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Categorias: Entrevistas

Ricardo Barros


Tempo de Leitura: 12 minutos

O cantor, compositor, violonista, guitarrista, arranjador, produtor musical Ricardo Barros atuou ao lado de artistas como: Inezita Barroso, Elton Medeiros, Márcia, Renato Braz, Léa Freire,Theo de Barros, Adriana Godoy, Ubaldo Versolato, , Ney Mesquita, Maestro Roberto Sion, Teco Cardoso, Caíto Marcondes, Orquestra Jovem Tom Jobim, Mônica Salmaso, Adriana Godoy, entre outros.

Ricardo Barros teve composições interpretadas por Theo de Barros, Mônica Salmaso, Janayna Pereira, Dani Gurgel, Fábio Barros, grupo Araticum, grupo Camiranga, entre outros. Toca violão de sete cordas, guitarra e viola caipira, é compositor de canções e música instrumental, tem parcerias com Theo de Barros, Paulo César Pinheiro, entre outros autores.

Ricardo Barros professor de violão, guitarra, e teoria musical. É Integrante do Quarteto Theo de Barros, do Bloco de Carnaval Nóis Trupica mais num cai, o octeto de improvisação com regência Gestos Sonoros e o do Bando de Seu Pereira. Compôs e executou a trilha para violão solo da peça de teatro “Juliana do Rancor”, baseada no romance “O Primo Basílio” de Eça de Queiroz. Peça que integrou o VI Congresso Anual de Lusofonia, em Bragança, Portugal (2007). Integrou o grupo Araticum, e excursionou em agosto de 2014 com a turnê internacional do CD – “Tarde” na Europa, em 18 apresentações nos países: França, Espanha e Suíça. O grupo gravou o programa ‘’Sesc Instrumental Brasil”.

Em 2018, foi diretor musical do disco “Tatanagüê”, de Theo de Barros e Renato Braz, o disco foi premiado com o 29 Prêmio da Música Brasileira, como Melhor Álbum, Projeto Especial.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Ricardo Barros para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 24.06.2020:

Índice

01) RitmoMelodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Ricardo Barros: Nasci no dia 24 de junho 1981, em São Paulo.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Ricardo Barros: Foi em casa, sou filho do cantor, violonista, letrista e compositor Theo de Barros, e sempre ouvi muita música brasileira e jazz desde cedo, de Tom Jobim até Jonnhy Mathis. Com onze anos de idade descobri alguns acordes, aos doze ganhei minha primeira guitarra e amplificador; e aos quinze anos, tinha bandas de garagem que tocavam covers de rock.

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Ricardo Barros: Formei-me em 2010 Bacharel em Guitarra Popular, pela Faculdade Santa Marcelina. Mas sempre fui discípulo do Violão, estudei com meu pai Theo de Barros, que sempre me ajudou muito na carreira também, e com Fernando Correa.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Ricardo Barros: Quarteto Novo, Ensemble Gurrufio, Avishai Cohen, Orquestra Popular de Câmara, Baden Powell, Vinicius de Moraes, Daniel Mille, Filó Machado, Carlos Aguirre, Sylvan Luc, Birélle Lagrene, Joyce, Mozar Terra, Led Zepplin, Leny Andrade, entre outros. Nenhuma das influências deixou de ter importância, pelo fato de que toda música te ensina algo.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira Musical?

Ricardo Barros: Aos 16 anos de idade, eu tinha um grupo musical e juntos, ganhamos o FICO – Festival do Colégio Objetivo, também fiz o primeiro show com meu pai Theo de Barros, e fui tocar guitarra e percussão em um grupo chamado Batuntã. Foi aí que recebi os meus primeiros cachês como músico profissional. O apoio da família também sempre foi muito importante.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Ricardo Barros: Lancei o disco “Tarde” com o grupo Araticum, um quinteto instrumental de músicas autorais. Lancei um disco com o grupo Gestos Sonoros, um octeto de improvisação com regência. Participei da como músico, e produtor musical gravação de “Tatanagüê”, de Theo de Barros e Renato Braz; o disco ganhou o 29 Prêmio da Música Brasileira, como Melhor Álbum-Projeto Especial, em
2018. Ainda não gravei meu disco autoral.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Ricardo Barros: Música Instrumental e Canção, “Feitas no Brasil”. E como instrumentista no momento estou tocando no Quarteto Theo de Barros; no Bando de Seu Pereira; no Bloco de Pífanos de São Paulo; em um duo instrumental com Nathanael Sousa; acompanho a cantora Adriana Godoy; toco com Lu Lopes no Show Especial Rita Lee;  integro o Bloco Nóis Trupica Mais Num Cai; e participo do projeto Bossa Nova Paulista
com Dino Galvão Bueno. Também componho Trilhas Sonoras para a Companhia de Teatro Dona Conceição e faço trilhas para intervenções artísticas.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Ricardo Barros: Gosto de alguns aquecimentos vocais antes de cantar, que aprendi em algumas poucas aulas de canto.

09) EM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Ricardo Barros: A técnica vocal nos ajuda a superar as barreiras que existem dentro de nosso próprio conhecimento. O instrumento do cantor é a sua voz, são suas cordas vocais, sua garganta, ou seja: é o próprio corpo. Ao aprender a utilizarmos a voz da forma correta, somos capazes de ampliar nossa capacidade vocal, e sem prejudicar a voz.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Ricardo Barros: Mercedes Souza, Alaíde Costa , Elis Regina, Mônica Salmaso, Helen Merril, Elba Ramalho, Dulce Pontes, Nanna Caymmi, Lila Downs, Silvia Maria, Maria João, Dori Caymmi, João Bosco, Lenine, Djavan, Maria Bethânia, Gal Costa, entre outras.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Ricardo Barros: Gosto de dizer que eu trabalho com o silêncio. Em primeiro lugar, preciso ter uma ideia inicial, pode ser uma melodia, ou um caminho harmônico, ou um “clima” que eu esteja procurando. A partir daí, começa o exercício da composição, e vejo que toda música nova que sai, traz uma evolução da anterior que foi feita, pois cada vez que compomos, descobrimos algum caminho novo que vai enriquecer a próxima música que está por vir. Considero importante o ato de parar para criar, de se concentrar para isso, a inspiração ajuda, mas no simples ato de pegar no instrumento, eu já estou procurando por sonoridades, e é nessa busca que eu me baseio.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Ricardo Barros: Theo de Barros e Paulo César Pinheiro. Também tenho parcerias com Vinicius Pereira, Leo Nascimento, entre outros.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Ricardo Barros: O meu pai Theo de Barros foi o maior intérprete das minhas músicas até o momento e gravou: “Outro Mar”, “À luz de velas” (duas parceria nossas) no álbum ”À luz de velas” e “Zé Menino” minha em parceria com Conrado Goys. A Mônica Salmaso, gravou “Alguém Sozinho”, que é a minha primeira parceria com Paulo César Pinheiro, a faixa tem arranjo de Theo de Barros, no álbum Tatanagüê. Dani Gurgel já gravou três músicas minhas: “Rei Xangô” minha com Mauricio Orsolini e Vinicius Pereira, ”Tambor Guia” e “Festa de Santo” ambas minhas. O grupo Camiranga gravou “Tambor Guia” e “Miserê” minha com letra de Theo de Barros. Fábio Barros e Grupo Grão, gravaram “Turupá” – música minha, com letra de Fábio Barros. A gravação mais recente foi a da cantora Janayna Pereira, em um disco que será lançado em breve; ela gravou “Ventação” uma composição minha com letra de Paulo César Pinheiro, que teve arranjo de flautas escrito por Theo de Barros, e tocado por Léa Freire. Também tive a felicidade de ter duas composições gravadas por Ney Mesquita.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Ricardo Barros: Eu sempre trabalhei dessa forma, como um músico popular, participando de projetos musicais, e vivendo como um profissional autônomo. Hoje para ser músico é preciso além de estudar, tocar seu instrumento, arranjar, compor e dar aulas. É necessário fazer vídeos, ser produtor musical e saber vender um show, e tirar fotos se precisar. Enfim, são tantas as frentes para se trabalhar, que ser um artista independente não é fácil, mas é possível.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Ricardo Barros: Até o momento, eu me considero um músico acompanhador, também sou arranjador, produtor musical e também faço trabalhos freelancer como instrumentista: toco violão de 7 cordas, guitarra e viola caipira, e canto. Concilio esse trabalho prático, com os meus estudos e a minha produção autoral.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Ricardo Barros: Estreei meu canal de You Tube recentemente, minha meta é disponibilizar meu material autoral. Iniciei as aulas online de violão, guitarra, e teoria musical. Pretendo investir em um projeto autoral meu.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Ricardo Barros: Acho que ela é uma facilitadora tanto para me conectar com a arte das pessoas, quanto para conectar a minha arte com as pessoas que venham a se interessar. Só a internet em si não basta, temos também que encontrar as pessoas pessoalmente, assistir shows, e ter uma vida culturalmente ativa.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Ricardo Barros: Acho que o Home Stúdio é uma ferramenta muito boa para todos os músicos, tanto para estudos, quanto para a produção musical. Entendendo que existem limitações técnicas, creio que é possível chegar a resultados sonoros interessantes se deixarmos a música falar mais alto. Mas após ir a um estúdio profissional, dificilmente conseguiremos diminuir a referência de qualidade de uma música escutada em um bom monitor, numa sala tratada acusticamente, com tudo bem captado, mixado e masterizado.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Ricardo Barros: Gravar um disco é mais acessível, mas fazer um trabalho bem feito não é fácil. Acredito na seriedade e comprometimento, e todo trabalho musical em que eu me envolvo, e tento sempre buscar as melhores referências possíveis, para poder me inspirar. E o que faz a diferença pra mim é procurar estar sempre envolvido em atividades musicais, fazendo shows, e aumentando a rede de contatos.

20) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Ricardo Barros: Considero Vinicius Dorin, o maior improvisador brasileiro que tivemos. Teco Cardoso também traz muita consistência e personalidade em sua improvisação, em seus acompanhamentos e mostra uma forte identidade musical brasileira. Yamandú Costa, Hamilton de Holanda, Ajurinan Zwarg são nomes que considero de fortes representantes de seus instrumentos.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Ricardo Barros: Meu pai The de Barros é um virtuoso da Harmonia, do Violão e dos arranjos, ele com certeza sempre será meu maior exemplo. Bom aí temos Rafael Rabello, Milton Nascimento, Toninho Horta, Pixinguinha, Egberto Gismonti, Elis Regina, Sergio Santos, Bob Mc’Ferrin, Tony Bennet, Pat Metheny, Hermeto Pascoal, Itiberê Zwarg, Nenê, Sivuca, Marcos Valle, Fernando Brant, Aldir Blanc, Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Gilberto Gil, João Gilberto, entre outros protagonistas do que eu considero que atingiram para mim um ideal de profissionalismo e qualidade artística.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Ricardo Barros: Toquei em todos os tipos de lugares: no bem ruim e no muito bom também. Acho que uma das pior coisas que pode acontecer é quando aparece aquele camarada bêbado inoportuno que pede para dar uma canja nada a ver, mas já me blindei um pouco para isso quando assumi o violão de sete (pois menos gente toca).

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Ricardo Barros: O que me deixa mais feliz é que posso trabalhar com o que amo, e principalmente ao lado de pessoas que também amam o que fazem. Infelizmente não são todos que podem ter acesso a cultura. Ao mesmo tempo, sinto a falta de mais fomentos, voltados para a criação artística e de residências nacionais e internacionais por exemplo. Sinto a falta da criação de mais museus, acervos, pesquisas, e espaços que se se aprofundem mais na cultura do Brasil. Sinto que a nossa história, a da música popular brasileira, ainda é mal amparada.

24) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional com seu pai Theo de Barros?

Ricardo Barros: Nossa relação é muito boa, pessoal e musicalmente falando, nos
entendemos muito bem. E com o tempo aprendemos também a trabalhar juntos, e saber ter a seriedade para subir no palco, ensaiar, ou a produzir um trabalho, e compor em parceria.

25) RM: Quais os artistas você já atuou como arranjador?

Ricardo Barros: Venho produzindo alguns arranjos para o Bando de eu Pereira.
Também já escrevi arranjos para trio de metais para marchinhas de
carnaval, com o “Bloco Nóis Tropica Mais num Cai”; grupo do qual  eu
sou integrante há dez anos. Já fiz arranjos para o grupo Araticum. Faço também arranjos de violão solo, ou para acompanhar a cantores.

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Ricardo Barros: Só na Rádio USP, talvez na rádio Cultura, e algumas outras raras exceções.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Ricardo Barros: “Você está preparado para sentir fortes emoções?”.

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Ricardo Barros: Depende do tipo de Festival de Música. Já participei tocando, já participei concorrendo, cada um tem um tipo de vantagem. Não vejo desvantagens, acho que toda a oportunidade de mostrar o seu trabalho é válida, mesmo que seja um Festival de shows, são em lugares como esse onde encontramos pessoas e fazemos novos contatos.

29) RM: Festivais de Música revelam novos talentos?

Ricardo Barros: Sim, e não apenas os novos, acredito que para a boa música, não existe idade.

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Ricardo Barros: A grande mídia sempre visou a cultura de massa, os grandes shows, ainda existem alguns canais de TV que se preocupam em mostrar arte –
mas maioria não está na TV aberta. A situação da cultura no Brasil, sempre foi preocupante, e fica ainda mais neste atual governo do Jair Bolsonaro. A cena musical brasileira é muito ampla, mas acho que os grandes nomes ainda conseguem influenciar melhor a grande mídia.

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Ricardo Barros: Acho esses espaços fundamentais, pois eles fazem a movimentação cultural da cidade e levam arte para diversos tipos de público na
maioria das vezes de forma acessível, além de movimentar a classe artística. É impensável a chance de que se possa se extinguir qualquer um desses espaços.

32) RM: O circuito de Bar de sua cidade como boa opção de trabalho para os músicos?

Ricardo Barros: Vejo que ainda existem alguns poucos bares de resistência cultural, se pensarmos na dimensão de São Paulo. O Bar não deixa de ser um tipo de formação para músicos. Mas não são todos os lugares que pagam bem, e os que pagam melhor, geralmente são os lugares que tem a maior concorrência.

33) RM: Quais os guitarristas que você admira?

Ricardo Barros: Heraldo do Monte, Alexandre Magno, Silvan Luc, Johnny Smith, Lula Galvão, George Benson.

34) RM: Quais os compositores eruditos que você admira?

Ricardo Barros: Tchaikovsky, Bach, Heitor Villa Lobos, Bethoven, Radamés Gnatalli.

35) RM: Quais os compositores populares que você admira?

Ricardo Barros: Dorival Caymmi, Noel Rosa, Nelson Cavaquinho, Cartola, Guinga, Paulo César Pinheiro, Aldir Blanc, João Bosco, Astor Piazolla, Dori Caymmi, César Camargo Mariano.

36) RM: Quais os compositores da Bossa Nova você admira?

Ricardo Barros: Marcos Valle, Carlos Lyra, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Jonnhy Alf.

37) RM: Nos apresente seus métodos de Guitarra?

Ricardo Barros: Leitura de pauta, leitura de cifras, escrita musical, percepção, teoria musical, técnica, estilos, além de recursos como a gravação multipistas.

38) RM: Quais as principais técnicas que o aluno deve dominar para se tornar um bom Guitarrista?

Ricardo Barros: A técnica de palheta é muito importante, e o dedilhado também, e escutar boas referências sempre.

39) RM: Quais os principais vícios e erros que devem ser evitados pelo aluno de Guitarra?

Ricardo Barros: O principal vício errado dos músicos populares em geral é a postura, no caso de muitos guitarristas, é não saber ler uma partitura corretamente.

40) RM: Quais as principais diferenças técnicas entre o Violão e Guitarra?

Ricardo Barros: Acredito que seja o sustain das notas, a guitarra é capaz de sustentar as notas por mais tempo, porém acho que os dois instrumentos se complementam.

41) RM: Quais os principais erros na metodologia de ensino de música?

Ricardo Barros: Acho que querer sair tocando muito rápido sem entender o que se passa, acaba gerando falhas no conhecimento como um todo. A teoria musical é trabalhosa para se estudar, mas traz resultados.

42) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Ricardo Barros: Sim. É uma capacidade de compreensão profunda da música, que não necessariamente é ligada ao conhecimento, mas sim ao sentimento.

43) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

Ricardo Barros: O improviso deve ser um passeio pela harmonia que a música nos apresentou, uma conversa com a melodia, e uma forma de expressão através do instrumento, a partir das sensações que sentimos e a forma como queremos transmitir isso.

44) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Ricardo Barros: Se não existisse, não existiriam nem composições, pois a composição em si, já é um diálogo interno dentro da própria cabeça do autor, com a busca de sonoridades, e das possíveis combinações de notas. É preciso muito estudo, conhecimento, tempo e disciplina para se conseguir improvisar com fluência dentro de qualquer estilo, e principalmente para se incorporar uma linguagem musical.

45) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Ricardo Barros: Até conseguirmos nos “soltar” realmente improvisando, temos que passar pelas fases iniciais, que são as escalas, arpejos e tipos de acordes. Depois vamos descobrir que os solos mais bonitos se formam primeiro dentro da cabeça da gente. O improviso é o resultado da busca do atalho entre o nosso instrumento e as nossas ideias.

46) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Ricardo Barros: A Harmonia é quem manda na música, pois com os acordes, que as escalas nascem, as melodias são sugeridas, e o mapa da música pode ter começo, meio e fim. Academicamente, tudo pode ser explicado em Harmonia Fundamental, ou Harmonia Funcional. O que podem ser informações muito úteis, inclusive na hora de se escrever um arranjo. Mas gostaria de ressaltar que quando uma música é composta, o compositor está tentando colocar a sua emoção na partitura, e não necessariamente tentando fazer um Tratado de Harmonia.

47) RM: Quais os métodos que você indica para o estudo de leitura à primeira vista?

Ricardo Barros: Assim como ler um texto, ou um livro. Algo que aprendemos desde cedo. A fluência, vêm com o tempo, demora até sabemos ler pontuações,

vírgulas, e interpretar a mensagem, saber colocar os “respiros” entre as frases; na leitura musical não é diferente. Aconselho para iniciantes, melodias e músicas simples para começar e então ir subindo grau de dificuldade gradativamente.

48) RM: Como chegar ao nível de leitura à primeira vista?

Ricardo Barros: Para se ler à primeira vista, tem que praticar a leitura sempre, o

ideal seria diariamente mesmo, até que este ato se torne um hábito natural.

49) RM: Quais os seus projetos futuros?

Ricardo Barros: Gravar meu disco autoral, com amigos músicos que admiro; gravar um disco com meu pai The de Barros (mais de um na verdade); gravar um disco com Nathanael Sousa, um acordeonista e compositor português, com muitos convidados.  Quero basicamente produzir muita música e tocar bastante.

50) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Ricardo Barros: pizellibarros@gmail.com

| https://web.facebook.com/RicardoAugustoPizellideBarros

|Canal: https://www.youtube.com/channel/UCt8PBpDHtujo8x9J3UGom2A

ATRIA (Ricardo Barros): https://www.youtube.com/watch?v=1z62whnFWqk

AZAN (Ricardo Barros): https://www.youtube.com/watch?v=VRrxBFRNcFM

“Outro Mar” (Ricardo Barros / Theo de Barros) | Instrumental SESC Brasil: https://www.youtube.com/watch?v=uynRsfflslo

“À Luz de Velas” (Ricardo Barros / Theo de Barros):

https://www.youtube.com/watch?v=8i-Msi8wimA

“Zé Menino” (Ricardo Barros / Conrado Goys) por Theo de Barros:

https://www.youtube.com/watch?v=kYt8gfUYP58

“Alguém Sozinho” (Ricardo Barros / Paulo César Pinheiro) · Renato Braz · Theo de Barros · Mônica Salmaso:

https://www.youtube.com/watch?v=V9ES7d3ee_c

“Rei Xangô” (Ricardo Barros / Mauricio Orsolini / Vinicius Pereira)  – Dani Gurgel : https://www.youtube.com/watch?v=zoFgzSSZ0pQ

“Tambor Guia” (Ricardo Barros) Dani Gurgel:

https://www.youtube.com/watch?v=OpcjMeYLqWs

“Festa de Santo” (Ricardo Barros) Dani Gurgel: https://www.youtube.com/watch?v=o77ZqHYd_Dw


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.

Publicado Por
Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa
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