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Categorias: Entrevistas

Lucas Plant


O Cantor, compositor gaúcho Lucas Plant toca violão, guitarra e gaita de boca.

Lucas Plant desde 2014 em Florianópolis – SC, ficou conhecido por reunir 4 mil pessoas a cada evento “Luau Reggae Barra da Lagoa” (2016-2018). No fim de 2019, lançou seu primeiro EP – “Prosperidade”, com produção de Pedro Angi e distribuição pela Sound System Brazil, o álbum conta com mais de 20 mil ouvintes mensais, onde o single “Barulho do Mar” teve destaque, entrando na principal playlist de Reggae do Brasil no Spotify, a “Nação Reggae”, ultrapassando já a marca dos 200 mil plays. Em Florianópolis as músicas do Lucas Plant começaram a tocar no programa “Regueiros Guerreiros de Jah”, apresentado por Miriane de Jah que tem uma web rádio com o mesmo nome do programa.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Lucas Plant para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 27.07.2020:

01) RitmoMelodia: Qual sua data de nascimento e sua cidade natal?

Lucas Plant: Nasci no dia 17.12.1994, Salto do Jacuí, interior do Rio Grande do Sul. Registrado como Lucas Zuchetto de Oliveira.

02) RM: Conte como foi o seu primeiro contato com a música.

Lucas Plant: Comecei a escutar música ouvindo reggae. Em 2006, não se podia baixar músicas e ter acesso tão facilmente como hoje, e foi através do computador de minha irmã que conheci os sons do Armandinho. Curioso, fui no camelô em São Sapé, com menos de 20 mil habitantes no interior do Rio Grande do Sul, e o camarada da banquinha me apresentou o Natiruts, Chimarruts, Cidade Negra, até que me perguntou” e Bob Marley, tu já ouviste?” E eu respondi “não, ainda não”.

Não deu outra: fiquei semanas escutando aquele CD do Bob Marley no volume mais alto que conseguia. Isso rolou também com um CD do Planet Hemp que o cara da banquinha disse “não é reggae, mas tem uns reggae ai. Tu vais curtir”. E ele acertou. No outro ano, pedi a meus pais pra me colocarem numa aula de música e, após algumas aulas com um Violão que tinha em casa, minha avó comprou um Violão da Tagima que usei por muitos anos e me incentivou demais a continuar. Confesso que demorei pra aprender, demorei anos pra ter uma banda, mas sempre persisti.

Na primeira aula de Violão, o professor trocou as cordas pra mim, pois sou canhoto e fiz questão de tocar assim, pois não me sentia à vontade de tocar o violão “ao contrário”. Ele me perguntou o que eu gostava de escutar, e na outra semana, trouxe a cifra da música “Iemanjá”, da Chimarruts. Ele me fez tocar as notas Ré (D) e Sol (G) e me ensinou o ritmo do reggae mais simples e disse pra eu fechar os olhos e sentir a música. Ali eu me apaixonei e senti algo que hoje compreendo: o amor que tenho pela música é algo inexplicável, mas confesso que choro nesse momento da entrevista ao lembrar do gesto desse professor. Que método lindo.

Hoje que tenho mais de 200 mil plays em uma canção minha no Spotify, na principal playlist de Reggae do Brasil e umas das principais do mundo. Vejo o quanto esse professor influenciou pra eu persistir, assim como os gestos de minha mãe ao me colocar na aula, e de minha avó em me dar um bom Violão. Após quatro aulas, o professor foi embora da cidade e eu segui por conta própria e me considero autodidata na música. Aprendi através de perguntar e me sentindo à vontade com pessoas que sabiam tocar mais. E com a experiência de fazer shows para poucas e para milhares de pessoas, como foi o caso de tocar no Luau Reggae Barra da Lagoa, onde tínhamos um público de 4 mil pessoas e também na abertura do show da banda Maneva em 2020 em Imbituba, com um público ainda maior.

03) RM: Qual sua formação musical e acadêmica fora música?

Lucas Plant: Na música sou autodidata e estou me formando em História na UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina e também estudei Administração de Empresa por um tempo.

04) RM: Quais suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

Lucas Plant: Morei em São Sepé, interior do Rio Grande do Sul, até meus 16 anos de idade. Depois, morei dois anos em Santa Maria e aos 18 anos vim pra Florianópolis – SC. No começo, escutei Armandinho, Charlie Brown Jr., Forfun, Natiruts, Bob Marley, Ponto de Equilíbrio, Mato Seco. Quase ninguém escutava reggae na minha cidade, e eu fui precursor não só entre meus amigos, mas na cidade mesmo. Tinha apenas uma banda de reggae, e eu curtia muito quando tinha show da Cabo Neto.

Depois fui adentrando no reggae jamaicano, onde curto muito Skatalites, Dennis Brown, Clinton Fearon e Bob Marley, este último o que mais me influenciou e que sigo fazendo questão de ser influenciado. Groundation e Dezarie também gosto muito.

Duas bandas que me influenciaram muito foram Forfun, dos 15 aos 21 anos, e Cultivo, dos 17 aos 24 anos de idade. Hoje tenho a alegria de ter minhas músicas produzidas pelo Pedro Angi, ex-vocalista da Cultivo, e que também canta comigo em algumas músicas, inclusive no “Barulho do Mar”, de maior sucesso até aqui. Pra mim, o Pedro Angi é o Bob Marley do Sul do Brasil, e digo isso bem antes dele produzir e participar fortemente em minhas canções e influenciar ainda mais de perto minha carreira e minha vida. Sigo fã de todas essas bandas, inclusive da Cultivo, mesmo sem o Pedro Angi. Admiro e amo muito o pessoal da banda, inclusive o baterista, Cristian Jhonatan, já tocou comigo num casamento e também criou as logomarcas da Plant Amor (minha banda antes da carreira Solo) e Lucas Plant.

Atualmente quem me influencia muito é o Clinton Fearon, que considero o Bob Marley vivo. O jeito dele de cantar e tocar o violão me dizem muito, me sinto que nem ele, com o mesmo propósito e com a mesma maneira de transmitir isso. Ainda vou fazer um “Especial Clinton Fearon”.

Hoje sei que no calendário Maia, o Pedro Angi é meu Kin Guia, e tenho a mesma Onda Encantada que o Bob Marley. O Kin Guia orienta e nos mostra o caminho. A Onda Encantada significa o propósito de vida. Atualmente, estou produzindo meu novo álbum de músicas de amor, chamado “Fazendo Amor”. Pra isso, tenho escutado muito reggae nacional, músicas românticas em Ska, Dub Jazz, Samba e principalmente Reggae, onde admiro muito o trabalho do Armandinho, do Maneva, do Lagum e do Adonai nas músicas de amor e acredito estar criando uma nova linguagem de transmitir o amor, com um reggae raiz moderno carregado de sentimento, efeitos e autenticidade na forma de expressar esse sentimento todo.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Lucas Plant: Na Barra da Lagoa (leste da Ilha de Florianópolis) em 2015. Cheguei na Ilha com um sonho: ter uma banda de reggae, e logo de cara recebi um presente de Jah: uma casinha de madeira com aluguel quase de graça, na beira da Prainha, uma praia bem pequena e charmosa na Barra da Lagoa. Ali, passei o verão tocando violão na praia todos os dias, onde percebi o quanto as pessoas gostavam do que eu fazia.

Assim, o meu ascendente em capricorniano foi ganhando força, onde reuni músicos para formar minha primeira banda, a Reggae Label, que veio a se tornar a Plant Amor após a necessidade de um nome mais espiritual para contemplar as composições próprias que estavam surgindo, pois até aí o repertório era Cover. E foi no verão de 2015, no Natal, no dia em que fiz os dreads que tenho até hoje, que tivemos nosso primeiro show na Prainha, no bar que existe ali até hoje. Pico lotado, três horas de música, muita energia e um ecstasy que durou um dia todo no meu corpo, foi mágico, sem falar na união que surgiu na banda após esse primeiro show de sucesso.

A partir daí, criei o Luau Reggae Barra da Lagoa, evento aberto e gratuito na beira da praia durante a noite toda. Com um público de 4 mil pessoas a cada evento (foram 8 eventos), fiquei conhecido na Ilha e vivi momentos inesquecíveis, como por exemplo, quando a lua saía do mar enquanto a gente tocava pra galera.

06) RM: Quantos discos lançados?

Lucas Plant: Tenho dois EPs lançados, um com a Plant Amor e outro já em carreira Solo. A Plant Amor teve várias formações e nas gravações contei com músicos contratados, como foi o caso do Anderson Sávio (Barbudo), com turnês pelas Europa e muito conceituado na música em Florianópolis – SC.

No EP – “Prosperidade”, tive a honra de contar com as participações de Frank Ribeiro (Jamaica Groove) e Pedro Angi, além do single com Ras Bernardo lançado em maio de 2020. A música “Prosperidade” tem backing vocal da Angela Beatriz (Cultivo) e saxofone gravado por Adrian di Costa, mesmo saxofonista presente em outras canções.

A música de maior sucesso é o “Barulho do Mar”, que hoje tem mais de 200 mil plays no Spotify e está há 7 meses na principal playlist de Reggae do Brasil, a “Nação Reggae”, e também na principal playlist do Deezer, a “Reggae do Brasil”. Todo dia, 1000 pessoas ouvem “Barulho do Mar”. Tem quem tira minhas músicas no violão, chego num lugar pra conversar com o dono pra tocar no pico e o músico que está tocando diz que é meu fã e pede pra tocar o “Barulho do Mar”. Coisas assim não tem preço. Posso dizer que tenho um single de sucesso. E o melhor ainda está por vir.

07) RM: Como você define seu estilo musical dentro da cena reggae?

Lucas Plant: Faço um reggae raiz moderno. Tenho forte influência do Reggae/SKA/DUB jamaicano e do reggae nacional, e é isso que escuto na maior parte do tempo. Gosto de incluir um pouco de tudo que escuto, como R&B, Jazz, Samba, Hard Core, Rap.

A psicodelia faz parte dos shows, gosto muito do efeito do delay na voz, além da gaita em algumas músicas que traz todo um charme e diferencia o show. O RAP me influencia no jeito de cantar às vezes, o Hard Core me inspira a dar mais energia em alguns momentos da música; o Samba me traz acordes e harmonias novas, onde componho e toco alguns sambas e também gosto de fazer Samba reggae, misturando os ritmos no mesmo som, e fica muito gostoso.

Como essência, meu show é composto de Reggae Raiz, espiritual, de força e de luz, onde acredito, sinto e vivo muito o amor, e por isso daqui por diante irei gravar apenas músicas de amor e incluir cada vez mais esse sentimento nos shows.

Ando cada vez mais apaixonado e buscando fazer esse tipo de reggae. Reggae raiz romântico, às vezes com um toque de samba, às vezes SKA, com versões DUB das melhores músicas.

08) RM: Como você se define como cantor/intérprete?

Lucas Plant: Tenho voz aguda e suave, conforto as pessoas e trago amor. Sou um pilar de positividade quando canto e vibro o que diz meu coração, fecho os olhos e deixo a intuição aflorar o máximo que consigo ao ponto de não perder o controle racional do palco. Com certeza, cantar é o que mais amo fazer e é por isso que eu vivo. Sem julgamentos, o importante é ser feliz.

09) RM: Quais os cantores e cantoras que você admira?

Lucas Plant: Pedro Angi, Bob Marley, Clinton Fearon, Danilo Cutrin (Forfun/Braza), Hélio Bentes (Ponto de Equilíbrio), Rodrigo Piccolo (Mato Seco), Armandinho, Zeider Pires (Planta & Raiz), Alexandre Carlo (Natiruts), Tales Correa (Maneva), Pedro Calais (Lagum), Harrison (Groundation) e Dezarie.

10) RM: Quem são seus parceiros musicais?

Lucas Plant: No começo, contei com ajuda de alguns amigos na harmonia musical, onde eu fazia a letra e eles a música. Atualmente, crio as composições e o Pedro Angi produz essas canções, e contei com a parceria do Pedro, do Frank Ribeiro e do Ras Bernardo nas composições que contam com a participação deles. No “Barulho do Mar” eu compus a música, o Pedro produziu e participou cantando a letra que eu criei, então costumo compor sozinho e depois unificar ideias e criar ainda mais significado para a canção criada.

11) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Lucas Plant: O trabalho é incessante, às vezes fica difícil de se organizar com tantas esferas para cuidar. A união e o trabalho coletivo são muito importantes pra se obter sucesso de forma independente. Aceito e busco parcerias constantemente. Acredito muito nas músicas que componho e sou muito grato pelas oportunidades que a vida me dá, como foi a parceria com a Sound System Brazil em distribuir minhas músicas nas plataformas digitais. Acredito que essas parcerias são muito importantes e busco cada vez divulgar meu trabalho de forma ainda mais massiva e abrangente.

Conto com ajuda de muitas pessoas na área da música, da arte, na organização e divulgação de eventos, sem eles não consigo 10% do que conseguiria sozinho. Pra isso, conto com os Regueiros Guerreiros, com Radio Web e divulgação massiva e a União do Reggae Catarinense, onde movimentamos as redes sociais juntos e também criamos eventos para movimentar ainda mais o cenário cultural local.

Gosto de ser independente e seguir meu sonho, faço o melhor que posso e vou atrás do que é necessário. Já fiz tudo na área musical e de eventos. Criei eventos e sua divulgação; ir atrás de apoio, chamar bandas para participarem, criar promoções com parceiros.

Nas gravações, reúno os melhores músicos que consigo, pago tudo sozinho, crio roteiro dos clipes e pago o que consigo e, se puder, faço parcerias no sentido de tornar as produções não tão pesadas de pagar, já que assumi a carreira Solo e desde que isso aconteceu, pago toda a produção musical e audiovisual.

Quando posso, conto com ajuda de inúmeras pessoas para captar e editar os videoclipes, fazer as artes de divulgação, criar roteiro dos videoclipes, para atuar nos clipes. E quando não consigo pessoas para fazerem por mim e pelo reggae, e ajudar a criar mais significado e corpo nas produções, vou lá do jeito que dá e faço acontecer. Crio o roteiro, atuo só eu no videoclipe, faço um show acústico se o lugar não pode pagar cachê de Duo, Trio ou banda completa, enfim, faço acontecer com o que tenho.

E assim, nos acasos da vida, ganhei dois videoclipes esse ano. Fui fazer uma participação no show da Angatu na Casa do SambaAqui e conheci uma menina argentina, a Dia, conhecida internacionalmente com filmes renomados, prêmios internacionais de filmagem. Resumindo, gravamos dois videoclipes em três horas, com uma câmera profissional, uma Go Pro e um Drone, com custo zero. Esses serão os videoclipes de: “Chama do Amor” e “Tranquilo Onde For”, gravados em parceria com a banda Roots Dub Trio, da Polônia, que, da mesma forma que rolou com a Dia, entraram em contato comigo pelo Facebook e demonstraram interesse em trocarmos gravações: eles se dispuseram a gravar o instrumental de minhas músicas e, em troca, queriam que eu gravasse a voz nas músicas deles. O resultado vocês vão ver nos próximos meses. Em maio lancei com o Ras Bernardo “Vai na Fé”.

12) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver sua carreira?

Lucas Plant: faço parcerias, crio promoções com vendas de camisetas, álbum. Isso vai enraizando as pessoas e deixando mais gente próxima e conectada ao nosso trabalho. Parceria musicais agregam muito também.

13) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da sua carreira?

Lucas Plant:  Só ajuda. Faz a música chegar a milhares de pessoas, tenho fãs do México, Uruguai e Argentina, interior do RS, SC e Nordeste. é muito interessante a abrangência que a internet trouxe e a forma como aumentou as possibilidades. Sinto-me muito conectado com o cenário do reggae e seus acontecimentos e sinto que minhas músicas estão indo muito longe e a internet acelerou muito esse processo.

14) RM: Como você analisa o cenário reggae brasileiro? Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Lucas Plant: Maneva, Armandinho, Lagum, Natiruts, Adonai, Ponto de Equilíbrio e Mato Seco são os grandes nomes atuais do Reggae brasileiro na minha opinião. Lagum e Maneva são mais recentes, e o sucesso nacional do Armandinho. Natiruts é o grande nome e será por algum tempo. Ponto de Equilíbrio e Mato Seco são de renome nacional há cerca de 15 anos.

15) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (Home Studio)?

Lucas Plant: Gravo minhas músicas em Home Studio, mas terceirizo a captação e produção musical dos sons, e quem faz isso é o Pedro Angi. Acho o Home Studio ótimo e com baixa custo facilita a produção, mas tem que ter um computador e uma placa de som de ótima qualidade, além de um bom microfone condensador e um produtor musical pra não deixar passar nada de errado.

Home Studio serve também para produzir a música em casa antes de levar pro Studio, de forma a testar as possibilidades e diminuir o trabalho e o custo na hora de gravar valendo. Se tiver um local para boa captação do som e bons microfones, pode ser que fique bom. A gravação de bateria ou coloco uma bateria eletrônica, ou gravo em um Studio profissional, devido à alta quantidade de microfones necessários para uma boa captação.

16) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Lucas Plant: O Pedro Angi é o músico que acompanho e que me inspira no profissionalismo e seriedade que leva sua carreira e tudo que envolve a vida músico.

17) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Lucas Plant: Eu estava indo tocar em uma cidade do litoral de Santa Catarina e, para ajudar nos custos da gasolina, estava com duas pessoas do Bla Bla Car junto no carro. Estava na BR e o capô do carro abriu, quebrando o vidro e tapando a visibilidade. Vinha um caminhão atrás e consegui parar no acostamento. Resumindo, não consegui chegar fazer o show naquele dia, mas consegui remarcar para a outra semana. E estou Vivo.

As festas em que toquei com a banda Plant Amor na Universidade também marcaram muito, com roda punk no meio do show de reggae, pessoal muito doido. Esses shows são os melhores.

18) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Lucas Plant: O que me deixa mais feliz é trabalhar com o que amo e seguir o meu sonho a cada música produzida e lançada. Não tem nada que me deixa triste, estou na positividade sempre. Reclamar não traz prosperidade.

19) RM: Nos apresente a cena musical na cidade que você mora?

Lucas Plant: Nos organizamos recentemente como União do Reggae Catarinense e os shows estão aumentando, bem como a união e relacionamento entre as bandas do mesmo segmento. Florianópolis – SC, no Spotify, está junto com Fortaleza e Cuiabá (entre as capitais), que ficam de 7 a 10 nos rankings de cidades que mais escutam meu som.

Na frente de Floripa, vem Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, locais onde escutam de 3 a 5 vezes mais o meu som com relação a Florianópolis, por uma questão populacional e não só cultural, na minha opinião.

A cena do reggae em Florianópolis tem muito a crescer e ocupar ainda mais seu espaço, mas pretendo expandir minha música, primeiro, para o Sul do Brasil, depois São Paulo e Rio de Janeiro, para depois ir para o Nordeste e também para a Europa.

20) RM: Quais os músicos ou/e bandas que você recomenda ouvir?

Lucas Plant: Pedro Angi, Cultivo, Lagum, Braza, Dennis Brown, Clinton Fearon, Dezarie, Groundation.

21) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Lucas Plant: O jabá (pagamento para a música tocar na programação da rádio) facilita, mas acredito que minha música tocarás nas rádios sem jabá, pois são muito verdadeiras e tocam o coração das pessoas. Quem tem público têm audiência e por isso conquisto meu espaço.

22) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Lucas Plant: Invista nas suas músicas, persista e acredite nos seus sonhos. Saiba escutar quem te quer bem e saiba filtrar os invejosos. Não tenha vergonha de trabalhar em outras áreas para poder manter acesa a chama da música, pois no começo é difícil ganhar dinheiro com a música, até que vai ficando mais fácil até que você não precise mais trabalhar com outra coisa que não seja a música. Quando chegar esse momento, aproveite, e não deixe mais a vibe cair.

23) RM: Como você analisa a relação que se faz do reggae com o uso da maconha?

Lucas Plant: Eu chamo a maconha de Ganjah, que é o nome espiritual que os rastas deram a ela e que eu me identifico, pois a maconha ganhou esse nome com cunho pejorativo pela sociedade preconceituosa. Acredito sim que a Ganjah traz uma relação espiritual e nos deixa mais suscetíveis a vibrar o que o reggae propõe, que é o amor, a união e a paz de espírito.

24) RM: Como você analisa a relação que se faz do reggae com a religião Rastafári?

Lucas Plant: O reggae disseminou a religião rastafári pelo mundo, e quem não é rasta “fardado”, busca ter hábitos rastafari em seu cotidiano e o reggae passa isso adiante. O importante é cada um dar o seu melhor e buscar encontrar sua verdade, com respeito ao próximo e buscando ajudar o outro quando possível. Rastafári é ser verdadeiro consigo mesmo e com o próximo.

25) RM: Você usa os cabelos dreadlock. Você é adepto a religião Rastafári?

Lucas Plant: Tenho Dreads, sou rasta, mas não me considero da religião rastafári. Meu Deus é Jah, me conecto com essa palavra e tenho ela como sinônimo de Deus, porém com mais força em minhas orações e pensamentos. Uso palavras rasta que são sagradas, sinto a vibração delas e contemplo sua contribuição à essência do reggae que é o uso dos tambores e mais de uma voz nas canções.

26) RM: Os adeptos a religião Rastafári afirmam que só eles fazem o reggae verdadeiro. Como você analisa essa afirmação?

Lucas Plant: Esse pensamento é ortodoxo, coisa do passado, não concordo. Hoje o reggae tomou uma proporção popular que vai muito além de suas origens. Devemos incorporar o que achamos relevante e o que torna nosso som mais verdadeiro e de forma a trazer ainda mais luz à sua originalidade. Assim, o reggae pode ser como você quiser, basta ser de coração e se está tudo bem pra você, está tudo bem pra mim também.

27) RM: Na sua opinião porque o reggae no Brasil não tem o mesmo prestigio que tem na Europa, nos EUA e no exterior em geral?

Lucas Plant: Esse momento está chegando, o reggae está crescendo muito no Brasil e vou trabalhar bastante pra contribuir para que se torne um dos ritmos mais populares do Brasil.

28) RM: Quais os prós e contras de usar o Riddim como base instrumental?

Lucas Plant: Facilita para compor, e viabiliza shows que o contratante não poderia pagar o cachê da banda completa, em locais onde o show acústico também não se encaixa.

29) RM: Você faz a sua letra em cima de um Riddim já conhecido usando uma linha melódica diferente?

Lucas Plant: Não. Faço Riddim apenas encima de minhas próprias composições.

30) RM: Você acrescenta e exclui arranjos de um Riddim já conhecido?

Lucas Plant: Nunca fiz isso, minhas composições saem de minha cabeça e sofrem influências das experiências musicais acumuladas até hoje.

31) RM: Quais os prós e contras de fazer show usando o formato Sound System (base instrumental sem voz)?

Lucas Plant: Os prós são que a vibe é de show com banda. O contra é que não é uma banda né, falta sopro, a batera, o baixo, o groove e presença do teclado, não é a mesma coisa. É igual fazer uma live: não é o show ao vivo. Mas tudo tem o seu valor, basta saber apreciar, percebendo e contemplando o que traz de bom. E o Sound System ajuda a popularizar o reggae da mesma forma que o RAP ajudou a popularizar as ideias presentes nas favelas: simplificando a música e a forma de fazê-la.

32) RM: Você se apresenta com Banda?

Lucas Plant: Sim, com bandas de apoio.

33) RM: Quais os seus projetos futuros?

Lucas Plant: Fazer shows pelo Sul do Brasil para depois ir pro Nordeste e pra Europa. Lançar o melhor álbum de reggae romântico lançado no Brasil até hoje.

Diante da incerteza do futuro, o que importa é a manutenção da persistência e da união entre o sonho e a ação.

34) RM: Quais os seus contatos para show e para os fãs?

Lucas Plant: lucasplantcontato@gmail.com

| https://www.instagram.com/lucasplant.music/

|https://www.facebook.com/lucasplant.oficial/

| https://www.youtube.com/c/lucasplant/

| Chama do Amor” – Lucas Plant & Roots Dub Trio (Polônia): https://www.youtube.com/watch?v=TcxAEHtKmQQ

| https://open.spotify.com/album/1wFDFolEdTKMvllj2l5lN2

“Barulho do Mar” – Lucas Plant & Pedro Angi –  Vídeo Oficial: https://www.youtube.com/watch?v=9p6O5qoe1pU

“Prosperidade” – Lucas Plant – Vídeo Oficial: https://www.youtube.com/watch?v=MilgK0aKnfo

“Vai na Fé” – Lucas Plant, Ras Bernardo, Angatu: https://www.youtube.com/watch?v=6hxuMxwyrtI


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.

Publicado Por
Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa
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