Rapper Pirata

rapper pirata

Rapper Pirata é um dos MCs paulistano de relevância na atualidade através da sua arte independente desde de 2000 que não fica somente em suas rimas, mas na sua atuação no cenário cultural e político da cidade.

Rapper Pirata realiza junto ao Fórum de Hip Hop Municipal São Paulo desde 2005 diversas articulações políticas para a efetivação das leis municipais voltadas para o hip hop e todas as áreas da cultura. Sempre em diálogo com os movimentos sociais e poder público em prol do hip hop e valorização do cenário artístico periférico.

Formado em jornalismo Rapper Pirata utiliza-se das ferramentas de comunicação como ação política e cultural em uma sociedade técnica cientifica e midiática, construído pela da indústria de entretenimento. Ele utiliza as ferramentas com intenção de se comunicar e valorizar a política sociocultural histórica do hip hop, e combater o racismo institucional. Exemplo a campanha Contra o Genocídio da Juventude Preta, Pobre e Periférica iniciada no ano de 2012.

“Única coisa que eu queria era um microfone para rimar”, frase sempre é dita pelo Rapper Pirata que também é produtor musical, de vídeos, de shows, artístico, cinegrafista, jornalista, ativista social e outras ações que vai desenvolvendo em sua carreira independente. Em seu repertório tem mais de trezentas letras compostas, diversos artigos, mais de cinco mil ocorrências no Google, noventa vídeos YouTube, 40 músicas gravadas.

Rapper Pirata é responsável por elaboração de oficinas educativas de comunicação comunitária, planejamentos de sócio político cultural, formação de rede, articulação sócio política, produção de música, técnicas do mundo do trabalho; Atendimento ao público, elaboração de eventos, gravação e produção de vídeos, manutenção e elaboração de comunicação virtual (blogs e site de relacionamento), palestras, elaboração, planejamento comunicação de eventos, técnica de audiovisual, gerenciamento de equipe, organização participativa em conferências e parlamentos políticos, campanha promocionais, comunicação comunitária e edição de vídeo.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Rapper Pirata para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 17.02.2020:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal? 

Rapper Pirata: Nasci no dia 09.09 em São Paulo – SP. Registrado como André Luiz dos Santos.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Rapper Pirata: Foi quando criança minha mãe e vizinhos ouviam pela rádio, então eu e meu irmão brincava de rádio. Depois a adolescência nas festas dançando. Agora a fazer! Eu tinha entre 16 e 17 anos ficava tirando sarro fazendo rap de improvisos, depois resolvi escrevi minha primeira música: Gira Mundo, Mundo Gira que retrava a vida das ruas e a crianças que viviam nela, já era politizada.

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Rapper Pirata: Comunicação Social – Jornalismo, Universidade Bandeirante de São Paulo (dezembro/2000). Pós-Graduação Latu Senso em Gestão de Projetos Sociais Politicas, Faculdade Paulista de Serviço Social. Curso Defensor Social – Defensoria pública de São Paulo. Gestão em Projetos Sociais, SENAC São Paulo. AUXILIAR TÉCNICO EM ESPETÁCULOS, PREFEITURA DE SÃO PAULO, NÓS NO CENTRO E CEEP. Idiomas: Espanhol intermediária e Inglês básico. Sou autodidata no estudo e produção musical e totalmente independente.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Rapper Pirata: Tim Maia, Tupac Shakur, Notorius, Gabylonia, Calle 13, Julio Voltio, Racionais MC’s; quase todos RAP mundial.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical? O que levou a escolher Rapper Pirata como nome artístico? 

Rapper Pirata: Nas ruas de São Paulo e de forma independente, pois cresci no centro velho de São Paulo. Rapper Pirata era o apelido da escola e das ruas, ai, já era, respeitei.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Rapper Pirata: Lancei um CD e depois da popularização das plataformas digitais não vi mais função do CD físico. Tenho mais 50 músicas nas plataformas digitais.

07) RM: Como você define seu estilo musical? 

Rapper Pirata: RAP.

08) RM: Você estudou técnica vocal? 

Rapper Pirata: Não! No RAP criamos própria técnica vocal e fazemos da voz um instrumento entre os beats(ritmos) para a música fazer parte da vida das pessoas.

09) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Rapper Pirata: Todos os cantores e cantores da indústria cultural é obrigado aceita-los.

10) RM: Como é o seu processo de compor?

Rapper Pirata: Componho pensando minha vida física e emocional em encontro com a realidade do povo que sou.

11) RM: Quais são seus principais parceiros de composição? 

Rapper Pirata: Os artistas que frequentam o Fórum de Hip Hop Municipal de São Paulo – https://www.forumhiphopmsp.com.br.

12) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Rapper Pirata: Um dos contras, é que o gosto musical é padronizado pela indústria cultural, então você pode fazer uma obra-prima que não será percebida, pois tudo tem que vender a partir da concepção do que é qualidade para indústria cultural. Já a vantagem é que você consegue ter acesso à liberdade de expressão e o seu caos organizado pelo seu cosmo musical.

13) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Rapper Pirata: Eu sou um artista que luta pelo direito coletivo e valorização dos artistas. E sei quais são as funções das políticas culturais do país e quem o acessa, então para o meu acesso preciso fazer o povo acessar, porque faço parte do povo.

14) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Rapper Pirata: Sou vídeo maker, jornalista, produtor, ativista sociopolítico e etc.. Uso todas as técnicas de comunicação e ferramentas para difundir meus sons.

15) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Rapper Pirata: Para mim só ajuda, pois fura os bloqueios e meus meios de comunicação da grande mídia. 

16) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Rapper Pirata: Os custos de produzir música RAP ficou mais suave, baixo custo financeiro e me tornei produtor musical do meu próprio trabalho. 

17) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Rapper Pirata: Sendo eu, o Rapper Pirata.

18) RM: Como você analisa o cenário do RAP brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Rapper Pirata: Puxa! Difícil falar do RAP nacional, pois ele ainda não é aceito pela indústria musical, uns sons até rola, mas sua indústria é invisível pela grande mídia, então somos os que melhores usam as mídias sociais pela internet. O RAP brasileiro é música nova, e a indústria cultural para controlar os direitos autorais do Brasil impõe ao povo a ouvir músicas antigas, pois ela que é dona dos direitos autorais dessas músicas, assim ela mantém sua fortuna.

19) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Rapper Pirata: Sou da cena independente e difícil esse conceito de profissionalismo, pois é um valor criado por grupos que sabem que só eles terão acesso, em razão das grandes fortunas que jogam em jabás e etc. Hoje chamam de publicidade, o que é crime constitucional.

20) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Rapper Pirata: A música é minha base para viver, então não há tristezas.

21) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Rapper Pirata: Pagar para rádio tocar uma música na sua programação de forma sistemática é crime e desorganiza toda a indústria cultural do Brasil. As pessoas gostam de músicas que elas nem sabem porque gostam, só vão na febre (moda).

22) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical? 

Rapper Pirata: Acreditar no que faz e fazer de verdade para evitar as frustações com a realidade que te obriga não acreditar em sua arte.

23) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música? 

Rapper Pirata: Não participo de Festival de Música nem de SLAM (é uma competição em que poetas leem ou recitam um trabalho original).

24) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira? 

Rapper Pirata: A grande mídia tentar controlar impondo as estéticas arianas transvestidas de profissionalismo.

25) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI, Itaú, Banco do Brasil e CAIXA Cultural para cena musical?

Rapper Pirata: Deveria promover e dar acesso aos artistas considerados não consolidados pela grande mídia brasileira. O objetivo desses espaços é vender imagem e não devolver os impostos para o Estado investir no direito cultural. Tudo é dominado por editais que não parecem nunca lícitos, porque na cena musical rola o tal: “Você conhece tal pessoa?”

26) RM: O circuito de Bar na sua cidade é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Rapper Pirata: Infelizmente, não para quem canta RAP. Somos o movimento que mais usam os espaços públicos para manifestar nossa arte.

27) RM: Quais os seus projetos futuros?

Rapper Pirata: Hoje estou no ritmo workaholic e hoje os meios de produção facilitar isso e curto. Bateu a inspiração vamos as panelas fazer música. A acessem as plataformas digitais: SounCloud, YouTube, Facebook e etc. Sempre há algo novo da minha produção musical.

28) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Rapper Pirata:  (11) 9.8216 – 2160 | [email protected] | www.rapperpirata.com.br | www.youtube.com/user/rapperpirata | https://soundcloud.com/andre-cleitonrap | https://soundcloud.com/rapperpirata | https://soundcloud.com/forumhiphopmsp


Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.