Sharllyn Acordion

Sharllyn Acordion

Músico, compositor, produtor, arranjador mineiro Sharllyn Acordion, é a definição do sanfoneiro.

Autodidata de Ipatinga – MG, teve seu primeiro contato com a música, ainda criança, pois herdou de seus pais Joana e Júnior, o gosto e o talento para a música. Ao frequentar academias de dança e se reunir com os amigos no Parque Ipanema em sua cidade natal para tocar e dançar um “forrozim” ao som da zabumba e do triângulo, Sharllyn percebeu a necessidade de um sanfoneiro. E assim, aflorou a vontade de aprender a tocar o instrumento que já fazia parte da vida do jovem desde a infância, pois o pai Júnior era sanfoneiro de sertanejo.

Desde 2005 na estrada, Sharllyn iniciou seus estudos com o acordeon aos 19 anos e por ser autodidata, com apenas dois meses de estudos, através do seu professor Sr. Nequinho, um sanfoneiro paraibano que vive em Ipatinga, logo depois teve a sua estreia se apresentando em uma escola da cidade. E a partir deste momento não parou mais, participou de produções, arranjos além de subir ao palco e encantar e alegrar o público com sua irreverência e talento.

Sharllyn no cenário sertanejo participou como músico de bandas de duplas como: Bráulio e Ricardo, Junior e Rodolfo, Icaro e Gilmar, dentre outros. Mas os trabalhos com mais relevância aconteceram em Goiânia – GO onde passou um ano no escritório Mega Produções, onde teve a oportunidade de gravar um DVD com a dupla May & Karen, que conta hoje com músicas com mais de 15 milhões de visualizações no YouTube. Foi uma grande experiência e aprendizado nesse tempo onde também trabalhou com outras duplas sertanejas de reconhecimento nacional como: Naiara Azevedo, João Neto e Frederico, Di Paulo e Paulinho, Bonde do Forró.

Sharllyn após algum tempo afastado do Forró volta a Ipatinga com projetos de Forró que sempre foi sua paixão, com a vontade de fortalecer o Forró no cenário do vale do aço. Ele começou a acompanhar um artista local que já tinha um projeto em andamento de Forró tocando semanalmente em um Bar Casa de Gaia de Ipatinga.

No ano de 2018 foi convidado a acompanhar como banda base do evento Brazilian Day, nos Estados Unidos (EUA), onde acompanhou vários artistas de renome nacional. Voltando a Ipatinga retoma o projeto semanal de Forró que tanto gosta. No ano de 2019 foi convidado pela banda Rasta Chinela, uma banda de Forró eletrônico de projeção nacional a uma turnê novamente nos EUA, onde se apresentaram em 5 estados americanos, com lotação total em todos os eventos.

Hoje em Ipatinga, mantém um trabalho com a banda de Forró “Xibatada e Carinho” com os integrantes de Governar Valadares, projeto esse que no ano de 2021 completa dois anos de existência, participando de vários eventos do circuito nacional de Forró, voltando a sua origem artística, tendo como referência seus grandes ídolos como: Dominguinhos, Sivuca, Oswaldinho do Acordeon, Mestrinho, Tiziu do Araripe, Albino Manique, Jeff Villalva. Mesmo trabalhando em vários seguimentos rítmicos diferentes do Forró, nunca deixou a suas origens, o Forró sempre e será sua grande paixão.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Sharllyn Acordion para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 26.05.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Sharllyn Acordion: Nascido no dia 13.03.1986 em Ipatinga – MG. Registrado como Sharllys Barbosa de Souza.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Sharllyn Acordion: Meu primeiro contato com a música foi bem cedo, meus pais são músicos (Joana e Júnior), então desde que me lembro estava sempre rodeado de músicos, produtores, fotógrafos. Toda uma estrutura de uma dupla sertaneja dos anos 90 em começo de carreira musical.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Sharllyn Acordion: Sou um músico autodidata, estudei muito pouco com Sr. Nequinho; um sanfoneiro paraibano muito experiente, que na época era o único professor de acordeon em Ipatinga – MG. Estudei por uns dois meses e com esse aprendizado já estava fazendo minha primeira apresentação que foi em uma escola da cidade. Fora o meio musical tenho formação em Meio Ambiente.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Sharllyn Acordion: Eu me considero um músico coringa, pois no passado quem me influenciou para o enegreço na música foi a banda Falamansa. Posteriormente os trios de forrós como Trio Forrozão, Trio Xamego, Trio Jerimum, que estavam no cenário forrozeiro na época. A influência de infância com meus pais que cantavam sertanejo que era contrário ao meu gosto musical, então eu fui influenciado pelo sertanejo dos anos 90: João Paulo e Daniel, Leandro e Leonardo, Trio Parada Dura etc… Hoje me identificado com a banda “Ó do Forró” de São Paulo por terem inovado no ritmo do Forró com letras e batidas diferentes como o Samba, o RAP.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira profissional?

Sharllyn Acordion: Tudo começou em Ipatinga – MG quando fiz 19 anos de idade (2005) e frequentava algumas academias onde ensinavam a dançar o Forró e depois os amigos se juntava em um Parque Ipanema onde tocávamos um “forrozim” só com triângulo e zabumba e percebi que faltava um sanfoneiro e veio a influência da infância e de meu pai que era um sanfoneiro só que de sertanejo.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Sharllyn Acordion: Como músico e produtor musical fiz alguns trabalhos no ritmo Sertanejo com a produção e arranjos de várias duplas com: Bráulio e Ricardo, Junior e Rodolfo, Icaro e Gilmar, dentre outros. Mas os trabalhos com mais relevância aconteceram em Goiânia – GO onde passei um ano no escritório Mega Produções onde tive a oportunidade de gravar um DVD com a dupla MAY & KREN. Hoje com músicas com mais de 15 milhões de visualizações no YouTube, foi uma grande experiência nesse tempo onde também trabalhei com outras duplas de reconhecimento nacional como Naiara Azevedo, João Neto e Frederico, Di Paulo e Paulino). A música “Vida de Solteiro” acabou caindo no goto da galera da dupla MAY & KREN.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Sharllyn Acordion: Totalmente eclético gosto tanto do Sertanejo passando pelo Samba, Bossa Nova, Jazz, Reggae até chegar no Forró.

08) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Sharllyn Acordion: São tantos, mas vou elencar alguns: Dominguinhos, Elba ramalho, Marines, Alicia Kiss, Almir Sater, Joss Stone.

09) RM: Como é o seu processo de compor?

Sharllyn Acordion: Geralmente a noite quando estou descansando e os arranjos são criados na cabeça geralmente gravados em um celular para não esquecer.

10) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Sharllyn Acordion: Meu acordeon.

11) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Sharllyn Acordion: Os prós são o reconhecimento de seu trabalho de forma que o público já reconheça suas obras assim que é tocado! Os contras seria a remuneração e a valorização de um trabalho bem feito.

12) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Sharllyn Acordion: Uma estabilidade financeira com projetos em estúdios e shows pelo Brasil e fora também.

13) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Sharllyn Acordion: Ampliação do meu estúdio de gravações produções com equipamentos para melhora atentes os clientes.

14) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Sharllyn Acordion: A internet é uma forte ferramenta de divulgação de seu trabalho assim sendo um trabalho bem feito de qualidade não vejo algo prejudicial na internet você trabalhando com fé em Deus. Agora o que prejudica na internet são as pessoas más que só querem prejudicar o colega de profissão seja por inveja ou incapacidade de realizar um trabalho de boa qualidade!

15) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Sharllyn Acordion: As vantagens do home estúdio são infinitas tanto no tempo de gravação e produção, arranjos que você não teria em um estúdio alugado. As desvantagens são nos equipamentos que tem em um estúdio de alto nível e que em um home estúdio não tem em comparação de qualidade.

16) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Sharllyn Acordion: Eu não fico preso a um estilo musical, toco Forró, Sertanejo, Samba, Jazz, etc, fazendo ou ao menos tentado fazê-los bem feitos seria o que me faz destacar dos outros acordeonistas!

17) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Sharllyn Acordion: O cenário do Forró é um seguimento muito fechado ao contrário de outros ritmos, mas como revelação do Forró, eu apostaria na banda “Ó do Forró” justamente por não terem ficado presos e terem a coragem de criar um estilo de Forró diferente do convencional. Obras consistentes até hoje são os trios que conseguiram sobreviver por décadas com a cultura tradicional.

18) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Sharllyn Acordion: Dominguinhos, Mestrinho, Cezinha, Oswaldinho do Acordeon, Sivuca, Gennaro, Albino Manique, Jaff vilalva, Voninho.

19) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Sharllyn Acordion: Misericórdia todas essas situações descritas na pergunta já aconteceram comigo, mas uma que não me esqueço foi quando eu estava com a BONDE DO FORRÓ em Belo Horizonte – MG e passou um gato assustado no palco e desligou a mesa de som e tivemos que passar o som todo de novo. Foi inesquecível (risos).

20) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Sharllyn Acordion: Com certeza a felicidade de fazer o que amamos levando alegria aos lugares e pessoas que vão nos presentear, seja com a presença nos shows ou ouvindo nossos álbuns. E o mais desanimador, creio que seria essa a palavra e não triste, é justamente o não reconhecimento de uma vida toda dedicada a arte da música relacionado ao lado financeiro.

21) RM: Qual a sua opinião sobre o movimento do “Forró Universitário” nos anos 2000?

Sharllyn Acordion: O movimento do “Forró Universitário” foi lindo, espontâneo e que desse movimento se descobriu muitos talentos. Tem uma importância imensa no cenário musical em nosso país que até hoje resiste fielmente as origens.

22) RM: Quais os grupos de “Forró Universitário” chamaram sua atenção?

Sharllyn Acordion: Não tem como falar de Forró e não citar Falamansa, uma banda que se destacou no cenário musical nos anos 2000 e se destaca nos dias atuais. São sinônimos de profissionalismo e visão de mercado sem perder as origens do Forró.

23) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Sharllyn Acordion: Infelizmente como eu já estive no meio desse furacão sei como funciona a grande mídia e posso dizer com toda propriedade sem pagar o jabá não toca uma música em lugar nenhum!

24) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Sharllyn Acordion: Faça por amor não por profissão!

25) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Sharllyn Acordion: A visibilidade seria o mais importante dos festivais de música, pois infelizmente nem todos os festivais são íntegros em seus julgamentos na maioria das vezes rola aquele famoso jabá.

26) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Sharllyn Acordion: Com certeza. O FENFIT – Festival Nacional Forró de Itaúnas – Espirito Santo, por exemplo revela vários talentos e bandas toda edição, mas nem sempre quem ganha consegue se consolidar no circuito do Forró.

27) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Sharllyn Acordion: A cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira é financiada por escritórios que pagam muito para que se toque ou leve o seu artista para vários veículos de comunicação do país, ou seja quem paga mais faz mais sucesso!

28) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Sharllyn Acordion: Ótima oportunidade de revelar artistas e uma grande ajuda aos pequenos artistas que precisam de incentivos.

29) RM: Qual a sua opinião sobre as bandas de Forró das antigas e as atuais do Forró Estilizado?

Sharllyn Acordion: Cada uma com suas peculiaridades o Forró das antigas com suas raízes muito fortes e musicalidades totalmente fieis as raízes. As bandas da nova geração com suas inovações, mas preservando o máximo as raízes do Forró com arranjos e musicalidades totalmente autorais com instrumentos inovadores no seguimento do Forró.

30) RM: Sharllyn Acordion, Quais os seus projetos futuros?

Sharllyn Acordion: Estou em processo de gravação e produção da banda “Xibatada e Carinho” de Governador Valadares – MG.

34) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Sharllyn Acordion: [email protected]

https://web.facebook.com/profile.php?id=100009402814401

https://www.instagram.com/charlinacordeon

Canal XIBATADA E CARINHO: https://www.youtube.com/channel/UCtO7sf0W_opVFFOeGabz3fg

XIBATADA E CARINHO LIVE 13/062020: https://www.youtube.com/watch?v=dLyRXnogbfQ

Canal: https://www.youtube.com/channel/UCxpEzYH2ZRPmtb7npqDE3NA

As vertentes do Acordeon. Solos e estilos diversos: https://www.youtube.com/watch?v=E0BuFfYDKcI


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.