Maria Lafaete

Maria Lafaete

Maria Lafaete não teve uma trajetória contínua e em Exu cantava em festas escolares, aniversários e participou de um festival e foi eleita a melhor voz de Exu, cantando “Assum Preto”, do meu primo Luiz Gonzaga em parceria com Humberto Teixeira.

Quando se mudou para o Rio de Janeiro, pausou com música por quase quatro anos. Já morando com a família Gonzaga na Ilha do Governador-RJ, surgiu uma nova oportunidade, reiniciou como ritmista do Rei do Baião em um programa de Televisão, de Aerton Perlingeiro na antiga TV Tupi, no dia em que Luiz Gonzaga recebeu o troféu O Velho Capitão. Depois vieram muitas outas apresentações: Programas de Airton e Lolita Rodrigues. Na Globo foram algumas apresentações a mais significativa: Só o Amor Constrói, e inúmeros shows pelo Brasil.

Resolveu novamente parar, cursou Direito e ingressou no serviço público. Passaram anos, depois com a minha vida estabilizada resolveu voltar para o Nordeste, desta vez para o litoral, chegando em Recife – PE caiu no mundo do Forró. Aí se engajou na Banda de Forró Pé-de-Serra, Karolinas com K (Maria Lafaete, Joana Angélica, Terezinha do Acordeon, Lourdes Silva). Durante cinco anos foi um grande aprendizado para ela e um aproveitamento ímpar, os shows eram constantes e na época junina eram sucessivos em todo Estado de Pernambuco e circunvizinhos.

Em 2010 resolveu seguir careira solo. Ela no começo sentiu alguma dificuldade porque a responsabilidade cresceu muito, mas foi uma escolha altamente positiva, realizou muitas apresentações, divulgou seu primeiro CD solo – “Seguindo a Tradição”, um período corrido até mesmo por conta da aproximação do centenário de Luiz Gonzaga. Foi prestigiada pelas secretárias de cultura do Recife e do Estado (FUNDARPE), o que a incentivou na produção de um segundo trabalho em 2014: “Feliz Pra Danar”. Quando ela se preparava para divulgação para valer do seu novo CD foi surpreendida com uma doença, foi tratada, já recuperada e tentando alavancar novamente a sua careira e com um CD em homenagem a Luiz Gonzaga quase finalizado surge a situação da pandemia do Covid-19. Ela está no aguardo da volta à normalidade para retornar aos palcos fazendo o que muito ama: Cantar, cantar e cantar feliz pra danar.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Maria Lafaete para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 11.05.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Maria Lafaete: Nasci no dia 05.10.1950 no Vilarejo do Araripe, Exu – PE. Maria Lafaete da Silva.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Maria Lafaete: O tempo, não sei precisamente acho que desde sempre. No Vilarejo do Araripe acordei para vida ouvindo o resfolego dos foles de tio Januário, pai de Luiz Gonzaga. E como dizem: me entendi por gente, contaminada pelos sons nos Sambas de Latada no pé de serra e cantado em novenas, renovações. E quando chegavam os filhos de tio Januário, eu ficava gorjeando nas alegres apresentações: uma hora era Severino Januário, em outra Zé Gonzaga, o rei da alegria, sempre em companhia do violonista Paulo Tito. Luiz Gonzaga presente com seu prestígio e seus sucessos. Eram muito festivos. No ano de 1968 já estabelecida na cidade, participei de um festival regional; no segundo semestre daquele ano, fui vencedora com a música “Assum Preto” (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira), quando foi intitulada “A voz de Ouro de Exu”. Foi assim que tudo começou.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Maria Lafaete: Não tive nenhuma formação musical, sou autodidata. Não sou cantora sou cantadeira. Fora da área musical sou Bacharel em Direito, pela Faculdade Brasileira de Ciências Jurídicas no Rio de Janeiro.

04) RM: Quais suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Maria Lafaete: Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Zé Gonzaga, Marinês, Elba Ramalho, Clara Nunes, Gilberto Gil. No passado e no presente. São todos até hoje de muita importância, dada a lição e o aproveitamento que absorvi de cada um deles.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Maria Lafaete: Pra valer foi em 1972. Numa tarde de ensaio, fui servir um lanche, meio acanhada peguei um solitário triângulo que estava à espera de alguém, aí comecei a me enxerir. Luiz Gonzaga deu descanso a sanfona e com uma calma que não lhe era peculiar e me disse: é assim minha prima, e me ensinou a tocar triângulo. Em seguida ligou para Gonzaguinha e lhe disse: acabei de fabricar uma artista e deu uma boa gargalhada. Maria, minha prima, além de boa cozinheira é uma boa ritmista. Aí ganhamos os palcos Brasil a fora por três longos anos. Esse início marcante deu-se no Rio de Janeiro.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Maria Lafaete: Foram três CDs com a “Banda Karolinas Com K” (com Terezinha do Acordeon, Lourdes Silva, Joana Angélica, Maria Lafaete, Barbara Aires, Juliana , Michelle Ângela, Ângela Luz).

Em carreira solo foram dois CDs: Em 2014 “Maria Lafaete – Feliz pra danar”, com doze músicas: “Eu sou poeira de Forró” (Junior Vieira); “Chaparipe” (Flávio Leandro), “Lua Brasil” (Xico Bizerra), “Espere por mim morena” (Gonzaguinha), “O trem do sertão” (Tácyo Carvalho e Flávio Leandro), “Feliz pra danar” (Leninho de Bodocó e Edgar do Cedro), “Cantiga pro Rei do Baião” (Hélio Macedo), “A paixão da gente” (Leninho de Bodocó), “Arrastapé arretado” (Nelson Luiz), “O tempo tem pressa” (Xico Bizerra e Bráulio Medeiros), “Romance brejeiro” (Diviol Lira), “Sem eira nem beira” (Leninho de Bodocó e Xico Bizerra).

Em 2010 “Maria Lafaete – Seguindo a tradição”, com quatorze músicas: “A chuva” (Flávio Leandro), “Unha de gato” (Leninho de Bodocó), “Aconteceu” (Leninho de Bodocó), “Menina do Rio Brígida” (Maria Lafaiete e Dé Pajeú), “Meu Padim Ciço Romão” (Xico Bizerra), “Um samba com Januário” (Dé Pajeú e Maria Lafaiete), “Venha tomar conta deu” (Xico Bizerra e Bráulio Medeiros), “Quando a gente ama” (Joquinha Gonzaga e Valdi Geraldo), “Seguindo a tradição” (Zé Alberto), “Zabumbando” (Leninho de Bodocó), “Sem fantasia” (Dijesus e Didi), “Vadiar de amor” (Junior Vieira), “Fortaleza do tempo” (Junior Vieira), “Meu Padim Ciço Romão” (Xico Bizerra).

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Maria Lafaete: Amante de outros estilos e ritmos, mas como não poderia ser diferente sou uma cativa de Forró Pé de Serra.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Maria Lafaete: Não tive esse privilégio.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Maria Lafaete: Tenho pouco cuidado com a voz, comigo é no susto, sem muito alinhamento. A técnica que adquiri foi cantando nas novenas, no roçado na cata da lavoura quando em menina no vilarejo do Araripe, na labuta recebi o carimbo da técnica vocal.

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Maria Lafaete: Atualmente nenhuma, as que eu tinha idolatria já estão em outra dimensão, eram elas: Elis Regina, Clara Nunes, e minha prediletíssima Marinês.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Maria Lafaete: Não me dedico a compor. Tenho registrado algumas composições em parceria, mas parceria participante.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Maria Lafaete: Dé Pajeú.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Maria Lafaete: O bom é a liberdade de criar, de decidir, agregar ideias, conhecimentos e etc. O ponto não muito confortável é a produção ser muito dispendiosa. O que deixa muitos artistas bons fora do mercado de trabalho.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Maria Lafaete: Nenhum planejamento (risos), quase sempre dar certo. Produzo a Banda, monto o repertorio, desenvolvo o show, executo o meu trabalho.

15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Maria Lafaete: Desenvolvo a minha careira com muita dificuldade, mas, com meus próprios recursos.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Maria Lafaete: Ajuda muito na divulgação, na montagem, excussão de projetos, na comunicação, na interação de equipe. O que é negativo ainda não experimentei.

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Maria Lafaete: Hoje em dia é cômodo e fácil produzir um disco. As vantagens são muitas, os estúdios têm equipamentos de ponta, ultra sofisticados que fazem basicamente tudo.

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Maria Lafaete: O necessário é ter humildade e reconhecer, aceitar a grande diferença entre o artista menos favorecido e os mais abastados. Eles já entram nos esmagando com sua potência financeira que move a grande mídia alavancando fama e sucesso. Procuro executar e divulgar o meu trabalho com boas músicas e muita seriedade. O reconhecimento virá consequentemente de alguma maneira.

19) RM: Como você analisa o cenário do Forró? Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Maria Lafaete: O Forró é muito depreciado e sempre sofre preconceito. A gente faz um trabalho primando por bons projetos, bons músicos, bons arranjos, apresentável culturalmente e não é reconhecido. Mas sem o merecido reconhecimento continuamos pela busca do nosso espaço, na luta pelo fortalecimento da nossa cultura e do nosso verdadeiro Forro Pé de Serra. O legado que Luiz Gonzaga nos deixou tem raiz e de vez em quando floresce e dar bons frutos e força para continuarmos na luta. O Forró sofre um racha há anos, eu conhecia o Forró que Luiz Gonzaga protagonizou, hoje em dia é “Forro universitário”, “Forró Estilizado”, “Forró de plástico” e etc. O nosso verdadeiro Forro Pé de Serra agoniza diante das mudanças que criam e modificam o nosso verdadeiro Forró.

20) RM: Quais os músicos conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Maria Lafaete: Petrúcio Amorim, Flávio Leandro, Joquinha Gonzaga, Elba Ramalho.

21) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Maria Lafaete: Certa vez fui fazer um show em Caruaru – PE, abrindo o show de Alceu Valença, público grande no Pátio do Forró, antes de subir ao palco dei uma olhada entre as cortinas, era meu primeiro ano em carreira solo e tremi na base. Eu virei para minha empresária e produtora e disse: Não tenho condição de encarar este público, ela me deu um calmante e uma bronca. Eu estava com uma banda excelente me dando sustentação, esse foi um dos meus melhores shows, mas entrei no palco em choque da cabeça aos pés.

22) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Maria Lafaete: Ainda não tive tristezas, embora já tenha passado por algumas decepções, as quais me serviram de experiência. Subir ao palco e cantar levando alegria para o coração das pessoas é muito gratificante.

23) RM: Quais os prós e contras do Movimento do “Forró Universitário” no Sudeste?

Maria Lafaete: Não tenho nada contra, pois o “Forro universitário” assemelhasse ao Pé de Serra, seja a lá Gonzagão.

24) RM: Quais os prós e contras do Movimento do Forró de Banda dos anos 90?

Maria Lafaete: Quando a base é forte a raiz é profunda a árvore não tomba com qualquer ventania, aonde estão essas bandas? Copiaram, inovaram, alteraram o estilo e quase todas não existem mais. Contra não sou, espaço tem para todos. Todos nós devemos lutar para realizarmos nossos objetivos.

25) RM: Quais os prós e contras do Movimento do Forró Estilizado dos anos 2000?

Maria Lafaete: Todos trilharam o mesmo caminho das bandas anteriores.

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Maria Lafaete: Na minha presença tocam a minha música na base da promoção, mas fora isso só pagando o jabá por mais qualidade que a música tenha.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Maria Lafaete: Que seja determinada, se fortaleça financeiramente, pois se a estrela não brilhar? Viver de música não é fácil para muitos. Aí sim, sair pelo meio do mundo a cantar, porque cantar é maravilhoso, faz bem à alma.

28) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Maria Lafaete: A cobertura feita pela grande mídia sem abrangência positiva. Quase sempre vale o mais forte em influência política ou financeira, o mais abastardo que pode comprar um espaço de divulgação, se auto promover.

29) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Maria Lafaete: Atualmente estou fora do eixo Rio – São Paulo não conheço o trabalho e projetos do SESC. Aqui no Nordeste ouvi falar do bom desempenho do SESC no Ceará, inclusive no interior. Não me sinto à vontade para opinar, uma vez que não tenho um efetivo conhecimento.

30) RM: Qual o seu contato pessoal e profissional com Luiz Gonzaga?

Maria Lafaete: Pessoalmente foi desde sempre e por toda vida. No vilarejo do Araripe onde nascemos era sempre motivo de alegria a chegada de Luiz Gonzaga, ficava encantada com o som da sanfona e o seu cantar. No início de 1969, rumo ao Rio de Janeiro fui parar na Fazenda Asa Branca em Duque de Caxias de propriedade de Gonzaga e lá fiquei por três anos como professora primaria das crianças da Fazenda e moradoras vizinhas. Em meados de 1972 fui conviver com Gonzaga e sua família na Ilha do Governador. Fui de muita utilidade, em todos os trabalhos: Doméstico, confidente, secretária, ritmista e etc. Todos os discos que Luiz Gonzaga gravou pela ODEON, eu fui a ritmista do triângulo, fizemos inúmeros shows pelo Brasil, de norte a sul, programas de TVs, no período de 1972 a 1975.

Certa vez, em uma viagem para Porto Alegre – RS com artistas da Odeon para participar de um Programa de TV. Após a decolagem houve um super aquecimento da turbina do avião da Transbrasil, retornamos ao aeroporto do Galeão, Gonzaga sentado ao meu lado, descansou a mão dele (gelada e trêmula) e disse: tenha medo não minha prima é nada demais não. Olhei para ele e vi que quem estava com medo era ele. E seguimos viagem em outra aeronave. Lembro que quem ocupava as poltronas do lado esquerdo eram Elza Soares e Mané Garrincha, quando desembarcamos em Porto Alegre, o casal andando em nossa frente, Gonzaga disse a Garrincha: como pode umas pernas dessas, tão feias encantaram o mundo, Garrincha riu a abraçou Gonzaga pela cintura.

Dos discos que gravamos pela Odeon, o mais marcante foi o compacto com a música “Samarica Parteira”, foi torturante quase pedi socorro. Os dedos finos incharam com o peso do triângulo e o movimento repetitivo, pois Gonzaga só gostava de usar Triângulo feito com barra de direção de Fusca. O som é maravilhoso, mas é muito pesado.

Em outra ocasião fomos a Belo Horizonte – MG fazer um show em uma Universidade, o local lotadíssimo, no palco apenas: Luiz Gonzaga, Toinho na zabumba e eu no triângulo. O Trio fez a plateia delirar. Dias depois, chegou pelo correio uma revistinha com uma foto do show, Helena a esposa do Gonzaga e Madame Baião, viu na foto uma jovem fazendo vocal para seu Luiz. A foto foi tirada de lado, e da cintura para cima, não dava para identificar muito bem. Desmanchei-me em explicação, que era eu, que era eu, mas Helena não se convencia. Fui ao meu quarto e lá peguei uma bijuteria em forma de estrela que havia usado para prender uma mecha de cabelo da peruca que usei naquele show. Por fim fui acreditada. Nunca contei esse fato para Gonzaga.

Na gravação do LP de Luiz Gonzaga, o primeiro pela Odeon, eu estava muito insegura, nunca havia entrado em um Estúdio de Gravação. Na hora de gravar eu entrava sempre atrasada tocando o Triângulo. João Silva estava gravando o Agogô, ele veio perto de mim e queria que eu entrasse no tempo certo do compasso. Gonzaga junto à mesa de som veio e disse: Ô João, deixa minha prima fazer “o arroz e feijão dela”, está bom assim. E João se afastou resmungando. O disco ficou lindo, eu fiquei orgulhosa e com o dinheiro do cachê na bolsa (risos).

Cumpri a minha tarefa, me despedi e me dediquei ao estudo e depois ingressei no Serviço Público. Mas nossa relação familiar foi sempre muito intensa.

31) RM: Qual o seu contato pessoal e profissional com Chiquinha Gonzaga?

Maria Lafaete: Contato familiar comum, sempre presente em festas que aconteciam em família, era um bom relacionamento. Quando ela mudou-se para Recife – PE nossa relação ficou mais estreita, tive o prazer de participar de alguns dos seus shows e estávamos sempre juntas.

32) RM: Qual o seu contato pessoal e profissional com Zé Gonzaga?

Maria Lafaete: Contato familiar normal e contato profissional raro.

33) RM: Qual o seu contato pessoal e profissional com Gonzaguinha?

Maria Lafaete: Nos relacionávamos muito bem e éramos bem chegados, tínhamos carinho um pelo outro, apesar de algumas diferenças no nosso modo de pensar. Ele era altamente politizado, sua visão era além do nosso tempo. Eu sempre fui e serei sua fã eternamente. Ia constantemente aos seus shows e lhe agradava com boas empadas e doce de mamão maduro com mel.

34) RM: Qual o seu contato pessoal com seu tio Januário?

Maria Lafaete: Quando em criança no vilarejo do Araripe, época em que mãe Santana vivia no Rio de Janeiro, tio Januário vivia sob os cuidados da minha mãe Zefa Lafaete, filha de Baia, irmã de mãe Santana e pai Pedro, irmão de tio Januário. Residíamos com ele até o seu novo matrimônio. Eu gostava de observa-lo quando estava afinando e consertando as sanfonas de 8 baixos ou pé de bode e aquele som muito me alegrava.

35) RM: Qual o seu contato pessoal com Joquinha Gonzaga?

Maria Lafaete: O Joca é um amigo, e um irmão nós nos damos muito bem, em Exu – PE e faço de sua casa minha como ele faz da minha a dele. Estamos sempre em contato, em sintonia e ele é meu produtor musical, os meus discos tem o seu carimbo.

36) RM: Quais os outros Gonzaga que trabalham com música?

Maria Lafaete: Os filhos de Gonzaguinha: Fernanda e Amora fazem parte da banda As Chicas. E Daniel Gonzaga têm um trabalho solo muito bem desenvolvido, ele é diretor da Editora Moleque e sua carreira é significativa. Sua linhagem artística lembra muito o seu pai Gonzaguinha.

37) RM: Maria Lafaete, Quais os seus projetos futuros?

Maria Lafaete: Projeto um tanto quanto ousado, acabei de gravar músicas de Gonzaga, fiz um apanhado geral, não foi bem o que eu queria, mas foi o que me foi possível. Regravei mais o menos 85 músicas que Luiz Gonzaga interpretou quase todas em forma de Pot-pourri. Espero agradar a todos com estes Retalhos do Velho Lua. Já estando em fase conclusiva do álbum em homenagem.

38) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Maria Lafaete: (81) 3439 – 9388 | 99656 – 5480 | [email protected]

| https://web.facebook.com/maria.lafaete

| https://web.facebook.com/Maria-Lafaete-1440804899484625

Canal: https://www.youtube.com/channel/UC5CnT-mc0VkcqBDUuPv-OVQ

Maria Lafaete – feliz pra danar: https://www.youtube.com/watch?v=Fwb_3gxUWpc

Playlist: Maria Lafaete – Seguindo a tradição:https://www.youtube.com/watch?v=FRgmI1kk5_o&list=OLAK5uy_nHbukxBLm3QMSzuQ8Q_HYgb5lXCdzWF9g

| https://www.forroemvinil.com/tag/maria-lafaete/


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Tagged

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.