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Categorias: Entrevistas

Richard AntSistema


O cantor e compositor paulistano Richard AntSistema nasceu no bairro de Itaquera na zona leste e mora atualmente em Suzano – SP.

Richard AntSistema um homem em transformação que acredita que o RAP tem o poder de transformar mentes. Já está na caminhada do RAP desde 2004 quando começou se apresentar com o grupo “Atitude Consciente”. Nessa época o grupo não tinha o acesso a home estúdio e redes sociais como tem hoje para gravação e divulgação das músicas. Os ritmos (beats) eram comprados e vinham em CD e criavam a composição em cima dos ritmos. Participaram de alguns eventos, gravaram uma mixtape (uma compilação de canções, normalmente com copyright e adquiridas de fontes alternativas, gravadas tradicionalmente em cassete) com 7 faixas e chegaram a se apresentar em show em que o grupo “Facção Central” participou. Infelizmente a vida direcionou cada um pra um caminho diferente e o grupo se terminou.

Richard AntSistema passou alguns anos afastado da cena RAP, até que conheceu o rapper Nah, que o convidou para participar do grupo “5AIS RAP” que era uma proposta gospel, visando a evangelização por meio do RAP. Em consequência deste grupo, Richard AntSistema voltou a compor letras não voltadas temas sagrados e às lutas contra o sistema, originando o seu vulgo: AntSistema. O seu primeiro RAP nessa nova fase chama-se “Sufoco”, que lhe abriu novas portas nos projetos C. Roots, Arte & Cultura, Tarja Preta e outros coletivos.

Richard AntSistema prepara seu primeiro EP com suas composições: “Sufoco”, “Regime Totalitário”, “Porcos”, “Pátria Armada Brasil”, “Não quero ser refém desse poder Burguês” e “Princesa do século XXI” composta em 2019 em parceria com Myh Roots; sua filha do coração que tem 9 anos de idade. Fizeram essa música após a festa de três anos do Coletivo Tarja Preta.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Richard AntSistema para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 13.03.2020:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Richard AntSistema: Nasci no dia 13.03.1987 no bairro de Itaquera, zona leste de São Paulo. Registrado como Richard Joaquim Filho.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música?

Richard AntSistema: Meu primeiro contato foi na infância quando meu pai ouvia músicas como:  samba, samba rock, MPB, músicas Black em geral.

03) RM: Qual a sua formação musical e acadêmica?

Richard AntSistema: Minha formação musical é “Made in favelas”, becos, vielas, Hip Hop, Rap. A rua é uma “universidade de mil graus”. Conclui o ensino médio e não fiz ainda nenhum curso universitário. Fora da área musical sou formado nos cursos: Radiologia, Pintura Decorativa e cursos na área de construção civil.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Richard AntSistema: No passado os grandes nomes música brasileira faziam a minha cabeça e os  pioneiros do RAP: Racionais MC’s, Thaíde, DJ Hum, João Mineiro e Marciano, Roberto Carlos, Zeca Pagodinho, Cazuza, Martinho da Vila entre muitos outros talentos e no presente eles ainda continuam tendo suma importância para mim, pois as suas músicas têm qualidade e edifica.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Richard AntSistema: Comecei em 2004 aos 17 anos de idade no grupo “Atitude Consciente” que durou aproximadamente uns dois anos e devido a divergências de ideias o grupo encerrou as atividades. Segui outros rumos fora da música e retornei em 2017. Fora da área musical sou concursado na Prefeitura de Suzano – SP como Ajudante Geral.

06) RM: Como é o seu processo de compor?

Richard AntSistema: Para compor gosto de abordar um tema da atualidade e meditar sobre ele para depois colocar no papel tudo o que o que eu possa expressar e em forma de música poder chegar no coração de alguém.

07) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Richard AntSistema: Eu sempre compus sozinho, mas hoje divido a caneta (escrita) e as ideologias com Cris Roots e dessa parceria surgiu músicas de peso como “Pátria Armada Brasil”; “Não quero ser refém deste poder burguês”, “Princesa do século XXI”, Levante-se que fazem parte do meu EP.

08) RM: Quantos CDs lançados?

Richard AntSistema: Lancei em 2005 o CD – “R.A.P” com o grupo “Atitude Consciente” que tinham sete músicas. Em 2019 estou lançando meu EP – “Sufoco” com as músicas: “Sufoco”, “Regime Totalitário”, “Porcos”, “Pátria Armada Brasil”, “Não quero ser refém deste poder Burguês”, “Princesa do século XXI” com participação vocal de Myh Roots, Levante-se com participação vocal de Cris Roots.

09) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Richard AntSistema: O grupo “5Ais Rap” já gravou a música “Porcos” em 2018.

10) RM: Você estudou técnica vocal?

Richard AntSistema: Nunca estudei técnica vocal. Aprendi soltar minhas rimas com meus parceiros do RAP. A melhor forma de levada Flow no dia a dia no diálogo com rappers que já estavam na cena.

11) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Richard AntSistema: É muito de suma importância o aperfeiçoamento das técnicas vocais para desenvolver o trabalho como cantor com excelência.

12) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Richard AntSistema: Admiro muito o trabalho do Sandrão e do Helião do RZO para mim são os monstros do RAP.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Richard AntSistema: O bom de uma carreira independente é a liberdade de fazer o queremos usando a nossa liberdade de expressão amplamente sem ninguém dizer o que podemos e o que não podemos. O contra geralmente é a dificuldade financeira que acaba prejudicando o processo num todo.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Richard AntSistema: Minhas estratégias dentro e fora do palco é deixar fluir e não deixar de ser eu mesmo, pois sou apenas um narrador, um cronista do gueto, tentando driblar todas as adversidades diárias.

15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Richard AntSistema: Faço dos meus sonhos um combustível para as minhas realizações que construo com atitudes trabalhando com afinco no dia a dia aprendendo e empreendendo.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Richard AntSistema: A internet ajuda maravilhosamente na divulgação do trabalho de forma rápida, pois chega nos quatro cantos da terra onde houver alguém conectado.

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Richard AntSistema: A vantagem é a economia financeira e a liberdade de sua arte não ter barreiras.

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Richard AntSistema: Para diferenciar meu trabalho eu busco sempre inovação, criatividade, compromisso com minha arte e com aquilo que eu acredito.

19) RM: Como você analisa o cenário do RAP brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Richard AntSistema: O cenário do RAP no Brasil é bem amplo e temos grandes nomes e diversidades sem igual, para mim a revelação musical das últimas décadas foram Sabotage (Mauro Mateus dos Santos) e Costa Gold e quem permaneceu com suas obras conscientes foi Eduardo Tadeu (Facção Central), ele continua autêntico em sua ideologia e postura. Não vejo regressão de ninguém na cena RAP, pois todos estão seguindo seus caminhos.

20) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Richard AntSistema: Eu tenho como exemplo o Eduardo Tadeu (Facção Central), pois ele não mudou seus ideais e a chama da luta continua firme e forte no progresso narrando todas as mazelas do sistema e não vendendo a sua ideologia.

21) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Richard AntSistema: Acontece muito em alguns eventos cantar e não receber o cachê nem sequer a água para molhar a garganta. Já cheguei a pedir carona devido à falta de condição financeira para chegar até o local da apresentação. Não poder cantar minha música, pois o espaço não era cabível críticas ao governo e assim vamos seguindo.

22) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Richard AntSistema: O que me deixa mais feliz é poder abrir a mente de alguém que se encontra fechada e vê que outras pessoas compactuam da mesma ideia. E o que me deixa triste é o artista no Brasil não ter nenhum valor e a desunião entre todos os segmentos músicais.

23) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Richard AntSistema: Moro em Suzano – SP; cidade que fica do lado da zona leste de Sampa e aqui na periferia há grandes talentos musicais.

24) RM: Quais os músicos, bandas da cidade que você mora, que você indica como uma boa opção?

Richard AntSistema: Lauren Priscila, Douglas Tarja Preta, Sociedade Paralela, Klima kabuloso, Jones Baruc, Vanessa Kryola, Gattuza, Face da Loucura, 5Ais RAP, Luisinho Vulgo CJ,  Kilimanjaro, Fernando Souza, Ameaça Vermelha e muito mais…

25) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Richard AntSistema: Algumas rádios webs até tocam, mas muitos músicos não dão devida atenção, pois estão mais focados nas grandes rádios e estas precisam cobram o jabá. E nas rádios FM para minhas músicas serem tocadas só pagando o jabá com certeza.

26) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Richard AntSistema: Eu digo para quem quer começar uma carreira musical que tenha foco, força, fé e que nunca desistam dos seus sonhos, pois, é difícil como qualquer carreira profissional, mas não é impossível ter êxito na carreira musical.

27) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Richard AntSistema: Os Festivais de Música são importantes, pois dar oportunidade a novos talentos e o contra é que em alguns Festivais tem sempre as cartas marcadas para vencer.

28) RM: Na sua opinião, hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Richard AntSistema: Não. O motivo é que não há nada de novo na grande mídia. Há um monopólio no mercado musical sempre os mesmos músicos no Rádio e TV até caírem no esquecimento e outros músicos serem “revelados” para na sequência ficarem novamente no anonimato.

29) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Richard AntSistema: A grande mídia valoriza a cultura do banal e músicos que de nada acrescentam. É a cultura do grotesco e da sensualização excessiva que faz o corpo balançar e a mente continuar vazia. Não valorizam músicas com boas mensagens que tem algum significado para o ser humano.

30) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Richard AntSistema: Acho muito importante estes espaços para a cena musical, pois são segmentos variados à disposição do público em geral.

31) RM: O circuito de Bar na sua cidade é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Richard AntSistema: Em Suzano – SP não há muito espaço para a música ao vivo em Bares. Os espaços que temos são projetos que partem de nós por nós como o C.Roots Arte & Cultura o qual eu conheci no ano de 2017 e participei com a música “Sufoco” a qual eu me reiniciei na cena Hip Hop novamente. O projeto C.Roots Arte & Cultura promove eventos solidários nos guetos da região do Alto Tietê dando espaço para quem queira apresentar seus trabalhos em todo segmento de arte, seja na música, dança, poesia. Através desse projeto eu me encontrei e me reinventei.

32) RM: Fale da sua parceria com a Myh Roots no single “Princesa do século XXI”.

Richard AntSistema: “Princesa do século XXI” a música que fiz com Myh Roots (Emillyh Ponciano Bueno) minha filha do coração de 9 anos de idade, foi após a festa de três anos do Coletivo Tarja Preta. Ela veio com essa proposta fazer um RAP que falasse da vida das meninas do dia de hoje que passam por todo tipo de situações absurdas e desamparo tanto dos pais como do sistema, essas meninas vivem na incerteza de um futuro digno. Famílias desfeitas, pedófilos, feminicídios e a única esperança para estas meninas é a fé e lutar por uma vida melhor estudando e se qualificando cada vez mais essa foi a mensagem que ela quis passar e eu a Cris Roots (Isabel Cristina Ponciano Bueno)  auxiliamos para que ela conseguisse se expressar nascendo assim: “Princesa do século XXI”.

33) RM: Quais os seus projetos futuros?

Richard AntSistema: Concluí em 2019 a gravação do meu EP – “Sufoco” e quero fazer meus vídeos clipes em 2020 e continuar compondo e cantando minhas crônicas do cotidiano.

34) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Richard AntSistema: (11) 9.4918 – 3843 (WhatsApp) | richard.joaquim@hotmail.com

RICHARD ANTSISTEMA no #SoundCloud: https://soundcloud.com/user-70066048-142968270

| https://web.facebook.com/richard.joaquimfilho | https://web.facebook.com/cristalroots | https://web.facebook.com/myh.roots.7

Links: Canal do Richard AntiSisetama: https://www.youtube.com/channel/UCDb-aTK_ItFBrbiWiigQ7uA

RICHARD ANTSISTEMA – LEVANTE-SE: https://www.youtube.com/watch?v=2Sdpp5yu5YY

| Richard AntSistema feat Myh Roots – Princesa do século XXI – https://www.youtube.com/watch?v=RkcAJDVP_6E

| Richard AntSistema – Não quero ser refém deste poder burguês – https://www.youtube.com/watch?v=s7oVLrcoWi4&has_verified=1

|  Richard AntSistema – Pátria Armada Brasil – https://www.youtube.com/watch?v=VEt28VFEOuQ&list=UUbg72EsVMrKW-Ox5LAQFLUw&index=6&has_verified=1

| FREQUÊNCIA REGGAE Entrevista com Richard AntSistema, Cris Roots, Myh Roots – 27/07/2019 –
https://www.youtube.com/watch?v=m_i2bbFobic&list=UUbg72EsVMrKW-Ox5LAQFLUw&index=5


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.

Publicado Por
Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa
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