Pássaro Unitário

Pássaro Unitário

O cantor, compositor, poeta e jornalista potiguar Gladson Morais é o idealizador do projeto de rock ’n’ roll Pássaro Unitário, lançou em março de 2021 o seu primeiro álbum – “Seja Justo Antes Que o Dia Acabe” com 11 músicas, todas compostas solitariamente por ele, o Pássaro Unitário. As canções já estão nas plataformas digitais e no canal Pássaro Unitário no YouTube.

A trajetória do Pássaro Unitário na produção artística foi iniciada pela poesia com a publicação do livro “Paramnésia” (1998). Com uma influência muito forte dos poetas soturnos europeus e brasileiros, a obra de Gladson tem um caráter bem urbano, onde a crônica, o verso livre, a filosofia e o rock ’n’ roll são os elementos utilizados na construção das suas canções, das suas figuras de linguagem e no som carregado de um cotidiano que busca a fuga do padrão e a lógica de compor novas figuras com palavras e versos não usuais.

Graduado em Jornalismo e pós-graduado em Marketing, Gladson Morais é uma soma de equações não exatas onde a vivência e a leitura construíram o artista intuitivo, que aprendeu a fazer poesia lendo poesia, que aprendeu a fazer música ouvindo música, que aprendeu a filosofar lendo filosofia. E mesmo sem um estudo formal das artes, aprendeu a ler e construir os códigos solitariamente compondo uma arte a qual ele mesmo define com intuitiva, visceral e punk na simbologia do “Faça Você Mesmo”.

Nesta entrevista, o Pássaro Unitário assovia sobre sua vida, sua obra, sua forma de compor música e abre o espaço para divagações, dando aos seus relatos aquela ambiência de movimento que nos imprime novidades em ouvir como se passeia pela vida refletindo o cotidiano e o transformando em poesia, música, filosofia e arte.

O álbum – “Seja Justo Antes Que o Dia Acabe” parece ter uma conexão linear entre cada canção como se uma traduzisse a anterior e vice-versa. Versos como “a opinião que contesta, a escrita que combate, a informação que liberta, a verdade que não faz caridade…”, da canção de abertura (Lanterna de Diógenes), fluem com um encaixe singular com as últimas palavras de “Canção Pra Se Encontrar”, que fecha o álbum afirmando que “viver é se equilibrar no tempo, aguentar bebida forte em bar escuro, aceitar o que mudar não se pode plantar muito mais do que colher”.

O teor filosófico das letras é logo declarado na abertura da obra onde a canção “Lanterna de Diógenes” (em referência ao filósofo grego), traça uma relação de reflexão sobre o que é justiça, contrapontos, virtude e declaração de infinito. A faixa seguinte, “Uma História Nova”, embalada no som de um contrabaixo marcado, arma a atmosfera entre o mundo material e o psicológico numa relação impressa na imagem de quem abre a geladeira procurando paz e não a encontra, mas que se mostra acalentado pelos versos: “depois de tudo sempre haverá uma história nova pra contar”.

Na faixa “Estrada”, uma balada com jeitão de blues, vemos quase uma oração. A canção pede um blues para os deserdados e sofredores deste mundo. Um blues que acalente, dilua nevoeiros concluindo que todos temos nosso próprio inferno e é de estrada que somos feitos. Na tônica do ambiente filosófico, o álbum segue com “Sessenta Segundos”, cita Epicuro de Samos (filósofo grego) e despeja tudo num refrão envolvente cheio de rock ’n’ roll, que conclui: “não há nada do que preciso que eu já não tenha, tá tudo aqui em mim”.

O lado cronista se declara na faixa seguinte, que conta a história de “Letícia” e nela expõe a angústia daquele que chora escondido, e por isso, todos pensam que ele estar em paz. A letra revela uma Letícia que em algum momento nos passou, passa ou passará em nós ou a nossa frente. Aquela que busca na alucinação o antídoto para a realidade dura e fria. Ainda nesse campo, a canção “Criptonita” mistura versos sobre um rock bem vibrante e trata do tema do suicídio numa faixa que diz: “os bares cheios, os copos cheios, a vida cheia, tudo cheio sem nada completar”, e confessa entender aqueles que “preferem pular”.

O álbum também conta com canções sociais que exaltam a utopia, a defesa do frágil, a revolução, os meninos e meninas que querem mudar o mundo, como ocorre em “A Ponta Sobre o Mar”, que nos versos lembra do Cavaleiro da Esperança (Luiz Carlos Prestes), cita Dom Quixote (Miguel de Cervantes) e flerta com tema da filosofia Tibetana. Isso tudo de uma maneira compacta é uníssona, mostrando uma linha lógica entre as esferas.

O lado social de denúncia também cabe no álbum “Seja Justo Antes Que o Dia Acabe” impresso na letra e no som de “Guerrilheiro Urbano”. Um rock com guitarras marcantes que versa sobre a exploração do trabalho humano. Versos como “a vida pingando sangue no sal” e “a lei é a ordem da injustiça” dão a tônica de uma canção que é uma crônica musicada.

Já nas faixas “Beatnik Envelhecido” e “Café de Inverno” é possível sentir uma sequência que enamora uma relação de amor, de adeus, de paz na solidão. Algo como se fazer satisfeito mesmo diante dos contrapassos da vida. A primeira navega num refrão que diz “quando canto me sinto melhor sem você” e a segunda, como um complemento da anterior, sentencia: “o mundo não tem tempo pra tela do meu lamento”, que passa todos os traços de uma crônica cheia de poesia ambientada no que poderíamos chamar de café bar, e que vai desaguar na 11ª e última canção do álbum, “Canção Pra Se Encontrar”, uma balada cheia de leveza nas guitarras e violões que dialogam com versos como “onde foi que se escondeu o que tanto você quis ser”.

Enfim, Seja Justo Ante Que o Dia Acabe é um álbum de rock ’n’ roll, filosofia e poesia com destaque ainda para os bons arranjos de guitarras e baterias que sequenciam as 11 faixas, mostrando que ainda é possível fazer rock ‘n’ roll com pautas não usuais e cheias de concepções que mexem com o ser.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Gladson Morais para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 04.04.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?Pássaro Unitário

Gladson Morais: Eu nasci no dia 04 de abril de 1975 em Natal, Rio Grande do Norte.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Pássaro Unitário | Gladson Morais: Buscando com cautela nas minhas reminiscências, os primeiros contatos que tive com a música foram através da voz da minha mãe. Ela sempre gostou de cantar à capela enquanto fazia uma tarefa e outra de casa. E lembro muito bem das canções que ela entonava naquele tempo. Eram hits dos cantores e bandas brasileiras dos anos 60, 70… era o som do Renato e Seus Blue Caps, The Fevers, Os Incríveis, Roberto e Erasmo Carlos, e coisas mais populares da MPB também. Minha mãe transitava pelo que os teóricos definem como mundo musical eclético.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Pássaro Unitário | Gladson Morais: Sou graduado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e pós-graduado em Marketing Estratégico pela UNI-RN. Já em relação a conhecimento formal em música, não o tenho. Minha bagagem musical foi conseguida na estrada de ouvir muito, sentir muito, andar, tocar e cantar com amigos músicos e construir no meu espaço concepções musicais intuitivas que deram base e forma a arte musical que produzo. Não me orgulho de não ter formação em música, pois entendo ser essa formação um passo importante, seja para o músico mediano ou mesmo para aquele com capacidade de assimilação musical acima do todo. A música é o aprendizado de tocar almas e quanto mais estudamos podemos sentir melhor essas salas, atmosferas e ambientes, consequentemente, podemos fazer a leitura mais correta, ou a descodificação dos deuses (risos).

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Pássaro Unitário | Gladson Morais: Essa onda de influências é um lance engraçado que acontece comigo. Eu, sempre leio que a influência já veio antes, de outras vidas (risos). Eu explico… Sempre ouvia muita música que outras pessoas colocavam para escutar. Fui criado mudando muito de cidades devido o trabalho do meu pai e eram muitas cidades do interior do Estado onde a música que chegava era aquela permitida pelas TVs e rádios. E até meus 13 anos mais ou menos, esse ambiente musical não me tocava. Na verdade, nem um aparelho de som tinha vontade de ter. Até que certo dia ouvi na voz de um amigo a canção “Eu Nasci há 10 Mil Anos Atrás”, do Maluco Beleza, Raul Seixas. Pronto. Foi o gatilho. Daí então senti a música. Melodia e letra que me disseram algo em relação ao mundo ao qual eu estava inserido. Então, influências nacionais: Raul Seixas, Cazuza, Legião Urbana, Marcelo Nova, Belchior… e as internacionais: Bob Dylan, Neil Young, Lou Reed, Jonh Lennon, The Doors, Chuck Berry, Janis Joplin, muito rock, blues e folk music dos anos 60, 70 e 80. Todas essas influências continuam valendo até hoje. Continuo ouvindo e sendo influenciado por essa turma toda. Agora claro, o tempo vai compondo em nós novos formatos de influência. Melodias e letras boas permanecem influenciado todo tempo.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical? Qual motivo de usar um nome de banda em trabalho autoral solo?

Pássaro Unitário | Gladson Morais: Rapaz, tenho sempre comigo que o artista, o músico, o cara que lida com a arte do sentir, inicia sua carreira no primeiro momento em que é tocado pela canção. Daí então é aberto o processo de formação musical, que vai culminar na produção de um trabalho autoral, que entendo como o cume da montanha com vista ao horizonte dos céus, sombras, tempestades e calmarias. Claro que esse processo é eterno, afinal a evolução é um ato de movimento constante. Partindo dessa premissa, iniciei minha carreira ouvindo rock ’n’ roll, cantando rock ’n’ roll, escrevendo poesia rock ’n’ roll. E de 2019 para cá, compondo em melodia e letra rock ’n’ roll. Entendo meus passos musicais como um processo lento, mas constante. Um processo que culminou numa explosão de mais de 50 composições num intervalo de tempo de um ano e meio, de quando compus a primeira até agora. Já a forma de montar esse projeto com nome de banda vem simplesmente da beleza de trabalhar para algo e não necessariamente para mim. Coisa de maluco de quem sempre amou tocar com os amigos nos bares da vida, nas calouradas de faculdade e nas garagens na minha adolescência. O espírito de banda é fascinante. Faz me ver melhor em mim mesmo. Não estou só (risos).

06) RM: E o nome Pássaro Unitário?

Pássaro Unitário | Gladson Morais: Cara, o lance de Pássaro Unitário é algo que me traduz enquanto ser neste mundo estranho. Essa nomenclatura foi talhada em 1996, 1997. É um poema que escrevi que fala de alguém feliz por ser único no bando. Bando de um só. Fala de não olhar pra trás. É um poema que consegui me traduzir e dei o nome de Pássaro Unitário. Na verdade, esse ficou sendo o nome do livro de poemas que ainda não cheguei a publicar. Outra coisa é que o Pássaro Unitário traduz muito do meu processo de criação. O isolamento que entro para compor minhas melodias e letras. O fato de tocar meu violão sozinho e tentar me ler nas canções que componho. Não poderia ser outro termo. O Pássaro Unitário sou eu mesmo. Depois, me deparei com um poema do Charles Bukowski intitulado “Blue Bird”. Pensei, esse é o Pássaro Unitário do Bukowski (risos).

07) RM: Quantos CDs lançados?

Pássaro Unitário | Gladson Morais: Concluímos um trabalho longo que culminou no primeiro álbum do Pássaro Unitário. O trabalho se chamar “Seja Justo Antes Que o Dia Acabe”. São 11 canções de minha autoria, sendo oito produzidas por Carleton Leonard e as três por Fernando Oliveira. O álbum já estar nas plataformas musicais (Deezer, Spotify…etc) e no canal no Youtube para promover o trabalho musical do Pássaro Unitário. Mas já tem músicas para mais quatro álbuns.

08) RM: Como você define seu estilo musical?

Pássaro Unitário | Gladson Morais: Definições são sempre riscos no campo da subjetividade que é a arte. Penso que definir um artista é tentativa assombrada mais por erros do que por acertos. Mas tentando me olhar no espelho dizer sem qualquer sombra de dúvida que busco a sonoridade e o verbo rock ’n’ roll. Minhas canções são meu acalanto, minha dor, minha salvação. Sou um leitor dos chamados poetas malditos, como Baudelaire, Rimbaud, Dylan Thomas, os beatniks. Os soturnos brasileiros como Manuel Bandeira… ou mesmo o mago do cotidiano, Mario Quintana… E ainda tem os filósofos, Epicuro, Sócrates, Platão, Diógenes, Kant… Isso tudo compõe a minha atmosfera rock ’n’ roll que traduzo em letra e melodia.

09) RM: Você estudou técnica vocal?

Pássaro Unitário | Gladson Morais: Esse lance do estudo vocal é meio que engraçado no meu caso. Nunca estudei formalmente canto, mas tenho uma história de quatro anos que, certamente, me fez desenvolver afinação e outras técnicas intuitivas de vocal. É que estudei em colégio católico de freiras dos 10 aos 14 anos, e tive minhas primeiras experiências de canto lá. Era aquela coisa. Antes de entrar na sala de aula íamos para um auditório onde havia a prece e cantos católicos cantados em coro por todos os presentes. Tinha as várias situações na capela onde o canto era uma constante. Era uma escola onde o canto era presente diariamente. E essa foi minha escola inicial para equilibrar o canto.

10) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Pássaro Unitário | Gladson Morais: A técnica nos ajuda a chegar mais rápido aonde queremos. Assim sendo, o estudo da técnica vocal e de canto são importantes. Cuidar da voz também é um fator primordial para o cantor. Mas vá dizer isso a um roqueiro (risos).

11) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Pássaro Unitário | Gladson Morais:

Cara, tenho várias vozes que me tocam. Dos cantores nacionais cito o Renato Russo, o Nasi, o Marcelo Nova… Já os gringos gosto do John Lennon, Neil Young, Jim Morrison (The Doors), Morrissey (The Smiths)… Das cantoras brasileiras tenho admiração por Cássia Eller, é uma voz que faz falta. Sinto muita harmonia na Adriana Calcanhotto, inclusive tem um álbum dela chamado “A Fábrica do Poema”, que é de uma beleza singular. Rita Lee, Fernanda Takai, Marisa Monte, Dulce Quental… Já as vozes gringas, tem a Joni Mitchell, Patti Smith, Janis Joplin…

12) RM: Como é seu processo de compor?

Pássaro Unitário | Gladson Morais: Meu processo de composição inicia com uma ideia sombreada num canto qualquer do dia. Essa ideia alimenta um movimento de letra e melodia que me motiva ao isolamento, a reflexão e ao trabalho de construir a canção. Dessa maneira, me tranco no quarto e início o processo de composição, onde letra e melodia vão nascendo juntas nos acordes do meu violão. Muitas vezes tenho versos já prontos que caem exatos na melodia e na pauta que quero trazer na canção, porém na maior parte das vezes a onda vai fluindo e dando vida a letra e melodia, espírito e corpo juntados e embalados nas cordas de aço do violão.

13) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Pássaro Unitário | Gladson Morais: Na verdade, sou Pássaro Unitário (risos)… Por enquanto meu parceiro sou eu mesmo. São 58 composições construídas pelo “trovador solitário”, o Pássaro Unitário (Risos). Já o processo de produção das canções conto com parceiros. Até o momento, tenho apenas duas composições musicais com parceria, sendo a primeira canção que surgiu de uma parceria com a cantora e compositora carioca Joyce Kelly, que colocou melodia no meu poema Labirinto de Baton. E a segunda com o músico mineiro Marco Antonio Bouquad, na canção “Tempos Estranhos”, quando coloquei a letra numa melodia composta por ele.

14) RM: Alguns compositores já declaram o fim da canção. Qual a sua opinião sobre essa afirmação?

Pássaro Unitário | Gladson Morais: Não acredito muito nesse lance de fim. As coisas estão em movimento e passíveis a todo tempo de mudanças. Entendo a canção como entendo a poesia. E a canção vibra e vibra muito, principalmente no underground. Há muitas canções sendo produzidas. Boas e belas canções. Talvez ainda distante do processo de massa. Longe dos holofotes. Mas também há canções na frente do palco. Artistas que fazem da música uma estrada de arte. A impressão que tenho é que estamos sendo tragados por mudanças abruptas sequenciadas, o que, de repente, nos deixam meio melancólicos, negativistas e acabamos subindo aos montes, feitos profetas desolados, anunciando o fim das virtudes. Acredito que a canção continua, senão, não sobreviveríamos neste mundo. Agora todos nós sabemos que há é um processo de repetição. Um processo de clichês onde o artista produz numa fôrma moldada a agradar o que ele pensa que agrada ao público. Aí vem aquela velha bronca de versos repetidos, modelos de pré-moldados culturais e melodias de linha de montagem. E isso mata a canção, mas mata a canção daquele artista, não a canção como um todo. Entende?

15) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Pássaro Unitário | Gladson Morais: Tem um verso de uma canção minha chamada “Jardim de Lua Branca” que defino que “toda liberdade é solitária”. Então o processo de ter uma carreira independente é um processo solitário e ser solitário é bom, e também é ruim. Bom no agir sem ter que explicar o mundo e ruim em permear a dúvida do que o que é produzido tem mesmo valor artístico já que não alcança tanto público. É lance estranho, mais muito romântico. Ser independente musicalmente é ser um Paulo Leminski das letras, porém tem que “aguentar bebida forte em bar escuro”, como disse num dos versos de “Canção Pra Se Encontrar”. Agora me parece que os artistas não querem ser independentes. Parece que o lance do independente é uma condição do mercado, do capital que deixa de absorver sua arte, então vamos mastigar alucinógenos em outras estações (risos). Não sei ao certo. É uma pauta que precisa ser mais aprofundada.

16) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Pássaro Unitário | Gladson Morais: Hoje minha estratégia de planejamento de carreira tá muito focada nas plataformas musicais. Esse é o palco que estou trabalhando, até porque meu primeiro álbum tá pronto e estou divulgando suas 11 canções lá. Mas confesso, que mesmo possuindo MBA em Marketing Estratégico não me atrai esse lance de regras de mercado. Sou meio aéreo em montar esquema mercadológico mais por desinteresse do que por capacidade técnica para agir, porém entendo que é necessário.

17) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Pássaro Unitário | Gladson Morais: Como citei na pergunta anterior, o empreendedorismo não é muito o meu plano de voo. Artista empreendedor é caso a ser estudado (risos). Traço algumas práticas utilizando as redes sociais onde trabalho versos das minhas canções, refrãos e as canções inteiras em versões acústicas. Então o artista independente tem que ser multifacetado. Tem que entender de designer, de produção e edição de vídeo, gravação de voz e instrumentos… ou seja, tem que ser um super – cara e dentro desse leque formatar suas estratégias de divulgação tendo a internet como planeta. Acho que é por aí…

18) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Pássaro Unitário | Gladson Morais: A internet é a principal ferramenta de divulgação do artista, e quanto mais independente, mais dependente da net. É um espaço que democratiza a arte. E conta como um dos maiores meios de audição de música do mundo, se não for o primeiro. Então a internet abre o espaço que as gravadoras tradicionais não dão ao artista independente. Agora, claro que sabemos que os meios tradicionais são ainda formatos muito poderosos e contam muito para o que é mais ouvido na net e temos consciência que a indústria há tempos também tomou conta da net. Porém não dita como a tirania do passado e artistas sem espaço tradicional chegam ao que chamam de sucesso e aos meios tradicionais por intermédio da net.

19) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Pássaro Unitário | Gladson Morais: O home estúdio é o presente do futuro. Cada vez mais utilizado e não somente pelos artistas independentes, mas também pelo casting das grandes gravadoras. Só consigo ver vantagens no home estúdio. É um ótimo espaço para experimentações, aproxima mais o artista de si mesmo, é uma porta aberta a todo tempo para as ideias que aparecem de uma hora a outra. Bem, é um céu de formatação de arte em casa.

20) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Pássaro Unitário | Gladson Morais: Acredito muito na autenticidade do projeto. No plano de criar com sinceridade artística avessa a mandamentos impositivos de mercado. Revelar formatos de até mesmo dizer a mesma coisa, mas de maneira diferente, de forma poética, com uma concepção de novo sentido. Busco isso a todo tempo nas minhas canções. Não sei se consigo (risos). É aquela história de colocar verdade sem pensar no aplauso, mas que te faz se orgulhar do que você faz porque isso te agrada, isso dar sentido a tua vida, isso completa lacunas e abre novas dimensões no seu eu. Não acredito em obra que não emociona o criador. Entende? Quanto as dificuldades elas parecem que estão sempre presentes. Assim como a tecnologia avança, as dificuldades também se mostram jovens de alguma maneira. Antes era a batalha hercúlea de gravar um CD. Hoje de fazer o CD ser ouvido. Nesse ponto sou otimista e vejo que hoje podemos compor nossa obra e gravar em CD. E mesmo que o alcance não seja tão grande quanto gostaríamos, temos a obra, e isso, por si só, é um avanço maravilhoso.

21) RM: Como você analisa o cenário do Rock no Brasil. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Pássaro Unitário | Gladson Morais: Cara, a percepção que tenho é que o rock brasileiro é muito bom. Não somente a sonoridade, que talvez seja o mais importante no rock, mas também em composição de letras e postura. Temos uma ala de rock ’n’ roll brasileiro cheio de poesia, cheio de imagens estranhas ao lugar-comum. E isso é valioso. Claro que também temos outra imensidão de rock ’n’ roll nacional que se encontra nas telas e que não são bons, não contestam, não imprimem mudanças na juventude, pelo contrário contribuem para a acomodação social e se repetem em texto, principalmente. O que veio me agradando nas últimas duas décadas (2000 a 2020) e que considero boas bandas são os gaúchos do Vera Loca, Maurício Baia, Carol e os Caras, a banda curitibana Relespública, é um daqueles sons que não foram tão explorados pelo público, entre outras. Já as que mantiveram uma obra consistente, lembro aqui do Humberto Gessinger (Engenheiros do Hawai) e do Marcelo Nova, me parece que o Capital Inicial, o Ira! e Os Paralamas do Sucesso também. Percebo alguma dificuldade de criação no Lulu Santos, Barão Vermelho e nos Titãs. Cito esses porque produziram grandes álbuns na carreira.

22) RM: Hoje ainda existe espaço e ouvinte para música com letra que se sustenta como um poema/poesia?

Pássaro Unitário | Gladson Morais: Você me trouxe na lembrança um verso de uma canção minha que diz: “Nesse espaço cabe todos os passos”. E dentro desse ambiente, acredito sim caber música com letra que se sustente como poesia, como literatura, como uma composição estranha ao banal. Agora precisamos decodificar alguns códigos. Escrever um poema num papel em branco que vai se transforma em livro é diferente de escrever um poema numa melodia em branco que vai se tornar música. A diferença é o canal de comunicação. É aquela história, o texto pra TV não é o mesmo texto pra jornal impresso, mas ambos são notícias. Partindo dessa premissa, é possível sim escrever poesia em música. Aí tenho uma concepção bem particular sobre essa pauta, pois a poesia tá justamente no olhar diferenciado do objeto, um olhar ausente da banalidade comum que define esse objeto. A poesia é falar “eu te amo” de outra forma, tipo o que o Renato Russo diz em Quase Sem Querer: “Me disseram que você estava chorando, foi então que percebi como te quero tanto”. Isso leio como poesia musical. E essa forma se sustenta enquanto letra, poesia e literatura. O verso livre dos poetas modernos se mostra aí pra provar esse modelo poético. Então é por aí…

23) RM: Bob Dylan ganhou o prêmio Nobel de Literatura em outubro de 2016. Será que este fato anima outros letristas a “sonharem” com prêmios na área de Literatura ou é um fato isolado?

Pássaro Unitário | Gladson Morais: Entendo o prêmio Nobel de literatura que Dylan recebeu não somente como um prêmio do gênio Bob Dylan, mas como um reconhecimento de que se pode construir música com letras poéticas e essas canções serem aceitas e ouvidas pelo público de massa. Esse prêmio é por si só um momento de alegria e satisfação para todo letrista, músico, compositor e poeta que tentar imprimir mais do que palavras em melodias. Quanto a outros artistas serem agraciados com esse tipo de reconhecimento individual é toda uma estrada para chegar até aí. Dylan tem, pelo menos, umas cinco décadas de obra musical contínua para alcança esse cume, que claro, tenho certeza não era o ponto final dele. Primeiro é ter uma obra consistente, em seguida que ela alcance o grande público, e ainda tem a questão da língua, que vai certamente influir num tipo de prêmio internacional. Mas, como disse, o ponto válido é o reconhecimento da cátedra de literatura que poesia e música podem e devem caminhar de mãos dadas.

24) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Pássaro Unitário | Gladson Morais: A carreira musical é uma vida dentro da vida. Sabemos que a estrada é de pedras rolando e o tempo de lamentar toma o tempo de progredir. Então, o grande lance é seguir. Fazer música com amor, cantar música com sentimento, produzir o que te agrada e fazer disso tudo uma imensa aventura. O primeiro reconhecimento da música que você produz deve ser o seu. Daí a coisa segue. Lamentar o não tocar no rádio, o empresário que não ajuda ou que não temos, a falta de apoio e distanciamento dos demais artistas, a falta de grana pra fazer uma produção musical melhor, e outras tantas e tantas placas pregadas com a indicação “não siga”, nunca ajudam. Faço música pra me sentir bem. E não pra me lamentar, mesmo em alguns casos havendo lamento na canção. O que tiver de ser será, e claro, trabalhar para que o será seja muito bom. Sou meio punk nessa onda. É isso.

25) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Pássaro Unitário | Gladson Morais: O que chamam dom, é uma facilidade que temos em relação a algo, então o dom existe. E ele tá presente em qualquer tipo de arte ou profissão. Há sempre aqueles que aprendem mais rápido que outros, que fazem melhor do que outros, mas isso não é determinante para o sucesso. É uma porta aberta, porém não o topo da montanha.

26) RM: Os músicos americanos são conhecidos como grandes cantores, melodistas e arranjadores. Qual a sua opinião sobre a qualidade deles como letrista?

Pássaro Unitário | Gladson Morais: Os músicos americanos são tão bons letristas quantos os músicos brasileiros. Há muita poesia e densidade nas letras de obras como as de Bob Dylan, Joni Mitchell, Patti Smith, Neil Young, Lou – Reed e bandas como The Doors, Aerosmith, Creedence Clearwater Revival. Agora claro, há também muitas com pouca ou quase nada de profundidade. Mas isso é o normal, a história nacional reflete a história do planeta.

27) RM: Qual a sua opinião sobre a função positiva do crítico musical?

Pássaro Unitário | Gladson Morais: A democracia requer a crítica, o contraponto, a reflexão, a aceitação e a negação. E enquanto ser social democrático defendo a crítica mesmo a que me critica (risos). Deixo os críticos fazerem o trabalho deles. Eu faço o meu. Se convergimos, bom. Se não, também bom. No tocante a função positiva do crítico, eu faço um paralelo com a função positiva do artista, ou seja, produzir com verdade, com honestidade, com olhar que possar direcionar pra cima sem a influência monetária do mercado. Se for assim, tá valendo.

28) RM: Nietzsche comenta que a melodia (música) sem letra perturba a alma. O que você acha dessa afirmação?

Pássaro Unitário | Gladson Morais: Nietzsche é foda (risos). Ele nos faz refletir e isso é bom. Então vamos lá, se música sem letra perturba a alma, não quer dizer que música com letra também não perturbe. Primeiro ponto. A música somente é sem letra se eu não tenho letra para ela, mesmo que seja dentro de mim mesmo. Então se o cara ouve Mozart e a melodia o absorver, por exemplo, a um dia de chuva batendo frio na janela, a sensação de amor perdido, de alma errante… Mozart, para essa pessoa, tem letra. Tá lá escrito dentro dela mesma. Assim como, a música de um pancadão de FUNK cheia de palavras chegando a essa mesma pessoa sem conseguir desperta nada em si mesma vai mostra ausência de letra. Então concluo e acrescento a Nietzsche, se não se consegue sentir letra na canção, a canção perturba. É bem assim que vejo.

29) RM: No tempo da Ditadura Militar no Brasil as letras que tinham engajamento político fizeram sucesso. Qual a importância de letras que não tratem só do tema Amor?

Pássaro Unitário | Gladson Morais: Esse é um ponto importante para todo e qualquer artista. Pois independente do estilo musical, penso o artista como um ser social transformador e na música essa responsabilidade é maior, já que é um veículo de comunicação com alto teor de penetração nas massas. Então, vejo sempre a necessidade de a fala ser ampla, mas nunca panfletária. É possível falar de política, filosofia, economia. E tantas outras pautas de uma forma simples e eficiente, sem cair numa militância de distribuição de panfletos, o que muitas vezes tira o fator primordial da obra, que é a busca do atemporal. Nas minhas canções tento trilhar esse caminho. Por exemplo, na “Lanterna de Diógenes”, quando digo: “Nesse espaço cabe todos os passos”, eu estou falando de política, de equidade social. Quando digo mais a frente que “por vezes o contraponto é a verdade do ponto”, falo de tolerância, de buscar de compreensão do que está fora, e quando canto que “a virtude não usa espelho” estou falando em filosofia. Então é possível sim sair do lugar-comum do “eu te amo” e continuar amando.

30) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Pássaro Unitário | Gladson Morais: O jabá é uma ditadura do capital. Sem ele dificilmente se chega as rádios. Mas entendo que o fim do jabá não iria mudar muito o sistema de tocar nas rádios, pois continuaria sendo difícil, assim como foi difícil gravar CD e depois ficou fácil, porém não foi a chave para abrir a porta do artista ao grande público. Não acredito que minhas canções toquem nas rádios sem jabá, mas acredito que a força da internet vem superando essa plataforma e fazendo sons independentes tocarem de alguma forma nas rádios sem esse tipo de “vale-vitrola”.

31) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Pássaro Unitário | Gladson Morais: Não tenho o que ensinar a ninguém. Sou Pássaro Unitário, sigo o meu caminho e pronto. Se querem trilhar carreira musical tem que aguentar bebida forte em bar escuro. Tá na canção. (Risos).

32) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Pássaro Unitário | Gladson Morais: Cara, os prós dos festivais de música atuais é a abertura do espaço, a democratização do palco e o plano de mostrar quem não tá sendo visto. Já os contra é quase sempre a incapacidade desses festivais atuais revelarem talentos e isso credito muito a essa onda do artista fazer música para festival e não música pra “mover o mundo”. Entende o que quero dizer? O artista compõe para agradar julgadores que julgam dentro de padrões já estabelecidos que só conseguem mostrar o velho e nunca o novo. É foda, acho sempre que os talentos dos festivais são aqueles que nem passaram da primeira fase (risos).

33) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Pássaro Unitário | Gladson Morais: No meu entendimento não existe cobertura da grande mídia da cena musical brasileira. Nunca houve e hoje, me parece que a coisa ficou mais repressora ainda. O que há é a escolha de um ou outro artista dentro de moldes trabalhados por gravadoras para alavancar carreiras, muitas vezes, construídas artificialmente. Se temos um público ignorante em relação ao que a música pode fazer em todos os aspectos da construção de um cidadão devemos muito isso a grande mídia, que trata a música simplesmente como forma de entretenimento e descompromisso. Mas o sistema trabalha assim mesmo. O plano é vulgarizar o que tem o poder de elevar.

34) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Pássaro Unitário | Gladson Morais: Cara, esses são espaços superimportantes. Essas ações merecem nosso aplauso e também nossa sugestão de focar muito mais nos trabalhos independentes de qualidade. Há muita coisa boa sendo produzida sem espaço e esses palcos podem ser uma maneira de absorver esse som e mostrar melhor ao público.

35) RM: Qual a sua opinião sobre “as letras pra acasalamento” que tocam no rádio (FUNK, Sertanejo, Pagode, Forró, etc)?

Pássaro Unitário | Gladson Morais: Letras de acasalamento? (risos). Lembrou-me um seriado, acho que dos anos 80, chamado A Família Dinossauro, lá eles falavam de uma tal “dança do acasalamento” (risos). Há espaço pra todos, né? Ruim é quando todo esse espaço, toda a programação midiática é tomada para reprise sem fim de A Família Dinossauro (risos).

36) RM: Renato Russo comentou que as letras que falam de amor sempre estarão na moda. Qual sua opinião a respeito dessa afirmação?

Pássaro Unitário | Gladson Morais: Entendo que a pauta musical deve ser ampla. Lembro também de uma vez que o Renato Russo disse que todas as suas canções eram de amor. E refletindo sobre isso pude perceber que o amor tá em toda pauta. Se falo de amizades, de rebeldia, de justiça social, da minha namorada, de filosofia, do desemprego, da ambição do capital. Tudo isso é uma forma de amor a partir do momento que tento compor na canção uma atmosfera que possa evoluir para um meio social melhor. Então, se ampliamos o conceito de amor, ele nunca vai se encontrar fora de moda. Concordo que a pauta do artista deve ser ampla e sou daqueles que entendo que a função do artista é superimportante na transformação do meio social para um estado mais evoluído em igualdade e equidade. Então temos que denunciar, filosofar, poetizar, amar, criar formas de rebeldia, de tolerância e aceitação da vida, da dor e do prazer. O artista é o movimento das tempestades. Fora disso, não sobra muito. Talvez um animador de torcida cheio de grana, mas nunca um artista.

37) RM: Você acha que as pessoas no geral estão mais para aceitar as letras que buscam o entretenimento ou a divagação lírica do que proporcionar reflexões humanas e sociais profundas?

Pássaro Unitário | Gladson Morais: Bem, se os filósofos e sociólogos da Escola de Frankfurt estiverem certos a cultura foi tomada pelo capital e isso ocasionou um tipo de produção cultural em escala industrial, que tornou a cultura um subproduto para satisfazer as necessidades de uma indústria capitalista. Partindo dessa premissa é quase óbvio apontar, aqui me detendo no caso da música, que o processo do que é ouvido em escala industrial se mostra comprometido e, necessariamente, define o que a massa vai ouvir e a repetição de padrões formata o homem, o consumidor, e essa repetição de padrões e estímulos são bem explicados pelos psicólogos behavioristas. Acredito que há hoje nas grandes mídias muita “música para amestrar macaco”, esse termo foi utilizado uma vez pelo Marcelo Nova num show em Salvador – BA. Mas necessariamente somos seres pensantes e a reflexão, o contato com o lírico, com o aprofundamento do ser é inerente a nossa existência e a música sim, pode agir como fórmula de entretenimento e reflexão, afinal a primeira premissa não anula a seguinte como muitos tentam tatuar nos corações e mentes. Há espaço sim para divagação lírica e reflexões humanas e sociais profundas na música, porque isso é inerente ao ser humano.

38) RM: Quais os seus projetos futuros?

Pássaro Unitário | Gladson Morais: Atualmente meu projeto foco é a divulgação do álbum “Seja Justo Antes que o Dia Acabe” que concluí no mês passado. Reforçar o álbum nas plataformas digitais, iniciar o trabalho de produção de uma mídia física para o álbum e de montar um show com essas canções para iniciar o processo de apresentações. Estamos dando um passo de cada vez.

39) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Pássaro Unitário | Gladson Morais: [email protected] | www.instagram.com/passaro.unitário

| Playlist álbum “Seja Justo Antes que o Dia Acabe”: https://www.youtube.com/watch?v=BKtVE1_qVyg&list=PL-xxlXlaX0wyI1SpqdVSzOKgRh-7Eyegu

DEEZER: http://www.deezer.com/album/211405612

SPOTIFY: https://open.spotify.com/album/4poY4Nw4KgEssbnjQxSwLc

LINK APPLE MUSIC: https://geo.music.apple.com/album/seja-justo-antes-que-o-dia-acabe/1558354094?uo=4&app=apple

LINK iTUNES: https://geo.music.apple.com/album/seja-justo-antes-que-o-dia-acabe/1558354094?uo=4&app=itunes


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.