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Categorias: EntrevistasForró

Rodrigo Araújo


Um dos ritmos musicais mais amados do Brasil, que andava meio esquecido nas terras goianas, ganhou novamente espaço na programação da cidade com a chegada de Rodrigo Araújo em Goiás.

Natural de São Paulo, o músico viveu em São José do Rio Grande, região Oeste da Bahia, divisa com Goiás, e foi lá onde se apaixonou pelo Forró, cultivando desde a infância o sonho de ter seu trabalho musical reconhecido.

Rodrigo Araújo teve seus primeiros contatos com a música, ainda pequeno, quando, aos oito anos de idade, aprendeu a fazer instrumentos recicláveis que fazia show em São José do Rio Grande. As influências do Forró em sua trajetória começaram aparecer ainda mais cedo, ao ouvir trios de Forró, tocando e cantando Luiz Gonzaga, nas festas tradicionais de Padroeiros São João, São José, Derrubadas do Mastro no Divino, Folia de Reis e Vaquejada na Região.

A ideia de encabeçar a lista dos forrozeiros de Goiás, por sua vez, surgiu em 2013 lançando a sua carreira solo e com pouco tempo de carreira, vem ganhando espaço no cenário musical por suas apresentações contagiantes.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Rodrigo Araújo para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 27.06.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Rodrigo Araújo: Nasci no dia 14.10.1986 no bairro de Santo Amaro em São Paulo. Mas fui criado São José do Rio Grande na Bahia. Registrado como Rodrigo Araújo de Sousa.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Rodrigo Araújo: Meu primeiro contato com a música foi bem cedinho aos 5 e 6 anos de idade com a famosa banda de lata nos tempos de hoje chamamos de banda reciclável.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Rodrigo Araújo: Sou músico autodidata.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Rodrigo Araújo: Eu tive várias influências, por minha mãe ser dona de Bar e no local tocava todos os gêneros musicais, mas sempre fui muito apegado ao Forró. Hoje a minha maior influência é Luiz Gonzaga e vários outros ritmos deixaram de ter importância.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Rodrigo Araújo: Comecei minha carreira em 1994, aos oito anos de idade, quando minha mãe e o pai de um amigo, montaram uma banda para nós, em São José do Rio Grande – BA. 

06) RM: Quantos CDs lançados?

Rodrigo Araújo: Em 2008 lancei o meu primeiro CD, no ritmo de Vaneira em um grupo de ritmado chamado “Nega Dengosa”, do qual eu fiz parte com o músico e sócio Weriques Rodrigues. Em 2012 minha música “Pra namorar” foi gravada e lançada como single pelas bandas: “Forró Fungado Fole” e “banda Meu Bichin”, entre outras. Em 2016 lancei na carreira solo os singles “Forró Quadrado” e “Forró de Verdade”, música escolhida para concorrer ao 16º Fenfit – Festival de Forró de Itaúnas – ES (2016), maior festival de Forró do mundo. A música que caiu no gosto do meu público foi: “Pra Namorar”.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Rodrigo Araújo: É o Forró.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Rodrigo Araújo: Não.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Rodrigo Araújo: Como a voz é um dos meus instrumentos de trabalho, é de extrema importância cuidar dela, por isso procuro sempre dormir bem, tomar bastante água, evitar gelados, fazer nebulização e alguns exercícios vocais antes dos shows.

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Rodrigo Araújo: Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Flávio José, Targino Gondim. 

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Rodrigo Araújo: Eu não tenho uma rotina para compor músicas, normalmente preciso ter uma inspiração e quando essa inspiração surge a música já vem quase pronta.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Rodrigo Araújo: Sempre compus sozinho, atualmente tenho aproveitado os encontros com alguns músicos do meu nicho para realizar parcerias musicais, mas não são parceiros fixos.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Rodrigo Araújo: Neste momento o Trio Potiguá está em estúdio gravando “Pra Namorar”, “Forró Fungado Fole”, “Meu Bichin”, “Zabumba Beat, Swing Nordestino, Trio Nordestino, entre outros artistas. O músico, Luiz Marreta, também está em processo de gravação das minhas canções “Vem me amar” e “Ela gosta de dançar”, essa última composta em parceria com o músico Alexandre Gonçalves.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Rodrigo Araújo: A carreira independente tem a vantagem da minha autonomia, no entanto, a falta de um empresário me faz enfrentar algumas dificuldades financeiras para um maior desenvolvimento no mercado musical.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Rodrigo Araújo: Humildade e contato com o público é algo que sempre esteve presente em minha vida, dentro e fora dos palcos. Nos dias atuais não podemos descartar a importância das redes sociais como ferramentas de divulgação e interação com o público fora dos palcos. 

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Rodrigo Araújo: Ações de marketing digital nas redes sociais.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Rodrigo Araújo: A internet ajuda por ser um veículo de contato mais próximo com o fã, porém, ela prejudica quando existe “fake News” sobre os artistas. Hoje as notícias se espalham em um estalar de dedos, sejam elas verdadeiras ou não, o que pode gerar diversos transtornos para um artista, podendo chegar até ao ponto de encerrar sua carreira.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Rodrigo Araújo: Não vejo desvantagens em ter um home estúdio. O artista que tem acesso facilitado a essa tecnologia consegue compor uma música e lançar o seu trabalho de forma mais rápida e com menos custos. 

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Rodrigo Araújo: Eu me destaco pela escolha do meu repertório, sempre procurando músicas com mensagens positivas e letras que falem de alegria e de coisas boas. Creio que isso faça a diferença naquele momento em que as pessoas estão ouvindo ou dançando ao som da minha música.

20) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Rodrigo Araújo: O cenário do Forró precisa se profissionalizar, pois essa imagem de amadorismo que ele passa dar espaço a diversas bandas que se intitulam “bandas de Forró”. Bandas que mesmo tocando outros ritmos, mas por terem grandes investidores e inserções na grande mídia, acaba fazendo com o que o público perca as referências do que realmente é o Forró. Apesar de tocar mais xote do que Forró, a banda Falamansa é uma revelação das últimas décadas e que permanece no mercado com obras consistentes. Algumas bandas que surgiram nos anos 2000 tocando Forró e Xote, no entanto, se desvirtuaram, indo para o ritmo da Vaneira, dentre eles, posso citar o cantor Dorgival Dantas.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Rodrigo Araújo: Hoje tenho como referência de profissionalismo e qualidade Artística: Flávio José, Elba Ramalho, Adelmário Coelho, Waldonys e a banda Falamansa.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Rodrigo Araújo: Todas as opções citadas na pergunta já aconteceram comigo (risos). Mas dentre todas as situações, eu não consigo me acostumar quando elas são geradas por parte dos contratantes e produtores que muitas vezes não respeitam as nossas necessidades técnicas. E não dispõem dos mínimos cuidados que se deve ter com os músicos, oferecendo instalações desumanas de hospedagem e alimentação, isso quando oferecem. Não levam em consideração que os músicos somos responsáveis por levar alegria aos mais diversos eventos.

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Rodrigo Araújo: O que me deixa mais feliz é fazer um show para um público que gosta do tipo de música que eu toco. Quando vejo o público dançando, interagindo, cantando junto comigo. O que me deixa mais triste é a falta de respeito com o artista, desde o contratante até o público que as vezes está no seu show, mas não é do seu nicho e não consegue respeitar as diferenças musicais.

24) RM: Quais os sanfoneiros que você admira?

Rodrigo Araújo: Dominguinhos pela sua forma de tocar, Sivuca, Mestre Camarão, Erivaldinho do Acordeon. 

25) RM: Quais os prós e contras do Movimento do “Forró Universitário” no Sudeste nos anos 2000?

Rodrigo Araújo: A vantagem do Movimento do “Forró Universitário” foi dar novamente visibilidade ao ritmo do Forró, tendo bandas nos representando em grandes programas de TV e grandes palcos. Não apoio esses slogans dados ao Forró. Nomear como “Forró universitário”, “Forró Pé de Serra” ou tantos outros, faz com que as pessoas não reconheçam os ritmos do Forró.

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Rodrigo Araújo: Não, hoje o mercado mudou e as rádios cobram de todos os artistas para tocar suas músicas, sendo essa uma das fontes de recurso da Rádio. Ao contrário de antes que quando falávamos em “jabá” estávamos falando de uma espécie de propina paga aos diretores ou locutores para que sua música fosse tocada na Rádio.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Rodrigo Araújo: Primeiramente se profissionalizar, estar pronto para o mercado Musical, pois na carreira não sobrevive os músicos que se reuniam com alguns amigos para simplesmente fazer um som, hoje o mercado está mais exigente e segundo é manter a humildade sempre.

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Rodrigo Araújo: O pros é o surgimento de novos talentos que realmente querem viver da música e participam profissionalmente. O contra é o suporte dos festivais, pois, muitos novos talentos acabam não participando por não ter a condição financeira de arcar com as despesas para participar dos festivais.

29) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Rodrigo Araújo: Só entra na pauta da grande mídia quem tem dinheiro, com a mudança do mercado tudo hoje é pago, então ficou mais difícil para quem não tem condições financeira de pagar para estar na grande mídia.

30) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Rodrigo Araújo: É mais uma oportunidade do artista não conhecido sobreviver e mostrar o seu trabalho, porém quem faz a seleção dificulta nos editais e já existe aquele famoso Q.I (Quem está indicando o tal artista).

31) RM: Qual a sua opinião sobre as bandas de Forró das antigas e as atuais do Forró Estilizado?

Rodrigo Araújo: Não são bandas de Forró. Forró das antigas são aqueles gravados nos anos 40 até os anos 80, esses são antigos. “Forró Estilizado” é uma banda que toca Forró com músicos bem estilosos no palco.

32) RM: Quais os seus projetos futuros?

Rodrigo Araújo: Pretendo continuar compondo e lançando músicas novas com

mensagens agradáveis aos ouvidos, atualmente estou em estúdio gravando uma mixtape com Arrasta-pé, Forró e Xote em que terá duas canções autorais.

34) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Rodrigo Araújo: (62) 99928 – 7436 | foleprateado@gmail.com | rodrigo.araujodesousa@yahoo.com.br

| https://www.instagram.com/cantorrodrigoaraujo 

| https://web.facebook.com/CantorRodrigoAraujo 

https://web.facebook.com/foleprateadoproducoes 

Canal: https://www.youtube.com/channel/UCWz1g-xUzdln2CAIUbh0IDg 

“Forró Quadrado” – Rodrigo Araújo: https://www.youtube.com/watch?v=C-UlSz8f8ig 

“Forró de Verdade” – Rodrigo Araújo: https://www.youtube.com/watch?v=2ETDEdQwooA 

“Pra Namorar” – Rodrigo Araújo: https://www.youtube.com/watch?v=irDt2Vu_zs0  

Rodrigo Araújo #live 5º Arraiá Unidos do Hugol completo: https://www.youtube.com/watch?v=fx9GMtIq-qc 

Rodrigo Araújo ao vivo em Itaúnas ES: https://www.youtube.com/watch?v=aCDKavYhDss 

São João do Rodrigo Araújo: https://www.youtube.com/watch?v=Z2SnWdf0ddc 

Forró Fungado Fole: https://www.palcomp3.com.br/fungadofoleoficial 

Fungado Fole – Pra namorar: https://www.youtube.com/watch?v=qTqxX6x-xM0


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa
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