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Uma Revista criada em 2001
pelo jornalista, músico e poeta paraibano
Antonio Carlos da Fonseca Barbosa.

Rafyah


O cantor, produtor musical, compositor, multi-instrumentista carioca Rafyah Dread, surgiu como integrante da banda Positiva Mente, Nego Léo e fez parte dos projetos Quarteto Marley, Raízes que Tocam, Milton Justino como baixista.

Rafyah, ao longo de sua trajetória fez participações em shows, tais como: Rebel Layon (Haiti), Michael Thompson (JAM), Ras Haitrm (MOZ), Fauzi Beydoun (Tribo de Jah), Solano Jacob, Monte Zion, Raizes que Tocam, Yute Lions, Easy Star All Stars, S.O.J.A.

Segue baixo entrevista exclusiva com Rafyah para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 08.11.2021:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Rafyah: Nasci no dia 08.11.1983 no Rio de Janeiro – RJ. Registrado como Rafael Augusto de Mattos Ferreira.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Rafyah: Escutando músicas nacionais e internacionais que meus familiares escutavam.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Rafyah: Sou formado em Produção Fonográfica e na música sou autodidata.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Rafyah: Tenho influências de todas as passagens musicais que tive: FUNK carioca, Rock, Reggae, MPB, Charme, Blues, Jazz, RnB, Eletrônico, Afrobeat. Nenhuma deixou de ter sua importância, talvez só tenha perdido a incidência.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira profissional?

Rafyah Dread: Comecei aos 17 anos de idade (2000) no Rio de Janeiro quando decidi me dedicar a minha primeira banda de Punk Rock.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Rafyah: Lancei através do HempFyah (Rafyah dread e Brenno Dub) os singles no ritmo de reggae, NewRoots, DUB: “Sua Paz”, “Dádivas do amor”, “Verdade sincera”, “Ver pra crer”, “Rumores de guerra”, “Ação e reação”, “Bon vivant”, “HempFyah” e até o final de 2021 terão novos singles.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Rafyah: New Roots, miscigenação de vários estilos com o reggae e suas vertentes.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Rafyah: Estudei muito pouco, apenas um ano na Escola de Música Villa – Lobos, pois meu aprendizado foi autodidata.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Rafyah: A importância do estudo da técnica vocal é enorme! Até para você entender melhor suas criações e possibilidades de execução além de proteger e zelar pela voz com qualidade durante toda a vida.

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Rafyah: Admiro diversos. No reggae ou em outros ritmos. No reggae minhas referências maiores são: Bob Marley, Damian Marley, Mykal Rose, Chronixx, Koffee, Dezarie, Protoje, Sevana, Lila Iké, Morgan Heritage, etc…

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Rafyah: Normalmente eu crio uma base instrumental com um clima específico e eu penso em um tema de letras que se encaixe no clima da base e escrevo a letra com o dicionário e rimas do lado.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Rafyah: Não tive muitos, compus lindas canções com Bruno Ras e Daniel Fya na época de banda Positiva Mente e Brenno Dub no projeto Hempfyah. Hélio Bentes, Jeru Banto.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Rafyah: Inúmeras parcerias gravaram minhas músicas ao longo de minha carreira, Fauzi Beydoun da Tribo de Jah, Solano Jacob, Rebel Lyion, Michael Thompson, Helio Bentes, Jeru Banto, Banda Nazirê, Osas Destiny, Alienação Afrofuturista, Raízes que Tocam, Breddas, Lion Dornelas, Ras Haitrm… graças a Jah muitos nomes.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Rafyah: Os prós são: ditar as regras da minha música e da estratégia que quero adotar para lançamentos. Os contras são: a falta de suporte das grandes mídias de divulgação como rádio e televisão e gravadoras de peso.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Rafyah: Estudo, planejamento, criação de conteúdo, parcerias, engajamento, lives promoções, programas e patrocínios.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Rafyah: Marketing digital, escrever projetos e programas para canais de mídia e posts patrocinados além de distribuir a arte em canais de audiência massiva.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Rafyah: A internet ajuda o trabalho alcançar pessoas em qualquer lugar do mundo, porém a quantidade de distrações irrelevantes que competem com bons trabalhos atrapalha o acesso.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Rafyah: Vantagem do home estúdio é que hoje em dia qualquer um com determinação e foco consegue aprender a como gravar sua própria música, porém a qualidade técnica e profissional as vezes se perde por falta de experiência ou equipamentos, que ainda são muito caros e são poucos os lugares que te profissionalizam para conseguir a excelência do trabalho de uma gravadora gigante.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Rafyah: Realmente foi ótimo o acesso a esse recurso, porém não acho que a concorrência seja um problema, tem espaço para todo mundo. Agora fazer o que já foi feito não irá te ajudar no destaque, mas você fazer algo inovador que contenha também suas verdades e influências no mundo da música. Eu costumo miscigenar todas as minhas influências sonoras e daí obter minha assinatura única no meu trabalho.

20) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas e quais permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Rafyah: O cenário brasileiro é vasto e muito rico. As revelações são inúmeras. Óbvio que não podemos deixar de falar na Anitta, que mesmo não sendo do meu gosto musical ou mesmo nicho que o meu, vejo todo o lado empreendedor e musical crescendo. Não é à toa que é a nossa referência de sucesso inclusive lá fora. Mas se tem algo que ajuda a regredir não são músicos em si, mas são as ações e posicionamentos de determinados veículos de divulgação, como rádio e TV, pois não renovam suas programações. A grande mídia não tem intenção de promover nada que não proporcione lucro eminente e que não seja da sua panelinha. Além de só promover músicas sem conteúdo para idiotização do povo.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Rafyah: Damian Marley, cada dia me surpreende mais! Minha maior referência.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Rafyah: Não receber cachê e falta de condições técnicas acredito que todo músico já deve ter passado, porém já tive que ir andando numa rua de lama para poder chegar no show e executa-lo, pois se não o fizesse não teria show, pois chovia muito no dia.

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Rafyah: Não tem preço quando a sua música consegue atingir e conectar os corações de quem a escuta! O que me entristece é ver uma competitividade desnecessária no meio musical, pois tem espaço pra todos e teu trabalho fala por si só, não precisa de rasteiras ou disputas de ego.

24) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Rafyah: Não acredito! Infelizmente a gente vive um elitismo. Aquela cultura clássica do me faz rir (pague) pra eu te fazer rir! Durante longos anos vem sendo assim: Q.I. (Quem Indica $$$$).

25) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Rafyah: Tenha muita determinação, perseverança e ação! Não desanime a cada porta fechada ou cada caminho que precisa ser novamente percorrido! O que faz você ser um sucesso não é se ganha milhões com sua arte e sim se você se dedica com amor à arte e a executa da forma que seu coração a enxerga! Você por si só, já é um sucesso!

26) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Rafyah: A grande mídia é elitizada e totalmente corrompida, além de priorizar determinados estilos e largar as traças outros.

27) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Rafyah: A importância de se ter espaço para músicos tocarem é fundamental. Porém a gestão destes espaços muitas vezes é um entrave para um artista tocar lá. Sem falar em alguns boicotes de gestões que não querem fazer eventos por inúmeros motivos.

28) RM: Como você analisa o cenário do reggae no Brasil. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas e quais permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Rafyah: O cenário do reggae brasileiro é vasto, porém muito desunido e boicotado ao longo do tempo no Brasil. Ninguém quer dar visibilidade para o estilo musical que traz consciência, por isso o foco do Brasil e músicas sem conteúdo e sexualizadas. Acho que ainda faltam alguns nomes de peso do reggae participarem do mainstream brasileiro. Vejo muito o Hélio Bentes indo por um caminho que eu gosto muito além dele ser uma referência. Ainda acho que para o reggae bombar além de união é preciso que o reggae também seja propagado de forma justa e sem podas midiáticas, seja por jabá ou por elucidação do povo.

29) RM: Você é Rastafári?

Rafyah: Não! Sou espiritualista.

30) RM: Alguns adeptos da religião Rastafári afirmam que só eles fazem o reggae verdadeiro. Como você analisa tal afirmação?

Rafyah: Eu analiso da seguinte forma: uma passagem diz o seguinte: “dê a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” ou seja se eles escolheram acreditar nisso, deixa eles acreditarem nisso. Tá tudo bem! O que não pode ser feito é você deixar de acreditar na verdade da sua música porque A ou B não acreditam nessa verdade.

31) RM: Na sua opinião quais os motivos da cena reggae no Brasil não ter o mesmo prestígio que tem na Europa, nos EUA e no exterior em geral?

Rafyah: Acesso a informações, culturas, educação. Poucas pessoas sabem que o FUNK de favela e o Hip Hop dos DJs e MCs vieram da referência do Sound System jamaicano. Reggae é música do gueto como o RAP e o FUNK são aqui no Brasil.

32) RM: Quais os pros e contras de se apresentar com o formato Sound System?

Rafyah: Os prós são os paredões de caixas de som que trazem um clima único para esses eventos além de trazerem numa mesma seleção várias execuções distintas de MCs que fazem seus freestyles em cima. O clima de festival que tem é sem igual. O contra são a montagem dos equipamentos e suas manutenções que costumam ser bem caros e árduos.

33) RM: Quais as diferenças de se apresentar com banda em relação ao formato com Sound System?

Rafyah: Banda é mais orgânica e nuances de climas e intensidades, costumam mais falar na linguagem stereo, o Sound System tende a trabalhar mais com o Mono; não que isso seja uma regra, porém são formatos bem distintos, mas ambos muito eficientes em suas premissas.

34) RM: Como você analisa a relação que se faz do reggae e o uso da maconha?

Rafyah: Ainda é muito marginalizada a cannabis sativa e vista como recreativa. Poucos trazem a luz de que é uma planta de poder e tem diversas funções medicinais, espirituais e dependendo do uso e consciência podem ser bengalas e vícios.

35) RM: Como você analisa a relação que se faz do reggae com a cultura Rastafári?

Rafyah: Não tem como falar do reggae sem falar da cultura rastafári, porém nem todo reggae é Rasta e nem todo rastafári é músico de reggae exclusivo.

36) RM: Quais os seus projetos futuros?

Rafyah: Propagar minhas canções e ajudar a cena underground a se tornar mais visível para o público, ajudando a divulgar artistas que não são do mainstream a se promover.

37) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Rafyah: [email protected]

| https://www.facebook.com/rafyahdread

| http://instagram.com/rafyahdread

| https://soundcloud.com/rafyahdread

Canal: https://www.youtube.com/c/rafyah

Sua Paz (Vídeo Lyrics) – Hempfyah feat Natural Vbz Productions: https://www.youtube.com/watch?v=mhxvnS-mxqs

Dádiva do Amor (Vídeo Lyrics) – Hempfyah: https://www.youtube.com/watch?v=_c-PkRGL-kA

Verdade Sincera (clipe oficial) – Hempfyah: https://www.youtube.com/watch?v=YgDakZjx7G8

Ação e Reação (Video Lyric) – Hempfyah: https://www.youtube.com/watch?v=npBS61cVrik

Rumores de Guerra (clipe oficial) – Hempfyah: https://www.youtube.com/watch?v=DUI3yQ2daxc

Ver Pra Crer (clipe oficial) – Hempfyah: https://www.youtube.com/watch?v=hgxi9cIqlFo

Hempfyah (Video Lyric) – Hempfyah: https://www.youtube.com/watch?v=eHb9VvGhHTo

Bon Vivant (Video Lyric) – Hempfyah: https://www.youtube.com/watch?v=NeboyPeloSY

Playlist: https://www.youtube.com/watch?v=fD3HynP2E5s&list=PLabTHUr8-NLe8jhGTU_J0Ota_-IkmesKe

Playlist Hempfyah: https://www.youtube.com/watch?v=eHb9VvGhHTo&list=PLabTHUr8-NLe1VkdaMzXQ3zQ7Vl08rTPF

Playlist Positiva Mente: https://www.youtube.com/watch?v=9G3maw2lpUw&list=PLabTHUr8-NLeVeENpm3FcBpkEQazONr8X


Comments · 2

  1. Muito massa essa entrevista e que inteligência nas respostas, valeu Antonio Carlos por nos presentiar com essas entrevistas e o irmão Rafyah avante irmão você cê está na jornada certa com suas mensagens através da música.

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Uma Revista criada em 2001
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Antonio Carlos da Fonseca Barbosa.