Rosemere do Acordeon

Rosemere do Acordeon

Rosemere do Acordeon, aos sete anos de idade quando ganhou seu primeiro acordeom, ingressou na Escola de Acordeon para estudar com Elma Carneiro em Vitória de Santo Antão – PE.

Participava de vários eventos como, Festas Juninas dos colégios, casamentos, aniversários e até mesmo nos clubes, como Vassouras e O Camelo, quando substituía sua professora. Vindo morar em Recife e posteriormente em Olinda, crescendo daí sua atividade artística, fez o São João de vários órgãos como Banco do Brasil, FISEP, Colégio Santa Izabel, fez apresentação em vários programas de televisão como Verso e Viola, Programa do Mala, Maracatrio, realizou festas de aniversários do Jornal Gazeta do Agreste, onde foi publicado matérias sobre seu trabalho.

Atualmente divulga o seu trabalho no Rio de Janeiro, tocando no Forró incentivado pela Prefeitura de Duque de Caxias – RJ. Se apresentou com a participação da banda Costa Rica na Chopeira do Lobão na Via Dutra. Apresentou-se no Asa Branca e na Inauguração do Forró na quadra da Escola de Samba Grande Rio, no Retiro dos Artistas em Jacarepaguá e no Salão de Poesia e Artes do Rio de Janeiro. Laureada por pesquisa popular promovida pela rádio FM 104.9, a receber o troféu e o certificado de Honra ao Mérito que lhe inclui entre os melhores do ano de 1998. Participou do programa Onde Canta o Sabiá da rádio nacional comandado pelo radialista Gerdal dos Santos nas manhãs de domingo. Participou no programa de Luiz Vieira na rádio Rio de Janeiro. Participa do Encontro de Sanfoneiros do Rio de Janeiro em contínua divulgação do seu trabalho.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Rosemere do Acordeon para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 14.06.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Rosemere do Acordeon: Nasci no dia 25.05.1956, Vitória de Santo AntãoPE. Registrada como Rosemere Guedes de França Silveira.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Rosemere do Acordeon: Meu primeiro contato com a música foi aos 7 anos de idade quando ganhei de presente dos meus pais um acordeon de 48 baixos e fui estudar a escola de Acordeon da professora Elma Carneiro.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Rosemere do Acordeon: Estudei no Conservatório Pernambucano de Música e sou Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de Olinda e licenciada em Educação Moral Cívica pela Universidade Católica de Pernambuco.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Rosemere do Acordeon: As minhas principais influências no passado foram Luiz Gonzaga, Marinês, Trio Nordestino e no presente, Alcymar Monteiro, Jorge de Altinho, Amelinha, Elba Ramalho.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Rosemere do Acordeon: Comecei minha carreira tocando Acordeon em Vitória de Santo Antão, nos Clubes, Escolas, Festas Juninas, Festas de Casamento em sítios, confraternizações. Aos 10 anos de idade (1966) era chamada para animar as festanças.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Rosemere do Acordeon: Apenas um em 1999, no Estúdio Clave que possuía músicos próprios pelo selo da Jaboticana Produções. Foi um Mix de músicas inéditas de Forró, Xote, Baião, Arrasta-pé, Vaquejada e Estilizado. As mais tocadas foram: “Cativo da Paixão”(Junior Vieira), “Cadê Você” (Junior Vieira), “Trem do Forró”(Junior Vieira / Teo Macedo) com participação de Israel Filho. Agradeço aos compositores que gravei as músicas: Junior Vieira, Teo Macedo (In memoriam), Carlos Di Karle, Juca Guedes, Carlinhos Monte Verde, Patrício do Acordeon, Daniel.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Rosemere do Acordeon: Apesar de tocar e cantar vários gêneros, como diz a música da Marinalva: “Eu sou mulher Forrozeira!”

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Rosemere do Acordeon: Sim, estudei técnica vocal no Conservatório Pernambucano.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Rosemere do Acordeon: A técnica vocal é necessária para a preservar a saúde das cordas vocais, aperfeiçoando a qualidade do som emitido por elas, auxiliando na impostação da voz.

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Rosemere do Acordeon: Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Alcymar Monteiro, Flávio José, Jorge Silva do Recife, Amelinha, Elba Ramalho.

11) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Rosemere do Acordeon: Carreira independente você dispõe de liberdade nas escolhas, porém a responsabilidade é totalmente sua e isso pode acarretar falha no gerenciamento de seu tempo, o que não ocorreria se houvesse uma assessoria para organizar as questões extras musicais.

12) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Rosemere do Acordeon: Fora do palco, procuro divulgar meu trabalho nas redes sociais, me envolvendo com artistas do Forró, formando parcerias. No palco, procuro transmitir as minhas raízes, dentro do meu repertório bem diversificado.

13) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Rosemere do Acordeon: Mantenho proximidade com meus fãs fisicamente e em redes sociais.

14) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Rosemere do Acordeon: Ao divulgarmos nosso trabalho em redes sociais, contamos com a rapidez e agilidade com que as informações circulam. Porém estamos expostos às críticas, sejam elas boas ou ruins. Cabe ao artista saber contornar cada situação, não perder sua identidade.

15) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Rosemere do Acordeon: Gravações em Home Estúdio, tem a vantagem de ter o conforto de sua casa por tempo indeterminado para melhorias de suas gravações. A desvantagem é a possibilidade de não ter tecnologia suficiente para alcançar a qualidade esperada.

16) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Rosemere do Acordeon: Procuro manter a qualidade das letras e dos arranjos, não perdendo a identidade. Infelizmente a cultura musical de muitos hoje em dia, caiu bastante e não existe apreciação de letras que falem ao coração. Mantenho contatos com músicos que tenham os mesmos ideais e profissionais que não perderam sua identidade musical.

17) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Rosemere do Acordeon: Vejo o cenário do Forró um pouco prejudicado por falta de incentivo à cultura Nordestina. E além disso, perdemos grandes baluartes do mundo do Forró.

18) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Rosemere do Acordeon: Temos bons músicos de estúdio e de show, Gennaro, Cesinha, Quartinha na zabumba.

19) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Rosemere do Acordeon: A pior dificuldade que enfrento é a má qualidade do som. Sobre uma situação inusitada, levei uma vocalista que, ao cantar o refrão, repetia várias vezes devido ao nervosismo. Tive que alertá-la e devido a força que usei, acabei esbarrando no zabumbeiro que ficou sem o seu instrumento, pois o mesmo “voou” para longe, deixando o instrumentista somente com a baqueta. Achei que fosse gerar um constrangimento, mas muitos acabaram se divertindo com o ocorrido (risos).

20) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Rosemere do Acordeon: O que me deixa feliz, é sentir a satisfação no meu público quando estou tocando e cantando. O que me deixa triste, é a falta de união entre os artistas, muita falsidade e desunião, onde deveria encontrar apoio, sabendo que a caminhada não é fácil.

21) RM: Qual a sua opinião sobre o movimento do “Forró Universitário” nos anos 2000?

Rosemere do Acordeon: Não tenho nada contra o “Forró Universitário”, mas eu faço parte do Forró de raiz, genuíno.

22) RM: Quais os grupos de “Forró Universitário” chamaram sua atenção?

Rosemere do Acordeon: Falamansa e Bicho de Pé.

23) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Rosemere do Acordeon: Acredito que não, porque infelizmente hoje em dia nada é de graça. Eis um outro ponto que desmotiva o artista ter que pagar sua música tocar nas rádios.

24) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Rosemere do Acordeon: É aconselhável que inicialmente, tenha uma outra profissão além da carreira musical, pois, devido as concorrências e desigualdades, é necessária uma outra fonte para a sobrevivência.

25) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Rosemere do Acordeon: O festival de Música se destaca como vantagem para a divulgação do trabalho do músico. Porém, sabemos que se trata, na maioria das vezes, de eventos com “carta marcada”.

26) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Rosemere do Acordeon: Não reconheço ninguém nos dias de hoje revelados por festivais de música.

27) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Rosemere do Acordeon: A grande mídia tem feito cobertura das músicas mais tocadas e não as de qualidade. Poucas são as vezes que temos o prazer de apreciar bons conteúdos. Infelizmente, se quiser ouvir boas músicas, precisa montar sua própria playlist. A indústria da música junto com a grande mídia, tem focado em arrecadar dinheiro, mesmo que seja às custas de qualquer barulho que chamam de música.

28) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Rosemere do Acordeon: Só são convidados aqueles que são conhecidos de conhecidos. Se não tiver conhecimento, não tem acesso.

29) RM: Qual a sua opinião sobre as bandas de Forró das antigas e as atuais do Forró Estilizado?

Rosemere do Acordeon: O Forró Estilizado, com o passar do tempo, perdeu a referência do Forró das Antigas. Substituindo os principais instrumentos musicais característicos, por acompanhamentos musicais contrários no que tange ao Forró Original. Até mesmo, muitas letras fogem um pouco das raízes.

30) RM: Rosemere do Acordeon, Quais os seus projetos futuros?

Rosemere do Acordeon: Pretendo gravar um novo CD e viajar divulgando as minhas raízes após a pandemia do covid-19.

31) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Rosemere do Acordeon: [email protected] | (21) 9 8662 – 6462 https://web.facebook.com/rosimere.frana

Rosemere do Acordeon 2012 Moda em Paris CD Completo: https://www.youtube.com/watch?v=53e74iZs1zQ

Rosemere do Acordeon: https://www.youtube.com/watch?v=8xJByOxwd1A

Rosemere do Acordeom Canta / Waldick Soriano: https://www.youtube.com/watch?v=x9nOQMRnrBQ

Rosemere do Acordeon – Feira de Caxias 2: https://www.youtube.com/watch?v=fZSuFzZNmu8

Rosemere do Acordeon – Forró no Escuro: https://www.youtube.com/watch?v=YvekrTooWXU


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.