Sarajane

Sarajane

A cantora, compositora baiana Sarajane começou sua carreira em 1980 aos 12 anos de idade contratada pelo Estúdio WR para cantar jingles. Em 1981, cantou no trio elétrico Tapajós e em 1982 cantou no trio “Novos Bárbaros” até 1985, quando foi contratada pela gravadora EMI ODEON para iniciar sua carreira solo.

Em 1985, ela conheceu Aberlado Barbosa, o Chacrinha, em um show na cidade de Nazaré das Farinhas – BA, a partir desse momento a música da Bahia passou a ter a Rede Globo como importante aliada, através do programa do Velho Guerreiro que ao conhecer aquela menina de apenas 17 anos, ficou apaixonado pela sua sabedoria, irreverência musical e se tornaram amigos e lançaram nacionalmente muitos artistas baianos. Em 1985 com o sucesso o “Cadê Meu Coco”, primeira música do Carlinhos Brown; seu percussionista e amigo. Em 1985 Sarajane vira moda no Brasil e é uma das pioneiras da Axé music.

Sarajane fez sucesso no Brasil, na Europa e em outros países. Detentora de vários títulos na Bahia e no Brasil, recorde de vendas de discos nas maiores gravadoras, ganhou disco de ouro, platina, diamante. Seus sucessos imortalizados: “A Roda” (Sarajane, Robson de Jesus, Alfredo Moura), “Vale” (Carlinhos Brown), “Ela sabe mexer” (Édson Maravilha/Joccy), “Cadê Meu Coco” (Carlinhos Brown), entre outros sucessos em trilha sonora de novelas. Ela participou como a loira do programa “Os Trapalhões” e da novela “Gente Fina”, entre outras. Ela, lançou vários artistas: Carlinhos Brown, Margareth Menezes, Banda Mel, Asa de Águia, Chiclete com Banana, entre outros, através do programa do Chacrinha, o seu pai musical.

Sarajane em 2018 trouxe mais uma vez o Cassino do Velho Guerreiro, que invadiu o circuito oficial do maior Carnaval do Mundo em Salvador em homenagem a comunicação, trinta anos da música “A Roda”, ela cantou no maior bloco de cadeirantes do país criado pela ABADEF, “Me deixa a vontade” com três mil associados que tem como fundadora e presidente, uma guerreira Luiza Camara.

Em 2018, Sarajane participou do filme “De perto ela não é normal”, uma comédia da grande Suzana Pires, com a direção de Cininha de Paula. A música “A Roda”, mais uma vez fez parte da trilha de uma comédia “Carlinho e Carlão” que esteve em exibição pelo Brasil.

Adepta do espiritismo kardecista, Sarajane em 1996 fundou a “Associação Criança na Arte Sarajane” (Acasa) que funciona no bairro de Santo Antônio em imóvel cedido pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia, e onde promove a inserção social de crianças e adolescentes, ofertando cursos profissionalizantes, oficinas de artes plásticas e música.

Em 2011, declarou estar se dedicando mais ao Forró nos últimos tempos. Anunciou, todavia, em seguida, o fim de sua carreira, manifestando insatisfação em relação a recebimentos de cachês, por shows apresentados, além de não ter conseguido patrocínio para o lançamento do que seria o seu novo disco. Mesmo firmando a posição de encerrar a carreira, ainda tentou conseguir recursos para lançar seu último CD. Em 2013, teve um de suas principais músicas, “A roda”, executada na minissérie “O canto da sereia”, exibida pela Rede Globo.

o movimento Axé music é uma mistura de células rítmicas células afrolatino, samba, entre outros elementos. Hoje trazendo uma sonorização, mas pop eletrônico. E levou essas produções local aos públicos do Sudeste, junto com novas coreografias que surgiam nos “guetos” de Salvador, Bahia. Sarajane é considerada, uma das mulheres que abriram caminho para as cantoras no carnaval como: Ivete Sangalo e Claudia Leitte. Ela é irmã da também cantora Simone Moreno (ex-mulher de Pepeu Gomes).

O crítico musical baiano Hagamenon Brito, que batizou nos anos 90 o ritmo de forma pejorativa como “Axé Music”, satirizando a pretensão dos artistas locais em fazer sucesso internacional. O que efetivamente ocorreu, contrariando seu vaticínio: “Sarajane é a primeira estrela do Axé music, a primeira mulher a fazer sucesso. Tanto que, no auge, ela faz um ensaio para Playboy”.

Em 2020 lançou seu EP celebrando 40 anos de Trio Elétrico contando com participações de artistas renomeados da Bahia como: Ivete Sangalo, Carlinhos Brown, Margareth Menezes, Durval Lélys, Claudia Leitte, Lucas Kart. Ela tem cinco filhos: Gabriel, Daniel, Mikael, Sara e João Rafael (atualmente seu guitarrista).

Segue abaixo entrevista exclusiva com Sarajane para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 26.07.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Sarajane: Nasci no dia 18 março de 1968 em Salvador – Bahia. Registrada como Sarajane de Mendonça Tude.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Sarajane: Desde criança ouvia músicas clássicas brasileiras e aos 10 anos comecei a cantar na igreja que a minha mãe frequentava.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Sarajane: Na música sou autodidata e fora da área musical sou turismóloga e cursei Rádio e TV.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Sarajane: Minhas referências são: Dalva de Oliveira, Marinês, Luiz Gonzaga, Glória Stephan, Ademilde Fonseca.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Sarajane: Nos anos 80 na Igreja e cantando jingles, aos doze anos de idade, contratada pelo Estúdio WR e com catorze anos eu já participava do Carnaval de Salvador como vocalista do trio elétrico “Novos Bárbaros”, embora minha estreia nesta plataforma musical tenha se dado no Rio de Janeiro junto ao Trio Tapajós. Ao sair da banda “Novos Bárbaros”, eu começo a minha carreira solo apostando em um novo ritmo, o então desconhecido axé music. O ritmo explodiu em todo o Brasil.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Sarajane: Em 1986 “Rio de Leite” pela Coronado/EMI-Odeon, vendeu 70 mil discos. Em 1987 “História do Brasil” pela EMI-Odeon, vendeu 800 mil discos ganhando o disco de platina duplo. Em 1988 “Sarajane” pela EMI-Odeon, vendeu 280 mil discos, ganhando o disco de Ouro. Em 1989 “Sotaque Brasileiro” pela EMI-Odeon, vendeu 150 mil discos, ganhando o disco de Ouro. Em 1991 “Diadorim” pela EMI-Odeon, vendeu 60 mil discos. Em1993 “Tempero Tropical” pela Polydor, vendeu 35 mil discos. Em 1996 “Barbara” pela Velas. Em 1999 “República das Bananas” pela DRB. Em 2001 “República Latina”. Em 2006 “Axé Pra Você” pela CMA. Em 2016 “Amor, Festa e Devoção” pela CMA. Em 2017 “Música para Dançar Brasileira” pela CMA. Em 2019 “Liquidificação”. Álbuns ao vivo: em 1996 “Ao Vivo em Salvador” pela Velas, vendeu 70 mil discos. Em 2007 “Rio de Leite – Ao Vivo”. Em 2009 “Flor de Canela – Ao Vivo” pela CMA. Em 2016 “30 Anos – Ao Vivo” pela CMA. Em 2020 “DVD 40 anos de Trio Elétrico”.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Sarajane: Não tenho estilo canto músicas não importa qual.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Sarajane: Não.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Sarajane: Cuidar da voz e muito importante hoje tenho acompanhamento com o Fonoaudiólogo, Ivan.

11) RM: Como é seu processo de compor?

Sarajane: Eu crio uma vez outra perdida uma música.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Sarajane: Robson de Jesus, Alfredo Moura, Dan Kambaiah.

13) RM: Como você analisa o cenário do Axé Music nos anos 80 e 90? Em sua opinião quem foram as revelações musicais nas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Sarajane: O Axé music não é um estilo de música e sim uma mistura de células rítmicas, que vem se modernizando a cada tempo, as vezes mais eletrônico, outros mais afro latino.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Sarajane: A falta de dinheiro, patrocínio são os principais fatores.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco? Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Sarajane: Hoje o artista é empreendedor e muitas vezes é ineficiente, pois todas as ações são através de dinheiro. Tendo recurso financeiro o artista pode planejar e criar estratégias de como investir na carreira. Mas sem dinheiro ou patrocínio o artista não consegue avançar na carreira musical.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Sarajane: A internet é muito importante, pois através dela as pessoas tem acesso aos discos nas plataformas digitais. O artista pode divulgar o trabalho direto ao seu público de diversas faixa etária. É muito importante.

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Sarajane: Eu só gravo em estúdio de grande porte, não tenho experiência em gravar minhas músicas em home estúdio. O que percebo é que com a facilidade de gravar em um home estúdio aparecem no mercado muitas produções musicais de baixa qualidade. Mas respeito, pois tem gosto para todos os ritmos musicais e quem consegue fazer sucesso teve que lutar muito. Nada é fácil na carreira musical.

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Sarajane: No passado era muito difícil o artista ser contratado por uma gravadora para gravar um disco. O artista tinha que ser muito talentoso e conseguir vender muitos discos. O disco não era barato para o consumidor, logo era uma dificuldade vender muitos discos. Hoje qualquer pessoa com ou sem talento grava suas músicas em casa no seu home estúdio. A pessoa se for um pouco afinada já se torna cantor ou cantora. Hoje a profissão de cantar não é levada a sério, é muito triste essa realidade. Um médico, advogado, engenheiro, um contador, ou qualquer outra profissão, a pessoa precisa ser muito competente no que faz e realizar com amor. Hoje existem muitas inversões de valores na arte e comunicação em geral. Hoje se banalizou a qualidade. Hoje para um artista se diferenciar no mercado é a qualidade que ele traz através do timbre de voz, interpretação e personalidade colocada no trabalho musical. O grande desafio sempre vai ser ter o dinheiro para investir na produção musical e pagar impulsionamento do trabalho nas redes sociais e assessoria de comunicação. Diferente disso é ter a sorte de uma música lançada viralizar nas redes sociais.

19) RM: Fale da sua atuação no cenário do Axé Music nos anos 80, 90, 2000?

Sarajane: A minha atuação no Axé music nos anos 80, 90, 2000 se deu em eu ser a primeira mulher a estudar vários ritmos dos guetos junto com Carlinhos Brown, Tonho Matéria, Tatau, Toninho Mola, maestro Alfredo Moura, entre outros. Meu papel foi muito importante dentro dessa movimentação que se tornou o Axé Music, já que não era só música, mas empreendedorismo, propagar a cidade de Salvador para o mundo. Através do Axé music conseguimos uma mobilização social e do mercado musical local, não era só uma ação eufórica de pedir para o público no show levantar as mãos e tirar os pés do chão, era muito mais relevante.

20) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Sarajane: Eu como muitos artistas que fizeram sucessos no auge do Axé music nos anos 80 e 90, tivemos altos e baixos na carreira. Eu comecei muito jovem na carreira musical e quando senti que não dava para continuar da forma que estava caminhando a minha carreira, em 2011 eu parei de cantar por dez anos. Eu fui me reinventar e entrei na Faculdade e fui estudar dentro de outras áreas profissionais como turismo e comunicação. Não considero que tenha ambiente ou público tosco, eu tenho muito respeito pelo público. Cantar e não receber o cachê, aconteceu muitas vezes, confiamos nas pessoas e assinamos contratos e não receber faz parte e todos os artistas já passaram por esse fato.

21) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Sarajane: O que me deixa mais feliz na carreira musical é em saber que eu faço parte de uma história grandiosa e muitas vezes não respeitada que foi o Axé music. O que importa é que tudo que acreditei, ele existe, ele faz parte da história musical brasileira e o novo tem que vim e me representar e fico muito feliz.

22) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Sarajane: Sim. O dom musical é espiritual, é mediunidade, você nasce com ele. Não existe dizer para uma pessoa que ela será uma cantora, sem dom essa pessoa pode fazer sucesso um ano e com certeza vai desaparecer. O dom é algo de Deus.

23) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Sarajane: Não acredito que minhas músicas tocarão sem pagar o jabá. Hoje o artista paga para ter suas músicas tocando nas rádios da mesma forma que pagar impulsionamento nas redes sociais (Facebook, Instagram, etc). E se uma música viralizar nas redes sociais, o artista recebe os direitos autorais.

24) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Sarajane: Digo que para ser artista tem que ter respeito pelo público e consciência do seu papel dentro da sociedade. Um formador de opinião o foco não é só ganhar dinheiro e fama, pois essa fase passa. Mas ter uma responsabilidade passar boas informações e construir um novo momento para os jovens, deixar bons exemplos, não só alegria e curtições.

25) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Sarajane: Acho normal a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira. Se o artista faz sucesso e tem milhões de seguidores nas redes sociais a grande mídia vem atrás do artista, se não ela o ignora.

26) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Sarajane: Acho muito bacana a abertura desses espaços para os artistas e gostaria de me apresentar nesses espaços. Ainda não consegui entrar na agenda deles.

27) RM: Quais os seus projetos futuros?

Sarajane: Meus projetos futuros é continuar com meu trabalho musical e realizar meu projeto “Mãe do Axé music” em que eu oportunizo a participação de vários artistas que estão começando a sua carreira a se apresentarem nos meus shows. E continuar com meu programa em forma de live pelo Instagram contando várias histórias bacanas de vários colegas.

28) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Sarajane: https://web.facebook.com/sarajane.mendonca

Sarajane: https://www.instagram.com/oficialsarajane

Canal: https://www.youtube.com/channel/UCJvnUcKjcmppN-SNWv_Oy2A

Transmissão ao vivo de Sarajane Oficial: https://www.youtube.com/watch?v=ghjAX7Y5enc

“Cadê Meu Coco” (Carlinhos Brown) – Sarajane – 1986: https://www.youtube.com/watch?v=TkU_kDTAZEc

Clipe de Sarajane – A Roda – 1987 no Fantástico: https://www.youtube.com/watch?v=P1yAUUwWPGs

“Ela Sabe Mexer” Sarajane do Álbum Sotaque Brasileiro: https://www.youtube.com/watch?v=c0whhYSn3NE

“Vale” – Sarajane: https://www.youtube.com/watch?v=VkhOi4bsl64

“Venha Me Amar” – Sarajane: https://www.youtube.com/watch?v=MRhUZWUWHNY

Sarajane No Baile Real Masqué 2019: https://www.youtube.com/watch?v=yeblHNZjKOs

Melhores Músicas de AXÉ de SARAJANE Anos 80, 90 e 2000: https://www.youtube.com/watch?v=f8M-Xka6WO4

Sarajane só as melhores: https://www.youtube.com/watch?v=z9_wUJp1tyU

MULHER EM MOVIMENTO – ENTREVISTA COM SARAJANE: https://www.youtube.com/watch?v=lDjXt9ieLps

Live com Sarajane: https://www.youtube.com/watch?v=MB9M12RH4PU


Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.