Luizinho de Serra

Luizinho de Serra

Luizinho de Serra, nascido em Serra Talhada no sertão pernambucano e que já usou outros nomes artísticos como: Luizinho Caiçara, Luizinho de Serra Talhada, Luizinho Sanfoneiro, etc. Agora em definitivo o nome artístico para se diferenciar e homenagear sua cidade natal.

Aos seis anos de idade aprende os primeiros acordes com seu pai Zé Caiçara (José Luís de Andrade), mas prefere dizer que já ouvia e sentia a sanfona de dentro do ventre de sua mãe Dona Luza (Luzia Maria da Silva Lima). O jovem sanfoneiro tornou-se profissional de palcos ainda na adolescência aos 13 anos de idade (1990). E mesmo adolescente tocou e gravou em diversos CDs de artistas diferentes pelo Nordeste. No final de 2008, aos 21 anos, fez sua primeira direção musical tocando e produzindo o DVD do poeta e cantor Bira Marcolino, gravado na casa de show Sala de Reboco no Recife, onde reside desde então, e que logo em seguida tocou sua sanfona na gravação do DVD – Girassol de Desejos, gravado no Teatro da UFPE da cantora Irah Caldeira, com quem trabalhou por 4 anos.

Luizinho de Serra é um dos músicos mais requisitados para participações e gravações em CDs e DVDs tanto como sanfoneiro quanto como produtor e diretor em trabalhos de artistas iniciantes e também com carreira reconhecida. A magia de seus rápidos acordes, sonoridade poética e criatividade artística estão presentes em trabalhos de artistas como: Almir Rouche, Alcimar Monteiro, Anchieta Dali, As Severinas, Bia Marinho, Bira Marcolino, Bruno Flor de Lotus, Cajú e Castanha, César Amaral, Cristina Amaral, Delmiro Barros, Duda Ferraz, Em Canto e Poesia, Flávio Leandro, Irah Caldeira, Jorge de Altinho, Maciel Melo, Paulinho Leito, Paulo Matricó, Kelly Rosa, Vates & Violas, Valdir Teles, Val Patriota, Santanna “O Cantator”, Tribo Cordel, Rui Grudi, Xico Bizerra, para citar alguns dos inúmeros trabalhos já realizados. É personagem conhecido nos principais estúdios de gravação e produtoras da capital pernambucana, já tendo gravado nos estúdios: Somax Estúdio, Estúdio Carranca, Gusdel Estúdio, Fábrica Estúdio, ZRG Stúdio entre outros de Recife e no interior.

Após participar do Psiu! Festival de Berlim, o sanfoneiro, cantor, compositor Luizinho de Serra voltou à Europa e apostou no Festival Forró Lille “vamo que vamo” que realizou a sua 5ª edição no período de 5 a 8 de maio de 2017. O evento conta com shows, workshops, eventos festivos, aula de Forró e até quadrilha. Uma mostra do poder do nosso autêntico Forró representado por Luizinho e que vem ganhando a Europa.

Um talento de nossa região que faz bonito levando a pura expressão do povo nordestino aonde vai, e com sua simplicidade e capacidade de encantar com suas interpretações musicais faz jus à fama que vem com trabalho e dedicação adquirido de grande sanfoneiro, colocando-o próximo de seus ídolos e mestres, a quem sempre dedica suas apresentações: Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Sivuca, Camarão (Reginaldo Alves Ferreira – nasceu no dia 23.06.1940 em Brejo da Madre de Deus e faleceu no dia 21.04. 2015 em Recife), em memória e coração, e seus amigos de profissão e admiração compartilhada: Gennaro, Beto Hortis, Cezzinha, Mestrinho, Cicinho do Acordeon e outros músicos de grande excelência…

O poeta repentista Valdir Teles, descreve com maestria em uma sextilha feita de improviso na cidade de Tuparetama: Quando Luizinho entra no ambiente onde estava acontecendo uma cantoria Valdir dispara como uma metralhadora do improviso o seguinte verso: “Luizinho ainda é moço / Mas já é reconhecido / O gemido do seu fole / É diferente o gemido / Tem tocador mais famoso / Tocando mais eu duvido”.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Luizinho de Serra para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 10.06.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Luizinho de Serra: Nasci no dia 06.04.1987 em Serra Talhada – PE. Registrado como José Luís de Lima.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Luizinho de Serra: A música chegou em mim através do meu Pai, Zé Caiçara, que me ensinou a tocar sanfona e gostar do nosso Forró.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Luizinho de Serra: Estudei até o segundo ano do segundo grau, infelizmente ainda não me formei. Mas pretendo concluir, e depois estudar música, teoria musical e tudo mais relacionado.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Luizinho de Serra: Meu Pai Zé Caiçara, Luiz Gonzaga e Dominguinhos são a minha base de tudo. Depois Assisão, Gennaro, gosto muito de Vander Lee, Djavan, Antônio Marcos, Mestrinho, Alceu Valença, Tim Maia. Até hoje todos têm sua importância na minha vida musical.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Luizinho de Serra: Em 1995 em Serra talhada – PE, ainda criança aos 7 ou 8 anos de idade. Fui entrando na música tocando nas bandas da cidade e região. Lembro da Banda Cheiro Verde, Banda Imaginação, Banda Chucrute com Jabá (em São José do Belmonte), depois Forró Picante, e com 14 anos eu entrei na Banda Vizzu, essa existe até hoje.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Luizinho de Serra: Já gravei e lancei alguns singles para as plataformas digitais e redes sociais. Fiz dois EPs, de 2016 para 2021. Nessas gravações eu contei com as participações de irmãos musicais como: Duda Gouveia e Iapone Andrade (Bateria), Fofão e Valdir Oliveira (Contrabaixo), Guilherme Eira e Liêve Ferreira (Guitarra), Neném Oliveira e Zé Rodrigues (Zabumba), Renatinho Fenômeno (Percussão), Monike Carvalho (vocal), Chico Botelho (Cavaquinho),

Daniel Félix (Teclado), se esqueci de alguém peço desculpas. Ainda não fiz o “disco de trabalho” com ficha técnica e tudo mais, mas, se Deus quiser, logo farei. Sou Forrozeiro e tento levar para o público a minha essência gonzagueana, com o nosso toque de alegria e juventude, sempre respeitando a qualidade musical.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Luizinho de Serra: Sou Forrozeiro, mas gosto muito de misturar, música boa é música boa.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Luizinho de Serra: Não estudei, ainda.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Luizinho de Serra: Mas tenho plena consciência da importância do estudo, e os benefícios que o estudo da técnica vocal traz para o cantor.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Luizinho de Serra: Emílio Santiago, Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Irah Caldeira, Rick Vallen, Nelson Gonçalves, Alcione.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Luizinho de Serra: Não me considero um compositor, mas tenho algumas canções, lancei os clipes: “Fique bem”, “Coração curado”. Normalmente, a letra e a melodia nascem juntas na minha cabeça e o no meu coração, daí eu pego a sanfona ou o violão e começo a minha a compor.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Luizinho de Serra: A maior parte das minhas canções, até hoje, fiz sozinho. Mas posso citar aqui dois queridos irmãos musicais, o poeta Xico Bizerra, e o amigo Walter Marcolino (filho do genial poeta Zé Marcolino) tenho parcerias com eles.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Luizinho de Serra: No CD “Cantigas de Sanfoneiro” de Xico Bizerra, o baião “Sanfona, verso e canção” (Xico Bizerra e Luizinho de Serra) foi interpretado pelo querido Flávio José.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Luizinho de Serra: Acho que a grande dificuldade da carreira independente, numa visão geral, é a divulgação, é complicado chegar a grande mídia, chegar aos veículos de comunicação de massa não é fácil. Mesmo assim seguimos em frente, fazendo o que a gente acredita, tocando nossa música de verdade, com qualidade, alegria e emoção pros corações das pessoas, essa parte é boa, é a favor.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Luizinho de Serra: Minha estratégia é ser de verdade, tocar e cantar o que o meu coração manda, levar alegria, emoção, amor e animação para o público. Esse sou eu. As outras partes é com a produção.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Luizinho de Serra: Como ações empreendedoras posso citar a oportunidade que as redes sociais nos proporcionam para mostrar nosso trabalho, nossos projetos, criar espaços de interação com o público. Posso destacar um aumento do nosso público quando seguimos a tendência com a promoção das lives shows. Mesmo neste momento atípico, durante a pandemia do Covid-19, continuamos fazendo música, lançando e divulgando nosso trabalho. Juntamente com a empresa Prime Brasil Promoções, que me representa, buscamos novas oportunidades com as inscrições nos mais diversos editais disponíveis, patrocínios e novas parcerias profissionais.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Luizinho de Serra: Teoricamente a internet é um meio de divulgação de “graça”, a facilidade de compartilhar seu trabalho através das redes sociais, enviar instantaneamente seu material de trabalho para endereço distantes, isso é prático e muito bom. Talvez, a parte prejudicial, é a mesma velocidade para propagar coisas negativas também. O cuidado com todos os momentos da carreira, hoje em dia, tem que ser redobrado.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Luizinho de Serra: A vantagem é a praticidade de realizar o trabalho. A desvantagem é a falta do ambiente mágico, da energia boa que circula em todos os grandes estúdios.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Luizinho de Serra: Sou sanfoneiro, graças a Deus! Eu amo a música, amo tocar e cantar. E tento levar sempre esse amor pros corações das pessoas nos shows, a nossa alegria de fazer música. Isso tem sido sempre um diferencial para o nosso público, que sempre vai aumentando a cada encontro musical.

20) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Luizinho de Serra: Eu vejo um cenário muito bom. Mesmo com todas as mudanças, a modernização que o tempo coloca na música, vejo com bons olhos. Nas últimas décadas, o nosso Forró apareceu muito bem na Europa, também nos festivais que acontecem em alguns lugares como o de Itaúnas no Espírito Santo, na Bahia, shows frequentes em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais. Acho bacana, tem que melhorar, mas é um bom cenário. Os artistas que permanecem com um trabalho consistente posso citar nomes como: Flávio Leandro, Mestrinho, Dorgival Dantas, Mariana Aydar, Fulô de Mandacaru, Targino Gondim, Jesuíno Barboza e outros nomes por aí… Que continuam fazendo seu Forró, cada um com suas qualidades, levando nossa música para todos os lados.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Luizinho de Serra: Eu diria Luiz Gonzaga e Dominguinhos. Gonzaga é um dos maiores artistas que o mundo já viu. Seu Domingos é o maior sanfoneiro do mundo, são exemplos.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Luizinho de Serra: Cheguei para fazer um show em Brasília, numa boate lá, estava tocando um Dj e a turma pulando e dançando, muita farra (risos). Eu só com o trio: Sanfona, zabumba e triângulo com meu chapéu de couro bem temático. Foi engraçado, fiquei meio “nervoso” pensando “o que danado vou fazer aqui pra não levar uma vaia” (risos). Quando anunciaram, entrei virado tocando xote, dançando, cantando e botando “quente na sanfona” (risos). Na primeira música o salão lotou, o povo dançou, cantou e aplaudiu muito nosso Forró. Bom demais!

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Luizinho de Serra: Acho que todo a felicidade que a música trouxe para minha vida, e traz até hoje, se sobrepõe a qualquer possível tristeza. Mas, talvez o que deixa mais triste é a vulgarização das músicas, quem tem uma carreira musical tem uma grande responsabilidade com a sociedade. Música é educação, cultura, alegria. É para levar paz e amor para o povo. Sinto-me muito feliz em tudo com minha vida musical, minha carreira.

24) RM: Qual a sua opinião sobre o movimento do “Forró Universitário” nos anos 2000?

Luizinho de Serra: Muito bacana, levaram o nosso Forró a um público diferente, que até então não escutavam o Forró.

25) RM: Quais os grupos de “Forró Universitário” chamaram sua atenção?

Luizinho de Serra: Falamansa, Forróçacana, Rastapé.

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Luizinho de Serra: Eu como sou um jovem artista, tendo em vista que surgi em 2016, na era das redes sociais e tudo mais, não tenho aquela experiência de outros artistas com mais tempo de estrada, que viveram bem essa coisa do “jabá” nas rádios. O que posso dizer é que nunca paguei, mas tenho a sorte de ter alguns queridos amigos divulgadores, apoiadores, radialista que sempre tocam nossas canções.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Luizinho de Serra: Acredite em você, no seu talento. E faça de verdade e com o coração, a recompensa sempre vem.

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Luizinho de Serra: Tenho nada contra Festival de Música. Acho que sempre é bom pra revelar novas canções, e de vez em quando novos artistas.

29) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Luizinho de Serra: Sim.

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Luizinho de Serra: Acho que na maioria das vezes é um jogo de interesse, creio eu que quase sempre o talento mesmo fica em segundo plano. A grande mídia normalmente faz a “cobertura” de quem ou o que vai trazer benefícios para ela.

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Luizinho de Serra: Acho muito bom, espaço pra você mostrar sua arte é sempre importante.

32) RM: Qual a sua opinião sobre as bandas de Forró das antigas e as atuais do Forró Estilizado?

Luizinho de Serra: Nada contra e cada um faz o seu, faz o que acredita. Só não gosto da pornografia nas letras, na vulgaridade que as vezes toma conta, às vezes! Existe muita gente fazendo músicas boas nos seus respectivos estilos musicais.

33) RM: Luizinho de Serra, Quais os seus projetos futuros?

Luizinho de Serra: Estou sempre procurando novas canções para gravar, tentando compor e fazer novas parcerias em prol da música. Espero num futuro próximo gravar o meu “disco de trabalho” para continuar com o meu sonho de Ispaiá Forró no mundo!

34) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Luizinho de Serra: (81) 99792 – 9871 | [email protected]

| https://web.facebook.com/luizinhodeserra

| https://www.instagram.com/luizinhodeserra

Canal: https://www.youtube.com/channel/UCnbWz1fQGDspLpVvW8bYelw

Live – Luizinho De Serra – Vamo Ispaiá Forró No Mundo: https://www.youtube.com/watch?v=CRW3898exGE

LIVE DOS VAQUEIROS Feat LUIZINHO DE SERRA: https://www.youtube.com/watch?v=_HFGtlsg2DA

Luizinho Canta Luiz: https://www.youtube.com/watch?v=n_vgrYNogk4


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.