio de Forró foi meu primeiro contato com a música. Daí em diante através do rádio e televisão conheci outros ritmos e estilos diferentes e me apaixonei pela música em geral e especificamente a minha raiz que é o Forró.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Sheila Borges: Minha formação musical é Canto Popular por meio de cursos e treinamentos básicos em vários momentos da minha trajetória, sempre procuro estar me aperfeiçoando e assim apresentar um resultado satisfatório. Tenho graduação em História e pós-graduação em História do Brasil e da Paraíba.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Sheila Borges: Minhas influências musicais no passado são de várias cantoras, cada uma com seu estilo musical que me influenciou a seguir com o sonho do palco, dos shows e a vida artística. Posso destacar: Elba Ramalho, Rita Lee, Daniela Mercury, Shakira, Xuxa, Ivete Sangalo, Angélica, Mara e outras cantoras que foram surgindo ao longo dos anos que, de alguma forma, me influenciaram a seguir em frete e até hoje não deixaram de ter importância para mim como influência artística.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira profissional?

Sheila Borges: Em 1992 comecei a minha carreira musical no Rio de Janeiro. Comecei cantando em barzinho voz e teclado e depois MPB, voz e violão, uma passada rápida por banda baile. Em 1994 entrei na banda de Marcus Lucenna, onde tive todo o aprendizado para minha trajetória artística. Inicialmente entrei na banda para o backvocal, aí eu peguei no triângulo e fiquei também tocando triângulo. Na banda de Marcus Lucenna tive a oportunidade de aprender a ser artista, defender a cultura nordestina e assim aprendi que tinha liberdade para curtir ritmos e estilos musicais variados, mas sem nunca esquecer minhas raízes culturais que são o Forró e a cultura nordestina de modo geral.

Marcus Lucenna é meu Mestre, de fato ele tem essa posição em minha vida. A palavra que define tudo isso é “gratidão”. Quem já trabalhou com Marcus só não aprendeu muito com ele, se não se interessou, porque ele sempre fez questão de repassar conhecimentos culturais, e técnicos para os seus músicos. Até hoje ele me orienta nos meus projetos e através dele, também conheci pessoas fantásticas como Alfranque Amaral coordenado do Fórum de Forró de Raiz e Rota do Forró, de Campina Grande, dona Joana Alves da Associação Cultural Balaio Nordeste de João Pessoa – PB, defensores da Cultura Nordestina. Fiquei até 1999 na banda de Marcus Lucenna, onde também trabalhei na equipe do seu programa de rádio na época, na Imprensa FM – Rio de Janeiro. Em 2000 voltei a morar na Paraíba por situações pessoais e familiares e tive que sair da banda de Lucenna, e recomeçar em minha terra natal, mas sempre estamos trabalhando juntos mesmo morando em Estados diferentes.

06)RM: Me fale de um trabalho recente com Marcus Lucenna.

Sheila Borges: Estivemos juntos em Campina Grande – PB, em outubro de 2019 no evento do Fórum Forró de Raiz, realizado por Alfranque Amaral e dona Joana Alves, onde foram reunidos vários artistas paraibanos. Na ocasião teve o lançamento do seu livro “Marcus Lucenna na Corte do Rei Luiz”. Em 2020 participei do clip da campanha para a Lei de emergência Cultural Aldir Blanc juntamente com diversos artistas do país, de vários seguimentos, em que “O salvador daqui” é a música do clip e de autoria de Marcus Lucenna. E de uma live no Festival São João na Rede “Forró da resistência” transmitido pelo canal no Youtube.

07) RM: Como foi recomeçar sua vida artística na Paraíba após sair da banda de Marcus Lucenna no Rio de janeiro? Que cenário musical você encontrou?

Sheila Borges: Foi muito difícil. Inicialmente em 2000, achei que seria mais fácil por minha experiência com o Forró Pé de Serra e banda, me enganei, pois no cenário do Forró em algumas cidades da Paraíba, o que estava em evidência eram as bandas das antigas (que fizeram sucessos nos anos 90) como Mastruz com Leite e Magníficos, entre outros. Eu já cantava algumas dessas músicas no Rio de Janeiro, mas não era o que eu focava. Tempos depois começou o movimento do “Forró Estilizado”, exemplo de “Aviões do forró”, “Garota safada”, entre outras. Seguiu em escala crescente as dificuldades de trabalhar só com o Forró Pé de Serra. Fui cantar os dois estilos para entrar no cenário do Forró na Paraíba. Em 2003 fui cantar na Cia Folclórica Originis de Campina Grande e saí da Cia. ao engravidar da minha filha. Dois anos depois quando me vi com base, após ganhar um prêmio com uma música autoral, montei minha própria banda independente e foi nesse momento que eu realmente fiz o que eu projetei, o Forró Pé de Serra com banda. Não durou muito a banda, sem apoio, sem estrutura, é muito difícil. Eu venho cantando o Forro Pé de Serra, e outros estilos musicais dependendo da ocasião. Foi enfrentando essas dificuldades, que já nasceu um comprometimento ao perceber a necessidade de lutar pela valorização da cultura nordestina propagando para as novas gerações.

08) RM: Fale do seu trabalho com a cultura nordestina na Paraíba?

Sheila Borges: Ao me formar em licenciatura em História e ir para a sala de aula trabalhar com adolescente, senti falta da cultura nordestina sendo fomentada dentro das escolas e assim surgiu a ideia de um projeto para trabalhar com os jovens a valorização do que é nosso, a nossa cultura, logo em 2015, comecei a trabalhar o projeto sócio cultural na minha cidade com alunos da escola onde trabalhava, a primeira iniciativa foi a criação de um grupo de dança. Um desafio, diante de um cenário totalmente voltado para a musicalização midiática onde o jovem termina desconhecendo e renegando o que é seu. Trabalhar com a cultura nordestina e repassar conhecimentos para as novas gerações virou um objetivo na minha vida, uma necessidade como artista paraibana, uma responsabilidade de mostrar a valorização que devemos ter como nordestinos com o que é nosso.

09) RM: Como as escolas poderiam contribuir para a valorização da cultura nordestina entre seus alunos?

Sheila Borges: As escolas poderiam contribuir muito e seria um espaço apropriado como base para trabalhar com crianças e jovens. Mas o incentivo para as escolas incluir no seu programa pedagógico é de responsabilidade dos governantes que poderiam muito bem investir, mas não fazem nada e nossas danças, nossa musicalidade, nossa arte, vai se perdendo entre os jovens e assim vai passando o tempo e se tornando cada vez mais difícil mudar esse cenário.

10)RM: Me fale sobre sua experiência como professora em sala de aula?

Sheila Borges: Sinto-me realizada em repassar conhecimentos, acho que esse é meu legado, ajudar outras pessoas a seguirem seus caminhos. A sala de aula é gratificante para professores e alunos quando conseguem obter confiança e respeito mútuo, assim o aprendizado consequentemente prevalecerá. Confesso que tenho saudades da sala de aula.

11) RM: Na sua opinião, falta investimento para o setor cultural para projetos como esse?

Sheila Borges: Falta investimento em vários setores: nas escolas públicas, em pontos de cultura, em projetos socioculturais como esse meu, em mestres, em oficineiros, em quadrilha juninas, em grupos de dança, de teatro e na arte de modo geral e em muitos outros setores e pessoas que poderiam fazer a roda girar e a cultura nordestina ser mais valorizada entre as novas gerações. Senti-me honrada pelo perfil de Juliete Freire no BBB 2021, que mostrou para o Brasil conhecimento e valorização com a nossa cultura. Estou feliz por ela ter ganho o prêmio pela visibilidade que deu a arte paraibana, nordestina. Juliete se posicionou como embaixadora da valorização da cultura nordestina. Que orgulho ver a nossa cultura ser exaltada com tanto amor como faz os meninos da banda Caacttus de Campina Grande. São os tipos de referências que os jovens poderiam ter se existissem investimento e preocupação com as influências que eles têm acesso e está na palma da mão. Neste mês de junho e julho a Quadrilha junina Arraiá de Fagundes estará apresentando um trabalho através de vídeos e participação em lives solidárias com número de componentes reduzidos por conta da pandemia e quatro casais irão representar os demais brincantes/quadrilheiros. Obrigada Guilherme, Mayara, Bruno, Larissa, Arlindo, Shellen, Ana, Gustavo, Tales e o cantor Luciano Vianna que foi convidado para este trabalho deste ano com a junina. As lives estão sendo transmitidas pelos canais da Rádio Bodopitá web de FagundesPB com apresentação do jornalista Edimilson Camilo e Samuel Dantas. Todas as lives serão postadas nas minhas redes sociais. O recente show meu foi em dezembro de 2020 numa confraternização com poucas pessoas. Outras atividades estão sendo feitas on-line, e aguardando voltar as apresentações também com a Cia. Livre de danças e Expressões Culturais, lembrando que é muito difícil esse enfrentamento para o setor cultural. Todo movimento artístico precisou se reinventar nesse contexto de pandemia do Covid-19.

12) RM: Qual o objetivo principal do seu projeto sociocultural? Recebe algum apoio financeiro para desenvolver as atividades e quais as iniciativas trabalhadas dentro do projeto?

Sheila Borges: O objetivo principal do meu projeto é trabalhar a cultura nordestina através de várias iniciativas envolvendo dança, música, apresentações artísticas, quadrilha junina, artesanato, arte, moda e gerar emprego e renda com o que temos de melhor da arte nordestina. Desde que comecei as primeiras atividades em 2015, sempre busquei apoio do governo municipal, de amigos, de artistas, da comunidade, através de bingos, rifas, doações, de professores, a exemplo de Marcio Caniello, professor/doutor em Sociologia da UFCG – Universidade Federal de Campina Grande que já fez vaquinha com amigos para o meu projeto. E outras pessoas como o professor e ator Francisco Nascimento que renova minhas energias quando eu fico desanimada com as dificuldades enfrentadas para manter o projeto. E os jovens que fazem parte do meu projeto que buscam junto comigo maneiras de enfrentar e desenvolver as nossas ações. De lá para cá, com a pandemia do Covid-19, tudo parou no setor cultural e tive que me reinventar. Não recebo nenhum apoio financeiro do poder público no momento, sigo as atividades com o valor do prêmio da lei de emergência cultural Aldir Blanc ainda de 2020, que deu para alavancar as atividades com o trabalho de oficinas dentro das iniciativas trabalhadas como: Grupo de dança, Quadrilha Junina, Ateliê de costura e confecção de adereços, Auto maquiagem, Artesanato, Flor de fuxico, Canto Popular e outras que serão desenvolvidas em breve. Daqui para frente precisarei de apoio financeiro para seguir adiante com as atividades me reinventando dentro desse contexto de pandemia.

13) RM: Qual o nome do seu projeto e como recebe apoio?

Sheila Borges: O projeto recebe o nome de Projeto sociocultural “Flores da Paraíba”. Quem quer ajudar entra em contato através do WhatsApp, telefone e e-mail. Ajuda com doações, de cestas básicas, de roupas, de calçados, de tecidos, aviamentos e qualquer tipo de doação para ser distribuída para a comunidade, ou para servir de matéria prima para as oficinas do projeto. Pode ajudar também através de pix, transferências, entre outros.

14) RM: Quantos CDs lançados?

Sheila Borges: Gravei dois CDs, só para divulgação de trabalho e shows. O primeiro foi no estilo MPB no formato Voz e Violão e o segundo foi com banda, Forró Pé de Serra.

15) RM: Como você define seu estilo musical?

Sheila Borges: Meu estilo musical é o Forró, mas sempre inclui no meu repertório músicas românticas e músicas de boa qualidade.

16) RM: Você estudou técnica vocal?

Sheila Borges: Sim, e deveria está estudando mais (risos), treinando os vocalizes com mais frequência. Antes da pandemia do Covid-19, estava tendo aula de Canto Popular com a regente/professora Merlia Faustino no Teatro Municipal de Campina Grande, e pretendo continuar as aulas na sua Escola de Música Chronos em Breve. Ela é ótima. É fundamental para o artista buscar aprimoramento.

17) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Sheila Borges: Tem toda importância e são fundamentais, a técnica vocal e o cuidado com a voz.

18) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Sheila Borges: Admiro os cantores e cantoras que já tem uma boa trajetória na música de muitos anos, que enfrentaram muitos obstáculos e que seguem suas carreiras com dedicação, independentemente de estar no auge ou não.

19) RM: Como é o seu processo de compor?

Sheila Borges: Está sozinha e tranquila ou quando de repente chega uma inspiração, aquela frase, que você imediatamente precisa anotar ou gravar para que possa ser completada em outro momento mais preparado, estando sozinha e concentrada na música.

20) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Sheila Borges: Os prós: liberdade para trabalhar as ideias e desenvolver um projeto ao meu jeito, de escolher repertório e gravar o que desejar, tocar onde quiser. Os contras: é não ter a estrutura de uma gravadora que vai fazer divulgação do trabalho, agendar shows, e gerenciar a carreira. As gravadoras já têm os próprios esquemas de pagamento de jabá de divulgação ampla em plataformas digitais, enquanto que, o artista independente vai ter que correr por fora e fazer tudo isso. E ainda estudar bastante para poder fazer isso, porque mesmo tendo as redes sociais sem não fizermos o impulsionamento; que é uma forma de jabá que se paga para as redes sociais levar seu conteúdo adiante. Sem esses meios, ficará muito difícil o nosso trabalho chegar a algum lugar.

21) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Sheila Borges: Procuro praticar ações empreendedoras para construir um trabalho sólido. Como estabelecer metas, correr riscos, construir bons relacionamentos profissionais e gerar confiança. À medida que as circunstâncias vão mudando, é necessário fazer ajustes em suas metas e torná-las adaptáveis e condizentes com a nova realidade e para que permaneçam alcançáveis. Assim venho desenvolvendo meu trabalho com confiança, positividade e responsabilidade.

22) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Sheila Borges: Fora do palco minha vida é muito corrida, pois sou funcionária pública e trabalho como Agente Comunitária de Saúde, que é de onde tiro minha base de sustentação para trabalhar com meu projeto sociocultural e no palco como cantora e manter uma base de sustentação financeira para minha família. Isso acontece como a maioria dos nossos artistas, viver só da música, do palco é muito difícil. Todo artista tem o desejo de sobreviver realizando sua arte, mas isso é algo que só existe para os artistas que estão no auge. Tenho minha família juntinho de mim, meu marido Dudu, meus filhos Sheldon Max e Shellen e é minha base para eu lutar por dias melhores e ter foco. No palco tenho o prazer e a liberdade de organizar ao meu jeito, buscando sempre experiências de outros artistas para me manter no cenário musical. Afinal todos temos dificuldades nesta caminhada.

23) RM: Fale da sua atividade como agente comunitária de saúde?

Sheila Borges: É um trabalho maravilhoso dentro do SUS – Sistema Único de Saúde. Os agentes de saúde são o “SUS nas ruas” e mais perto do povo, principalmente para quem precisa de informação e encaminhamento para os atendimentos na atenção primaria. Não existe ninguém que conheça melhor a comunidade e as vulnerabilidades do que os agentes de saúde, que deveriam ser mais valorizados e melhor aproveitados os seus conhecimentos pelos governantes e assim melhorar a vida do povo através de políticas públicas. São os agentes de saúde que tem conhecimento real das condições de vida, de moradia das famílias brasileiras de cada lugar desse país.

24) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical?

Sheila Borges: A internet tem muitas ferramentas que podem ajudar no desenvolvimento da minha carreira, desde que eu crie as condições para trabalhar nesse contexto e usar as novas tecnologias a favor do meu desenvolvimento contínuo. Não vejo negatividade nesse sentido. Temos que nos adaptar a esse universo.

25) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Sheila Borges: As vantagens é que hoje qualquer artista pode gravar, com a tecnologia de home estúdio, tem estúdio em quase todos os lugares e bem acessível e mais perto do artista. Diferente de antigamente que para se gravar deveria ir para grandes gravadoras em cidades grandes. As desvantagens que vejo é a qualidade que uma gravadora tem, com estrutura e toda tecnologia. Fazer um trabalho de qualidade não é fácil. Entretanto o home estúdio deu oportunidade para os artistas gravarem seus trabalhos sem precisar viajar para grandes centros ou mendigar a uma gravadora para ter a possibilidade de gravar um disco.

26) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Sheila Borges: O Forró não regrediu, mas também tem dificuldade de avançar. Falta união e organização entre os forrozeiros. O Forró tem peso e qualidade de ritmo, é dançante, alegre, poderia ser mais apresentado, ter mais espaço para receber os novos talentos. Os exemplos de revelações: Del Feliz, Fulô de Mandacaru

27) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Sheila Borges: Tem muita gente boa como exemplo de profissionalismo, como Elba Ramalho, Flávio Jose, Alceu Valença, Santanna – O cantador e outros artistas que não são conhecidos da grande mídia, mas que tem profissionalismo e qualidade artística.

28) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Sheila Borges: Ah, já passei por tudo citado na pergunta, já aconteceram cada coisa que as vezes fico imaginando como que eu ainda tenho forças, e prefiro esquecer das coisas negativas que aconteceram. Não é fácil ter esse sonho, a busca é uma batalha diária. O sonho tem que ser gigante, temos que ser rocha, aprender com as rasteiras e ficar de pé e dá a volta por cima.

29) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Sheila Borges: O que me deixa feliz é quando o artista tem oportunidades para desenvolver e apresentar seu trabalho. O que está me deixando triste é todo esse contexto que estamos vivendo em meio a uma pandemia global e imaginável e que artistas estão acabando com suas bandas, e sem ter onde apresentar sua arte.

30) RM: Qual a sua opinião sobre o movimento do “Forró Universitário” nos anos 2000?

Sheila Borges: O “Forró universitário” surgiu por ter estudantes que curtiam o Forró e fomentavam a cultura nordestina em seus eventos. Esse movimento é muito importante para o Forró e para nossa cultura.

31) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Sheila Borges: Siga em frente com seu sonho, sonhar não custa nada e dá energia. Tenha os pés no chão, não se cobre caso as coisas não saiam no tamanho do seu sonho. Tudo que você faz é por você, para a sua felicidade e boa sorte.

32) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Sheila Borges: Os Festivais de Músicas são interessantes para revelar novos talentos, novas composições e movimentar a cultura. Os contras é ver que eventualmente, o melhor não ganha, geralmente por conta de um jogo de cartas marcadas, mas nem sempre, mas existe e é desanimador para o artista que participa. Mas de modo geral é muito positivo por dá oportunidade de o artista apresentar o seu trabalho. Precisamos de mais oportunidades, de festivais para vários seguimentos, música, dança, teatro e outros. Em 2006 participei de um concurso de músicas autorais na cidade de Aroeiras – PB e ganhei em primeiro lugar com uma composição da minha autoria “Vem dançar um xote”. Com o dinheiro do prêmio montei minha própria banda de Forró. Foi quando eu tive a oportunidade de trabalhar o meu projeto com banda e o Forró Pé de Serra. Eu sinto muito em ver festivais como o Forró Fest não existirem mais, foi uma grande perda para a cultura nordestina, para Paraíba. Em 2018, participei do Festival “Dom Forró” promovido pela TV Itararé de Campina Grande – PB onde interpretei “Ritmo dos corações”, uma música inédita de Marcus Lucenna, que depois foi lançada por ele com a participação do Chambinho do Acordeon.

33) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Sheila Borges: Sim. Os festivais de músicas são importantes para revelar novos talentos, sempre revelam, mesmo que esses talentos não se tornem estrelas ou que não permaneçam projetando luz. Novos talentos existem muitos, em todos os lugares, uma riqueza cultural, musical gigantesca, escondida, e os festivais tem esse poder de revelar talentos.

34) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Sheila Borges: Qualquer espaços abertos para a cena musical e que possa acrescentar, e dar oportunidades para os artistas, são muito bem-vindos. Que venham mais SESC, SESI, Itaú, CAIXA, BB Cultural para cena musical brasileira.

35) RM: Qual a sua opinião sobre as bandas de Forró das antigas e as atuais do Forró Estilizado?

Sheila Borges: Sendo Luiz Gonzaga, o grande precursor do Forró, ele gravava em estúdio com banda e ao vivo com o trio, com o tempo os músicos passaram a levar para o palco as bandas com todos os instrumentos. Essas bandas evoluíram ao longo dos anos com mais elementos musicais sem perder a sua essência. Já o “Forró Estilizado” tem músicas muito boas, porém, muitas vezes coloca como Forró algo totalmente diferente da essência cultural, com outros ritmos transformados em Forró.

36) RM: Quais os seus projetos futuros?

Sheila Borges: Ampliar o Projeto Sociocultural: Flores da Paraíba, e incluir outras iniciativas gerando emprego, renda e contemplar muito mais pessoas. Gravar um documentário incluindo músicas e danças nordestina.

37) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Sheila Borges: (83) 98868 – 6722 | 98879 – 3589 | [email protected]

| https://web.facebook.com/SheilaBorgescultura

| https://web.facebook.com/Expressoesculturaisdefagundes

No Youtube: Sheila Borges Projeto Sociocultural: https://www.youtube.com/channel/UCH_XQvCM4CqDFg-Cmo8SM5g

Festival São João na Rede – Arraiá da Resistência/2020: https://www.youtube.com/watch?v=5BSXS5h86hk

Show Sheila Borges: https://www.youtube.com/watch?v=P32EXkVgXIM

Reportagem – TV ITARARÉ – Cia. Livre de dança de Fagundes/PB.: https://www.youtube.com/watch?v=A71nHljEBmk

Rompeu aurora – junina Arraiá de Fagundes – 2019: https://www.youtube.com/watch?v=t7fFIHHVH4Y

Sheila Borges – Semifinal Dom Forró: https://www.youtube.com/watch?v=h8Pur5hyMOo

Entrevista com a cantora Sheila Borges: https://www.youtube.com/watch?v=Sp-0jiM-068


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.