Neidinha Rocha

Neidinha Rocha

A cantora, locutora potiguar Neidinha Rocha, filha do multi-instrumentista, arranjador paraibano Raimundo Nascimento Rocha, foi incentivada por ele desde criança a desenvolver seu próprio estilo de cantar.

Neidinha Rocha vem se destacando por seu carisma e voz marcante, a artista se dedica em manter a tradição musical nordestina. Iniciou a sua carreira participando do “Encontro de acordeons do Rio de Janeiro” em seguida começaram a surgir convites para participar de entrevistas em rádios do Rio de Janeiro. No decorrer

da carreira participou como integrante da produção musical “Coração da Sanfona – Meu Forró Pé de Serra” tendo como produtor musical, o radialista Adelzon Alves.

Participou da gravação do CD do cantor, compositor, escritor, radialista Marcus Lucenna, na música “Vida Retirêra”, um hino da Feira de São Cristóvão com grandes artistas representantes da cultura nordestina. Participou do CD da grande sambista Yeda Maranhão, nas músicas: “Xenhenhem” (Antonio Barros) e “Forró das Cumadres” (João Silva), “Hoje não Saudade” (João Mossoró e Guebardo Moreira). CD – Rota do Forró com a música “Dom Divino” (Jurandy da Feira) e da Coletânea dos FORROZEIROSPE interpretando a música “Pega Eu” (Rubinho de Paula e Carlinhos Conceição). A cantora segue carreira solo e participa eventualmente como cantora, da Orquestra Sanfônica do Rio de Janeiro, projeto que vem abrilhantando a nossa música brasileira, tendo como produtor musical, arranjador, compositor, maestro Marcelo Caldi.

Em 2016 lançou seu primeiro álbum “Desejo”, um sonho realizado para a artista, no qual a mesma se identificou no universo do Forró. O trabalho autoral tem uma grande aceitação no Rio de Janeiro e outros Estados e suas músicas são tocadas em algumas rádios pelo Brasil.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Neidinha Rocha para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 17.05.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Neidinha Rocha: Nasci no dia 28.01.1977 em Natal no Rio Grande do Norte. Registrada como Valdeneide Cabral Nascimento Rocha Santil.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Neidinha Rocha: Meu contato com a música vem de berço, pois meu pai Raimundo Rocha era músico multi-instrumentista, compositor e arranjador. Meu pai era paraibano e desde menino ajudava na renda da casa tocando sanfona nas feiras livres e rádio em Campina Grande na Paraíba. Foi vizinho de Marinês, Abdias no bairro de José Pinheiro e se tornou amigo do casal com quem aprendeu muito com essa convivência. Ele acompanhou Genival Lacerda na Rádio Borborema. Quando conheceu minha mãe Ivaneide Cabral Rocha em Natal – RN, casou-se e a música era o seu ganha pão, trabalhou em bandas Bailes e era muito conhecido como músico em Natal – RN, pois tocava em Clubes, Hotéis e no famoso Cabaré – Maria Boa, que era frequentado por autoridades locais e acompanhou artistas famosos que vinham fazer show em Natal, chegou acompanhar como músico o Rei Roberto Carlos. Nos anos 60 veio para o Rio de Janeiro trabalhar como músico, passou muitas dificuldades e voltou para Natal e no final dos anos 70 se formou em Medicina e a música passou a ser o seu hobby.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Neidinha Rocha: Fiz alguns anos de aulas de piano clássico quando criança no Conservatório de Música Frédéric Chopin em Natal – RN. Terminei o Ensino Médio.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Neidinha Rocha: Vem de família: meu pai Raimundo Rocha, primos, tios e irmãos em que a musicalidade era 24 horas por dia. Os que me identifico são: Terezinha de Jesus, Marinês, Elba Ramalho, Amelinha, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Jorge de Altinho, Dominguinhos, entre outros da Cultura Nordestina e MPB. Não mudei meu gosto musical.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Neidinha Rocha: Em 2012 sem planejar! Digo sempre que Deus Foi me levando onde meu coração pedia. Comecei cantando rock nacional convidada pelos amigos da Banda Radalt. Foi bem legal esse tempo! Fizemos um acordo (risos), mas eles também teriam que tocar Forró comigo (risos). Aprendi muito e sou muito grata a eles, pois me fizeram compreender que eu era uma cantora e estava pronta para seguir com meu sonho. Cantar sempre foi muito natural, mas eu sempre tive no coração uma vontade de cantar em palco. Eu logo fui convidada a conhecer os encontros de sanfoneiro no Rio de Janeiro e fui convidada por Moraes do Acordeon a cantar em seu trio. Em seguida já estava sendo produzida por Adelson Alves no show “Coração da Sanfona”. Se tinha Forró, eu estava e os convites foram surgindo mais e mais!

Hoje tenho meu Trio Papa Jerimum. Sou a cantora do “Forró Forrado”, o Forró mais antigo do Rio de Janeiro. Sou a cantora da orquestra Sanfônica do Rio de Janeiro. Toco meu triângulo e apresento três programas de rádio: um de brega –“Coração brega” e dois de Forró: “Forró Forrado” e “Forró, Fole e Folia”.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Neidinha Rocha: Em 2016 gravei meu primeiro álbum – “Desejo”, que é o nome de uma linda música; composta especialmente para álbum, por Chico Roque e Rubinho de Paulo; que são dois renomados e respeitados compositores. Participaram enriquecendo meu trabalho os músicos: Gilmar Damásio (Guitarras), José Atala (Teclados), Allan Diones (Bateria), Eron Lima (Sanfonas), Durval Pereira (Percussões). Vocais: Thalita Pertuzzatt, Clara Carolina, Gabriela Bizi. Rubinho de Paula foi o produtor musical, arranjador, tocou o Baixo e violão. Tem a participação da cantora e compositora Yeda Maranhão que canta comigo sua composição. Meu álbum é um misto de ritmos que eu curto, mas claro que tem o Forró como o ritmo principal! Uma produção magnífica e muito bem aceita por comunicadores e o público. As músicas de destaque: “Pega Eu” (Rubinho de Paula e Carlinhos Conceição), “Moço Moreno” (Paulinho Resende e Nenéu) que são as inéditas e as regravações todas o público também gostou muito!

Participei do álbum de Yeda Maranhão cantando duas músicas: “Xenhenhem” (Antonio Barros) e “Forró das Cumadres” (João Silva), “Hoje não Saudade” (João Mossoró e Guebardo Moreira). E no álbum de Marcus Lucenna cantando “Vida Retirêra”, uma música hino da Feira de São Cristóvão. E na Coletânea ForrozeirosPE com uma música do meu álbum (Pega Eu). E na Coletânea de Amigos pela gravadora Som Master com música (Pega Eu). E no álbum da Orquestra Sanfônica do Rio de Janeiro com a música “Moço bonito brasileiro”. E no álbum – Rota do Forró com a música “Dom Divino” (Jurandy da Feira).

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Neidinha Rocha: Sou uma cantora que cresci ouvindo o melhor da nossa Música Popular Brasileira, mas o Forró é o ritmo que mexe com meu íntimo e alma. E meu coração escolheu defender a cultura nordestina! Sou mais feliz cantando as histórias de alegria, tristeza e vitórias do meu povo nordestino!

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Neidinha Rocha: Fiz aula quando criança.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Neidinha Rocha: Hoje só consigo fazer meus exercícios em casa e pretendo um dia me aperfeiçoar, pois sei da importância de cuidar da voz.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Neidinha Rocha: Já citei alguns e vou citar outros como: Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, Fagner, Alceu Valença, Marisa Monte, etc.

11) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Neidinha Rocha: Ser uma artista independente é bom, mas sobra pouco tempo para focar exclusivamente na música, temos que divulgar nosso trabalho nas redes sociais, fazer a produção do show, tratar de contrato, etc.

12) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Neidinha Rocha: Procuro ser 100% nordestina de corpo, alma e coração.

13) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Neidinha Rocha: Deixo meio as coisas caminharem naturalmente, pois até agora tem dado certo.

14) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Neidinha Rocha: A internet tem sido primordial! Meu público é maravilhoso e interagem muito! Tudo que eu faço divido com eles e eles me incentivam muito, muito! Sou grata e amo meus amigos lindos (internautas)!

15) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Neidinha Rocha: Só vejo vantagens! Os músicos não precisam se estarem no mesmo espaço para gravar, cada um faz a sua parte em casa e o resultado é ótimo!

16) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Neidinha Rocha: Não me foco em só fazer diferente, mas fazer o que me faz bem e o melhor que eu posso. Tudo vindo do coração e claro com profissionalismo! Meu público já entendeu e sente que o Forró é minha missão e meu amor!

17) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Neidinha Rocha: Nosso Forró é um tesouro valioso que nunca irá perder seu valor! Hoje temos alguns artistas que seguem levantando a bandeira do Forró: Flávio Leandro, Flávio José, Elba Ramalho, Santanna – O cantador, etc.

18) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Neidinha Rocha: Nossa tem muita gente boa, mas vou citar o maestro, cantor, compositor, arranjador, sanfoneiro e pianista Marcelo Caldi que é espetacular. Sabe tudo de Forró e dos grandes mestres me espelho em: Luiz Gonzaga e Dominguinhos!

19) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Neidinha Rocha: Num desses encontros de sanfoneiros que acontecia aos domingos no Rio de Janeiro, tinha um que o som era muito ruim. Eu cantando e o Salão cheio aí quando eu acabei de cantar uma pessoa me perguntou: “como você canta com um som tão ruim?” Eu respondi que o público é especial demais, pois são da terceira idade que me aguardam ansiosos a minha vez de cantar. Esse fato tem mais importância. Passamos por situações ruins em nome e pelo amor a música!

20) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Neidinha Rocha: Cantar é como se eu tivesse flutuando (risos), é libertador e minha maior alegria! Ver o povo feliz não tem preço. O que me entristece é um pouquinho de medo que tenho de ter que parar por algum motivo e a desunião dos artistas!

21) RM: Qual a sua opinião sobre o movimento do “Forró Universitário” nos anos 2000?

Neidinha Rocha: O movimento do “Forró Universitário” foi muito importante, pois resgatou e inovou o Forró trazendo os jovens do sudeste para conhecer o Forró! Precisamos disso novamente!

22) RM: Quais os grupos de “Forró Universitário” chamaram sua atenção?

Neidinha Rocha: Falamansa, Rastapé, Bicho de Pé.

23) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Neidinha Rocha: Infelizmente, existem a prática do pagamento do jabá para tocar música nas rádios de grande audiência. Eu só tenho a agradecer aos meus inúmeros amigos radialistas que tocam minhas músicas pelo Brasil sem me cobrar nada. Eu faço o mesmo nos programas de rádio: Forró, Fole e Folia; Coração brega pela rádio Feliz Cidade FM e Forró forrado pela rádio Pop Rio FM! Unidos somos mais fortes!

24) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Neidinha Rocha: Seja você! Faça o que seu coração pede com profissionalismo e tenha muita garra, perseverança e principalmente humildade!

25) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Neidinha Rocha: Festival de música é uma vitrine ótima e pode abrir oportunidades, mas o artista deve ir com os pés no chão, pois se não ganhar pode se decepcionar.

26) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Neidinha Rocha: Sim e precisamos de mais festivais de música.

27) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Neidinha Rocha: A sensação é que as grandes mídias fecharam as portas para a cultura e o Forró autêntico! Espero que as coisas mudem urgente!

28) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Neidinha Rocha: Importantíssimo, SESC, SESI e Itaú Cultural valorizam a cultura e respeitam nos artistas!

29) RM: Qual a sua opinião sobre as bandas de Forró das antigas e as atuais do Forró Estilizado?

Neidinha Rocha: Forró autêntico é o nosso Forró com Triângulo, Zabumba e Sanfona. É o Forró propagado por Luiz Gonzaga!

30) RM: Quais os seus projetos futuros?

Neidinha Rocha: Cantar muito após a pandemia do Covid-19 e gravar meu segundo álbum.

31) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Neidinha Rocha: (21) 97005 – 8722 | [email protected]

| https://web.facebook.com/neidinha.rocha

| https://web.facebook.com/Neidinha-Rocha-Cantora-1610467229171878

| www.instagram.com/neidinharochacantora

| CD no Spotify: https://open.spotify.com/artist/3DHtAVPUJ3uPBxZCJktQrf

Canal: https://www.youtube.com/channel/UCR9442eKJb96UPk76LtejbA

Live Neidinha Rocha e Trio Papa Jerimum Forró no Ap: https://www.youtube.com/watch?v=2HDmuV2i0sk

JC Rocha entrevista a cantora Neidinha Rocha: https://www.youtube.com/watch?v=9WbWrFNO5rs

Canção do álbum “Marcus Lucenna na Corte do Rei Luiz” (2018) Compositor: Marcus Lucenna part.: Adelson Viana, Chambinho do Acordeon, Marcelo Mimoso, Neidinha Rocha e Jadiel Guerra: https://www.youtube.com/watch?v=jqcOrZXDFZo

YEDA MARANHAO E NEIDINHA ROCHA FORRÓ DAS CUMADES: https://www.youtube.com/watch?v=RMZeL968jSs

YEDA MARANHAO XENHENHEM part. Neidinha Rocha: https://www.youtube.com/watch?v=wJ18iW_q7as


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.