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M. Paulino


O cantor, compositor pernambucano M. Paulino, com um estilo pessoal “O Pernambuxé” além de forrozeiro de primeira que faz um forró de dar água na boca, como pode ser visto no meu CD – “Forró ao vivo”; gravado ao vivo na festa da pitomba em 2002.

Ele gravou, “Reino da fantasia” com o Carlinhos Brown; uma música que enaltece às cidades de Olinda – PE e Salvador – BA que faz parte do meu sexto CD – “Coco Pernambuxé”.

“Iracema”, é uma música homenagem que fiz ao Ceará em 1975. “Coco pernambuxé”, música gravado em 1986 com base no maracatu pernambucano.

Um artista defensor da cultura afro nordestina lutando com unhas e dentes para mostrar o seu trabalho onde valoriza o estado de Pernambuco e todo o Nordeste brasileiro. Tem o apoio de um dos maiores artistas brasileiros o Carlinhos Brown.

Segue abaixo entrevista exclusiva com M. Paulino para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 04.07.2022:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

M. Paulino: Nasci no dia 18/02/1952 em Carpina – PE, mas fui registrando em Recife – PE. Registrado como Manoel Paulino. 

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música. 

M. Paulino: Quando criança tive meu primeiro contato com a música com minha mãe cantando músicas da sua época. Meu pai, Severino Paulino Filho era violeiro e cantava repente e mote pedidos pelos espectadores das apresentações. Ele, trabalhava com literatura de Cordel e vendia nas feiras livres nas cidades do interior de Pernambuco. Eu, com oito anos de idade cantava nas feiras os folhetos de Cordel, o que me motivou cantar e compor as músicas baseadas na vida sofrida do povo nordestino.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

M. Paulino: Como músico sou autodidata; aprendi violão, guitarra e teclado sozinho. Estudei contrabaixo na escola de música Funeso e também no Conservatório pernambucano de música. Eu cursei Técnico de Administração. Sou Formado em Letras com habilitação em Inglês. Fui Professor de Português no Colégio da Polícia Militar de Pernambuco. Sou Major do Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco. Curso de Psicologia de 97 a 99.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

M. Paulino: Luiz Gonzaga, Roberto Carlos, Renato e seus Blue Caps, Raul Seixas, Fagner, Alceu Valença.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

M. Paulino: Em 1970, cantando com um amigo que me influenciou redondamente, pois, éramos amigos de futebol e jogávamos no mesmo time. Toda vez que íamos jogar, ele levava o violão e nos cantávamos para a rapaziada.

06) RM: Quantos CDs lançados?

M. Paulino: Lancei oito CDs, um Long Play, uma fita K7, um DVD. Três CDs foram no ritmo de Forró e cinco de Pernambuxé, um CD gospel.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

M. Paulino: É uma mistura de ritmos nordestinos e brasileiros sem igual que criei a mais de quarenta anos. Não tive o dinheiro necessário nem o apoio da grande mídia para mostrar ao Brasil.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

M. Paulino: Não estudei. Eu tive conhecimento que usava técnica vocal por acaso em 1993, quando gravava o meu primeiro disco no Novo Estúdio em Recife – PE do meu amigo Nenê. Terezinha do Acordeon também estava gravando com um cantor do Rio Grande do Sul. Ao terminar a gravação, ele me perguntou: “estudasse técnica vocal?” Eu perguntei, por quê? Ele respondeu: “Estavas fazendo tudo que o professor me disse para fazer quando estivesse colocando voz no estúdio”.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

M. Paulino: Tudo que traz conhecimento de como fazer o melhor no seu trabalho é importante. E principalmente quando cuida da saúde da voz, que é a nossa ferramenta de trabalho. Devemos ter determinados cuidados para sua boa utilização constante.

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

M. Paulino: No Brasil: Ivete Sangalo, Daniela Mercury, entre outras, que admiro profissionalmente. Roberto Carlos, Djavan, José Augusto, Bell Marques, Leonardo, entre outros.

11) RM: Como é seu processo de compor?

M. Paulino: Quando a inspiração chega, eu escrevo. É um momento, uma determinada situação e muitas vezes fatos que tomo ciência e a inspiração chega momentaneamente. A música “Limo do lodo”, eu estava na prefeitura de Jaboatão do Guararape – PE, esperando meu amigo Fernando, que era agente da procuradoria de Pernambuco. Eu, comecei escreve por intuição quando percebi havia escrito a minha luta para mostrar o meu trabalho e depois coloquei melodia e ficou uma música sensacional.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?      

M. Paulino: Edson Vieira e Fernando José de Santana.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

M. Paulino: Depende do seu poder financeiro! No meu caso! Todo mundo diz que meu trabalho é sensacional e eu continuo batalhando para mostrar ao Brasil e ao mundo, pois, não tive o apoio de ninguém. Eu gravei com Carlinhos Brown e ninguém abriu um espaço para eu mostrar este trabalho. Agora estão aparecendo alguns amigos, exemplo, Carlos Dias, ex produtor dos Trapalhões; que está me abrindo alguns espaços na grande mídia.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

M. Paulino: No palco dou o meu melhor e mostro para o público que estou feliz. Fora do palco, eu sou uma pessoa simples que acredito no meu trabalho e tenho confiança em Deus. Tudo é possível quando se acredita e vai à luta.

15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?

M. Paulino: Através de ações em sites e blogs no Brasil e no mundo e através do youtube, spotify, facebook, instagram, soundcloud, linkedin e rádios no Brasil e no exterior; como a rádio Kalapalo do Japão.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical?

M. Paulino: A internet não me prejudica em nada. Ela é muito boa para mostrar o meu trabalho para o Brasil e para o mundo. Eu recebo parabéns pelo meu trabalho no Brasil e no mundo.

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

M. Paulino: Muito bom o acesso a home estúdio. Facilitou em mais de 100% o poder de criação do músico brasileiro. Um grande avanço no poder criativo do músico. Abriu uma grande janela para o músico mostrar o seu potencial como músico, produtor e criador de novos talentos.

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

M. Paulino: Um estilo diferenciado; mas muitos me copiaram e não tiveram a coragem de assumir. Não sou contra copiar, me chateio com a falta de honestidade de assumir de quem copiou.

19) RM: Como você analisa o cenário da Música Popular Brasileira. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

M. Paulino: O Brasil é uma miscelânea musical. São muitos estilos e muitos ocupam um determinado período e depois entram no ostracismo. E outros estilos chegam a durar mais tempo e depois desaparecem. Tem os artistas que pagam o jabá e depois dizem que não pagam.

20) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

M. Paulino: A situação mais inusitada e decepcionante foi quando eu ganhei um prêmio no programa de calouros do Jorge Chau Show em 1973 no canal 2 em Recife – PE. Um dos jurados me parabenizou dizendo que eu “era melhor do que muita gente que ficava jogando merda nos outros”. O apresentador disse: ”você quer dizer que “Mané Palino” é melhor do que Chico Buarque de Holanda?”. E criou aquela balburdia, eu fiquei chateado. O que deveria ser o melhor momento do início da minha carreira tornou-se uma grande decepção. Por culpa do apresentador que não valorizou o meu trabalho discutindo com os jurados.

21) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

M. Paulino: O que me deixa triste é a safadeza de muitos artistas e o abuso dos produtores musicais que querem o lucro imediato e não importa a linguagem utilizada, se a momentânea ou aquela que ficará para sempre. Eles não conseguem perceber a diferença.

22) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

M. Paulino: É algo nato que não precisa de estudo ou aconselhamento. É abrir a boca e cantar lindamente deixando quem escuta de boca aberta e totalmente apaixonado pela apresentação vocal.

23) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

M. Paulino: Aquela feita momentaneamente; um encontro de músicos sem ensaio e que todos tocam e cantam.

24) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

M. Paulino: Existe! Quando os músicos se encontram sem ensaio.

25) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

M. Paulino: Mostra a qualidade dos músicos; quem sabe faz; quem não sabe fica olhando.

26) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

M. Paulino: Os métodos dizem a mesma coisa; o que muda é a técnica de quem executa. Sem Harmonia não existe música boa.

27) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

M. Paulino: Acredito que minha música toca nas rádios sem pagar o jabá! Mas é muito difícil. Eu tenho uns 10 amigos que são donos de rádios e eles tocam a minha música, mas é difícil.

28) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

M. Paulino: Siga em frente em busca dos seus ideais. Sorte tem quem acredita nela.

29) RM: Festival de Música revela novos talentos?

M. Paulino: Sim. 

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

M. Paulino: A cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira é desprezível! Se você tem condições financeira de bancar sua carreira está sempre na grande mídia e se não tiver dinheiro entra no esquecimento.

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

M. Paulino: Não conheço de fato! Mas torço que seja livre e aberto para todos artistas que tem competência. Não como a Lei Rouanet que não atinge um artista que preenche os requisitos para os quais a lei foi criada. 

32) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

M. Paulino: Foram muitas as revelações. Faz uns três meses que eu conheci o Flávio Leandro, que tem um trabalho maravilhoso e que eu nunca tinha escutado. Não aparece na grande mídia de Pernambuco. A jovem paraibana, maravilhosa Juliette Freire Feitosa que ganhou o Big Brother Brasil em 2021. Ela teve um apoio sensacional e que é muito importante para quem está começando e para uma pessoa que nunca tinha se a presentado para além de 50 pessoas. Ela foi um sucesso assombroso. Vou citar apenas estas duas revelações que mostram a falta de critério para visibilidade dos valores profissionais do nosso país. Às vezes, o artista é capacitado profissionalmente, mas lhe faltam os meios necessários para trilhar o caminho do sucesso. É aí em que eu e muitos outros não tiveram apoio.

33) RM: Quais os seus projetos futuros?

M. Paulino: Mostrar o meu trabalho para o Brasil e para o mundo. Fazer um DVD com um show ao vivo gravado no Nordeste: ”Pernambuqueando” com músicas autorais e com músicos convidados. Estou na batalha de um patrocinador.

34) RM: Quais seus contatos para shows e para os fãs?

M. Paulino: (81) 99836 – 3004 | (81) 98253 – 4679 | mpaulinocantor@gmail.com

| http://mpaulinocantor.blogspot.com

| https://www.instagram.com/mpaulinocantor

https://www.facebook.com/mpaulinocantor

|  https://www.mapacultural.pe.gov.br/agente/666 

| https://soundcloud.com/mpaulinocantor       

Canal: https://www.youtube.com/c/MPAULINOPAULINO

REINO DA FANTASIA: https://www.youtube.com/watch?v=vzq-E1vLsm4

M. PAULINO NO SÃO JOÃO DO RECIFE 2015: https://www.youtube.com/watch?v=Z45sjVuI7Gs&list=PL15OWOL-Nec0_ZKrHHXsNDxQtAd6Y4Aq_

M. PAULINO NO CLUBE DOS OFICIAIS BM E PM DE PERNAMBUCO: https://www.youtube.com/watch?v=4Yy2oxtU0i8

IRACEMA – https://www.youtube.com/watch?v=rZz8m_-X-eY

COCO PERNAMBUXÉ: https://www.youtube.com/watch?v=Jpl1fJdTUfM


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.

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