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Entrevistas

Roberto Lins


O cantor, compositor pernambucano Roberto Lins um dos mais expressivos músicos que mantém o legado de Gonzagão, artista comemora em 2021 seus 23 anos de carreira no embalo do sucesso conquistado pela música de sotaque nordestino.

Apontado como um dos mais expressivos músicos que mantém o legado poético musical do eterno Rei do Baião, Luiz Gonzaga, Roberto Lins, cuja carreira artística começou em 1998, sempre acreditou na vocação universalista e atemporal do Forró Pé de Serra; que não é apenas um ritmo, mas uma espécie de balaio musical que abriga o baião, o xote, o xaxado e outros ritmos.

Em 1998, mesmo ano que iniciou a carreira, conheceu em Cruz das Almas, na Bahia, pessoas que lidam com a música e lhe proporcionaram a oportunidade de mostrar o seu valor musical, como os grandes músicos Vagno Cardoso e Beto Rebelde. De volta ao Recife, em 2000, teve a oportunidade de se aproximar de Xico Bizerra, Junior Vieira, Aracílio Araújo, Maurício Santos. Todos esses encontros despertaram ainda mais o interesse de Roberto em abraçar o Forró.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Roberto Lins para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 13.06.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Roberto Lins: Nasci no dia 27.02.1959 em Jaboatão dos Guararapes e aos dois meses de idade fui morar em Escada, cidade localizada na Zona da Mata Sul de Pernambuco, distância 66 Km de Recife, Pernambuco. Registrado como Roberto Pereira Lins.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Roberto Lins: Desde criança ouvia diariamente melodias tocadas no rádio, e aos 10 anos de idade ingressei na banda Marcial municipal de Escada, onde tocava tarot.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Roberto Lins: Não obtive formação musical, entretanto apesar de não conhecer notas musicais e não tocar nenhum instrumento musical, componho letras e músicas em pouco minutos. Enquanto minha formação acadêmica sou bacharel em Ciências Contábeis, Funcionário da Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB, Empresa vinculada ao Ministério da Agricultura.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Roberto Lins: Minhas influências musicais no passado, entre as canções mais evidenciadas da época permaneceram: “Eu Sou Terrível” (Roberto Carlos); “Charles Brown” (Benito Di Paula); “A Volta do Boêmio” (Nelson Gonçalves); “Você” (Tim Maia); “Se Você Soubesse” (Renato e Seus Blue Caps); “Sentimental Eu Sou” (Altemar Dutra); “Mar de Rosa” (The Fevers); “Moça” (Wando); “Você é Doida de Mais” (Lindomar Castilho); “A Neblina” (Guilherme Arantes); “O Garçom” (Reginaldo Rossi); “Sábado” (José Augusto); “Sonho” (Peninha); “Espelho Mágico” (Sílvio Brito); “O Boi Zebu e as Formigas” (Mastruz com Leite); “Toma Conta de Mim” (Limão com Mel).

No Presente as mais marcantes: “Anjo Querubim” (Petrúcio Amorim); “Eu Nunca esqueci Você” (Nando Cordel); “Fuxico” (Flávio Leandro); “A Dama da TV” (Paulinho do Forró); “Casa Amarela” (Onildo Barbosa); “Essa Tal Liberdade” (Alexandre Pires); “Te Amo Cada Vez Mais” (Daniel) e “Coragem pra Ti Falar” (Mastruz com Leite).

Ainda hoje contínuo curtindo todas as músicas que citei. Saliento que sempre me emociono quando tenho a oportunidade de escutar ou cantar estas músicas lindas.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Roberto Lins: Iniciei na música em 1998, em Cruz das Almas – BA, numa situação inusitada: após conhecer os músicos Vagno Cardoso e Beto Rebelde, fui ao ensaio de uma banda local, mas o cantor faltou e eu o substituí. Depois dessa experiência, resolvi colocar a música em minha vida, pois nela encontrei a alegria de viver. Antes daquele momento, nunca havia pensado em cantar profissionalmente ou mesmo compor…

06) RM: Quantos CDs lançados?

Roberto Lins: São oito CDs e um DVD gravado na Sala de Reboco.  Em 2005 lancei o meu primeiro CD – “Lindo Coração” – Título de uma música minha em parceria com Juarez do Acordeon, sendo assim a minha primeira composição. Em 2006 lancei o segundo CD – “Forró Apimentado” – Título de uma música minha em parceria com Junior Vieira. Em 2007 lancei o terceiro CD – “Pra Ser Feliz” – Título de uma música minha. Em 2008 lancei o quarto CD – “Forró de Verdade” – Título de uma música minha em parceria com Junior Vieira. Em 2008 lancei o DVD – Gravado ao Vivo na Sala de Reboco em Recife-PE. Em 2009 lancei o sexto CD – “Roberto Lins e Banda Flor de Croatá”. Em 2011 o CD – “20 maiores sucessos”, com músicas de Gonzagão. Em 2016 lancei o sétimo CD – “Solitário e Sonhador” – Título de uma música minha. Em 2021 lancei meu oitavo CD – “Tempestade da Paixão” – Título de uma música minha. Ressaltamos que todos os CDs com muitos xotes, baiões, arrasta-pés, xaxados e sertanejos.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Roberto Lins: Predominantemente meu estilo musical é o Forró, embora goste de cantar outros estilos, quando me encontro na melodia e nível da canção.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Roberto Lins: Tive acompanhamento de uma profissional Fonoaudióloga.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Roberto Lins: Importante pela qualidade da voz e pela saúde, melhorando consideravelmente a minha respiração e o grave da minha voz.

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Roberto Lins: Gal Costa, Elba Ramalho, Benito de Paula, Fagner, Alexandre Pires, Ivete Sangalo, Maria Betânia, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Flávio Leandro, Onildo Barbosa, Paulinho do Forró, entre outros.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Roberto Lins: Sempre pela manhã, a letra, a melodia chegam rapidamente na minha mente, às vezes ouvindo frases, até palavras, a inspiração me alcança, escrevo em pedaços de papel ou no celular.

RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Roberto Lins: Junior Vieira, Xico Bizerra, Léo Poeta, Sílvio Mendes, Toinho Vanderlei, Zé Mário Drums, Fernandes Neto, Tarcísio Miguel, Paulinho do Forró.

12) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Roberto Lins: Terezinha do Acordeon, Neto Andrade, Genildo Souza, Lene Rodrigues, Ezequiel Silva, Júnior Torres, Onildo Barbosa, Banda Kartuxos, Forrozão Cabala.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Roberto Lins: Liberdade de compor o que desejar sem interferências de terceiros e desenvolvimento de um trabalho independentemente copioso. Enquanto a parte financeira é extremamente estimulada por um excessivo gasto diante do trabalho financeiro individual.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Roberto Lins: Minha estratégia dentro do palco, é possuir uma orquestra para ter um musical de excelência. Enquanto fora do palco, meu maior anseio é organizar coletivamente ações com a classe musical para desenvolver um trabalho holístico, participativo através de associações, envolvendo acompanhamento de voz, instrumentos, finanças, saúde.

15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Roberto Lins: A música representa um sentimento de acolhimento interior, trazendo um prazer incondicional na mente e corpo, haja vista, que o pertencimento de paz espiritual é proporcionado pela música, embora minhas gravações e lançamentos são independentes.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Roberto Lins: A internet tem um posicionamento positivo, principalmente no atual cenário de pandemia do Covid – 19, em que tudo está sendo realizado remotamente.

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Roberto Lins: Vantagem do homem estúdio: produzir suas músicas com um custo acessível, ou seja, um custo mais baixo do que o mercado oferece. Enquanto a desvantagem é em relação a sua divulgação, pois não existe uma gravadora responsável pelo gerenciamento da sua carreira, e fazer uma carreira individual é muito difícil, quase impossível em termos de reconhecimento e crescimento musical.

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Roberto Lins: A utilização da internet e a divulgação do trabalho através das redes sociais.

19) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Roberto Lins: Alguns compositores de excelência como Maciel Melo, Anchieta Dali e Petrúcio Amorim através de suas composições e da carreira solo consolidada. Enfatizo também os vários sanfoneiros abraçando a carreira solo, evoluindo e reforçando ainda mais a divulgação do Forró. 

20) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Roberto Lins: Os músicos de Roupa Nova pela qualidade e facilidade de mexer com nossas emoções.

21) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Roberto Lins: Cantar e não receber, por descaso de alguns governantes. O público sempre me recebeu muito bem, a boa música sempre encontra seus apreciadores.

22) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Roberto Lins: Cantar me deixa muito feliz! O que me deixa mais triste é a falta de valorização, pelo poder público, da classe artística, principalmente, dos menos favorecidos pela grande mídia.

23) RM: Qual a sua opinião sobre o movimento do “Forró Universitário” nos anos 2000?

Roberto Lins: O “Forró Universitário” foi um movimento que proporcionou à boa parte daquela juventude o contato inicial com o Forró, ainda que com acordes revisitados. Além do surgimento das bandas, foi muito importante para a divulgação do ritmo.

24) RM: Quais os grupos de “Forró Universitário” chamaram sua atenção?

Roberto Lins: Quem mais chamou a minha atenção, à época, foi a banda Falamansa.

25) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Roberto Lins: Nas grandes rádios comerciais, não. Mas, nas rádios comunitárias e web rádios, as músicas tocam, pois, a seleção é feita por meio da afinidade do conteúdo com os programas executados. Os locutores dessas rádios costumam vivenciar as dificuldades enfrentadas e abrem espaço para aqueles que consideram merecer uma chance no mercado. 

26) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Roberto Lins: Acredite em você e produza um bom trabalho!

27) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Roberto Lins: Os festivais de música são ótimas oportunidades para divulgar o trabalho dos compositores e diversificar a produção cultural do país.

28) RM: Hoje, os Festivais de Música revelam novos talentos?

Roberto Lins: Sim, através dos festivais de música são firmados os talentos atuais, os já consolidados e oportunizados novos talentos, revelando assim qualidade musical para uma grande projeção de público.

29) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Roberto Lins: A cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira é realizada para os músicos que têm empresários fortes e influentes na mídia.

30) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Roberto Lins: Uma boa oportunidade para divulgação da música de qualidade.

31) RM: Qual a sua opinião sobre as bandas de Forró das antigas e as atuais do Forró Estilizado?

Roberto Lins: Amo as bandas de Forró das antigas, pela qualidade das músicas e arranjos, por exemplo, o uso do saxofone da Mastruz com Leite. Os sucessos de Cavalo de Pau, Brasas do Forró, Magníficos, Limão com Mel, entre outros, são inesquecíveis e atemporais. Quanto ao “Forró Estilizado”, foi uma nova forma de fazer Forró, que faz sucesso até hoje. No meu show existe essa junção de estilos. O forró tradicional, o Forró legítimo, feito de sanfona, triângulo e zabumba, que é para toda a família ouvir, é um símbolo do Nordeste e ajuda a manter viva nossa identidade. Esse reconhecimento vai chamar a atenção para a necessidade de valorização desse ritmo original. A cultura é dinâmica. As coisas vão evoluir, tomar novos caminhos ao longo dos anos. Não há problema nisso. Mas é evidente que algumas tradições precisam ser preservadas para que não se percam.

32) RM: Roberto Lins, Quais os seus projetos futuros?

Roberto Lins: Voltar aos palcos para encantar os nordestinos, os brasileiros e o mundo. A chegada do mês de junho provoca uma sensação especial para boa parte dos nordestinos, com as expectativas para as festas tradicionais de São João e de São Pedro. No entanto, a expansão da Covid-19 e a consequente pandemia cancelou, mais uma vez, a comemoração tradicional, trazendo impactos e danos irreparáveis para toda cadeia produtiva que faz a festa acontecer. Uma das classes mais afetadas pela crise foi a artística. Nesta época do ano, os cantores de Forró costumam fazer mais de 30 shows durante o mês, que contemplam desde o artista em si à respectiva banda, empresa que cuida da estruturação do evento, empreendedores que vendem lanche no local, às pessoas envolvidas com transporte.

O impacto da data comemorativa ultrapassa os limites e impacta financeiramente a carreira de alguns artistas, já que o lucro arrecadado com as festas juninas, muitas vezes, é responsável pelo sustento de um ano inteiro. A opção de fazer lives é ótima, apesar de única, mas requer um custo alto, muitas vezes sem retorno posterior. Sem o recurso do contratante para fazer, vamos tentar buscar soluções fechando parcerias. É desafiador demais continuar fazendo São João de casa, mas necessário para continuar levando música para o povo.

33) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Roberto Lins: (81) 999448 1959 | contato@robertolins.com

Canal Roberto Lins: https://www.youtube.com/channel/UCnCjE4bki7v1orlNJVBSI_Q 

ROBERTO LINS & BANDA FLOR DE CROATÁ – DVD – SALA DE REBOCO – 2010: https://www.youtube.com/watch?v=z13JOlsB3Cw 

ROBERTO LINS & BANDA = FENNEART 2010 – SHOW COMPLEMENTO: https://www.youtube.com/watch?v=N880IKZLVJ8


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa
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