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Categorias: EntrevistasForró

Miltinho Edilberto


O músico, compositor, produtor, pesquisador de Cultura Popular paulista Miltinho Edilberto. É um compositor premiado em vários Festivais, vencedor do “Prêmio Sharp” (Atual Prêmio TIM), vencedor pela internet do “Festival Cultura: A Nova Música do Brasil” (TV Cultura) entre outros títulos acumulados desde o início de sua carreira artística.

Miltinho possui composições utilizadas em trilhas de programas da Rede Globo como a Novela “O Clone”, “Globo Repórter”, “Fantástico”, “Big Brother Brasil”, “Mais Você” , ” Amor e Sexo” e “Super Star”.  Se apresentando com frequência no premiadíssimo “Sr. Brasil”, com Rolando Boldrin e “Viola, minha viola” com Inezita Barroso (Tv Cultura), ele é considerado pela crítica como um dos violeiros mais completos do Brasil. Conheceu os grandes mestres da viola como Tião Carreiro, Renato Andrade, Zé Côco do Riachão e Helena Meirelles.

Como compositor, foi gravado por Maria Bethânia, Maria Gadú, Banda Bicho de pé, Sérgio Reis, Trio Nordestino, Falamansa, entre outros. Desde a tradicional Viola Caipira, que o consagrou como um dos principais instrumentistas do gênero, até o Forró Pé-de-Serra, passando por Oficinas e apresentações sobre Folclore Brasileiro, vem resgatando e preservando nossas raízes através de documentários, WorkShows e produções fonográficas e áudio visuais através da Culturavista Produções.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Miltinho Edilberto para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 22.05.2017:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Miltinho Edilberto: Eu nasci no dia 06 de agosto em Mirandópolis – SP.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música?

Miltinho Edilberto: Em Festivais de musica e tocando em bandas de baile.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Miltinho Edilberto : Totalmente autodidata.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Miltinho Edilberto : Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Tião Carreiro, Tom Jobim, Beatles, Repentistas do Nordeste.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira profissional?

Miltinho Edilberto: Como vocalista de bandas de Baile e como compositor em Festivais de MPB, nos estados de São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Miltinho Edilberto: Em 1997 “Viola que fala”, com participação de Ceumar, Antonio Carrasqueira, Luiz Carlos Borges, Xangai, Saulo Laranjeira. Em 1999 “Como alcançar uma estrela (ao vivo)” pela Deck/Universal. Em 2000 “O Forró de Miltinho Edilberto (ao vivo)”. Em 2001 “Feito brasileiro” pela Abril Music, com participação de Maria Bethânia, Falamansa, Oswaldinho do Acordeon, Trio Virgulino. E 2011 “Forró no mundo”. Em 2016 “Forró de Viola”. Em 2017 “Viola interior”. Música de destaque: “Balanço da busão”, que foi trilha da Novela O Clone da TV Globo. FORRÓ DE VIOLA em 2016 (Independente). Música de destaque: BALANÇO DO BUSÃO; que foi trilha da Novela O Clone da TV Globo.

07) RM: Como você define o seu estilo musical?

Miltinho Edilberto: Eclético que transita da música regional caipira, passando pelo Forró do Nordeste, MPB e world music

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Miltinho Edilberto: Nunca estudei música.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Miltinho Edilberto: Cuidados, sempre. Quanto mais informações, mais rica será sua música.

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Miltinho Edilberto: Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Elis Regina, Maria Bethânia, Ceumar, Janaina Pereira, Mariana Aydar e as grandes duplas caipiras autênticas.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Miltinho Edilberto: Componho sem rituais, como quem planta e cozinha, de forma orgânica e a qualquer momento e em qualquer lugar.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Miltinho Edilberto: Geralmente componho sozinho.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Miltinho Edilberto: Você produz da maneira que você imagina, se tiver conhecimento técnico e músicos à altura. Falta o patrocinador, investidor, divulgador.

14) RM : Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

 Miltinho Edilberto: Atualmente aproveitar ao máximo as redes sociais, e sempre mandar material aos agentes e espaços culturais.

15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Miltinho Edilberto: Sempre atualizando, produzindo clipes, viajando e expondo o trabalho.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Miltinho Edilberto: Atualmente apenas contribui ampliando a divulgação.

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia  de gravação (home estúdio)?

Miltinho Edilberto: Só vejo vantagens desde que você conheça e tenha acesso aos melhores equipamentos.

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Miltinho Edilberto: Minha própria música e meu conceito são diferenciados do que se ouve normalmente de maneira que minhas composições já foram gravadas por Maria Bethânia, Maria Gadú, Sérgio Reis, Falamansa, entre outros.

19) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

 Miltinho Edilberto: Atualmente o cenário brasileiro musical está pobre, repetitivo e impregnado de sonoridades agressivas, letras vazias, massificado pelo Sertanejo, FUNK, Forró falsificado e outras aberrações. Destaco a importância de artistas como Chico César, Lenine, Ceumar, nesta safra mais recente.

20) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Miltinho Edilberto: Dominguinhos, Luiz Gonzaga, Tom Jobim, Elis Regina, Maria Bethânia, Paulinho da Viola, entre outros.

21) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Miltinho Edilberto: Discussão com técnico de som em um estádio lotado, onde o mesmo falava comigo através de um microfone que saia audível ao público. Ele se negava a fazer a equalização que eu pedia e disse que nunca tinha ouvido falar de mim e de forma grosseira se levantou e gritou que tinha sido técnico de som do Tim Maia por dez anos. Minha resposta, também bem audível, foi: “Então era você? Por isso que o Tim Maia reclamava tanto “Cadê o retorno, cadê o retorno?” (risos).

22) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Miltinho Edilberto: Me deixa mais feliz é poder fazer o que eu quero atualmente, pois tenho meu próprio estúdio e sou meu próprio técnico e também minhas amizades no meio artísticos. Mais triste é ver o país com a música mais rica do mundo produzindo e consumindo grande quantidade de lixo sonoro.

23) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Miltinho Edilberto: Moro em um sítio na divisa de Minas Gerais a 100 Km da capital de São Paulo, por isso tenho como cena musical a de São Paulo que é muito rico em diversidade e atende à todos os gostos músicas, do pior ao melhor.

24) RM: Quais os músicos, bandas da cidade que você mora, que  você indica como uma boa opção?

Miltinho Edilberto: Posso indicar os músicos que já tocaram comigo em São Paulo, como: Arismar e Thiago do Espírito Santo, Oswaldinho do Acordeon, Sandro Haick, Antonio Carrasqueira, Maestro Zé Pitoco, entre outros.

25) RM: Você acredita que as suas músicas tocarão nas rádios sem pagar o jabá?

Miltinho Edilberto: Já tive músicas minhas em trilha de novela da TV Globo, também utilizadas em programas como Fantástico, Globo Repórter, Big Brothers Brasil, Super Star e nunca precisei pagar jabá, mas sei que existe na maioria dos casos.

26) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Miltinho Edilberto: Se não nasceu com o dom, estude, estude, estude, estude e ouça os grandes mestres.

27) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Miltinho Edilberto: O Festival de Música convencional contra os quais já lutei durante muitos anos são desproporcionais na sua premiação, acredito e já fiz parte como organizador e concorrente, mas a amostra de música é mais equilibrada e menos competitiva.

28) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Miltinho Edilberto: Festivais de música ainda são o veículo mais independente para os novos compositores e cantores, mas cada vez menos há interesse dos setores públicos da cultura em promover esses eventos que foram tradição no interior do Brasil durante muitos anos.

29) RM: Como você analisa a cobertura feita pela mídia da cena musical brasileira?

Miltinho Edilberto: Grandes mídias como a TV Cultura sempre mostram o melhor em qualidade e diversidade. Outras grandes mídias estão totalmente ligadas ao consumismo, ao modismo que elas mesmas criam e em sua maior parte exibem uma música de qualidade duvidosa.

30) RM: Quais os seus projetos futuros?

Miltinho Edilberto: Priorizar minhas produções áudio visuais no meu estúdio móvel (Cultur@vista) e concluir o disco de um personagem criado por mim: “Quinhentinho e seu Conjunto”, cuja função é provocar, imitar, parodiar e questionar a mesmice que impera nos meios de comunicação convencionais.

31) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Miltinho Edilberto : Culturavista produções: infoculturavista@gmail.com |(11) 9.7482-1559


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa
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