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Categorias: Entrevistas

Regina Dias


Regina Dias, paulista de Ribeirão Preto, iniciou sua carreira em 1979 como vocalista de grupos musicais dentro do circuito universitário: Grupo Bagage e Grupo Sassafrás, quando gravou a trilha do curta metragem “O Fulano” pela Embra Filmes.

É vocalista do grupo “Hamilton e Seus Estados” (“Cantos do Brasil” – Videolar, 2004) com participações de Juarez Moreira, Oswaldinho do Acordeon, músicas de Celso Viáfora, Vicente Barreto, Simone Guimarães. Abriu shows de artistas como Chico César, Dominguinhos, Celso Viáfora, Sizão Machado e Fábio Jr. Na produção de shows temáticos realizou tributos: Maysa, Elis Regina, Nelson Cavaquinho, Nara Leão, Elas por Ela, Rita Lee e Bossa Nova. Tem participações em Festivais de Música do Brasil com premiações e está presente em coletâneas dedicadas às novas composições de artistas independentes, entre eles “Rádio USP de Ribeirão Preto/ SP” (2008).

O primeiro álbum “Fantástico Urbano” (abril de 2014), reúne obras inéditas de compositores da música independente do Brasil. Em 2017, pelo selo Cendi Music, lança “Rasante” com arranjos e direção musical de Paulo Calasans e produção de Marco Bosco e músicas de Djavan, Marcos Valle, Fatíma Guedes, Jair de Oliveira, Jorge Vercillo, Luís Vagner, entre outros. Neste ano participou da 8º Edição do Mar Del Bossa, Festival Internacional de Bossa Nova, em Mar Del Plata/Argentina.

Em outubro de 2019, lança o terceiro álbum, “A Música Cantada de Paulinho Nogueira”, um tributo ao notável violonista e compositor Paulinho Nogueira, com participações de Ulisses Rocha, Sizão Machado, Nelson Faria, Luiz Carlos Sá e Marco Bosco.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Regina Dias para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevista por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 25.08.2020:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Regina Dias: Nasci no dia 09 de março em Ribeirão Preto – SP.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Regina Dias: Na idade escolar fiz aulas de Piano. A atividade fazia parte da educação familiar porque tínhamos piano em casa. Gostava de ouvir músicas e percebia que tinha maior afinidade pela Música Popular Brasileira com sonoridade mais apurada como a Bossa Nova.

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Regina Dias: Sou graduada em Enfermagem e Obstetrícia pela Universidade Federal de São Carlos, especialização em Enfermagem do Trabalho, atuo como enfermeira na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP). A música tem seu efeito alentador, quase que terapêutico principalmente após jornadas intensas de trabalho com a enfermagem. Realinha, recupera, restabelece o equilíbrio físico e mental.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Regina Dias: Os clássicos das músicas de rádio, a Bossa Nova, Baladas românticas americanas que praticamente trilharam minha puberdade, Rock, Pop, Samba-canção, Samba, vários ritmos. Gosto de harmonias e melodias elaboradas, com sonoridades elegantes e ritmadas. Tenho pouca afinidade pela música regional, exceto a de raiz. Talvez pela cadência e sonoridade, ela é menos habitual em meu repertório e audição.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Regina Dias: Iniciei-me nos anos 80 na música no primeiro ano de graduação de Enfermagem na UFSCar – Universidade Federal de São Carlos, como vocalista do grupo musical “Sassafrás”, formado por alunos e professores da Universidade, mas não imaginava que essa experiência me faria assumir a futura profissão de cantora, primeira profissão “remunerada” que contribuiu para o meu sustento fora de casa.

As apresentações em palcos foram com o grupo “Sassafrás” e logo passei a cantar em Bares, adquirindo maior segurança e experiência. Nessa época, década de 80, ouvia-se muito a música brasileira principalmente no circuito Universitário em que se destacavam os atuais: Djavan, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gonzaguinha, Simone, Ivan Lins, Milton Nascimento, etc.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Regina Dias: Tenho três álbuns lançados: 2014, 2017 e 2019. “FANTÁSTICO URBANO” (2014), o primeiro inteiramente concebido, produzido e gravado em

Araraquara, interior de São Paulo, no estúdio Outside Produção, direção e arranjos do pianista Murilo Barbosa, produção de áudio e mixagem de Marquinhos Froco. Arte e fotografias de Andri de Oliveira (D’Aoc Design). O trabalho gráfico faz referência à obra da artista plástica Odilla Mestriner. Os músicos participantes são amigos instrumentistas talentosos predominantemente do interior paulista: Thiago Carreri, Carrapicho, Eduardo Machado, Silvio Zalambani (Itália), Fabiano Nunes, Otávio Galli, Silvana Rangel, Emilio Martins, Julio Fejuca, Fabio Lopes, J P Barbosa, Emerson, Bruno Barbosa, Bidinho , Mauro Zacharias, voz de Adriana Genari) e convidados: Juarez Moreira, Edy Trombone, Samuca do Acordeon, Paulo de Viveiro. Das 15 músicas do CD, apenas duas são de compositores mais consagrados: “Jogo de Culpas” (Filó Machado/Elody Baro), ganhou ares de sambajazz. A clássica “E daí?”, (Miguel Gustavo) famosa nas vozes de Elis Regina, Elza Soares,

Elizete Cardoso, Maysa, ganhou contornos dramáticos similares ao tango. A canção consagra-se como a primeira versão do samba em tango, referência feita pelo crítico Zuza Homem de Mello em seu programa playlist do Zuza na Rádio Batuta, rádio USP.

As demais canções são de compositores magníficos conhecidos durante o circuito de Festivais de Música pelo Brasil, de vários estados do Brasil: “Fantástico Urbano” (Bia Mestriner), é composição da irmã de Regina, a já consagrada cantora e compositora Bia Mestriner. Bia se inspirou na linguagem visual sofisticada de Odilla para descrever a vida da própria artista, numa música que faz referência à artista. “Difícil Inverno” (Carlin de Almeida / Mauro Mendes): com letra romântica, esse samba-canção se transformou em bolero jazzístico, com direito a arranjo de cordas e presença do saxofonista italiano Silvio Zalambani; “Francisco e Maria” (Bia Mestriner): Bia descreve o romance entre dois personagens antagônicos, onde um é o rio e outro é o mar, numa composição delicada que lembra as mais belas composições de Chico Buarque e Edu Lobo;

“Sr. Compositor” (João Pernambuco / Marco Araújo): o arranjo desse samba-choro faz uma homenagem às sofisticadas harmonias do famoso arranjador e maestro Chiquinho do Acordeon, contando com a virtuosística participação do músico gaúcho Samuca do Acordeon; “Credo e Cruz” (André Fernandes / Mene Crosara): a letra desse samba “enigmático” descreve Pirenópolis/GO com seus lugares e elementos peculiares; o samba em cadência de enredo fica ainda mais complexo com o bandolim de 10 cordas do virtuose Carrapicho Rangel;

“O Beijo” (Marinho San): um samba “sapeca” na letra, com a presença dos metais de Mauro Zacarias (trombone) e do lendário trompetista Bidinho, cheio de referências setentistas no arranjo; “Amodeio” (André Fernandes): essa espécie de “blues romântico” tem o desenho sofisticado de uma guitarra à lá Tal Farlow do músico jauense, Fábio Lopes; “Marrento” (Felipe Radicetti / Clarisse Grova): uma descrição feliz e precisa que se encaixa no perfil de um político brasileiro típico, num ritmo de ijexá-funk que faz todo mundo dançar; “Pimenta” (Dimi Zumquê): os ritmos de funk e samba se intercalam nessa música que fala de amores urbanos, eternos, que brigam e fazem as pazes, que acontecem em novelas e em todo o lugar do mundo; “Candura” (André Fernandes): som de terra, de mandacaru, de ritmo africano; presença da fome, da alegria, da exploração e da fé no sertão brasileiro, retratados aqui nessa terceira composição de André Fernandes (paulista, natural de Ilha Solteira) no disco; “A Santa” (Paulo Monarco): um samba de gafieira que descreve uma Maria Madalena dos tempos modernos, uma “santa” que crucifica seus homens; “Sonhos Vãos” (Marcelo Ramos / Carla Cabral): a melodia tortuosa, lírica, com letra rebuscada, fazem desse samba uma pérola, requintada com arranjo de cordas e guitarra jazzística do mineiro Juarez Moreira. “Enigmar” (Floriano / Carla Cabral): um groove explicitamente inspirado nas baladas pungentes de Djavan emprestou a essa bela composição um ar de “hit” romântico, com sua bela melodia sinuosa e refrão heroico. Várias músicas caíram no gosto do público, entre elas, destaco “O BEIJO” (Marinho San) que chamou a atenção especialmente das crianças pela fácil assimilação e o ritmo; “E DAÍ”, (Proibição Inútil e Ilegal) ficou elegante e chamou a atenção pelo ineditismo da transformação de um clássico samba de Miguel Gustavo para uma leitura em tango.

Em 2016 conheci o pianista, arranjador Paulo Calasans e o percussionista e produtor Marco Bosco após apreciarem uma participação que fiz no primeiro CD do grupo Soul Mundo de Brotas – SP, oportunidade em que nasceu “RASANTE”. Em 2017 lancei o CD – “RASANTE” – Este segundo álbum contou com o suporte de excelente produção e o repertório com músicas de compositores renomados da música brasileira, que jamais pensei que pudesse gravar um dia. Músicas inéditas de Fátima Guedes, Jair Oliveira, Luís Vagner, Nilson Chaves, Vital Lima e regravações de Djavan, Marcos e Paulo Sergio Valle, Jair Oliveira e Jorge Jorge Vercillo. Produzido por Paulo Calasans e Marco Bosco, selo Cendi Music. Todos os arranjos de Paulo Calasans. Mixagem Marcelo Sabóia (RJ); Masterização Carlos de Freitas (Classic Master SP). “Número Ímpar” (Fatima Guedes), “Bom dia, anjo!” (Jair Oliveira), “Preciso Aprender a ser só” (Marcos Valle / Paulo Sérgio Valle); “Navio” (Djavan / Flavia Virginia / Max Viana); “Rasante” (Fátima Guedes); “Olhos de Nunca Mais” (Jorge Vercillo / Bráulio Gomes); “Corredeira” (Vital Lima / Leandro Dias); “Na Pele da Raça” (Nilson Chaves / Edgar Macedo); “Saiba que foi você” (Luiz Vagner / Claudio Abade / Itamar Figueiredo); “Seus Olhos” (Jair Oliveira); “Those Eyes” (Jair Oliveira) (Bônus).

“A MÚSICA CANTADA DE PAULINHO NOGUEIRA”, terceiro álbum lançado em outubro de 2019, faz referência ao notável instrumentista, violonista, compositor, professor, inventor da craviola, Paulinho Nogueira. Neste trabalho apresento as composições letradas do autor e de sua parceria com Paulo Cesar Pinheiro, Paulo Vanzolini, Adoniran Barbosa, Dulce Auriemo, Luiz Carlos Sá, Ilka Brunhilde. Violão, arranjos e direção musical de Ulisses Rocha, com Sizão Machado, Nelson Faria, Luiz Carlos Sá e Marco Bosco. Direção e produção de Marco Bosco, selo Cendi Music. O lançamento deu-se no Sesc Belenzinho em outubro de 2019, mês que seria de aniversário de Paulinho Nogueira com a participação desses músicos consagrados e a presença especial de Flávio Venturini. Estamos aguardando outras oportunidades para novos shows. Este álbum encontra-se em todas as plataformas digitais.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Regina Dias: Considero-me uma cantora versátil dentro da música popular brasileira, ritmos, suingues me envolvem bastante e me fazem “brincar” com divisões durante a interpretação. O Brasil é muito rico em ritmos, portanto o cardápio musical se alonga e abre leques de opções para se cantar. Sinto prazer em cantar e o faço de forma bastante envolvente que muitas vezes nem sinto o tempo passar. Meu conhecimento musical não é tão técnico e sim, um “feeling”, aponto o que desejo em estrutura musical, tenho ouvido relativo e identifico acordes pela sonoridade e dou muita opinião aos instrumentistas.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Regina Dias: Penso que ter o dom musical facilitou muito a assimilação do ato. Fui muito observadora na forma de cantar de algumas intérpretes. Cantar em público foi casual, inusitado e quando comecei a fazê-lo, foi de forma tímida, retraída como todo iniciante. Sentia o coração acelerado e muito ofegante. Com o tempo e a prática, esse quadro desvaneceu-se e a assimilação natural ajudou a boa colocação da voz. Fiz curto tempo de aprendizado vocal para assimilar alguns exercícios respiratórios e vocais. Estou em equilíbrio com minha voz e minha identidade musical, acho que possui um timbre bom, agradável e penso que seja resultado da maturidade e a experiência.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Regina Dias: No início, bem jovem, era universitária, praticava o “habitué” da época. Uma geração musical com hábitos hoje condenados à saúde da Voz, mas muito comum à época: ser fumante, aquecer a voz naturalmente com um destilado, falar, comer, era uma rotina normal em que a noite tinha um encanto especial movido à boemia. Cuidados são essenciais para preservação da boa saúde de cordas vocais. As pregas vocais são constituídas de tecidos musculosos, obtendo a mesma necessidade de cuidados com o organismo físico, o que deveríamos sempre praticar. Atualmente realizo maior ingesta hídrica (não era tão habitual), essencial para meu desempenho e realizo exercícios, fundamentais para a mente e corpo sãos. Sempre pratiquei esporte em níveis de competições e ainda mantenho atividades. Tenho convicção de que contribuem bastante para minha saúde física, consequentemente a preservação das cordas vocais.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Regina Dias: Gosto da geração dos grandes intérpretes, da geração 60-70. Meus preferidos são: Cláudya, Elis Regina, Wilson Simonal, Luiz Melodia, Marcia, Maysa, Dick Farney, Doris Monteiro, Gal, Emílio Santiago, Joyce, Caetano Veloso, Baby Consuelo, Tim Maia, Marisa Monte, Elza Soares nos tempos áureo, entre outros.

11) RM: Você compõe?

Regina Dias: Não sou compositora. Às vezes me inspiro, guardo alguns esboços, mas não é minha vocação. Tentei algumas vezes, sempre cheia de ideias. Sou um tanto impaciente e sinto necessidade de seguir independente. Arrependo-me de não ter sido uma instrumentista!

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Regina Dias: O artista independente tem autonomia e está constantemente em busca de sua meta, novos planos, liberdade em produzir e agir, sonhar com o triunfo de um feito e reconhecimento. Por outro lado, a avaliação crítica que o faz enaltecer, torna-se muitas vezes frustrante ao deparar com as dificuldades em obter espaços. Ouvia dizer que ao gravar um álbum, a valorização de uma intérprete se evidenciaria e portas se abririam, não no aspecto da fama, mas de oportunidades. Na prática, mesmo após o terceiro trabalho, o caminho continua sendo sinuoso, difícil, a luta para shows, apresentações, tudo muito árduo. Sou a cantora do interior com um acesso aos grandes centros dificultado por inúmeras barreiras, especialmente na divulgação e promoção dos trabalhos.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Regina Dias: Meu tempo é dividido com outras atividades e procuro ser organizada na elaboração de horários com equilíbrio entre todas e planejamentos antecedentes. Tenho administrado minha carreira musical na medida do possível. Desenvolvo os projetos que me afloram e na maioria das vezes faço os contatos e os vendo e tenho alguns produtores para as resoluções e encaminhamentos burocráticos. Procuro fazer a divulgação, contrato os músicos, etc. Tento me atualizar e assimilar com tecnologia, trabalhando junto às redes sociais e reforço que não tenho muita afinidade. Confesso que é bastante trabalhoso, mas ao final, dinâmico e nem tanto eficiente. Gostaria de ter um produtor artístico, uma produção fixa, mas é sempre muito oneroso.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Regina Dias: Tento angariar recursos e oportunidades em Procuro editais culturais (Proac, Petrobras, Municipais, Itaú Cultural, Natura, Virada Cultural, etc….), mas as dificuldades são muitas, devido à concorrência com artistas da grande mídia. Investi e conclui meus álbuns (CDs) quando alcancei uma condição financeira que me permitisse aplicar em projetos para um legado na minha carreira musical. Iniciei a produção de shows temáticos para teatros, unidades Sesc, casas noturnas e assim surgiram: shows temáticos como: Elis por Regina, Tributo à Nara, A Bossa Ainda É Nova, A História de um Valente – Nelson Cavaquinho; Samba de Rainha, Só Louco É Quem Me Diz – Rita Lee, Elas por Ela – (Márcia, Maysa, Nana Caymmi e Elis), entre outros. Para o lançamento de todos eles angariei recursos com empresas, departamento cultural, Universidades. Gosto muito de eventos temáticos porque me remetem às pesquisas e ao desafio da construção na expectativa do resultado final.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Regina Dias: A tecnologia facilitou a pesquisa, a produção, a divulgação, a promoção de trabalhos musicais e também a gravação. Quem a explora e tem conhecimento específico, avança de maneira exponencial. Utilizo as redes sociais para a divulgação e aproximação com as pessoas, mas como disse acima, tenho dificuldades. Por outro lado, há uma escassez de bons profissionais que poderiam atuar nessa promoção com maior penetração e acessibilidade. Sinto muito por ter iniciado minha carreira quando não havia meios de registros audiovisuais com tanta facilidade e disponibilidade como hoje. Acredito que a carreira teria maiores oportunidades.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Regina Dias: Como vantagem, maior acessibilidade à realização de projetos. A gravação de “Fantástico Urbano”, “Rasante” e “A Música Cantada de Paulinho Nogueira” foram realizados respectivamente, em Araraquara, Brotas e Bauru. de modo facilitado pela disponibilidade de bons recursos na região. O interior paulista tem ótimos e qualificados estúdios de gravação, com recursos técnicos diferenciados e acessíveis financeiramente. Como desvantagem considero a produção facilitada de produtos de muita variabilidade em qualidade.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Regina Dias: As plataformas digitais atualmente disponibilizam e permitem a distribuição ampla do produto. Como já dito, a internet é o modo maior dessa divulgação, só necessita de dedicação e envolvimento. O impulso da imprensa e das grandes mídias são fundamentais para informação de um novo trabalho. O difícil é chegar até ela.

20) RM: Como você analisa o cenário da música brasileira. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Regina Dias: Marisa Monte, Lenine, Jorge Vercillo, Jair Oliveira, etc. Alguns nomes do cenário musical têm parentesco com artistas consagrados, alcançando uma trajetória mais assegurada. Alguns são mais expressivos e convincentes e outros não. Tem muitas projeções com visibilidade, mas pouca durabilidade através da grande mídia, estamos diante de uma cultura mais descartável. A essência da mídia meramente comercial tomou uma força inexplicável que, muitas vezes não mede mais o talento e a qualidade. Uma pena!

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Regina Dias: Minha inclinação é mais tradicional com: Joyce, Caetano Veloso, Djavan, Rita Lee, João Bosco, Gilberto Gil, Lulu Santos, Guilherme Arantes, entre outros. Penso que hoje, o artista que reúne uma somatória de aptidões na profissão: composição, interpretação e instrumentação têm maiores oportunidades e geralmente se perpetua mais. Um diferencial contrapondo a época em que cada categoria era mais independente, quando o “intérprete”, tinha um papel importante e exclusivo no lançamento e divulgação de uma canção. A situação socioeconômica tornou o mercado de trabalho mais restrito ao “intérprete”.

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Regina Dias: Fico feliz em realizar novos projetos e novas metas, em ter espaços para cantar, em conseguir trabalhos. Triste por não conseguir divulgar as minhas músicas e obter maior abertura ao mercado. O acesso do artista do interior aos grandes centros é muito barrado e as oportunidades poucas.

24) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Regina Dias: Estamos vivendo um novo momento na cidade de São Carlos – SP com ativação de vários pontos de cultura, a recuperação do Teatro de Arena e Municipal, com isso a inclusão de artistas da cidade em eventos e datas comemorativas. Houve uma redução de Bares e Restaurantes com música ao vivo nesses últimos anos, mas que parece querer melhorar com o surgimento de algumas casas noturnas com estilos mais específicos, como blues, jazz, rock. Antigamente imperava o circuito cultural universitário, rico em atividades culturais e hoje, praticamente nulo em eventos. Alguns Bares estão abrindo espaço em suas agendas para músicos iniciantes. Em Ribeirão Preto – SP e Campinas – SP, há também a falta de oportunidade para os artistas da música local, especialmente da MPB, que vêm sofrendo com as poucas opções.

25) RM: Quais os músicos, bandas da cidade que você mora, que você indica como uma boa opção?

Regina Dias: Tem muita gente talentosa no interior de São Paulo, tenho trabalhado com todos eles. Destaco, Murilo Barbosa, Thiago Carreri, Rodrigo Zanc, Paulo Almeida, Duda Lazarini, Carrapicho Rangel, Bia Mestriner, Adriana Genari, Josimar Prince, Adriano Dias, Michel Cury, Victor Polo, Jorge Fernando, Magrão, Penha, João Cleber, Bizú Balbino, Carlinhos Machado, Pereira, Rodrigo Lancelotti, Marquinho Froco, André de

Souza, Emílio Martins, Bottinha, Ricieri, Tuca Fonseca, Banda Vinil 78, além de novos talentos surgindo nessa nova geração. Enfim muitos, o que se torna delicado enumerar, pelo risco de se cometer injustiças.

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Regina Dias: Sem pagar jabá, sem música tocamdo, é fato! Algumas poucas rádios como, Rádio Universitária (102,1) de São Carlos, Rádio USP Ribeirão Preto (107,9), Rádio Educativa Campinas (101,9), são as que tocam as músicas do primeiro e segundo disco. Tenho tentado contato, várias vezes nas web rádios, sem sucesso, pois não há retorno.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Regina Dias: Estude, mantenha o foco, desenvolva muito o potencial, não seja um número a mais, tenha diferencial, tenha responsabilidade, maturidade e esqueça a fama. O importante é a satisfação, a realização e a independência para isso! Para ter independência, que tenha uma atividade paralela, pois é difícil sobreviver da música no Brasil.

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Regina Dias: Os Festivais de MPB foram uma grande experiência e favoreceram intensamente o intercâmbio entre várias culturas regionais. Fiz grandes amigos, conheci cidades, viajei e me aventurei, reuni um acervo significativo de músicas, muitas delas, matéria prima para o meu primeiro CD – “Fantástico Urbano”. Conheci grandes talentos, artistas independentes conhecidos em suas regiões e desconhecidos para o resto do país. Algumas ressalvas em Festivais com certa parcialidade no seu contexto, que me decepcionaram.

29) RM: Os Festivais de Música revelam novos talentos?

Regina Dias: Difícil nos dias de hoje, mas podem revelar, porém difícil sustentar a visibilidade.

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Regina Dias: Penso que falta garimpar melhor o cenário, tem muito ouro escondido e, quando encontrar, estudar, informar-se e desenvolver um bom trabalho. Tive experiências ruins com a grande mídia por falta de informação e estudo sobre o tema. Chegaram a publicar que havia dividido palco com Nelson Cavaquinho, imagine, quando lancei o show produzido sobre o artista! O artista do interior não aparece muito em sua cidade, o que dirá fora dela e penso que o início seria por tentar investir com maior intensidade e valorizar os artistas da terra. Por outro lado, há uma valorização de trabalhos de qualidade duvidosa.

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Regina Dias: Essas entidades contribuem com a promoção cultural, são importantes e viabilizam estruturas para a realização de shows. Tive muitas oportunidades em unidades de SESC local e regional, atualmente um pouco mais escassas, talvez pela demanda. O acesso aos grandes centros é carente ao artista emergente do interior e isso dificulta a propagação de novos projetos produzidos. O interesse aos artistas da grande mídia ainda é muito mais evidente em relação aos independentes, o que torna a conquista mais dificultada.

32) RM: O circuito de Bar na sua cidade é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Regina Dias: O Bar em meu conceito é o momento, como e quando mostramos nosso trabalho e que estamos em atividade. Os cachês não são significativos e o músico dificilmente está incluído no “pacote” da Casa. Porém são oportunidades que aparecem e onde podem surgir novos trabalhos.

33) RM: Quais os seus projetos futuros?

Regina Dias: Conseguir divulgar meus discos e meu trabalho com maior intensidade e fazer shows como o tributo, recém lançado, de Paulinho Nogueira, além dos demais. Tenho a intenção de gravar um álbum com a temática voltada ao samba, samba-canção, vamos ver…

34) RM: Regina Dias, Quais seus contatos para show e para os fãs?

Regina Dias: (16) 99702 – 2887 | reginnadias@gmail.com |  Cartão Digital: http://bit.ly/ReginaDias | http://reginadias.mus.br

Facebook: https://www.facebook.com/regina.dias.1401

Instagran: https://www.instagram.com/reginadiascantora/

Spotify: https://open.spotify.com/artist/1LQxi1863KgKYPKUzHT6od

Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCA1MXoibOnvP14H84Eew0aw?

FANTÁSTICO URBANO (Bia Mestriner): https://www.youtube.com/watch?v=9b2oQAOE6OE

Regina Dias – Fantástico Urbano – “MARRENTO” (Felipe Radicetti/Clarisse Grova): https://www.youtube.com/watch?v=18640o12DYQ

Regina Dias – RAPAZ DE BEM (J. Alf): https://www.youtube.com/watch?v=wJWKhMbIVQI

Regina Dias – CASINHA DE MARAMBAIA (Henricão): https://www.youtube.com/watch?v=D0pzzioHs88

CANDURA (André Fernandes): https://www.youtube.com/watch?v=-x11S_7YDuE

Regina Dias – ALEM DO HORIZONTE ( Roberto Carlos/Erasmo Carlos): https://www.youtube.com/watch?v=-d1SeVMKHqg


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.

Publicado Por
Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa
Tags: entrevista
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