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Categorias: Entrevistas

Riquelme Batera


Francisco Pedro Alves Dario aos 10 anos de idade já tirava o sossego da família com o barulho da bateria de sucata, feita com as panelas de sua mãe, balde e tudo que via pela frente. Pedrinho não sabia que anos depois ele seria o melhor baterista (Riquelme Batera) de Forró do Brasil.

Nas suas horas vagas, diferente de qualquer pré-adolescente, ia assistir os ensaios de uma banda local e ouvia muito rock internacional. Um certo dia, a “Banda Azul”, banda de baile de Quixadá-CE, foi se apresentar em Cedro – CE e o garoto teve a oportunidade de conhecer o baterista chamado Paulinho, que passou alguns exercícios para ele praticar. Surgiu então a primeira banda que deu oportunidade para esse garoto sonhador, a “Banda Lírios”. Com o fim da banda e transferência do seu pai e toda família para Quixadá, ele começa a frequentar os ensaios da banda Vôo Livre”.

Por coincidência, o baterista da banda estava se desligando, deixando a vaga de baterista para Pedrinho. Depois de um ano na “Vôo Livre”, ele recebeu um convite da “Banda Azul” para assumir a bateria, já que o Paulinho estava se desligando, passando assim três anos na banda. O garoto queria mais! Em busca do seu sonho, se mudou para Fortaleza – CE com 20 reais no bolso e sem ter onde dormir, dormiu na guarita da antiga SomZoom, pois queria falar com o produtor Ferreira Filho.

No dia seguinte, foi recebido e conseguiu ficar na sede das bandas do grupo Emanuel Gurgel. Na mesma semana o garoto fez um teste e conseguiu ser baterista da “Banda Aquários”, com o cantor Chico Lopes, passando onze meses. Passou pelas Bandas “Cavalo de Pau”, “Calango Aceso”, Luis Fidelis, entre outras. Em seguida, preferiu ficar só gravando no estúdio, tendo assim a oportunidade de gravar várias bandas, inclusive o sucesso da época: Mastruz com Leite. Em seguida, trabalhou com o cantor e compositor Dorgival Dantas.

No ano de 2002, recebeu o convite de um novo grupo empresariado por Isaias CDs: o “Aviões do Forró”. Foi aí que nasceu o RIQUELME, o baterista que inovou o Forró com sua batida envolvente. Gravou oito CDS, quatro DVDs, participou de vários Festivais, três turnês na Europa e duas nos Estados Unidos e teve a honra de participar do DVD “Pode Entrar” da cantora Ivete Sangalo.

Em 2015 comemorou 13 anos com o “Aviões do Forró”, que lançou nesse mesmo ano o DVD “Pool Party do Aviões”, gravado no Beach Park. Em 2017, o baterista queria mudanças e aceitou o convite da cantora Solange Almeida para acompanhá-la em sua carreira solo. Gravou o primeiro DVD intitulado “Sentimento de Mulher” que foi indicado ao Grammy Latino 2018.

Já o DVD “Entre nós, minha história” da cantora gravado em Guaramiranga, contou com uma surpresa: o baterista além de tocar, fez uma participação cantando as músicas “Indecisão” e “Não quero me amarrar”, deixando todos os ouvintes encantados. Em julho de 2019, Riquelme resolveu sair da zona de conforto e encerrar sua parceria com a cantora, dando um passo a mais em sua carreira.

Em agosto 2019, após uma conversa de amigos, nasceu Riquelme Batera & Day Melo, um projeto produzido musicalmente por Wagner Bobinho (ex Solange Almeida), com um Riquelme diferente: tocando, cantando e interagindo com o público, somado com a voz e carisma da cantora cearense Day Melo. Em 2020 lançam um CD, mas encerraram o trabalho no período da pandemia do novo corona vírus e agora o baterista aguarda tudo se normalizar para dá continuidade a seu Workshop pelo Brasil, gravações, produções musicais. Riquelme continua em busca de realizar seus sonhos, sempre humilde, com os pés no chão e muita disposição para dar alegria a seu público!

Segue abaixo entrevista exclusiva com Riquelme Batera para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 25.09.2020:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Riquelme: Nasci no dia 25.09.1976 nasci em Iguatu – CE, mas me criei em Cedro – CE. Registrado como Francisco Pedro Alves Dario.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Riquelme: Eu tinha uns 13 anos de idade quando comecei a ouvir no rádio algumas músicas que me despertaram interesse pelo sentimento, harmonia e batida que elas passavam, como as das bandas: Paralamas do Sucesso, Roupa Nova, A-Ha, entre outras.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Riquelme: Sou autodidata na música e nunca fiz aula. Na escola, infelizmente, eu não era um bom aluno, fugia das aulas para jogar bola, ver ensaio de banda, ou cuidar de cavalo e como comecei a trabalhar cedo, estudei só até a quarta série do ensino fundamental.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Riquelme: Guns N’ Roses, Bom Jovi, Angra, Yanni, Legião Urbana, Capital Inicial, Europe, Charlie Brown Jr, Leonardo, esses me acompanham há alguns anos e nunca vão deixar de ter importância! Mais recentemente Eduardo Costa, Jorge e Mateus, Gustavo Lima, Jorge Vercillo, Belo, Seu Jorge, Silva, Natiruts. Curto de tudo!

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Riquelme: Fiz uma bateria de lata, aos 13 anos de idade, em que dei meus primeiros passos. Em seguida fui para o ensaio da banda de baile “Banda Lírios” da minha cidade e tive a oportunidade de tocar em uma bateria de verdade e em seguida fazer parte da banda.

06) RM: Cite alguns discos que você já participou?

Riquelme: Fui baterista de estúdio do grupo Somzoom, empresa da banda Mastruz com Leite, então lá gravei a maioria dos forrós da época. Gravei em todos os CDs do Aviões do Forró e Solange Almeida, enquanto trabalhei lá. Gravei nos CDs do Dorgival Dantas. Também gravei em CDs de alguns artistas gospel e sertanejo com Naiara Azevedo, participei do CD da Ivete Sangalo, entre outros.

07) RM: Como você define seu estilo como Baterista? Você toca outro instrumento musical?

Riquelme: Sou um baterista versátil. Eu passei por várias bandas de baile no início de minha carreira que me fez tocar todos os ritmos. Fui abençoado por ouvir de tudo e não ter preconceito musical. E também toco instrumentos de Percussão.

08) RM: Quais as principais técnicas que o Baterista deve se dedicar?

Riquelme: O baterista tem que saber usar bem as duas mãos e para isso tem que praticar bastante. Uma das técnicas básicas que faço muito é o papa-mama. Tem que sempre praticar na bateria e não esquecer de alongar o corpo antes de tocar.

09) RM: Qual a importância de o baterista equilibrar a função de condução e de solista?

Riquelme: O baterista, que está acompanhando o artista, tem que entender que quem tem de aparecer é o cantor. A não ser que alguma parte da música peça algo a mais do baterista, ele tem que sentir a música. Se a música pedir um solo e você puder improvisar, faça sem medo, caso não, o baterista só precisa conduzir o ritmo.

10) RM: Quais os principais vícios técnicos ou falta de técnicas têm os bateristas alunos e alguns profissionais?

Riquelme: Sempre tem algum acessório na bateria que você usa mais, exemplo: uma caixa de efeito. As vezes o baterista exagera e acaba “matando” a música. Fazer muita frase também, tem que ter limite e tocar o que a música pede!

11) RM: Quais as principais características de um bom Baterista?

Riquelme: Concentração na hora do show/gravação, comprometimento com o repertório, humildade, pois não sabemos de tudo e sempre podemos aprender com outro músico.

12) RM: Quais são os Bateristas que você admira?

Riquelme: Serginho Batera do grupo “Roupa Nova”, João Barone do Paralamas do Sucesso, Carlinhos Bala que trabalha com Djavan, Carlinhos Papa-léguas da banda Limão com Mel. Esses escreveram no passado o que acontece no mundo musical hoje!

13) RM: Existe uma indicação correta para escolher uma Bateria?

Riquelme: Aquela bateria que está no seu orçamento!

14) RM: Quais os gêneros musicais que necessitam de bateria especifica?

Riquelme: Qualquer bateria você pode tocar o estilo musical que você quiser. O que pode mudar é a afinação e alguns acessórios. Uma banda de Heavy Metal não toca com a mesma afinação e quantidade de tambores e pratos que uma banda de Forró.

15) RM: Qual a marca de Bateria da sua preferência?

Riquelme: A bateria que eu uso no momento a D-One.

16) RM: Existe marca ideal para cada gênero musical ou é preferência pessoal?

Riquelme: Preferência pessoal e que se pode pagar. Bateria é um instrumento bem caro e precisa de manutenções periódicas.

17) RM: Quais os prós e contras de ser professor de Bateria?

Riquelme: Os prós é poder está passando o que eu sei adiante, pois conhecimento deve ser compartilhado! Os contras é alguns alunos quererem aprender a tocar da noite para o dia e não respeitar o processo, um passo de cada vez! As vezes quem está começando se frustra e quer desistir. Eu tenho que motivar e incentivar sempre o meu aluno. Tocar bateria não é fácil, é a soma de vários fatores e amor pelo instrumento.

18) RM: Existe o Dom musical?

Riquelme: Existe! Posso dizer que tenho Dom, pois aprendi sozinho. Mas se o dom não for aperfeiçoado, não vai adiantar em nada. O aprendizado é um pouco mais rápido para quem tem o dom. Nascer sem o dom não impede que uma pessoa aprenda a tocar instrumento do zero. A dedicação, disciplina, treinos, estudos é que faz um excelente profissional.

19) RM: Quais os prós e contras de ser baterista freelancer acompanhando outros artistas?

Riquelme: Os prós é poder estar livre para realizar outros projetos, fazer sua própria agenda e tocar com quem quiser. Os contras é não ter um valor fixo todo mês, uma segurança financeira.

20) RM: Quais os prós e contras de tocar em uma única banda?

Riquelme Batera: Os prós é a segurança financeira, criar vínculos de amizade com os músicos da banda e o entrosamento musical. Os contras é ficar disponível pra banda 24 h. Não poder programar um passeio, um médico, uma viagem com a família, pois a qualquer momento podem encaixar um show ou um ensaio e passar muito tempo viajando.

21) RM: Quais os prós e contras de ser músico de estúdio de gravação?

Riquelme Batera: Os prós é que você se torna um músico mais completo, tem que criar, tocar acompanhando o metrônomo e trabalhar em parceria com o produtor e ter precisão ao tocar, pois em estúdio não pode perder tempo, pois a hora vale ouro. Os contras é quando não tem café para os músicos (risos). Eu gosto muito de gravar e do clima do estúdio.

22) RM: Quais bandas que você já participou?

Riquelme Batera: Banda Lírios, Banda Voo Livre, BandAzul, Luiz Fidelis, Cavalo de Pau, Banda Aquários e Chico Lopes, Calango Acesso. Fiz turnê com Mastruz com Leite, Dorgival Dantas, Aviões do Forró, Solange Almeida, Day Melo foi o projeto recente que participei.

23) RM: Quais principais dificuldades de relacionamento que enfrentou em bandas?

Riquelme Batera: Sempre fui uma pessoa tranquila e me dei bem com todo mundo. Eu procuro ser profissional e manter a distância de quem não queria se relacionar comigo, assim a gente mantinha a paz.

24) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Riquelme Batera: Eu acredito que a internet veio para somar, dá um empurrão na carreira dos músicos e a mesma oportunidade para todos. Antes só quem aparecia era quem tocava em banda conhecida e que ia se apresentar na TV. Hoje em dia não tem mais isso. Se você souber usar a internet a seu favor, vai ganhar dinheiro e divulgar seu trabalho para muitas pessoas.

25) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Riquelme Batera: Vantagens são as gravações on-line, você pode gravar com qualquer banda do mundo. Não acho que existe desvantagem, veio para facilitar e abrir outras portas para os músicos.

26) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Riquelme Batera: O Forró está bem, mas poderia estar melhor. Acho que falta união, como vemos no cenário Sertanejo. Mas acredito que isso seja pela disputa de egos.

Nos últimos 20 anos as revelações foram: Aviões do Forró, Saia Rodada, Cavaleiro do Forró, Wesley Safadão, Forró do Muído (com Simone e Simaria). Algumas subiram o patamar, outros migraram para o sertanejo, outros mudaram o estilo e estão se reinventando!

27) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Riquelme Batera: Vou dá apenas um exemplo: nosso ônibus quebrou e tivemos que ir dentro do caminhão de carregar carne, chegamos bem cheirosinhos no hotel (risos).

28) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Riquelme Batera: O que me deixa mais feliz é saber que contribui com o Forró, um gênero que ainda está em alta, se reinventando sempre e muitos quando vão gravar/tocar me usam como referência. O que me deixa triste é a falta de valorização e cuidado com os músicos. Estamos passando por uma pandemia do novo corana vírus, sem trabalhar e sem previsão para voltar. Muitos músicos estão vendendo seus instrumentos, que é sua ferramenta de trabalho, para poder levar comida para casa. O descaso dos governantes para com nossa classe me deixa triste. Mas Deus é maior e vamos vencer mais essa!

29) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Riquelme Batera: É uma profissão que não é fácil, nem sempre você vai ter oportunidades de tocar em banda que paga bem. Além de querer ser o melhor o que você faz, seja ousado e faça o diferencial. Tenha também outra fonte de renda, para não ser pego de surpresa, como muitos foram em 2020. No mais, se esse for seu sonho, não desista!

30) RM: Quais os seus projetos futuros?

Riquelme Batera: Além do meu curso on-line, pretendo voltar com meu Workshop presencial, onde conto em ordem cronológica minha história. No momento estou fazendo produções musicais de CDs e live. E estou com algumas participações em DVDs agendadas para depois da pandemia do novo corona vírus. Agora é aguardar tudo isso passar!

31) RM: Riquelme Batera, Quais os seus contatos para os fãs?

Riquelme Batera: (85) 99922-3882 / baterariquelme@hotmail.com / https://web.facebook.com/RiquelmeBatera / www.instagram.com/riquelmebatera

Canal: https://www.youtube.com/c/RiquelmeNaBatera

RIQUELME NA BATERA – TOQUE DO CELULAR: https://www.youtube.com/watch?v=gjjBdsVYmv4

RIQUELME BATERA & DAY MELO – CD – 2020: https://www.youtube.com/watch?v=Tx-zDhnSjUc

Aviões Do Forró – 13 Anos DVD em 2015: https://www.youtube.com/watch?v=L6vLn1yah0A

Aviões Do Forró – 12 Anos DVD em 2014: https://www.youtube.com/watch?v=tGllkWQC94A

Aviões Do Forró – 11 Anos DVD em 2013: https://www.youtube.com/watch?v=bdz-f-X5cbw

Aquiles Priester entrevista Riquelme, o Rei do Forró!: https://www.youtube.com/watch?v=HOAauHueG9Q


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa
Tags: bateriaforro
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