Luiz Poeta

Luiz Poeta

O escritor, poeta, contista, cronista, ensaísta, trovador, aldravista, sonetista, músico, compositor, produtor musical, artista plástico carioca Luiz Poeta.

Sendo, ainda, gestor educacional e docente de língua portuguesa e literaturas brasileira e portuguesa, e verbete do Dicionário de Música Popular Brasileira Antônio Houaiss, possuindo expressivos títulos como o de Embaixador, Comendador, Honoris Causa, Presidente, Vice, Diretor Cultural e Artístico, Redator, Colaborador e Conselheiro como Acadêmico Imortal, Honorário, Emérito, Efetivo e fundador de diversas entidades culturais Nacionais e internacionais, sendo autor ecleticamente premiado em inúmeros concursos – sob pseudônimo – no Brasil e no Exterior.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Luiz Poeta para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 21.07.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Luiz Poeta: Nasci numa nebulosa e fria manhã do dia 21 de julho de 1950, no Rio de Janeiro, batizado como Luiz Gilberto de Barros e Luiz Poeta; nome registrado na Sociedade Brasileira de Autores, Compositores e Escritores de Música e no Marcas e Patentes.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Luiz Poeta: Ainda menino, ouvia, principalmente à noite – avidamente – os cantores e cantoras da Rádio Nacional, acompanhando as canções executadas, pela revista da época “A modinha popular”, uma espécie de folhetim que trazia, além das letras, comentários sobre os artistas da época: Orlando Silva, Cauby Peixoto, Emilinha Borba, Anísio Silva, Silvio Caldas, Marlene, Dalva de Oliveira e o imortalíssimo Nelson Gonçalves, entre outros. Concomitantemente, meu pai tocava flauta de bambu e eu ficava embevecido ouvindo suas improvisações autodidatas. Mais tarde, passei a dormir ao som do violão; sempre em dó maior (risos) do meu padrasto que amava músicas de qualidade, principalmente de Ary Barroso, Dorival Caymmi, Lupicínio Rodrigues e Dolores Duran.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Luiz Poeta: Apesar de Professor de Literaturas Brasileira e Portuguesa, não tenho formação acadêmica em música. Como meu pai, sou autodidata, com uma formação naturalmente mais aprofundada, possuindo diversas composições, sendo verbete do Dicionário de Música Popular Brasileira Antônio Houaiss. Por outro lado, sou escritor, fui Presidente da Academia Pan-Americana de Letras e Artes, tenho publicações em mais de 100 antologias nacionais e estrangeiras, além dos meus livros-solo, pertencendo a diversas academias como a Luso-Brasileira e a Nacional de Letras e Artes, tendo sido premiado em diversos certames lítero-musicais.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Luiz Poeta: Embora tenha vivenciado a trajetória principalmente dos Beatles, Bee Gees, Carpenters, Dione Warwick, Burt Bacharach e outros, além dos próprios componentes da chamada “Jovem Guarda” liderada por Roberto e Erasmo Carlos, o samba-canção e a Bossa Nova exerceram forte influência sobre mim, com natural ênfase para as canções de Dolores Duran, Lupicínio Rodrigues e os bossanovistas, Tom Jobim, Vinícius Moraes, Roberto Menescal, Carlinhos Lira, Johnny Alf, Joyce Moreno, Nara Leão etc. Além de Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Edu Lobo, João Donato, a super Elis Regina, o Clube da Esquina, Roupa Nova e afins. Hoje em dia, percebo que há uma tendência inexpressiva e quase que natural em se pôr melodias diferenciadas na mesma harmonia, o que ocorre nos sambas de pagode à exceção do “Fundo de Quintal”, e no chamado “Sertanejo Universitário”. Amo toda música bem feita, seja ela qual for, mas ainda opto pela suavidade em vez da gritaria (risos).

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Luiz Poeta: Comecei com as bandas rock suburbanas, como Eletras, MPB7, Escala Quatro, BravScout, das quais fui crooner, entretanto, ainda adolescente, tenha participado de um Festival Musical Popular, com o luxuoso acompanhamento de Luperce Miranda, Osmar do Cavaco, Altamiro Carrilho e o próprio Pixinguinha, isto em plena Praça de Marechal Hermes, subúrbio do Rio do Janeira.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Luiz Poeta: Tenho dois CDs lançados: “Meus Heróis só morrem de Tuberculose”, com alguns rocks e músicas românticas e “Bossa Light”, obviamente bossas novas, forrós, baiões, canções mais lentas e músicas que resgatei dos Festivais Estudantis e Universitários, uma das quais me deu o primeiro lugar duas vezes em épocas distintas. Fiz faculdade de graça por conta de uma das premiações. Além de um DVD com o mesmo nome, tendo como coprodutor o meu amigo-irmão Marcos Veiga. No prelo (risos) o “Bossa Light2” já prontinho, só falta editar. Minhas músicas são muito harmonizadas, não faltando metais, um bom teclado, percussões variadas, violões e guitarras (que eu mesmo toco) e fraseados inclusive de contrabaixo. Meu público é muito seleto; dele fazem parte meus diversos alunos (sou professor aposentado) e principalmente artistas como poetas, ativistas culturais, escritores e acadêmicos, além de críticos de arte, todavia minha música não tem nenhum eruditismo, é popular mesmo.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Luiz Poeta: A tendência das minhas canções é ser mais estruturadas em boas letras e harmonias, mas de vez em quando produzo rocks sempre com cunhos sociais, mas busco um som bem anos 60, estilizado, obviamente, com solos de órgão, guitarra e até baixo.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Luiz Poeta: Minha sensibilidade intuitiva sempre foi uma eficiente mestra, embora sinta falta de um estudo mais técnico nesse sentido.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Luiz Poeta: Houve uma época em que os cantores principalmente jovens se jogavam ao sabor dos instrumentos, sem dar muita importância à técnica vocal. O tempo fê-los perceber o quão relevante é o cuidado com a voz e com a afinação. Creio que a falta de subsídios econômicos e mesmo culturais, afastou-os dessa ideia, mas é fundamental estudar e exercitar a verbalização harmônica para uma apresentação mais eficiente.

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Luiz Poeta: Honestamente, ainda opto pelas antigas e imortais como Elis Regina, Joyce Moreno, Fátima Guedes, Nara Leão, Rita Lee, Elizeth Cardoso, Alcione, Cláudia, Leny Andrade…, mas gosto da Cláudia Leite, Ivete Sangalo e até mesmo das vozes da Ludmila e da Anitta, que acho muito lindas e afinadas.

11) RM: Como é seu processo de compor?

Luiz Poeta: Como sou poeta, minhas músicas já nascem rítmicas por excelência. Quando componho com parceria, canto a letra em cima da harmonia e acabo compondo o ato melódico. Quando o faço sozinho, ou vou cantando o que me vem à cabeça, com o devido cuidado com um suposto plágio (busco ser rigoroso com isso), harmonizando-o posteriormente, ou simplesmente vou cantando alguma obra poética. Costumo dizer que a música é a voz da poesia.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Luiz Poeta: Meu principal parceiro chama-se Franklin Dorsa (Franklin Roosevelt da Costa), pianista dos tempos das aulas na casa do “Seu Messias”, parceiro do Isaack Karabitchevsk. Lá estudou também o Cristóvão Bastos, amigo dos tempos do “Escala Quatro “. O Franklin trazia uma harmonia e eu a “melodiava” junto com a letra que compunha. Outro amigo parceiro é o Marcos Souza Chaves, excelente guitarrista que fazia parte da nossa banda Bossa Light. Esse já traz a melodia incompleta que complemento, ajustando-a à letra.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Luiz Poeta: Até o momento, nenhum famoso. Meus dois CDs estão com Leila Pinheiro, Roberto Menescal, entre outros. Certa vez, o Vítor (da dupla Vítor e Leo) se interessou por uma delas, mas não retornou. Uma das minhas músicas foi vendida sem meu consentimento, após furtada, para o… e consagrou um dos cantores da chamada Jovem Guarda. A letra foi totalmente modificada. Chamava-se “Tu és meu bem” e passou a ser… deixa pra lá. Eu tinha 13 anos quando a compus.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Luiz Poeta: Por pertencermos a um país formado por alguns grupos profundamente egoístas e desonestos, esta prática infelizmente se reflete no meio musical, onde as “cartas marcadas” são evidentes e os “independentes” acabam restritos ao seu próprio grupo, incapazes de dar um passo à frente. Formou-se uma casta implacável (normalmente medíocre) composta por tudo que o dinheiro possa comprar ou vender. Ser lançado profissionalmente mesmo, tornou-se “sorte grande”. Há contratos repletos de letras miúdas e propostas indecorosas que matam todo o processo criativo de composição dos que – “independentemente” – realmente fazem música.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Luiz Poeta: Dentro do palco, utilizamos nossas próprias armas: atuamos com o que temos ou com o que os teatros ou clubes oferecem: nossos refletores, caixas de som, instrumentos, vozes… se temos uma boa e cara aparelhagem, aparecemos melhor; se não temos, improvisamos com nossa artesanal criatividade. Fora do palco, apelamos para o lado virtual: WhatsApp, facebook, e-mails e afins… os amigos e fãs são fundamentais. Por outro lado, há uma concorrência desleal e absurda com as “castas” supracitadas, cujo mecanismo envolve, obviamente, investimento econômico. Nossa mídia é essencialmente doméstica.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Luiz Poeta: Primeiramente, procuro mostrar o meu trabalho, torna-lo crível, observar o tipo e a quantidade de espectadores que o recebem e como o fazem: de maneira crítica, adversa ou ideal e mesmo encantadora, para torná-lo mais abrangente, eficiente, produtivo e eficaz para, a partir daí, elaborar uma estratégia que o traga para mim, satisfaça-o e me satisfaça também como músico e compositor, oferecendo-lhe um produto artístico agradável e atraente. Para esse fim, uso principalmente a internet e os meios possíveis de comunicação como mecanismos propulsores do meu trabalho artístico.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Luiz Poeta: Nunca vi a internet como elemento avesso ou adverso ao meu trabalho, pois sigo uma linha essencialmente artística e evito quaisquer discussões polêmicas, como política, religião, questões de gênero etc. Os grupos aos quais pertenço, discutem assuntos inerentes à minha produção e possuo mais ou menos 5.000 amigos no meu face, que multiplicam as minhas postagens, dando-me maior visibilidade, sendo essa, a resposta mais pontual e efetiva para minhas aspirações como acadêmico, poeta, escritor, intérprete e compositor.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Luiz Poeta: O acesso aos diversos modelos tecnológicos de gravação permite-nos indubitavelmente, uma melhor performance no que concerne aos diversos modos de produção, entretanto o desconhecimento nos faz apelar para tecnicistas que às vezes abusam ao cobrar pelo trabalho que realizam. Este é o lado cruel. Como diz o povo: “a fila anda” e temos também que nos conectar ao novo.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Luiz Poeta: Quando lecionava (hoje estou aposentado), dizia aos educandos que “igual não ocupa vaga”, para que eles se esforçassem para serem melhores e mais autênticos e criativos. É exatamente assim que me olho como artista: buscando realizar um trabalho original e diferenciado, porém tenho muita dificuldade para usar uma linguagem chula numa canção, o que me afasta da mediocridade, porém impede meu crescimento no meio artístico. Antigamente ouvia-se um disco na íntegra, pela qualidade dos compositores, dos próprios arranjos e dos intérpretes. Hoje em dia, apenas uma ou, no máximo, duas faixas são trabalhadas. Por incrível que pareça, uma clientela massiva adora esse tipo de canções muitas vezes “pornofônicas” e entra em êxtase ao ouvi-las.

20) RM: Como você analisa o cenário da música brasileira. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas e quais permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Luiz Poeta: Honestamente, não me lembro de grandes revelações, mas poderia citar o Michel Teló, Diogo Nogueira, Ana Carolina e… acho que já estão ficando velhos (risos). Nunca se sabe o que há por trás de tanto sucesso. Quando a TV percebeu que o FUNK vendia, apostou nele para enriquecer mais ainda à custa dos funkeiros que detestam; depois, veio o sertanejo universitário… e assim por diante.

Fico pasmado quando ouço um apresentador falar em educação ou cultura (chega a ser hilário). Há “Hits” que jamais tocarão no meu rádio do carro ou onde quer que seja, embora estejam nas paradas de sucesso dando milhões aos seus produtores e aliados ou cúmplices (risos). Ainda ouço Roberto Carlos, Rita Lee e a eterna Elis Regina… a Bossa Nova e as antigas e sempre atuais canções da década de sessenta e setenta têm cadeira cativa nos meus aparelhos de som. Não há como rejeitar um Tom Jobim e Vinícius de Moraes, um João Bosco, um Paulinho da Viola, Moreira da Silva ou um Adoniran Barbosa. Ainda ouço prazerosamente um James Taylor, Carole King, Beatles ou um bom Jazz ou Blues… Joe Satriani, George BensonMichael Jackson cantando “Smile”.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Luiz Poeta: Hermeto Paschoal, Yamandu Costa, Toquinho, João Bosco, Cristóvão BastosWalter WanderleiRoberto Menescal, João Donatoesses são músicos mesmo.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Luiz Poeta: Sou do tempo da “portaria e mesa”: o conjunto ficava ou dividia a portaria, já que era sua incumbência convidar a plateia, e o clube ficava com as mesas; o que incluía bebidas e afins. Já vi uma banda tocar para uma única pessoa. Quando indagado por estar ali sozinho, o espectador simplesmente respondeu: – Cara… eu estava a fim mesmo era de tirar um cochilo e essas poltronas são maravilhosas. Quando cantava na banda BraveScout (bravos escoteiros), vi meu baterista simplesmente ir para o salão e sair no tapa com um cidadão que queria a todo custo, assumir o seu lugar. Foi o rock mais frenético que já toquei enquanto a “porrada” comia solta sob as vaias da multidão. Noutra ocasião, colocávamos uma garrafa de Rum embaixo do Teclado e dávamos uns golinhos para entrar no clima do show. Num dado momento, o baixista caiu duro feito uma estátua e o público vibrou desvairadamente (era um show de rock). Continuamos a tocar e o Dill (como era chamado e que tocou com Tim Maia) só acordou no dia seguinte, no hospital. Até hoje não sabemos se aquilo foi efeito colateral do Rum mesmo. Apesar desse episódio, era um belo músico e um imortal amigo.

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Luiz Poeta: Fico feliz quando o público canta comigo, mas torno-me muito triste quando penso o quanto fui enganado como no caso supracitado do roubo e da venda de uma de minhas músicas.

24) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Luiz Poeta: Alguém já disse que “Deus nos dá o dom; o talento Ele deixa por nossa conta”. Acredito muito nisso e cito como exemplo o próprio Yamandu Costa e o Hermeto Paschoal. Parece que ambos vieram de outro planeta, tal a destreza e a criativa sensibilidade que possuem. Talento não é ter uma bela técnica: é o suprassumo da soma de cada um dos dons que se tem. Dom é a maior dádiva divina, principalmente quando ligada à arte no seu sentido mais sedutor e expressivo.

25) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

Luiz Poeta: Improvisar com competência é sublimar a ideia do aprendizado. O improviso é como um voo de passarinho rabiscando poesia no céu. O improvisador voa com facilidade, pois não necessita de asas. É sublime vê-lo, ouvi-lo, senti-lo.

26) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Luiz Poeta: Creio mesmo que alguns estudem a arte de improvisar, todavia outros nem precisam esmerar-se nesse ofício pois tudo é muito intuitivo e natural para os verdadeiros artistas do improviso.

27) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Luiz Poeta: Para quem já tem o dom, a técnica é um complemento muito importante, mas quem “engatinha” no estudo metodológico do improviso, acaba repetindo apenas o que o “mestre” ensina, sem nenhuma personalidade criativa.

28) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Luiz Poeta: A música é uma estrada sonora em direção ao infinito. Quando comecei a estudá-la por minha própria conta, não sabia, no violão, ou ao piano, que um acorde pode caminhar por essa estrada, tornando-se mais grave ou agudo, mais previsível ou dissonante… e quando via uma banda tocar, achava que o músico estava errando o acorde e até o criticava por isto, tal minha jovial e arrogante ignorância. Que idiota que eu era! No momento em que um mestre me mostrou essa possibilidade de alcançar o arco-íris, fiquei envergonhado e ao mesmo tempo feliz. Harmonizar como o mestre o faz, é parar no tempo. Saber crescer com outras possibilidades harmônicas, estudando-se, é descobrir o caminho de uma talentosa e particular possibilidade de… voar.

29) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Luiz Poeta: Sinceramente, não, pois há muito mistério por trás de tudo isso. Quando ouço uma música medíocre interpretada por alguém à semelhança do que está cantando, não há como não desconfiar de que há muito jabá por trás disso.

30) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Luiz Poeta: Que acredite sempre desacreditando, pois há muito lobo em pele de cordeiro, mas que principalmente “acredite-se” pois, como diz a obra de Harold Hobbins, “Os sonhos morrem primeiro” e, se nós não acreditarmos no que somos capazes de realizar, seremos artistas musicais sem esperança. Que os principalmente jovens procurem aperfeiçoar-se cada vez mais, estudando música, aperfeiçoando-se e montando sua perseverante armadura para os embates que virão.

31) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Luiz Poeta: Todos sabem que os Festivais de música já realizados possuíam cartas marcadas a exemplo dos “BigBrothers” da vida que até hoje ludibriam os ingenuamente atentos espectadores desse tipo de espetáculo importado. Esta é uma prática muito antiga, excetuando-se naturalmente os que mostraram seu talento como os Chicos, Caetanos, Djavans, Tayguaras e afins, pondo de lado a suposta massa inculta dessa entrelinhada discriminação social tão combatida pelos veículos de comunicação como as TVs. Eu, por exemplo, inscrevi-me em todos os festivais que a televisão produziu e nunca consegui sequer ser classificado. Por outro lado, o maior prêmio musical que obtive, foi receber como prêmio, uma bolsa de estudos integral por um primeiro lugar num concurso universitário de música, ou seja, fiz meu curso superior sem pagar um tostão, porque, o Festival Universitário era honesto e sério, não havendo protecionismos. Quando falo sobre “essas castas”, refiro-me exatamente a esse nefasto grupo de mentirosos aproveitadores da ingenuidade alheia e confesso-me, sim, frustrado e contra esse desmedido protecionismo sociocultural. Vale ressaltar que a música era a mesma que a Globo desprezou quando eu era, ainda, um jovem sonhador.

32) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Luiz Poeta: Não creio que Festival de música relevem novos talentos, porque novas “cartas marcadas” serão sempre escolhidas e os verdadeiros talentos continuarão na contramão do sucesso.

33) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Luiz Poeta: Hoje em dia, um corpo bonito e desnudo vende mais que uma bela harmonia e os contratos não são feitos focando necessariamente a música, mas o corpo, a roupa, o rebolado… Veja: dá mais ibope uma fofoca que uma faixa musical perfeita. A grande mídia só aposta no produto que vende, porque, do contrário, ela certamente escolherá um novo modelito para seus investimentos. São raros os programas que promovem a verdadeira cultura musical. Cito como exemplo, Rolando Boldrin, que na minha modesta opinião, deveria receber um prêmio pela sua resiliente defesa dos verdadeiros valores musicais.

34) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Luiz Poeta: Se contratarem alguns desses produtores supracitados para que o produzam, os premiados infelizmente serão sempre os mesmos. Mas eu ainda acredito numa luz no fim do túnel e esse evento tem tudo para ser o caminho.

35) RM: O circuito de Bar na cidade que você mora ainda é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Luiz Poeta: O trágico advento da pandemia do Covid-19 certamente inibiu o trabalho musical, entretanto, quando os espaços reabrem, muita gente boa continua se apresentando e mostrando a sua obra musical e artística.

36) RM: Luiz Poeta, Quais os seus projetos futuros?

Luiz Poeta: Estou com um CD prontinho que devo chamar de Bossa Light 2, mas ainda estou na dúvida, pois inseri dois rocks nele e dois baiões, o que me leva à escolha de um dos títulos de uma das músicas, talvez o mais expressivo. Paralelamente, tenho mais uns três livros escritos (poesia, contos e crônicas) além de um livro infantil que está sendo ilustrado pela minha sobrinha que mora em “Sampa”. Como sou artista plástico também, estou preparando algumas telas para exposição.

37) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Luiz Poeta: (21) 98894 – 3431 |[email protected]

| https://web.facebook.com/luiz.poeta.3

| https://www.instagram.com/luiz.poeta.3

Luiz Gilberto de Barros: https://www.youtube.com/channel/UCqHlWCIrBsW8_F0ukKR3MIA

Luiz Poeta – 2003 – Bossa Light: https://www.youtube.com/watch?v=Nq45O5vMdLw


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.