Rafa Thor

Rafa Thor

O cantor, compositor Rafa Thor é cria da Cohab do interior de São Paulo, crava seu espaço com a bagagem de mais de 10 anos de carreira musical.

Rafa Thor tem talento musical, desenvoltura no palco e composições que fogem do reggae “paz e amor”, trazem a verdade e o peso que o artista defende e expõe em suas interpretações.

Rafa Thor traz no seu estilo a fusão do Reggae, gênero de maior influência, com MPB e o RAP, trazendo performances diferenciadas na vibe acústica, elétrica com banda e no formato de Sound System.

Já dividiu palco com Emicida, Djonga, Criolo, Rael, Planta & Raiz, Lulu Santos, Falamansa, Armandinho, Henrique Adonai do Cidade Verde Sounds, entre outros, contando com participações em Festivais como Encontro das Tribos, Pé na Areia e Colméia.

Rafa Thor, em seus trabalhos autorais, vem despertando a curiosidade de fãs por todo Brasil e no mundo, com mais de 180.000 plays nas plataformas digitais como o Spotify.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Rafa Thor para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 21.08.2020:

Índice

01) RitmoMelodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Rafa Thor: Nasci no dia 22.11.1987 em São Paulo, mas fui criado em Jaboticabal – SP desde os 3 anos de idade, me considero daqui. Registrado como Rafael Wulhynek.

02) RM: Conte como foi o seu primeiro contato com a música.

Rafa Thor: Meu pai comprou um Violão quando eu nasci. Ele queria aprender a tocar, mas deixou ele guardado. Quando eu fui crescendo pegava o Violão escondido para aprender a tocar e assim comecei, além de gostar de cantar desde pequeno.

03) RM: Qual sua formação musical e acadêmica fora música?

Rafa Thor: Na música sou autodidata e baseada na vivência na rua e depois com os músicos que toquei. Eu tenho o Ensino Médio completo e fiz quase dois anos de Faculdade de Educação Física, mas não terminei.

04) RM: Quais suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

Rafa Thor: Minha família e a rua onde moro trouxeram as informações musicais, meu pai me mostrou MPB, minha mãe ama o Roberto Carlos, meu irmão trouxe o Rock, na rua eu ouvia de tudo: Sertanejo, FUNK, RAP e conheci o Reggae através de experiências com amigos. No passado eu ouvia muito Pop Rock, mas deixaram de ter importância pela falta de personalidade na composição de quase todas as bandas. Hoje sou muito influenciado pelo RAP de Djonga, Criolo, Emicida, Rael, a maravilhosa Baiana System, Luedji Luna, o reggae de Henrique Adonai, Skip Marley e os clássicos como Bob Marley, Jacob Miller, Tim Maia, Racionais MC’s que nunca saem da playlist.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira profissional?

Rafa Thor: Comecei com bandinha de garagem, mas profissionalmente comecei aos 19 anos (1996) em uma banda de baile de Ribeirão Preto chamada Grupo Nós.

06) RM: Quantos discos lançados?

Rafa Thor: Hoje em dia o mercado musical é pelas plataformas digitais, cobra constância e novidade. Eu trabalho com música na noite, sou independente, preciso me programar para ter dinheiro para gravar e lançar música e ao invés de lançar álbum. Optei por lançar um single a cada dois meses no máximo e tenho um retorno grande de todas as canções: “Hey Girl”, tem quase 120.000 plays no spotify, “Clima do seu sorriso” estar com 90.000 plays no clipe do Facebook, “Reggae do interior” já tem mais de 30.000 plays no spotify, 30.000 no Facebook.

07) RM: Como você define seu estilo musical dentro da cena reggae? 

Rafa Thor: Um reggae contemporâneo.

08) RM: Como você se define como cantor/intérprete?

Rafa Thor: Um artista, que quer fazer arte, independente de estilo e sempre com uma visão voltada para sociedade.

09) RM: Quais os cantores e cantoras que você admira?

Rafa Thor: Gosto muito do Rael, Russo Passa Pusso, mulher gosto de Drika Barbosa e Luedji Luna.

10) RM: Quem são seus parceiros musicais?

Rafa Thor: Componho sozinho, tento escrever textos todos os dias, já fiz alguns feets mas nunca tive um parceiro musical.

11) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Rafa Thor: Pros: a liberdade da arte. Contra: a falta de dinheiro.

12) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver sua carreira?

Rafa Thor: Acho que não existe música independente sem o empreendedorismo do artista, faço marketing digital, venda de shows, ações sociais e não sociais, gestão econômica da carreira e tudo mais (riso).

13) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da sua carreira?

Rafa Thor: Ela ajuda demais para nós chegarmos em todos os lugares do mundo, ano passado meu reggae em 79 países. Acho difícil conseguir o espaço de forma orgânica, pela quantidade de conteúdos que chegam por dia para as pessoas.

14) RM: Como você analisa o cenário reggae brasileiro? Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Rafa Thor: Eu não tenho gostado muito do cenário do reggae nacional, pois sinto falta de posicionamento político dentro e fora do palco. A galera fala muito em fumar maconha, “good vibe” e não fala do uso medicinal do Cannabis, não aborda os problemas sociais com uma personalidade. Acho “Ponto de Equilíbrio” a banda mais firme no estilo reggae. A banda “Mato seco” faz um reggae que chamam de resistência, mas nas eleições disseram que todos os políticos eram iguais naquele momento, achei lamentável.

15) RM: Quais as vantagens e desvantagens do fácil acesso à tecnologia de gravação (Home Studio)?

Rafa Thor: Acho o Home Studio muito bom, meus amigos da quebrada (comunidade) podem gravar também, antes não teriam condições financeira para gravar suas músicas.

16) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Rafa Thor: Rael, é perfeito como cantor, Henrique Adonai, canta muito e é humildade. Criolo, Djonga, Emicida, Russo do Baiana, B Negão, são caras que admiro além do palco, como pessoas e o que trazem de volta para sociedade.

17) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para shows, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Rafa Thor: Foram tantas as situações citadas na pergunta que acontecerem que daria um livro (risos). Mas teve uma vez que terminamos o show com o Grupo Nós, e o pessoal começou a brigar, e quebraram todo o clube, tentaram invadir o camarim, tomei uma pedrada na testa. Foi uma loucura (risos).

18) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Rafa Thor: Fico feliz em ver meu som emocionando as pessoas e chegando por lugares que nunca imaginei chegar. Fico triste pela desigualdade que vejo no cenário musical, por conta de preconceitos, falta de grana e tudo mais.

19) RM: Nos apresente a cena musical na cidade que você mora?

Rafa Thor: Jaboticabal – SP é composta de artistas de vários estilos, temos do FUNK a uma Orquestra. Muitos artistas sensacionais, não posso citar um só porque existem muitos e de qualidade. Jaboticabal é chamada de cidade da música, apesar do conservadorismo aqui, a arte resiste.

20) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá suas músicas tocarão nas rádios?

Rafa Thor: Já está sendo tocada nas rádios comunitárias e web rádios.

21) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Rafa Thor: Força, paciência e resistência.

22) RM: Como você analisa a relação que se faz do reggae com o uso da maconha?

Rafa Thor: As pessoas tem muito preconceito pela falta de conhecimento, por conta do racismo estrutural e tem uma galera da cena Reggae, que “queima a própria cena”, deixa a desejar pela falta de comprometimento com a Informação.

23) RM: Como você analisa a relação que se faz do reggae com a religião Rastafári?

Rafa Thor: Conheço bem pouco da cultura Rastafári, admiro, mas prefiro não falar sobre o que não conheço. Sou umbandista.

24) RM: Os adeptos a religião Rastafári afirmam que só eles fazem o reggae verdadeiro. Como você analisa essa afirmação?

Rafa Thor: Respeito a opinião de quem afirma, mas não concordo com a afirmação.

25) RM: Na sua opinião porque o reggae no Brasil não tem o mesmo prestigio que tem na Europa, nos EUA e no exterior em geral?

Rafa Thor: Acho que é uma questão cultural.

26) RM: Quais os prós e contras de usar o Riddim como base instrumental?

Rafa Thor: Eu adoro, me ajuda demais. Só acho ruim que na hora do show, não traz a mesma energia do reggae com a banda.

27) RM: Você faz a sua letra em cima de um Riddim já conhecido usando uma linha melódica diferente?

Rafa Thor: Não, prefiro riddims desconhecidos da galera.

28) RM: Você acrescenta e exclui arranjos de um Riddim já conhecido?

Rafa Thor: Eu nunca usei arranjos de riddims conhecidos

29) RM: Quais os prós e contras de fazer show usando o formato Sound System (base instrumental sem voz)?

Rafa Thor: O formato Sound System é mais fácil de vender o show, só é ruim a falta da troca de energia com outros músicos no palco, como acontece no formato banda.

30) RM: Quais os seus projetos futuros?

Rafa Thor: Gravar mais músicas e viver da minha música autoral.

31) RM: Rafa Thor, Quais os seus contatos para show e para os fãs?

Rafa Thor: (16) 99962 – 6665 | rafathor@gmail.com

| https://web.facebook.com/rafathor

|https://www.facebook.com/RafaThorWulhyneK

| https://www.instagram.com/rafathor87 

Canal: https://www.youtube.com/c/RafaThor87 

Dedo na ferida – Rafa Thor (prod. Bruno Dupre): https://www.youtube.com/watch?v=7FxxrYIxE6I

Reggae do Interior: https://www.youtube.com/watch?v=xSFbItaeULo 

Hey Girl (Clipe): https://www.youtube.com/watch?v=_NPfoXZcr08 

Acalanto – Rafa Thor & Caio Dondá feat. Giordano Del Vecchio: https://www.youtube.com/watch?v=9fIpiQCnK4A 

Clima do Seu Sorriso (Menina): https://www.youtube.com/watch?v=A9RHqnIVvIY 

Rafa Thor e Adriel – Reecontro: https://www.youtube.com/watch?v=3vyurI0Z4ig 

Spotify: https://open.spotify.com/artist/0b37FMkKStaVEskIPMrITz

Dedo na ferida: https://open.spotify.com/track/75ASXJPVhd3YRyov6BEpDh?si=dwt52Iz1QBSLpyqnkPFM6g

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.