Marco Bosco

Marco Bosco

O compositor, percussionista paulista Marco Bosco, começou sua carreira como percussionista em 1974, tocando em bailes e casas noturnas, em 1977 começou seus estudos musicais com Paulo Simões Silva e José Ulisses Arroyo, ambos professores e músicos integrantes da Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas – SP. Em 1979 estudou com Cláudio Sthephan, percussionista da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo – SP.

Em 1980 como líder do Grupo Acaru, gravou durante temporada em Tokyo o álbum “Live at Hot-Crocket” (RCAVictor), disco também distribuído na Europa. De volta ao Brasil, em 1981, participou do início da produção fonográfica independente quando produziu e distribuiu independentemente, “Aqualouco” (Café/FIF), segundo disco do Grupo Acaru. Em 1983, gravou seu primeiro álbum solo “Metalmadeira” (Arco-Íris/Odeon) com a participação de Belchior, Luli & Lucina, Ruriá Duprat, Nico Resende, Nico Assumpção. Em 1986 gravou “Fragmentos da Casa” (Carmo/Odeon), seu segundo álbum solo com a participação de Egberto Gismonti, Oswaldinho do Acordeom, Paulo Calasans entre outros.

Marco Bosco como músico de estúdio, trabalhou com profissionais reconhecidos na produção de discos e trilhas para dança, cinema, teatro e também a participação em aproximadamente 500 peças publicitárias para rádio e televisão em campanhas locais, nacionais e internacionais. No Brasil, em gravações ou performances ao vivo, trabalhou com: Egberto Gismonti, Maestro Rogério Duprat, Raul de Souza, Sebastião Tapajós, Nelson Ayres, André Geraissati, RPM, Wanderléia, Raul Seixas, Toquinho, Luiz Ayrão, Neguinho da Beija Flor, Nilson Chaves, Jean & Paulo Garfunkel, Simone, Lucinha Lins, Baby do Brasil, Belchior, Adoniran Barbosa, Zé Geraldo, Ronaldo Bastos, Renato Teixeira, Pena Branca & Chavantinho, Chitãozinho & Xororó, Zezé di Camargo, Sá & Guarabira, César Camargo Mariano, Zé Rodrix, Ivan Lins, Rita Lee, Caetano Veloso, Elza Soares, Zélia Duncan, Sandra de Sá, maestro Moacir Santos e outros.

Em 1990 mudou-se para o Japão, principalmente para estudar com “O Edo Sukeroku Taiko” tradicional grupo de tambores japoneses. Desde sua saída do Brasil trabalhou na Europa, Ásia e América do Norte com artistas como: Tsuyoshi Yamamoto, Zainal Abdin, Hank Jones, Sérgio Mendes, Ana Caran, Tânia Maria, The Boom, Melodie Sexton, Paul Jackson, Sadao Watanabe, Cesar Camargo Mariano, Leila Pinheiro, Eiki Nonaka, Sandii, Coba, Anri, Sepultura, Roberto Menescal, Airto Moreira, Flora Purin, Nina Simone, Gary Bartz, Dr. John, Simon Lebon (Duran Duran) Nick Wood, Leon Lay, U.F. O, Nina Simone, Randy Brecker, Zwey, Ronnie Cuber, Toninho Horta e seu próprio grupo “Sururu Gang”, além de vários trabalhos para Rádio Televisão Nacional do Japão (NHK) em transmissões domésticas e BS satélite Hi-Vision para a Ásia e Europa.

Em 1991 lançou seu terceiro álbum solo “Hánêreá-Power of Nature” (JVC-Japan), baseada na lenda do guaraná da tribo amazônica Sateré-Maué, com a participação de Cesar Camargo Mariano, Sebastião Tapajós, Pique Riverte, Walmir Gil, Ruriá Duprat e Paulo Calasans. Em 1993, lançou “Tokyo Diary” (New Frontier), quarto disco solo, gravado em Tokyo, Los Angeles e São Paulo com a participação de Oscar Castro Neves, Don Grusin, Alex Acuña, Jane Duboc, Flora Purin, Airto Moreira, Jimmy Johnson, Ricardo Silveira, Gary Meek, Paulo Calasans, O Edo Sukeroku Taiko e outros, disco esse, que também integrou o projeto Pioneer 3D Museum LD Rom. Em 1994, lançou seu primeiro single no Japão, “Soccer Alegria” (Toshiba/EMI) e em 1995 teve sua primeira experiência como ator com o diretor sino-americano Ping Chong e sua companhia em Tokyo no Teatro Documentário “Gaigin – Undesirable Elements” em comemoração aos 50 anos do fim da segunda guerra.

Em 1996, trabalhou como produtor para Media Garden Inc. e como diretor de repertório para Music.Co.Jp Inc., companhias baseadas em Tokyo que pela primeira vez distribuiu músicas para download, então com qualidade de CD via Internet.

Em 1997 produziu para esta companhia a gravação ao vivo dos concertos de Airto Moreira, Flora Purin no Ronnie Scott’s Club em Londres e Tsuyoshi Yamamoto Quartet e Guilherme Vergueiro & Marco Bosco no Tatou Club em Tokyo. Em 1998 lançou “There Will Be No Money Today” (Ape’s/Sony-Japan), seu quinto trabalho solo com a participação de Tsuyoshi Yamamoto, Casey Rankin, Paulo Calasans, Cisão Machado, Marcelo Mariano, Eiki Nonaka. 

Em maio de 2000, veio ao Brasil para a tour de Nina Simone, resolveu ficar em casa e junto ao maestro Ruriá Duprat iniciar sua própria gravadora, a Rainbow Records, bem como gravar o álbum “Techno Roots”, lançado no final de 2001. Uma versão techno das músicas do grande mestre Jackson do Pandeiro, com a participação de Egberto Gismonti, Dominguinhos, Marlui Miranda, Jean Garfunkel, Genival Lacerda, Vicente Barreto, Fuba de Taperoá, Miltinho Edilberto entre outros.

A partir de agosto de 2002 desenvolveu o projeto “Arte nos Trilhos”, em Torrinha – SP, sua cidade natal com 8000 habitantes. Projeto este voltado para a pesquisa de ritmos e a recuperação das atividades musicais junto a crianças, adolescentes e jovens; formando um grupo de percussão sonoramente baseado em latas de óleo de 20 litros.

Em 2004 retornou ao Japão para gravar o álbum “Live at the Brazilian Embassy”, dessa vez voltado para jazz Standards e Bossa Nova; gravado ao vivo no auditório da Embaixada Brasileira em Tokyo com a participação do internacional pianista japonês de jazz Tsuyoshi Yamamoto e a cantora americana D’nessa, álbum lançado em Junho de 2005 no Japão e mundialmente pela internet. Em 2006 tocou e produziu para o mercado japonês o álbum “Depois do Nosso Tempo” para o retorno da grande cantora de bossa nova, Sonia Rosa, álbum gravado nos EUA, com a participação de Cesar Camargo Mariano, Oscar Castro Neves, Romero Lubambo e Ivan Lins entre outros grandes músicos. Também participou do álbum do DJ TARO e coproduziu o primeiro álbum para Japão do virtuoso violonista brasileiro Yamandú Costa.

Em 2007, entre vários trabalhos em estúdio, produções e novos projetos, participou do lançamento do álbum e das apresentações na abertura do Ritz Carlton Hotel em Tokyo. Em 2008, trabalhou para Tokyo Conrad Hotel e produziu para o mercado fonográfico Brasileiro e Japonês, o álbum “Vicente” de Vicente Barreto, também distribuído mundialmente pela internet para download. Em fevereiro 2009, recebeu o Grammy americano. na categoria melhor jazz Contemporâneo para o álbum Randy Brecker in Brasil e dirigiu e produziu o concerto e a gravação de “Oscar Castro Neves live at Blue Note Tokyo”, no Japão, com os convidados especiais: Airto Moreira e Leila Pinheiro. Também produziu no Brasil e EUA o álbum “Flor de Fogo” de Chico Pinheiro, lançado internacionalmente como There’s a Storn Inside, com as participações especiais de Dianne Reeves e Bob Mintzer, lançado mundialmente física e digitalmente.

Em 2010, trabalhou pela primeira vez na em rádio com o programa diário “Amazon Space” na Amazonas FM em Manaus, AM. Também coordenou e coproduziu gravações de Seigen Ono um projeto ligado à Universidade de Waseda em Tokyo, que desenvolve novo sistema de agravação em alta definição, testado pela primeira vez no mundo na floresta Amazónica com os sons da natureza e cantos indígenas.

Em 2011, como representante brasileiro da CT Music & Cendi Music/Japan, em diversas produções, coproduziu com Paulo Calasans o projeto “Raiz” de Leila Pinheiro, com repertório e temática voltados para a Amazônia. Em 2012 coproduziu e lançou internacionalmente o álbum “Believe What I Say” The Music of Ivan

Lins, que além do próprio Ivan Lins participam também, entre outros Simoninha, Jair Oliveira, d’Nessa, Luciana Melo, Charito, Nilson Chaves, Carla Vallet, Zé Colmeia & Dom Pixote, também em 2012 a produção e o lançamento do álbum “Amores” do grande poeta e cantor amazônico Nilson Chaves. O álbum “Raiz” de Leila Pinheiro, foi nominado e concorreu ao Grammy Latino na categoria melhor disco de MPB em 2012, e também o lançamento do álbum “Amazônia Pop” da talentosa amazonense, Marcia Novo.

Em 2014, após mais de 20 anos fora do Brasil lançou o álbum duplo “33”, uma coletânea para comemorar os 33 anos de carreira em gravações e a parceria com Paulo Calasans e uma lista de grandes nomes da música nacional e internacional.

Em 2015, produziu, codirigiu e tocou no Tributo a Oscar Castro-Neves, com as participações especiais de Alaíde Costa, Leny Andrade, Sebastião Tapajós, figuras maiores da Música Brasileira, em três dias do concerto gravado para TV, dirigido por Antonio Carlos “Pipoca” Rebesco.

Desde quando começou em 2009 na China com o baterista Leonardo Susi o quarteto instrumental “Balaio” em algumas poucas apresentações, construíram o quarteto até uma excursão muito bem sucedida com 28 concertos em Hong Kong e China em setembro/outubro 2015.

Em abril de 2016 o Governo do estado de São Paulo e da Secretaria da Cultura apresentam o álbum Marco Bosco e Paulo Calasans “ONLINE”. Em 2016 “Balaio Convida Randy Brecker”, show baseado no álbum “Randy in Brasil” – vencedor do Grammy americano de 2009 – mais uma vez voltaram a China e alguns países europeus em uma turnê de sucesso, com performances solo e também ao lado deste lendário ícone de jazz. Em 2017, paralelo a seus trabalhos de produtor e/ou músico de estúdio, o novo Balaio se apresentou em diferentes países, sempre trabalhando com repertório original e a melhor música brasileira em versões instrumentais, valorizando as qualidades musicais individuais de cada um dos quatro integrantes do grupo. Balaio retornou à Ásia e à Europa em outubro e novembro de 2017 para mais shows solo e novamente shows com o trompetista americano Randy Brecker, para encerrar a tour iniciada em setembro de 2016.

Durante “Balaio” Ásia Tour 2017, foi gravado em Xangai o álbum “Balaio”. O álbum teve gravações adicionais em Estocolmo, Nova York e São Paulo e as participações especiais de Mike Stern (guitarra elétrica), Randy Brecker (trompete), Nils Landgren (trombone), Paulo Calasans (teclados) e Zeca Baleiro (voz) e a ilustração do artista plástico americano Tom Reyes. Também em 2017 a inclusão de três músicas na bem sucedida coletânea “Outro Tempo” pelo selo holandês Music From Memory. Em 2018 “Balaio” lançou seu álbum de estreia em performances ao vivo com o lendário guitarrista americano no show “Balaio convida Mike Stern”, em uma tour brasileira em Junho.

Em 2019 lança na Europa, via Itália, seu premiado disco “Metalmadeira” de 1983, disco esse incluso na lista japonesa do 100 melhores discos de música brasileira e recentemente incluso no livro LSD “Lindos Sonhos Delirantes” do musicólogo Bento Araújo, como um dos 100 discos mais psicodélicos da Música Brasileira. Lançou Também dois re-mixes Electricwood I e Electricwood III das músicas do “Metalmadeira” em versão eletrônica com as participações de Paulo Calasans e da gravação original o lendário cantor e compositor Belchior e o virtuoso contrabaixista Nico Assumpção, singles já disponíveis em todas as plataformas digitais para downoad & stream.

Marco Bosco ministrou um curso de produção e distribuição por dois meses na Escola Superior de Tecnologias e Artes de Lisboa – ESTAL. Também produziu o álbum “A Música cantada de Paulinho Nogueira” com Regina Dias, Ulisses, Rocha, Sizão Machado, Nelson Faria, Luiz Carlos Sá e novo álbum de Flavio Venturini e volta em setembro a Ásia e Europa com o “Balaio” para mais uma tour internacional. Em 2020 produziu no Brasil o grande álbum e concerto de “A Música Cantada de Paulinho Nogueira” e o novo álbum da artista afro-cubana Danae Estrela.

Marco Bosco continua compondo imagens com os sons da natureza, das matas, dos pássaros, das águas, misturando música ambiente, música eletrônica e os tambores que carregou pela vida e prepara a comemoração de seus 40 anos de sua carreira em gravações. Marco Bosco é uma oportunidade única para o público em todos os lugares, para conhecer este instrumentista brasileiro com um performance cheia de imagens, fundindo música brasileira com World Music e Ambient Music.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Marco Bosco para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 03.11.2020:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Marco Bosco: Nasci no dia 28.04.1956 em Torrinha – SP. Registrado como Marco Antonio Bosco.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Marco Bosco: A história vem de longe, meu avô materno, português casado com uma cabocla era violeiro e dançava catira. Meus tios maternos, cantavam e minha tia Selma, bailarina de Flamenco, viajou o mundo e morou na Europa nos anos 60, ensaiava em casa com os violonistas e eu ficava assistindo, minha mãe cantava muito bem também. Minha prima Sonia Rosa, em 1970 se classificou muito bem no Festival Internacional da Canção e foi ao Japão para a Expo 70, e nunca mais voltou, tornou-se uma estrela da MPB na Ásia. E em 1979 era inevitável eu ir para o Japão onde gravei meu primeiro disco ao vivo como Grupo Acarú, que eu e o Ruriá Duprat tínhamos. Antes disso tudo começou na noite com conjuntos de Samba, tocando na antiga Avenida Ibirapuera escondido aos 16 e 17 anos de idade e depois servir o exército como músico e mais tarde fazendo Baile com músicos da orquestra da TV Tupi.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Marco Bosco: Fiz os estudos normais até entrar na Unicamp em linguística, me casei muito cedo, e fui pai muito cedo, morando em Campinas – SP a partir de 1976 ao sair do exército. Comecei a trabalhar como diagramador no jornal “Diário do Povo” e tocar na noite. Na época formou-se a Orquestra Sinfônica de Campinas com o maestro Benito Juarez e fui estudar com eles e ver aquilo foi um horizonte que se abriu para mim.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Marco Bosco: Posso dizer que quatro coisas influenciaram muito: O samba do Bairro do Bexiga (Bela Vista) em São Paulo onde cresci, quando conheci o guitarrista Santana, quando ouvi  o percussionista Airto Moreira em 1975 e quando conheci Pink Floyd que foi a grande mudança, onde apareceram as possibilidades das imagens sonoras mais que o ritmo. E nada deixou de ter importância, tudo foi e é útil, tudo faz parte das raízes e do caule da minha essência e do exercício do ofício.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Marco Bosco: Profissionalmente e ganhando dinheiro, foi em 1973/74 na avenida Ibirapuera tocando samba e MPB. Tive a sorte de tocar no Jardim Itatinga, zona de prostituição, com os irmãos “Pantera” que tocavam na Orquestra, era demais poder tocar com uma superbanda e com os metais. Mas foi na estrada e na noite que tudo se fortaleceu, até mudar para São Paulo para tocar com Luiz Ayrão e depois, com Zé Rodrix que fez tudo mudar.

06) RM: Quantos álbuns lançados? 

Marco Bosco: Foram onze álbuns, três singles e várias compilações. O perfil de cada álbum está diretamente ligado ao momento em que foram gravados, aos sentimentos e ideias do momento. Basicamente, as minhas direções sempre foram as imagens sonoras e o uso dos equipamentos eletrônicos associados ao acústico, desde o princípio, desde as primeiras baterias eletrônicas, os primeiros sequenciadores até esse mundo digital de agora. Sempre forcei a derrubada dessa ideia errônea daquela clássica pergunta: Você faz música de computador? Não, computador não faz música nenhuma é apenas uma plataforma de gravação e das boas, quanto mais você conhece a ferramenta que usa mais liberdade de criação irá ter.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Marco Bosco: Basicamente como percussionista e produtor, tento sempre ver o som primeiro. Qual a atitude estética do disco, qual o personagem e como diz o Egberto Gismonti, qual a literatura do álbum? O que você vai dizer e como? O estilo musical é como a maneira de andar, cada um tem seu jeito. Você vai fazendo, moldando e sempre vai ter sua assinatura naturalmente. Eu costumo dizer que sou vítima do Pink Floyd, descobri que poderia colocar imagens sonoras sobre os ritmos e com os meus pássaros crio a natureza, com minhas sementes crio as águas etc.  Como diz o Airto Moreira: tem que ter seu “número”, então se você quiser a floresta e os pássaros no seu trabalho, vai ter que me chamar! (risos).

08) RM: Você estudou Percussão?

Marco Bosco: Sim. Comecei a estudar em 1977.  Estudei percussão com José Ulisses Arroyo e teoria com Paulo Simões Silva, ambos músicos da Orquestra Sinfônica de Campinas – SP. Depois em São Paulo com o grande percussionista sinfônico Claudio Stephan.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica da percussão?

Marco Bosco: Em qualquer profissão ou oficio, a técnica é essencial, como já disse, a liberdade de criação vem depois do conhecimento da ferramenta e da técnica. No caso dos percussionistas populares a técnica é uma coisa que temos que adaptar as necessidades de cada um. Por exemplo, num show ao vivo você tocando para uma plateia de 5 mil pessoas com um P.A mandando bala, você acaba de tocar uma música nas Congas e logo depois você tem que pegar as baquetas dos timbales e tocar. Suas mãos já não entendem técnica alguma, você tem que inventar sua própria maneira.

10) RM: Quais as músicos ou percussionistas que você admira?

Marco Bosco: Alguns percussionistas; um pouco mais velhos que eu, foram de grande importância e tive a honra e prazer de conhecê-los, como o Chacal, Sidinho Moreira, Naná Vasconcelos, Djalma Correia e principalmente o Airto que tive a sorte de tê-lo em meu álbum Tokyo Diary de 1993. Mas tenho uma história muito interessante que explica muita coisa. Em 1975 servindo o exército, no meu primeiro soldo, fui até a loja Mappin em São Paulo para comprar uma bateria a prestação com o Sargento Iraty, chefe da banda, como fiador. Comprei a bateria, que iria demorar uma semana para ser entregue em casa. Sai da loja e subi a Rua Augusta em direção à Rua Peixoto Gomide onde morava, no caminho passei numa loja de discos e disse ao vendedor que eu havia comprado uma bateria e queria um disco de baterista para aprender a tocar. Ele me disse que havia chegado um disco bom para isso, era o disco “Fingers” de um cara chamado Airto Moreira. Fui para casa e fiquei ouvindo o disco sem parar, depois de horas ouvindo voltei na loja e disse que não queria mais a bateria e troquei por um par de Congas, um timbale horrível e barato e algumas coisinhas. Depois quando gravei com Airto Moreira em meu álbum, lhe contei esta história.

11) RM: Como é seu processo de compor?

Marco Bosco: Sempre parto da imagem e de como será a atitude estética de cada música dentro do contesto do álbum, isso quando instrumental, e quando músicas com cantores, parto dos parâmetros de inserção do intérprete vocal dentro da estética e instrumentação assumida. Com Paulo Calasans, com quem trabalhei muitos anos, tínhamos um processo que chamávamos de composição invertida. Muitas vezes mandava toda a bateria, loops e percussão já gravadas e na forma e ele colocava a música em cima com seus teclados maravilhosos.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Marco Bosco: Como disse trabalhei muito com Paulo Calasans, recentemente tenho trabalhado com um jovem guitarrista e muito ligado a “forma online” e  eletrônica de programas, e claro um excelente guitarrista, o paraense Kim Freitas e meu querido amigo e tecladista de décadas João Cleber Frutuozo, ambos comigo agora no meu novo projeto “Marco Bosco 40 e Manos”, que reúne  amigos musicais de antes e de agora, parceiros da estrada nesses 40 anos desde meu primeiro disco ao vivo em Tokyo em 1980.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Marco Bosco: Não exatamente minhas músicas. Algumas sim, como uma com Belchior no disco “Metalmadeira” de 1983 e agora remixada em um single. Mas tive muita gente boa em meus álbuns, como: Dominguinhos, Egberto Gismonti (também parceiro em duas composições), Genival Lacerda, Cesar Camargo Mariano, Ruriá Duprat, Vicente Barreto, Sá & Guarabyra, Simoninha, Oscar Castro Neves, Mike Stern, Randy Brecker, Belchior, Airto Moreira(parceiro em 2 músicas), Flora Purim etc.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Marco Bosco: Isso é simples: contras são as dificuldades de correr paralelamente as intenções e compromissos da indústria e mercado, uma parada cultural mesmo. As vantagens são a liberdade criativa, independência e o registro e a possibilidade de voar e entrar em mercados mundiais alternativos e culturalmente mais evoluídos.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Marco Bosco: Não há nesse momento, e já há algum tempo, uma maneira de planejar nada da carreira seja dentro ou fora do palco. As condições reais da cultura e atitudes do mercado e da indústria da música, não levam em nenhum momento a alguma direção que possa ser planejada. Se você não pertence ao mercado rentável da música estará correndo por fora. Não podemos afirmar que não há mercado algum para música instrumental ou adulta não comercial, na verdade existe sim um trabalho de guerrilha para furar as barreiras e entrar em espaços culturalmente menores e dependentes de atitudes estatais de incentivo à cultura e tocar para teatros vazios, com poucos interessados em música alternativa e instrumental. Porém ser brasileiro é um dos melhores produtos que posso vender na Europa e Ásia. Aprendi nesses anos todos que quem faz sucesso é a música e não o artista, e a música de sucesso está diretamente ligada a cultura local e dos consumidores.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Marco Bosco: Especificamente é o trabalho de insistência e guerrilha cultural, pois no caso da música alternativa nem colocando muito dinheiro, não terá uma resposta cultural a altura. A saída sempre será criar seguidores amantes da música em anos de trabalho e insistência. Mesmo que consiga divulgar muito bem sua música vai criar qualidade e seguidores fiéis e uma posição no meio, mas isso não significa resultado real físico e palpável como qualquer outro profissional que tem direito, deve e precisa de tudo como outro qualquer. Sem qualquer viés político, as artes estão queiram ou não, ligadas a qualidade e nível cultural dos consumidores. Tem uma hora em sua trajetória artística que não haverá mais volta, não dará mais para mudar de ofício. Se você sustenta sua vida e as dos seus com proventos das artes, prepare-se e lute. Quando não der mais para mudar de direção, terá que ir em frente queira ou não.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Marco Bosco: Nunca a internet foi tão necessária como nesse momento pandêmico causado pelo Covid-19, a internet para mim já é uma forma de trabalho muito prática e que já uso há anos. Em 2015 lancei um álbum chamado ONLINE, que foi totalmente concebido, produzido e gravado via internet. Só nos encontramos ao vivo para ensaiar para show de lançamento. Morando no Japão a partir de 1990 tive a grande chance de trabalhar com a Media Garden Inc. e a Music.Co.Jp, empresas associadas que iniciariam o processo de distribuição “on demand” de músicas online, depois associadas a “Liquid Audio” em São Francisco/USA. Desde então, nunca mais me separei dessa ferramenta de distribuição, até atualmente, onde atuo como “music provider”, fornecendo e intermediando títulos para distribuição digital nas principais plataformas digitais de download & streaming, via 33 distribuidores e alcançando mais de 100 países no mundo.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Marco Bosco: Desvantagens não existe nenhuma, existe o perigo da pessoa conhecer a ferramenta tecnicamente e não conhecer a música. Ter a possibilidade de criar, desenvolver, produzir e distribuir independentemente e tudo sob seu controle e em sua casa, é uma vantagem imensurável.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Marco Bosco: No passado, e principalmente a partir de 1977, quando Antonio Adolfo mudou o mercado com o seu álbum “Feito em Casa”, que na sequência causou o início do movimento da “Vanguarda Paulista”, onde nasceram grandes nomes e músicos e o Teatro Lira Paulistana, que nos abriu um mundo muito importante para nossa expressão e atuação. Gravar passou a ser muito mais simples e possível, ainda tocávamos juntos e gravava-se rápido. As capas eram grandes, atraiam artistas plásticos e fotógrafos, a mixagem era no ouvido e não existia masterização, existia corte. A distribuição era somente em lojas, vendia-se em shows. Aí virou CD, mas sabíamos de onde vínhamos e para onde iríamos. Com a ITunes da Apple, viramos invisíveis e foi a morte lenta da mídia física, e agora não temos mais nada se considerarmos as plataformas de streaming. Porém os números são gigantescos, Michael Jackson teve 65 milhões de álbuns vendidos, hoje “Despacito” tem 13 bilhões de plays. As capas históricas com as do “Yes” e do “Pink Floyd” viraram fotos de 1.5 por 1.5 cm nas plataformas de vendas.

20) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Marco Bosco: Assim rapidamente, acho que o último que apareceu e construiu uma carreira longa baseada na qualidade foram: Lenine e Zeca Baleiro. Não me ocorre nenhum nome popular nesse momento que será longevo. Alguns saíram ou foram “saídos” do mercado por interesses e direções do próprio mercado totalmente controlado, ou simplesmente personagens criados para o momento e geração de lucros imediatos e temporários.

21) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc.)?

Marco Bosco: Nesses 46 anos de estrada, por muitos anos foi a qualidade dos instrumentos e a possibilidade de tê-los mesmo tendo o dinheiro. Equipamentos de som sempre foram um pesadelo nos anos 80, fizemos o primeiro projeto Pixinguinha na Amazônia Legal com Belchior, foi tudo inimaginável, a consciência do que era ou não viável para um show e o que encontramos. Mas essa má qualidade e desinformação era no Brasil inteiro, como com Zé Rodrix em 1979, em um show de uma rádio no Rio Grande do Sul em um ginásio de esportes com 30 mil pessoas, chegamos e havia um microfone só e um caixa para guitarra e nada mais. Também estamos até hoje expostos a perguntas populares famosas: Você faz o quê? Sou Músico. Mas trabalha com o quê?  O que você faz? Sou Músico. Mas você é cantor? Tudo nesse momento nos parece absurdo, especialmente onde as pessoas que ainda pensam assim e não se dão conta que estão trancadas há meses nessa pandemia Covid-19, ouvindo músicas, assistindo filmes, lendo etc. 

22) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Marco Bosco: Atualmente a destruição da educação e arte como forma de controle, realmente é um desastre muito triste, um processo de corrosão que vem sendo executado há anos, até culminar com esse momento totalmente aculturado e fraco ao extremo. O que temos de sucesso são coisas extremamente comerciais e de extremo comprometimento com os negócios da música. Acho que posso dizer depois de 40 anos andando pelo mundo, que a melhor música do Brasil não está no Brasil. Infelizmente!

23) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Marco Bosco: Certamente existe o dom musical como outro dom qualquer ou até a falta total de algum dom. Ou você tem ou não. Tecnicamente a música é um código, você pode aprender a lê-lo e executá-lo, mas isso não está ligado a criação e/ou arte. Como dizia Oscar Castro-Neves: você tem uma excelente máquina de escrever, é um exímio datilógrafo, mas o que me interessa mesmo é o que você vai escrever. Existe, porém, casos reversos. Todos os músicos gostam da música, mas quando a música gosta do músico, aí acontecem coisas como Hermeto Paschoal, André Mehmari, Egberto Gismonti, Sizão Machado etc.

24) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

Marco Bosco: Conhecimento da ferramenta ou instrumento e sua emoção e criação na execução.

25) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Marco Bosco: Existem os dois casos. Mas o verdadeiro ponto: voltamos ao conhecimento da ferramenta e aí você acrescenta o sentimento, emoção, seu coração e sua pele.

26) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Marco Bosco: Nenhum contra. Sabedoria e conhecimento não têm “contras”, se conhecer os métodos e a técnica aliada a experiência, vai se divertir.

27) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Marco Bosco: Também nenhum contra, muito pelo contrário, conhecer a harmonia para quem toca um instrumento harmônico faz parte, e ter noções da forma e harmonia ajuda também os instrumentos rítmicos na execução como parte de um grupo, na hora do improviso.

28) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Marco Bosco: Voltamos a cultura! A música experimental, independente e livre, mesmo que queira pagar o jabá, onde irá pagar? Qual a rádio com audiência suficiente e expressiva para justificar e para formar um público você queira ter? Vai gastar dinheiro à toa! Sempre dependemos da qualidade da cultura e não do mercado que manda. Estou falando no caso específico, se fizer parte da música comercial que colocam milhões para criar alguém que irá trabalhar nesse mercado musical específico como as mais de 3000 festas de Peão pelo Brasil, que são coordenadas por empresários que colocam e tiram conforme suas necessidades de investimento e retorno. Porém, existem casos absurdos de movimentação financeira em cima da música extremamente comercial. Existe alguns artistas, em especial uma cantora e compositora que chegou a ter 626 mil execuções em um dia, isso representa muito dinheiro em cima da falta de cultura e com esse lucro ninguém se atreve a tocar em nada, só em aumentar o nicho.

29) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Marco Bosco: Se você pretende ser músico de “final de semana e temporário”, divirta-se! Se pretende ser um profissional de fato e entrar no mercado musical: estude, trabalhe e lute muito, o tempo não para e não volta. Se tiver que manter sua vida vindo da música, corra muito!

30) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Marco Bosco: Contra nenhum. Até os ruins são bons! Sempre será uma chance de aparecer alguém e manter o exercício do sonho e da cultura.

31) RM: Hoje os Festivais de Música ainda são relevantes para revelar novos   talentos?

Marco Bosco: Certamente uma expressão cultural e específica muito importante. E como disse, ainda é uma chance de aparecer alguém.

32) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Marco Bosco: A cobertura feita pela grande mídia é totalmente comprometida com as direções do mercado musical. Na grande mídia, cada vez temos os espaços menores e as alterações de mercado são muito severas. A democracia das redes através da internet permite tudo, o efeito “Home Studio” pode ir do bom ao ruim, mas mesmo assim ainda é melhor e democrático. A coisa boa é que existem incontáveis blogs, sites e revistas online no Brasil e no mundo, que nos promovem e ainda e ainda nos dão espaço. Mais que nunca o espaço na internet nos é essencial como ferramenta de trabalho.

33) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Marco Bosco: Espaços essenciais, e os únicos oásis ainda não comprometidos com o baixo nível da música comercial. Embora ainda existam muito as “turmas” e relacionamento pessoais que protegem grupos específicos de artistas. Compreensíveis até certo ponto, pois ainda atuam como incentivadores culturais e existe a grande possibilidade de nunca recuperarem os orçamentos envolvidos. Ainda tocamos em muitos teatros vazios! Existem ainda muitas falhas conceituais nas administrações dos programadores desses espaços, acentuadas pelo excesso da demanda de artistas para com essas organizações que acabam fazendo o trabalho dos departamentos estatais de cultura e principalmente as ações federais de cultura em um governo que teve a extinção do Ministério da Cultura e transformado numa Secretaria de Cultura atrelada ao Ministério de Turismo. E queiramos ou não as grandes companhias independentes como Itaú, Natura e etc., mesmo com a proposta de incentivo à cultura a frente de tudo, a finalidade sempre será ou ainda é a divulgação das marcas e nas contra partidas que a simpatia pela cultura possa trazer.

34) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional com Zé Rodrix?

Marco Bosco: Durante minha estrada, dentre os vários artistas que me levaram pelo mundo, houveram duas pessoas (Zé Rodrix e Belchior) muito importantes entre amigos da minha trajetória e que acrescentaram demais tudo em minha profissão e minha história. Em 1978 ainda morando e trabalhando em Campinas – SP, um desses acasos e a sorte de estar ali naquele momento, conheci o Zé Rodrix por causa de um timbales para tocar uma de suas músicas, que acabou virando minha entrada para seu grupo de apoio e viagens para o Brasil inteiro com seu sucesso “Soy Latino Americano”. A partir daí tudo mudou e me levou para o meio da movimentação do show business brasileiro. Anos mais tarde vim a tocar e deve ter me tornado no único músico a tocar com Zé Rodrix, depois e Guarabyra, também muito importantes em minha vida até hoje e depois alguns shows com “Sá, Rodrix e Guarabyra”.

35) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional com Belchior?

Marco Bosco: Em 1981 conheci Antonio Carlos Belchior, que estava montando uma banda para a temporada no Teatro Nydia Licia em São Paulo. Acabando essa temporada, veio muita estrada, incontáveis shows pelo brasil todo e anos de trabalho juntos, vários de seus discos. Em 1983 ele tinha um selo chamado Arco Íris, que lançou meu disco “Metalmadeira”, hoje item de colecionador no mundo todo, nesse disco tem a participação dele em uma música que mostrou quem era Belchior. “Metalmadeira” era basicamente um dos primeiros discos solo de percussão no país, já toda percussão gravada ele chegou no estúdio e conversamos o que era e o que eu imaginava, ele entrou na sala de gravação e saiu cantando uma melodia que compôs na hora que é a música “Madeira III (Mata)”, recentemente relançada em versão remix como Eletric Wood III. O Bardo; como eu o chamava, grande artista, excepcional letrista, pintor de mão cheia e com uma cultura acima da média, foi meu amigo por anos. Último trabalho que fizemos foi em seu álbum duplo “Auto Retrato” de 1999, que coproduzi com Ruriá Duprat. Todas as ilustrações da capa dupla desse álbum mostram o seu lado artista plástico e pintor.

36) RM: Quais os seus projetos futuros?

Marco Bosco: Nesse momento estou produzindo o álbum “Marco Bosco 40 e Manos”, que coloca junto amigos da carreira: Luiz Carlos Sá, Randy Brecker, Vicente Barreto, Simoninha, Luís Vagner, Ruriá Duprat, Airto Moreira, Flora Purim, Cisão Machado, Maguinho Alcântara, François Lima, Marcelo Mariano, Cuca Teixeira, Ruca Rebordão, André Mehmari, Miltinho Edilberto, Cacá Malaquias, Nilson Chaves, João Cleber Frutuozo, Cuca Teixeira e novos como Kim Freitas e Tinho Pereira.

37) RM: Marco Bosco, Quais seus contatos para show e para os fãs?

Marco Bosco: Produção: (+55-19) 98330 – 2804 / (+55+16) 99151 – 5172

/ [email protected]

/ [email protected]   

/ [email protected]

/ www.cendimusic.com.br / www.facebook.com/cendimusic /

/ www.onlineproject.com.br / www.youtube.com/cendimusic 

/ https://www.facebook.com/marcoabosco 

/ https://www.facebook.com/brazilianmarcobosco 

/ https://www.facebook.com/balaioquartet 

/ https://www.youtube.com/c/MarcoBosco/featured 

/ https://www.youtube.com/c/MarcoBosco/videos 

/ https://www.youtube.com/c/MarcoBosco/community

Canal: https://www.youtube.com/user/manbooffice 

Marco Bosco Itaú Cultural Arte Como Respiro: https://www.youtube.com/watch?v=YXY-b7sDa3Q 

Marco Bosco | Programa Instrumental Sesc Brasil: https://www.youtube.com/watch?v=DwhTUWPOYkM 

Marco Bosco | Programa Passagem de Som: https://www.youtube.com/watch?v=DdT2TNYeK08 

Marco Bosco | Bate-Papo | Instrumental Sesc Brasil: https://www.youtube.com/watch?v=5N3vdUlfLKo 

Balaio Invites Mike Stern- Brazilian Tour – June/2018: https://www.youtube.com/watch?v=WFlr7JfA-Z4 

Marco Bosco Solo performance at B.Leza Clube in LIsbon/2017: https://www.youtube.com/watch?v=nMQoVGic2eU 

With Balaio & Randy Brecker in China/2016:  https://www.youtube.com/watch?v=Ejh6r46m_5o 

Marco Bosco Instrumental SESC Brasil/2015: https://www.instrumentalsescbrasil.org.br/artistas/marco-bosco/programa-instrumental-em-09-novembro-2015 

Live in Tokyo com Oscar Castro-Neves & Airto Moreira/2009: https://www.youtube.com/watch?v=Iv2401XgF6E 

Marco Bosco Sunset Colors: https://www.youtube.com/watch?v=PLhhcumndlc

Marco Bosco Works: https://www.youtube.com/watch?v=t5EOgYKjg24 

Marco Bosco Akatombo com Cesar Camargo Mariano: https://www.youtube.com/watch?v=YUalO2PDFrw

Leo Susi e Marco Bosco ” Brazilian Rhythm Possibilities” – China: https://www.youtube.com/watch?v=kEYQ75_Y6h4&t=22s 

Marco Bosco Artist Page at Spotify: https://open.spotify.com/artist/1NHVeuIJo4UwNIkerMOfUb?si=c5N6iG3pTfKZroBTTvSvVg 

Marco Bosco with Balaio Quartet: https://open.spotify.com/artist/05xOvv2MZFN8CMigy7Nw8O?si=MwTguuD8Q-CEH_I0HXsKTA


Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.