Rick Alvez

Rick Alvez

O cantor, compositor, guitarrista baiano Rick Alvez, entrou muito cedo em contato com a música, pois, seus pais sempre faziam roda musical com os amigos e seu tio em casa, aliás, seu tio Iran foi uma fonte de inspiração para que o garoto na época com 5 anos de idade começasse a se interessar pelo violão.

Aos 5 anos de idade mudou-se para o Rio de Janeiro com seus pais (Ricardo e Vanda) foi nessa época que em uma igreja ele teve o seu primeiro contato com a guitarra elétrica, instrumento esse que causou uma paixão avassaladora na criança.

Na igreja começou a entrar em contato maior com a música e sempre acompanhado do seu irmão, o baterista Rafael Santa Cruz, logo cedo veio o interesse pelo rock bandas como Pearl Jam, AC/DC, Oficina G3 e etc… Começou a estudar guitarra em um projeto na igreja com um professor (Márcio) uma aula bem básica, porém necessária na época. Aula voltada mais para o ensino de acordes, campo harmônico e alguma coisa bem básica de escalas e solos.

Aos 12 anos montou uma banda de Rock com seus irmãos (Rafael, Renata, Andréa) a banda se chamava “Efatá”, banda essa que se apresentava no circuito gospel da Zona-Oeste do Rio de Janeiro. Aos 15 anos montou a banda “Zacai”, banda de rock progressivo que contava com os integrantes: Marcelo Rosendo, Rafael Santa Cruz, Genilson Moreno). Em 2004 conheceu a música “Have You Heard” do guitarrista Pat Metheny, música essa que despertou o desejo de se lançar no caminho da guitarra jazz. Na sequência dormia ouvindo todos os dias o álbum Meia-Noite Meio-Dia do guitarrista Chico Pinheiro, de lá pra cá se influenciou por uma geração de músicos brilhantes como Michael Brecker, Wes Montgomery, Chico Pinheiro, Hermeto Pascoal, Allan Holdsworth ,Chick Corea, George Benson, Frank Gambale, David Binney, Kurt Rosenwinkel, Mike Moreno, Hamilton de Holanda, Herbie Hancock, Chet Baker e muitos outros ícones do Jazz. Em 2008 conheceu o cantor e compositor Marko Andrade onde formaram uma parceria musical. Ele arranjou um disco de Marko Andrade e com Marko, se apresentou em 2011 na Virada Cultural Paulistana, no Festival Primavera nos Museus. Em 2011, gravou o DVD – “Aldeia Grande” do Marko Andrade e se apresentou na Fundição Progresso com o mesmo artista! Se apresentou com o cantor e compositor carioca Nando Pessanha no Festival Primavera nos Museus, gravou um DVD com o mesmo para o evento Misturando Som, em lonas culturais. Arranjou o disco “Pulsão” de Nando Pessanha, disco esse que será lançado em 2021. Gravou “Teu Cheiro” do poeta e escritor Euclides Amaral. A música interpretada por Maria Tereza que contou com um time de músicos maravilhosos: Victor Biglione na guitarra, Renato Piau no violão, Repolho na percussão e Rick Alvez no Baixo.

Integrou o trio jazz-fusion com o baixista Alexandre Lira e o baterista Erick Rodrigues. Trio esse que se apresentava na rua do ouvidor e nas casas da Lapa. Nessa mesma época tocou com diversos músicos da música instrumental carioca!

Rick Alvez vem compondo desde os 16 anos de idade e tem como um grande parceiro de composição o cantor e compositor Nando Pessanha. Em sua carreira se apresentou no teatro Armando Gonzaga, no Centro Cultural da Justiça Federal, Virada Cultural De São Paulo, na Casa do Hip-Hop, no Festival Primavera Nos Museus, etc.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Rick Alvez para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 20.08.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua a sua cidade natal?

Rick Alvez: Nasci no dia 25 de janeiro de 1990 em Candeias – Bahia, porém, vim morar no Rio de Janeiro com cinco anos de idade. Registrado como Ricardo Pedreira da Cruz.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Rick Alvez: Meu primeiro contato com a música foi na igreja… A música na igreja tem um destaque muito grande, e como os músicos passavam a tarde lá em casa quase sempre isso me inspirou a aprender a tocar!

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Rick Alvez: Eu sou autodidata. No meio do caminho fui pegando dicas importantíssimas com músicos e alguns, me cederam material de estudo que me fizeram evoluir bastante. Ninguém aprende totalmente sozinho!

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Rick Alvez: Eu nunca deixei de ouvir nada que me fez evoluir, até porque guardo com muito carinho as fases que ouvi a banda “x”, o guitarrista “tal” e por aí vai… Alguns artistas eu tenho como um divisor de águas em minha vida. Entre eles: Pat Metheny, Wes Montgomery, Yes, George Benson, Eletric Band (Chick Corea) Hermeto Pascoal, Led Zeppelin, Chet Baker, Steely Dan, Level 42, Gino Vannelli, Sting, Allan Holdsworth, John Mayer, Dave Matthews Band, Kurt Rosenwinkel, Mike Moreno. Na MPB: Milton

Nascimento, de carteirinha… João Bosco, Tom Jobim…uma lista bem extensa, acho que deixei vários outros nomes de fora.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Rick Alvez: Eu sempre falo que minha carreira começou quando eu comecei a acompanhar pessoas na Igreja. O que me levava na época a criar arranjos, conferir os arranjos e uma série de coisas que só contribuiu e muito para a minha carreira. Também sempre falo que minha carreira começou mesmo quando comecei a gravar com muita frequência em estúdio em 2010, 2011. Gravar ajuda muito, te deixa firme, seguro de si!

06) RM: Quantos CDs lançados?

Rick Alvez: Depois de gravar muito para alguns artistas, resolvi entrar de cabeça no meu projeto. Em 2020 gravei meu primeiro CD – que infelizmente não fiz o lançamento devido a pandemia do Covid-19. Ele deve ser lançado em 2021. As músicas são uma verdadeira fusão de tudo que venho ouvindo: um pop, com pitadas jazzística, com uma pegada de Rock, Blues, MPB e algumas outras surpresas (risos)! Espero que o público goste, estou ansioso e sempre tento levar o melhor para o público.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Rick Alvez: Não sou muito preso a definição, pois a arte tem percepções diferentes, visualizações diferentes, mas digo que é uma espécie de pop-fusion.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Rick Alvez: Estudei técnica vocal. Na Igreja o pessoal sempre exigiu muito de quem canta. Em qualquer Igreja de bairro você ouve alguém cantando super bem.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Rick Alvez: O estudo de técnica vocal te deixa mais firme, mostra para você as suas deficiências, isso te faz estudar mais. Em relação ao cuidado com a voz: se é o seu instrumento de trabalho você tem que zelar por ele. Dormir cedo, se poupar ao máximo, fugir de cigarros e outra série de coisas que só farão você perder a sua voz.

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Rick Alvez: Gosto de cantores que cantam e encantam na voz: Kurt Elling, Gregory Porter, Alex Ligertwood, Emílio Santiago, Ed Motta, Stevie Wonder, Esperanza Spalding, John Legend, George Benson, Robert Cray, Jamie Cullum, entre outros bem nessa pegada.

11) RM: Como é seu processo de compor?

Rick Alvez: Tudo que pode ser uma espécie de gatilho para composição, eu tiro vantagem benéfica disso (um filme, um livro, uma frase). O compositor tem de estar atento em tudo que acontece a sua volta, pois virará música quase sempre.

Geralmente eu componho a melodia sempre já fazendo a letra, harmonia. Eu sempre penso em um refrão marcante, acho que é a parte que todo mundo canta.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Rick Alvez: Geralmente eu componho muito e sempre sozinho. Até que encontrei um amigo que a vida me deu e estamos compondo bastante, Nando Pessanha, um gênio da caneta (letra)!

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Rick Alvez: A parte boa é que você se leva mais a sério, por estar praticamente só. Você não tem o benefício de ficar errando. Então o camarada fica muito mais focado. A parte negativa é que você fica muito desgastado, pois é um esforço muito duro que você tem que fazer para comercializar a sua arte.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Rick Alvez: Dentro do palco é sempre levar a melhor sensação sonora para os ouvintes. Fora do palco é divulgar nas mídias sociais como: Facebook, Instagram, YouTube, etc, e procurar apresentar o trabalho para possíveis parcerias, ninguém chega longe sozinho!

15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Rick Alvez: Uma delas é estudar cada plataforma, desde a hora que você deve postar uma foto, um vídeo, como deve se vestir, se portar. Eu sempre procuro estar antenado em inscrições de festivais de música, sempre estou enviando material para produtores, apoiadores. O artista tem que estudar bastante as estratégias de marketing, pois ele acaba sendo o seu próprio divulgador.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Rick Alvez: Não só na minha carreira, como na de muita gente, a internet ajuda e muito. Antes você tinha que pagar para ver sua música em outro Estado, outro bairro. Hoje a internet possibilita a música chegar em qualquer lugar de forma gratuita.

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Rick Alvez: Para uma pré-produção o home estúdio é maravilhoso, o artista pode trabalhar com calma e de forma detalhada. A desvantagem é que tem gente que grava em casa e o trabalho não fica com uma boa qualidade e nem todo mundo tem um home estúdio top.

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Rick Alvez: Ser quem você é. Não se vender ao mercado querendo fazer música igual a “A” ou “B” que dará público ou dinheiro. Você tem que tocar a sua verdade, as vezes “A” ou “B” estão na grande mídia porque cantam a verdade deles.

19) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas e quais permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Rick Alvez: Eu gosto muito do Dani Black…canta muito bem, compõe muito bem e é um guitarrista de mão cheia. Se eu fosse falar em um artista que continuou evoluindo com certeza é o João Bosco.

20) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Rick Alvez: George Benson,John Mayer, Djavan, John Legend, Ivete Sangalo (ela é muito profissional) por isso é sucesso até hoje.

21) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Rick Alvez: Uma vez eu estava tocando em um show de formação jazzística quando alguém me deu um papel e lá estava escrito… “pode tocar um pagodinho?” (risos).

22) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Rick Alvez: Com certeza o poder da música em reunir pessoas, trazer alívio, em curar a alma de quem está triste, isso me deixa muito feliz. O que me deixa triste é o descaso dos governantes com a arte…Isso é algo bem triste mesmo!

23) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Rick Alvez: Com certeza, existem pessoas que já nasceram com uma coisa a mais. Quando você ouve alguém que é puro talento, que tudo que ele faz fica perfeito, cada nota, cada respiração. Quase que beirando a perfeição. Isso é Dom!

24) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

Rick Alvez: Antes de tudo é fazer uma imersão em um assunto chamado: Harmonia. Depois que o camarada passa a entender os acordes perfeitamente, ele estará pronto para começar a entender as escalas e os movimentos das frases.

25) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Rick Alvez: Realmente existe improvisação. Lógico que o músico estuda em casa, só que na hora a coisa é bem diferente. Muda o clima, a atmosfera, logo você se conecta com o público fazendo com que você se livre totalmente das fórmulas que pratica em casa.

26) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Rick Alvez: Eu não tenho nada contra os métodos de improvisação… até porque é um guia. É como dirigir, você tem um instrutor do seu lado para te corrigir, te ensinar o percurso. Os métodos são bem isso. Antes de descontruir você tem que construir, depois você se livra das fórmulas e traça seu próprio estilo.

27) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Rick Alvez: Mas rádios conhecidas do grande público, onde rola as propagandas, dinheiro: acho que não vão tocar minha música sem cobrar o jabá!

28) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Rick Alvez: Se prepare ao máximo. Blinde a mente, pois aparecerão muitos para torcer contra o seu sucesso!

29) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Rick Alvez: O Festival de Música se é uma espécie de divulgação de novos talentos, eu não vejo nada contra. Acho até muito bom!

30) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Rick Alvez: Sim, junto com a internet.

31) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Rick Alvez: Dentro do que a grande mídia se propõe a fazer com os artistas midiáticos, ela é bem eficiente.

32) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Rick Alvez: Acho de extrema importância para a divulgação da cultura e aproximação do público com os artistas e com a música de boa qualidade.

33) RM: O circuito de Bar na cidade que você mora ainda é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Rick Alvez: Com certeza não, os Bares pagam muito pouco e a música é de péssima qualidade.

34) RM: Quais os seus projetos futuros?

Rick Alvez: Compor mais, produzir mais, divulgar mais e depois do meu segundo álbum é gravar meu primeiro DVD.

35) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Rick Alvez: https://web.facebook.com/rick.alvez | https://www.instagram.com/rick.alvez

Canal: https://www.youtube.com/channel/UCzLQFGtuLZvqoG4soTIiHgg

Rick Alvez – Na Minha: https://www.youtube.com/watch?v=xJL62AT8oG4

Rick Alvez – Sol de Verão: https://www.youtube.com/watch?v=JbDwrJFYKqc


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.