Marzo Couto Man

Marzo Couto Man

Marzo Couto Man é vocalista da banda Pure Feeling, originada em 1998 em Porto Alegre – RS, no qual assumiu os vocais em 1999 quando voltou de Florianópolis – SC onde morava.

A Pure Feeling é uma das bandas de reggae mais importantes do cenário do sul do Brasil, já tendo tocado em diversos Estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Maranhão, participando de diversos festivais como “Reggae as Pampas” (2001), “Maratona do Reggae” (Anhembi/SP – 2003), “Kaiser Music” (Gigantinho/RS – 2003), “Maranhão Roots Reggae Festival” (São Luís/MA – 2003), “Cultural Reggae Tour” (Buenos Aires/Arg – 2007, 2008 e 2011), “Carlos Paz & Love” (Córdoba/Arg – 2009 e 2011), “Coskin Rock” (Córdoba/Arg – 2011), “El Verano” (Estádio Parque Roca – Buenos Aires/Arg – 2012), “Brasil Argentina Reggae Conexion” (Opinião/Porto Alegre/RS – 2015), “Summer Reggae Festival” (John Bull/Florianópolis/SC – 2016 e 2020).

Marzo Couto Man com a Pure Feeling, gravou dois discos, “Sobre Pedras” (2002) e “Sincronizar” (2015) e participou de três coletâneas, “Fórum Social Mundial” (2001), “Reggae as Pampas” (2001) e “Central Reggae” (2003), e também com a banda Nonpalidece (Argentina – 2011).

Além de frontman da banda Pure Feeling, também já atuou como backing vocal da banda Nonpalidece (Argentina) de 2009 a 2011, tocou no Uruguai, Paraguai, Panamá, México, Estados Unidos (Miami e Nova York), Costa Rica e Guatemala, estes dois últimos também junto a banda Pure Feeling, e acompanhando Kennyatha Hill, filho do lendário Joseph Hill (Culture), dividindo palco com diversos artistas como The Wailers, Alpha Blondy, Israel Vibration, Midnite, Gilberto Gil, Tribo de Jah, Natiruts, Djambi, Culture, Damian Marley, Skatalites, Might Diamonts, entre outros.

Segue abaixo entrevista com Marzo Couto Man para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 25.07.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Marzo Couto Man: Nasci no dia 25.07.1977 em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Hoje moro em Florianópolis – SC. Registrado como Marzo Moreira Couto.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Marzo Couto Man: Meu primeiro contato com a música foi quando criança com minha irmã mais velha Carli, que tinha instrumentos e amigos que também tocavam, mas também me descobri nas aulas de capoeira por volta dos 15 anos de idade, onde desenvolvi ritmo com instrumentos percussivos e descobri minha voz nos cantos de capoeira.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Marzo Couto Man: Com a música sempre fui autodidata, e também tenho formação em Educação Física, sou de Educação Física e Capoeira.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Marzo Couto Man: Como citei, minha irmã ouvia muita música em casa, pois meu pai era radialista e trazia muitos discos para casa da cena nacional, como Moraes Moreira, Alceu Valença, Gilberto Gil, “Secos e Molhados” e outros internacionais que agora não lembro os nomes. Quando treinava capoeira, após os treinos sempre ficávamos tocando uns Sambas e Pagodes populares, no qual também foi importante para meu desenvolvimento, até conhecer o reggae. Acredito que todos os estilos tem algo pra ensinar.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Marzo Couto Man: Iniciei minha carreira musical na escola de segundo grau, no qual montamos uma banda, mas profissionalmente aos 19 anos (1996) quando comecei a realmente trabalhar com a música em minha primeira banda de reggae chamada “Marana”, apelido de um grande amigo querido por todos até hoje, algum tempo depois este mesmo projeto denominou- se “Reggaelize It” (1997).

06) RM: Quantos CDs lançados?

Marzo Couto Man: Com a minha banda atual Pure Feeling, já gravei dois discos, o “Sobre Pedras” (2002) e “Sincronizar” (2015), assim como e quatro coletâneas, “Fórum Social Mundial” (2001), “Reggae as Pampas”. (2001), “Safra 2002” (Rádio Ipanema-FM) e “Central Reggae” (2003), e também com a banda Nonpalidece (Argentina) o disco “El Fuego en nosotros” (2010).

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Marzo Couto Man: Meu estilo é Reggae, seguindo uma linha mais “old School”, mas também atendo e explorando o “New Roots” e o reggae com suas vertentes.

08) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Marzo Couto Man: Estudei técnica vocal dos 23 aos 25 anos (1999 a 2002), no qual me ajudou muito até hoje, para poder cantar de forma consciente, tomo muita água nos dias de shows e para poder ter mais longevidade e não tanto desgaste na voz.

09) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Marzo Couto Man: Sempre estudei e interpretei muito o trabalho de Bob Marley, assim como de Peter Tosh e outros jamaicanos como Dennis Brown, Gregory Isacs, e também Vaugh Benjamin e nacionais como Gilberto Gil, Hélio Bentes, Natiruts, Ras Bernardo, Sabotage, entre outros.

10) RM: Como é o seu processo de compor?

Marzo Couto Man: Gosto de compor em silêncio, sobre reflexões ou sobre o que estou sentindo, mas tenho tentado exercitar de diferentes formas, como já ter uma base pronta e criar uma letra em cima.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Marzo Couto Man: Gosto muito de compor com um grande amigo e músico Lucas Riccordi, que sempre me dá bons toques de melodia e ajustes da letra, mas geralmente crio sozinho as letras. A forma independente de compor me dá mais liberdade, mas também é bom ouvir a opinião da banda e de músicos com experiência.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Marzo Couto Man: O bom é se ter autonomia, o ruim que você sendo independente tem que administrar tudo e também investir do próprio bolso.

14) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Marzo Couto Man: Usar as redes sociais, investir em música e imagem, ou seja, em vídeos clipes.

15) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Marzo Couto Man: Hoje em dia o cenário mudou muito, e não basta ter talento, tem que saber usar as redes sociais e plataformas digitais, no qual ainda estou aprendendo muito.

16) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Marzo Couto Man: Um home estúdio ajuda muito a amadurecer as composições, criando arranjos antes mesmo de gravar valendo.

17) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Marzo Couto Man: Acho que a diferença ainda será ter uma música com conteúdo, que toque as pessoas, feita com qualidade técnica e também com vídeo clipe, o que dá mais uma interpretação pra música.

18) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Marzo Couto Man: Uma história interessante que tive com a música, foi quando fomos tocar em São Luís no Maranhão, no qual fui de Porto Alegre até São Paulo de ônibus, e depois até São Luís de avião, porém eu e o percussionista Deblandir Duarte voltamos de São Luís até Porto Alegre de ônibus, numa viajem de três dias e meio, atravessando o Brasil de Norte a Sul. Foi tão cansativo que quando cheguei adoeci com febre e dor de garganta, e tinha um show para fazer no mesmo dia que graças a Deus consegui realizá-lo.

19) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Marzo Couto Man: Fazer música é uma dádiva, no qual já tentei desistir pelas dificuldades, mas não consegui, porque é algo que nasceu e morrerá comigo, está na alma e é valgo que me deixa feliz.

20) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Marzo Couto Man: Hoje às estratégias são diferentes com o mundo digital, mas de alguma forma sempre se terá que investir no trabalho, o jabá é uma forma, mas tem outras mais orgânicas sabendo trabalhar, mas os gastos são inevitáveis pra poder crescer.

21) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Marzo Couto Man: Digo sempre em acreditar nos seus sonhos, por mais difícil que seja, e o retorno material é uma consequência do trabalho, mas não só o que move o músico, mas a situação de se fazer o que se gosta.

22) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Marzo Couto Man: Sempre existiu uma certa manipulação da cena musical pela grande mídia, com o poder do dinheiro, mas não creio em se ter só um caminho para se ter sucesso, mas a cena e as diferenças são cruéis.

23) RM: Como você analisa o cenário do reggae no Brasil. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas e quais permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Marzo Couto Man: O cenário reggae nacional anos atrás era forte e hoje em dia está um pouco mais fraco em função de outras tendências. Nomes como Tribo de Jah e Natiruts se mantém sempre fortes, assim como. Revelações: “Ponto de Equilíbrio”, “Planta & Raiz”, Chimarruts, Tati Portella, Cidade Verde Sound System são grandes referências atuais para mim. Quem saiu da cena reggae foi a banda Cidade Negra depois da saída de Ras Bernardo.

24) RM: Você é Rastafári?

Marzo Couto Man: Acredito ser um rasta por buscar minha essência, o ser puro. O rastafári me trouxe e ensinou muitas coisas boas, como ter consciência, reflexão, espiritualidade, sobre a alimentação. Acredito não ser um rastafári, pois também aprendo com outras filosofias de vida. Hoje tenho minha concepção e vivências conforme minha realidade, o que outros rastas desconsideram.

25) RM: Alguns adeptos da religião Rastafári afirmam que só eles fazem o reggae verdadeiro. Como vocês analisam tal afirmação?

Marzo Couto Man: Acredito que o reggae não é só rastafári, mas não tem como tirar a sua influência, seja de forma política, social, histórica e espiritual. E por mais que o reggae não seja rastafári, o rasta ajudou a criar está música, com sua história, tambores, filosofia, e estará sempre nele.

26) RM: Na sua opinião quais os motivos da cena reggae no Brasil não ter o mesmo prestígio que tem na Europa, nos EUA e no exterior em geral?

Marzo Couto Man: O idioma português talvez seja uma barreira para o reggae nacional não se destacar em países de outros idiomas, mas a música brasileira sempre teve e terá seus destaques e respeito.

27) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Marzo Couto Man: O dom musical é algo que nasce com alguém, mas a musicalidade todos temos, aí também depende da dedicação de cada um.

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Marzo Couto Man: Os festivais de música são uma forma de se conhecer outros artistas, pois uma pessoa pode ir para ver artista que gosta e termina conhecendo outros. O ruim que nem sempre o cachê vem de forma integral.

29) RM: Quais os pros e contras de se apresentar com o formato Sound System?

Marzo Couto Man: O sound system é legal por presentar uma qualidade sonora e faz os músicos improvisarem e se apresentarem de forma reduzida em lugares menores ou grandes. Inclusive tenho um projeto chamado “Mystic Sound” que usa bateria eletrônica e toco teclado e guitarra, junto ao DJ e baixista Nico Grim que faz o Groove, dispara as bases e efeitos Dub.

30) RM: Marzo Couto Man, Quais os seus projetos futuros?

Marzo Couto Man: Minha ideia é seguir compondo e fazendo música até o fim da vida, buscando evoluir e se aprimorar, assim como estar atento as mudanças dos meios, enfrentando os desafios em 2020 e 2021 por causa da pandemia do Covid-19 que deixou os músicos sem tocar com público e banda.

31) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Marzo Couto Man: https://web.facebook.com/profile.php?id=1297735639

| https://www.instagram.com/marzocoutoman

| https://www.instagram.com/purefeeling_official

Canal: https://www.youtube.com/user/Rasfeeling

Marzo Couto Man – Babylon Falling (prod.ZionLab.) (dir. @djn.grim): https://www.youtube.com/watch?v=eGDW4s0dp84

Marzo Couto Man – Que Bom Seria: https://www.youtube.com/watch?v=CFQIJctdh6o

Playtlist: https://www.youtube.com/watch?v=AotzNU3R858&list=PLF0BAA4526054C62D


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.